
Capítulo 348
Ator Magnata em Hollywood
Enquanto Lucas se sentava na bateria na pequena sala de ensaio do Palace Theatre, ele começou a tocar. Os ritmos fluíam de suas mãos, resultado de incontáveis horas de prática mental em sua Oficina da Mente.
Damien, que tinha uma sólida formação musical, observava do canto, suas sobrancelhas se elevando a cada minuto que passava. Quando Lucas terminou, Damien soltou um assobio baixo.
"Uau, Lucas. Isso foi... impressionante. Realmente impressionante", disse Damien, incapaz de esconder sua surpresa. "Eu não sabia que você podia tocar assim."
Lucas encolheu os ombros modestamente, "Tenho praticado."
Damien assentiu, com uma expressão pensativa no rosto. "Sabe, eu tinha planejado originalmente ter Kyle Crane como seu dublê nas cenas de bateria mais complicadas. Mas vendo você tocar agora..." Ele fez uma pausa, considerando. "Você acha que conseguiria lidar com essas cenas sozinho?"
Lucas sorriu. Esta era sua chance de realmente se esforçar, de usar as habilidades que havia aprimorado em sua Oficina da Mente. "Sim, acho que consigo", disse ele com confiança.
Damien olhou para ele cético. "Você tem certeza? Algumas dessas sequências são bem intensas. Não é só tocar bateria, é transmitir a emoção, a luta..."
Lucas assentiu, sua expressão séria. "Tenho certeza. Sei que será desafiador, mas quero dar o meu melhor. Vou me dedicar completamente para acertar."
Damien o estudou por um momento, depois assentiu lentamente. "Tudo bem, se você está disposto, vamos tentar. Podemos sempre recorrer a Kyle se for preciso."
Lucas assentiu em concordância.
Ele não podia contar a Damien sobre sua Oficina da Mente, mas estava determinado a provar que sua preparação invisível valeria a pena.
Após sua conversa com Damien, Lucas voltou para a bateria, suas mãos encontrando o ritmo mais uma vez.
Desta vez, ele colocou seu coração na performance, deixando a música fluir através dele. Seu corpo se movia com intensidade fluida, cada batida ressoando com emoção pura. As baquetas se tornaram uma extensão de seus braços enquanto ele navegava por padrões complexos, seu rosto uma máscara de concentração e paixão.
No meio da performance, Lucas percebeu J.K. se aproximando pelo canto do olho. O ator mais velho estava lá, sua postura rígida e seu rosto contorcido em uma carranca que poderia azedar o leite. Era puro Fletcher – intimidante, impressionado e absolutamente aterrorizante.
Lucas sentiu uma pontada de adrenalina. J.K. havia entrado no personagem sem aviso, dando início a um ensaio improvisado.
Sentindo-se desafiado, Lucas canalizou o desespero de Andrew para provar-se, tocando bateria com ainda mais fervor.
Assim que o último crash do prato se desfez, o rosto de J.K. se suavizou, a ameaçadora persona de Fletcher se desfazendo. Lucas olhou para ele, ainda um pouco sem fôlego, e perguntou: "O que o senhor achou, senhor?"
J.K. abriu um sorriso caloroso. "Pessoalmente? Achei fantástico. Você tem um talento sério, cara."
Então seus olhos endureceram ligeiramente, um fantasma de Fletcher piscando em seu rosto. "Mas Fletcher? Ele provavelmente diria algo como: 'Se essa é a sua ideia de manter o tempo, não é de se admirar que você esteja sempre apressando ou arrastando. Minha avó poderia tocar com mais precisão, e ela está morta há 20 anos'."
Lucas não pôde evitar uma risada, impressionado e um pouco perturbado com a rapidez com que J.K. conseguia entrar e sair do personagem.
J.K. olhou para Lucas com um toque de preocupação. "Espero não ter ofendido você. É apenas como o personagem de Fletcher pensa."
Lucas riu baixinho, balançando a cabeça. "Está tudo bem. Eu sei que é exatamente assim que Fletcher reagiria."
