
Capítulo 378
Ator Magnata em Hollywood
Lucas olhou para o avô com cautela. Momentos antes, William o estava instigando a abandonar a investigação, e agora ele oferecia ajuda. "Qual é a razão dessa mudança repentina? Você está disposto a me ajudar a 'investigar adequadamente'? O que exatamente isso significa?"
Os lábios de William se curvaram em um sorriso conhecedor. "Significa, meu rapaz, que sua abordagem atual é, na melhor das hipóteses, desleixada. Se você quer derrubar alguém desse calibre, precisa fazer isso direito."
Ele balançou a cabeça, continuando: "Agora que o 'engomadinho' está em alerta, precisamos ser mais espertos."
"O que você sugere?" Lucas perguntou, a curiosidade aguçada.
William recostou-se na cadeira, um brilho nos olhos. "Primeiro, precisamos criar uma distância entre você e a investigação. Contrate um escritório de advocacia respeitável para fazer o trabalho pesado. Eles terão os recursos e a discrição de que precisamos."
Ele listou os pontos nos dedos. "Segundo, coletamos provas discretamente. Nada de contato direto com possíveis testemunhas. Usamos intermediários, protegemos identidades."
"Terceiro", William continuou, "construímos um caso sólido antes de fazer qualquer movimento. Registros financeiros, testemunhos, tudo. Não deixamos pedra sobre pedra."
"E finalmente", ele se inclinou para a frente, a voz baixa, "cronometramos nosso ataque perfeitamente. Esperamos por um momento em que ele esteja vulnerável, talvez quando ele estiver enfrentando outro escrutínio público."
Lucas ouviu, impressionado apesar de si mesmo. Isso estava muito longe de sua própria abordagem desordenada.
William concluiu: "Em Hollywood, o timing é tudo. Não estamos apenas buscando justiça; estamos orquestrando a queda dele."
Lucas assentiu lentamente, processando o plano. Estava claro que o avô sabia mais sobre o lado sombrio da indústria do que havia demonstrado. "Tudo bem", ele disse finalmente. "Vamos fazer do seu jeito."
O sorriso de William tornou-se predatório. "Agora, já que estamos nisso, por que não investigamos também seu pai e sua madrasta?"
Os olhos de Lucas arregalaram-se em surpresa, as palavras lhe falhando.
"Vamos lá", William insistiu, "certamente você não vai deixá-los impunes depois de tudo o que eles te fizeram passar?"
Lucas permaneceu em silêncio, as memórias voltando. Ser expulso à força aos 18 anos da casa que sua mãe possuía. A negligência constante durante o ensino médio, negado até mesmo uma mesada básica. Seus meio-irmãos, incitados pela mãe, tornando sua vida miserável com suas provocações e brincadeiras. As crueldades sutis de sua madrasta, sempre o fazendo sentir-se indesejado em sua própria casa. Apenas Melvin havia lhe mostrado alguma gentileza.
No entanto, apesar de tudo, a ideia de tomar medidas legais contra eles fez Lucas hesitar.
William, sentindo a relutância de Lucas, insistiu. "O que está te impedindo? Seu pai pode não ser tão ruim quanto aquele rei da graxa, mas ele não é um santo. Pagando mal sua equipe, cortando custos nas produções. Ele machucou mais pessoas do que apenas você."
Lucas respirou fundo. "Eu... eu preciso pensar sobre isso."
William estudou o neto, notando o conflito em seus olhos. "Vejo que esta não é uma decisão fácil para você. Mas lembre-se, Lucas, às vezes a justiça exige escolhas difíceis."
Lucas assentiu lentamente, sua mente um turbilhão de emoções conflitantes. Por um lado, a dor de seu passado clamava por retribuição. Por outro, a ideia de atacar legalmente sua própria família, apesar de suas falhas, parecia errada.
"Não se apresse", disse William, a voz mais suave agora. "Mas não deixe que uma lealdade mal colocada proteja aqueles que nunca lhe mostraram nenhuma."
Enquanto Lucas saía do escritório de William, sentiu o peso das palavras do avô.
De volta ao santuário de sua casa, Lucas desabou na cadeira, as palavras do avô ecoando em sua mente. A ideia de processar seu pai e sua madrasta parecia extrema, cruzando uma linha que ele não tinha certeza se estava pronto para cruzar.
Sacudindo a cabeça para clarear os pensamentos, Lucas decidiu focar em outra coisa. Abriu seu laptop e verificou seus e-mails, esperando uma distração.
Seus olhos se arregalaram ao ver uma resposta de Marshmello. Clicando para abrir, ele leu:
"E aí, Lucid,
Curti seu som, cara. Sempre disposto a colaborar com outros que usam máscara. Tenho umas batidas que podem combinar com seu estilo. Vamos fazer barulho juntos.
- Mello"
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Lucas. Marshmello, assim como ele como Lucid, era um artista independente trilhando seu próprio caminho.
Lucas rapidamente digitou uma resposta para Marshmello:
"E aí, Mello,
É ótimo ouvir de você! Eu estava pensando se poderíamos discutir nosso projeto potencial juntos. Só um aviso — minha agenda está prestes a ficar bem cheia, então vamos aproveitar ao máximo nosso tempo agora. Estou ansioso!
- Lucid"
Ele apertou enviar e então recostou-se, satisfeito. Manter sua identidade em segredo enquanto mantinha sua persona Lucid estava se tornando algo natural.
Para sua surpresa, a resposta de Marshmello veio quase imediatamente:
"Agenda cheia? O que está te mantendo tão ocupado? Ou... espera, você é mesmo Lucas Knight como a mídia tem dito? 👀"
Lucas não pôde deixar de rir da franqueza. Ele balançou a cabeça, divertido com a colisão de seus dois mundos. Cuidadosamente, ele elaborou sua resposta:
"Haha, boa essa. Não, apenas um cara normal com um trabalho diurno. Não podemos todos sonhar em ser o LK? 😉"
Ao enviar a resposta, Lucas sorriu para si mesmo.
A emoção de manter Lucid em segredo adicionava uma camada extra de excitação à vida de Lucas. O fato de que até Marshmello estava curioso sobre os rumores de Lucas Knight trazia um sorriso ao seu rosto toda vez que ele pensava nisso.
Nos dias seguintes, Lucas se viu imerso em chamadas de Skype com Marshmello. As câmeras permaneciam desligadas, preservando suas personas mascaradas até mesmo no mundo digital. O anonimato parecia alimentar sua criatividade.
"E se começarmos com uma construção lenta?" a voz distorcida de Marshmello sugeriu. "Depois, acertamos eles com aquela batida no refrão?"
Lucas assentiu, esquecendo por um momento que Marshmello não podia vê-lo. "Gosto disso. Talvez eu pudesse entrar com um falsete um pouco antes da batida?"
Eles trocavam ideias, delineando a estrutura da música. Lucas se viu impressionado com as habilidades de produção de Marshmello, enquanto Marshmello parecia igualmente cativado pelo alcance vocal e ideias líricas de Lucas.
À medida que a colaboração tomava forma, Lucas relutantemente teve que mudar seu foco para seu próximo projeto.
Lucas chegou ao edifício Paramount para a reunião do projeto "Arrival". Ele foi recebido pelos produtores, incluindo Shawn Levy, a quem conhecia do trabalho na próxima série "Stranger Things". Também estavam presentes Dan Levine e Aaron Ryder da 21 Laps Entertainment, e David Linde da Lava Bear Films.
A equipe mergulhou em discussões sobre o projeto, cobrindo o roteiro, a programação e o papel de Lucas no filme.
Enquanto isso, a expectativa por "Whiplash" estava atingindo um ponto culminante. O trailer havia incendiado as redes sociais, com um momento em particular chamando a atenção de todos.
"Vocês viram Lucas Knight ser estapeado?!" exclamou um tweet. "Aquilo parecia muito real!"
Outro usuário comentou: "Revi aquela cena do tapa umas 20 vezes. O som! A maneira como o rosto dele se move! Ou é uma atuação incrível ou alguém vai ter um belo processo."
Até celebridades estavam dando sua opinião. Ryan Reynolds tuitou: "Lembrete: Nunca toque bateria perto de JK Simmons. #WhiplashSlap"
À medida que a data de exibição se aproximava, as pré-vendas de ingressos estavam disparando.
Parecia que um poderoso tapa havia tocado o público, transformando o que poderia ter sido um drama musical de nicho em um evento imperdível.
Uma semana se passou, e enquanto Lucas estava imerso em seu papel como Ian Donnelly para "Arrival", "Whiplash" deu início à sua pré-estreia na quinta-feira em Nova York.
Damien andava nervosamente do lado de fora do cinema de pré-estreia, com o estômago embrulhado. Era isso – sua estreia como diretor estava prestes a enfrentar sua primeira audiência real. O sucesso ou fracasso de "Whiplash" poderia fazer ou desmoronar sua carreira em Hollywood.
Enquanto as pessoas entravam no cinema, pedaços de conversa chegavam aos seus ouvidos. "Lucas Knight" parecia estar na boca de todos. A ansiedade de Damien disparou. Claro, ter uma estrela como Lucas no filme era ótimo para publicidade, mas a audiência apreciaria o filme como um todo, ou estariam ali apenas para vislumbrar seu ator favorito?
O cinema lotou rapidamente, o burburinho animado da multidão crescendo mais alto. Damien não pôde deixar de se perguntar: Eles entenderiam sua visão? A intensidade que ele pretendia transmitiria para a tela? Ou eles sairiam, desinteressados ou, pior, entediados?
Enquanto as luzes diminuíam e o filme começava a rolar, Damien deslizou para um assento na parte de trás, com o coração batendo forte. Tudo o que ele havia trabalhado se resumia às próximas duas horas. Ele prendeu a respiração, esperando a primeira reação, a primeira risada, o primeiro suspiro.
Assim que a sequência de abertura começou, Damien escaneou o cinema escurecido nervosamente. Para seu alívio, a audiência silenciou, cativada pela interpretação de Lucas como Andrew na bateria.
A cena mudou para a imaginação de Andrew, onde Fletcher o elogiava profusamente. Damien notou vários membros da audiência atraídos pelo momento.
Então veio o retorno à realidade, a indiferença real de Fletcher em forte contraste com o devaneio de Andrew.
Um suave "Oh" coletivo percorreu a multidão quando perceberam que haviam sido enganados junto com Andrew. Damien sentiu uma pequena emoção – eles estavam engajados, sentindo pelo seu personagem já.
Perto dele, conversas sussurradas eclodiram. Damien se esforçou para ouvir.
"Tenho a sensação de que Fletcher será o canalha aqui", sussurrou um espectador.
"Heh, sem dúvida", respondeu seu companheiro.
Outra voz interveio: "Ele me lembra meu professor de cálculo do inferno."
Damien suprimiu um sorriso. Eles estavam captando o personagem de Fletcher exatamente como ele pretendia. A audiência estava se conectando, relacionando o filme às suas próprias experiências.
Conforme o filme continuava, Damien recostou-se ligeiramente, permitindo-se respirar. Eles estavam fisgados – por enquanto. Mas ele sabia que ainda havia muitas cenas cruciais pela frente. O verdadeiro teste ainda estava por vir.