J.K. assentiu, então hesitou antes de continuar: "Falando nisso, Lucas, sobre o ensaio..."
"Sim?" Lucas incentivou, sentindo o desconforto de J.K.
J.K. respirou fundo. "Você sabe que há cenas que envolvem humilhar Andrew literalmente, certo? Como a cena do tapa. Você está... você está bem com isso?"
Lucas fez uma pausa, notando a crescente tensão de J.K. Ele sorriu tranquilizadoramente. "Claro que está tudo bem. Faz parte da história, parte do personagem. Estou dentro."
J.K. assentiu, mas Lucas percebeu que ele ainda estava hesitante. Estava claro que J.K. estava preocupado em potencialmente ofender ou machucar o "garoto de ouro de Hollywood".
Antes que pudessem discutir mais, a equipe de produção e outros membros do elenco chegaram, prontos para começar o ensaio. Damien colocou todos em posição, e Lucas respirou fundo, entrando na pele de Andrew.
Quando a cena começou, J.K. se transformou diante dos olhos de Lucas, tornando-se o intimidante e implacável Fletcher. O ar na sala parecia mudar, crepitando com tensão.
Damien chamou "ação", e Lucas sentiu-se encolher na postura nervosa e ansiosa para agradar de Andrew.
Enquanto a cena começava, Lucas ficou de lado, observando a banda tocar sob a direção de Fletcher. J.K. incorporou Fletcher perfeitamente, sua postura rígida e seus olhos afiados enquanto ele liderava o conjunto com precisão rigorosa.
Quando o baterista original foi dispensado, Lucas tomou seu lugar atrás da bateria, uma mistura de excitação e nervosismo estampada em seu rosto. J.K., ainda no personagem de Fletcher, aproximou-se dele com uma atitude inicialmente gentil.
"Vamos ver o que você tem, Neiman", disse J.K., sua voz enganosamente suave.
Quando a banda começou a tocar, o rosto de Lucas se iluminou com entusiasmo. No entanto, J.K. rapidamente percebeu um pequeno erro, sua expressão mudando instantaneamente.
"Pare, pare!" J.K. latiu, cortando a música. Ele se virou para Lucas, seus olhos estreitos. "Eu acabei de ouvir você arrastar?"
O rosto de Lucas caiu, o constrangimento colorindo suas bochechas enquanto ele gaguejava: "Eu... eu acho que não, senhor."
J.K. se inclinou, sua voz baixa e ameaçadora. "Ah, você não acha? Bem, eu sei. Você é uma daquelas pessoas de uma lágrima só?"
Lucas estremeceu, parecendo genuinamente intimidado. "N-não, senhor."
J.K. ergueu a mão como se fosse dar um tapa em Lucas, mas no último momento, seu golpe perdeu a força, mal roçando a bochecha de Lucas.
De trás do monitor, Damien franziu a testa. A hesitação era clara, e à medida que a cena continuava, ficava cada vez mais óbvio que J.K. estava pegando leve, literal e figurativamente, quando se tratava de Lucas.
Quando Damien estava prestes a encerrar, Lucas falou: "Podemos fazer outra tomada?"
A equipe fez uma pausa, e todos se reuniram para assistir ao replay. Lucas se virou para J.K., sua expressão sincera. "Senhor Simmons, o senhor não precisa hesitar perto de mim."
J.K. parecia envergonhado, sua natureza gentil transparecendo. "Eu só... estou preocupado em acidentalmente machucar você ou, Deus me livre, estragar esse seu rosto de um milhão de dólares."
Lucas não pôde deixar de rir. Ele colocou uma mão reconfortante no ombro de J.K. "Olha, você não precisa se preocupar com isso. Mesmo que eu me machuque ou você de alguma forma consiga deformar meu rosto", ele fez uma pausa para efeito, um brilho travesso em seus olhos, "eu apenas processarei a produção e me aposentarei mais cedo."
A equipe caiu na gargalhada, a tensão na sala se dissipando. Até Damien deu um pequeno sorriso.
Lucas continuou, seu tom mais sério agora: "Mas, na verdade, estou aqui para tornar este filme o mais autêntico possível. Não se segure por minha causa. Eu aguento."
J.K. estudou Lucas por um momento, então assentiu, um novo respeito em seus olhos. "Tudo bem, garoto. Se você tem certeza. Mas não venha choramingar para mim quando precisar de cirurgia plástica."
Lucas sorriu. "Fechado. Agora, vamos tentar de novo?"
Damien, parecendo aliviado, gritou: "Certo, vamos reiniciar. Do começo!"
Enquanto todos voltavam para a posição, houve uma mudança palpável na atmosfera. J.K. endireitou os ombros, voltando a vestir a pele de Fletcher, mas desta vez com um brilho de determinação em seus olhos. Lucas, por sua vez, parecia nervoso e animado.
A cena começou de novo, e desta vez, J.K. não se conteve. Sua mão conectou-se com a bochecha de Lucas com um tapa sonoro. "Essa é a sua ideia de estar no tempo? Se você quer ser um dos meus melhores músicos, você tem que merecer!"
O rosto de Lucas se contorceu com choque e humilhação genuínos. Seus olhos marejaram levemente enquanto ele gaguejava: "Eu... eu sinto muito, senhor. Não vai acontecer de novo."
Enquanto Lucas mexia na bateria, claramente abalado, J.K. não pôde deixar de se perguntar se o jovem ator estava realmente atuando ou se ele o havia genuinamente humilhado na frente de todos.
Sua mão conectando-se novamente com a bochecha de Lucas, mas com menos impacto do que o pretendido.
Quando Damien gritou "corta", J.K. imediatamente se aproximou de Lucas, preocupação estampada em seu rosto. "Sinto muito, Lucas. Foi demais?"
Lucas riu, esfregando a bochecha. "Está tudo bem, de verdade. Vamos assistir de novo."
Eles se reuniram para assistir à gravação.
Enquanto revisavam a filmagem, Damien e a equipe notaram a melhora na intensidade de J.K., mas estava claro que ainda havia espaço para mais.
Lucas não estava satisfeito. "Vamos fazer de novo", ele insistiu. Então, com um sorriso, acrescentou: "E, Sr. Simmons, não tenha medo de realmente me pegar desta vez."
A equipe riu, mas havia uma corrente de respeito em sua diversão. Ali estava Lucas Knight, o garoto de ouro de Hollywood, submetendo-se voluntariamente à humilhação física e emocional em prol de sua arte.
O ensaio começou novamente, e desta vez, J.K. abraçou totalmente a intensidade de Fletcher. Sua mão conectou-se com a bochecha de Lucas com um tapa sonoro que ecoou pela sala. Lucas cambaleou, genuinamente pego de surpresa pela força.
J.K., agora totalmente no personagem, investiu contra Lucas. "É o melhor que você pode fazer, seu ingrato inútil? Minha avó morta conseguia manter o tempo melhor que você!"
Apesar de estar visivelmente abalado, Lucas permaneceu no personagem como Andrew. Sua voz tremia, mas ele conseguiu gaguejar: "Eu... eu sinto muito, senhor. Farei melhor. Por favor, me dê outra chance."
A equipe e os colegas de elenco observaram em silêncio atordoado. A transformação de J.K. em Fletcher foi tão completa, tão aterrorizante, que muitos sentiram um arrepio na espinha. Eles sabiam que J.K. era um homem gentil fora das câmeras, mas naquele momento, ele era a personificação de seus piores pesadelos de um professor abusivo.
Ao mesmo tempo, o respeito por Lucas cresceu exponencialmente. Apesar de ter sido desequilibrado, física e emocionalmente, ele não saiu do personagem nem reclamou. Ele aguentou a bronca intensa e respondeu como Andrew faria - aterrorizado, mas desesperado para provar-se.
Atuando diante deles não eram atores comuns, mas dois que estavam dispostos a se esforçar ao máximo por sua arte.