
Capítulo 318
Ator Magnata em Hollywood
Em seu luxuoso escritório na Warner Bros., Vince Knight recostou-se na cadeira, o rosto uma máscara de irritação. Ele acabara de ser informado de que o empresário de Lucas havia recusado sua oferta de ajuda.
"Moleque teimoso do caramba", Vince murmurou, jogando o relatório sobre a mesa.
Sua assistente, pairando nervosamente na porta, pigarreou. "Devo agendar outra ligação, senhor? Talvez se o senhor falasse diretamente com Lucas..."
"Não", Vince retrucou, cortando-a. "Se ele quer ser um idiota e enfrentar Harvey sozinho, que assim seja."
Ele se levantou, andando pelo cômodo. "Ele tem alguma ideia do que está enfrentando? Harvey vai devorá-lo vivo."
A assistente permaneceu em silêncio, sabendo que era melhor não interromper quando Vince estava de mau humor.
Vince parou na janela, olhando para o horizonte de Hollywood. "Ele pensa que é tão esperto, não pensa? Provavelmente acha que pode enfrentar toda a indústria sozinho."
Ele se virou para sua assistente. "Mantenha-me atualizado sobre tudo."
"Sim, senhor", ela assentiu, retirando-se rapidamente do escritório.
Sozinho, Vince serviu-se de uma bebida, sua mente acelerada. Uma parte dele queria deixar Lucas cair e se queimar, para lhe dar uma lição sobre as realidades de Hollywood. Mas outra parte, uma parte que ele não gostava de admitir, estava preocupada.
"Moleque estúpido", ele murmurou para seu copo. "Você não tem ideia do que está se metendo."
Enquanto tomava sua bebida, Vince começou a planejar. Se Lucas não aceitaria sua ajuda diretamente, talvez houvesse outras maneiras de intervir. Afinal, ele tinha sua própria reputação a considerar. Ele não podia permitir que a cruzada de seu filho derrubasse o nome Knight.
Em seu opulento escritório, Harvey Weinstein soltou uma risada zombeteira que não conseguia mascarar a raiva latente em sua voz. Ele acabara de receber a notícia de que a equipe de Lucas estava pronta para enfrentá-lo no tribunal.
"Você pode acreditar neste garoto?", Harvey zombou, agitando o relatório no ar. "Ele acha que pode me enfrentar? A mim?"
Bob Weinstein sentou-se à sua frente, o rosto uma máscara de emoções conflitantes. A raiva pela confusão que seu irmão havia criado guerreava com a preocupação pelo comportamento cada vez mais errático de Harvey.
"Talvez devêssemos reconsiderar nossa abordagem, Harvey", Bob arriscou cautelosamente. "Isso está saindo do controle."
Os olhos de Harvey brilharam perigosamente. "Saindo do controle? Isso não é nada. Eu já esmaguei nomes maiores do que Lucas Knight."
Bob observou enquanto Harvey servia outra bebida, notando como a mão do irmão tremia levemente. Era quase meio-dia.
"Estou apenas dizendo, talvez devêssemos..."
"Devíamos o quê, Bob?", Harvey retrucou. "Nos render? Deixar um ator bonitinho e um bando de prostitutas mentirosas me derrubar?"
Bob se encolheu com o veneno na voz de Harvey. "Não foi isso que eu quis dizer. Estou preocupado com você, Harvey. A bebida, a raiva... não é bom para você nem para a empresa."
Harvey riu amargamente. "Poupe-me da preocupação, irmãozinho. Tenho isso sob controle."
Enquanto Harvey se virava para sua mesa, murmurando sobre dar uma lição em Lucas, Bob sentiu um nó no estômago. Ele podia ver o desastre se aproximando, mas se sentia impotente para impedi-lo.
Com licença, Bob deixou o escritório de Harvey. Por quanto tempo ele poderia continuar a permitir o comportamento de seu irmão?
Enquanto Bob se afastava do escritório de Harvey, seu telefone vibrou. Número desconhecido. Ele ignorou, mas tocou novamente quase imediatamente. Suspirando, ele atendeu.
"Alô? Quem fala?"
"Senhor Weinstein? Aqui é Neil, o empresário de Lucas Knight."
Bob congelou no meio do passo, franzindo a testa. "O que você quer? Se for sobre meu irmão, esqueça. Não vou me envolver."
A voz de Neil veio, calma mas insistente. "Com todo o respeito, senhor Weinstein, o senhor já está envolvido. O senhor é irmão de Harvey, sua família. Isso o afeta, goste o senhor ou não."
Bob apertou a ponte do nariz, sentindo uma dor de cabeça se aproximando. "Olha, não sei o que você pensa que posso fazer, mas..."
"Apenas se encontre comigo", Neil o interrompeu. "Uma conversa, é tudo o que peço. Extraoficialmente, se preferir."
Bob hesitou, olhando para trás, na direção do escritório de Harvey. Ele ainda podia ouvir os murmúrios raivosos de seu irmão.
"Eu... não sei se isso é uma boa ideia", disse Bob, baixando a voz.
"O que você tem a perder?", Neil insistiu. "Uma reunião. Se você não gostar do que ouvir, nunca mais precisará falar comigo."
Bob ficou ali por um longo momento, pesando suas opções. Finalmente, ele soltou um longo suspiro.
"Certo. Uma reunião. Mas em algum lugar discreto. E se alguém perguntar, nunca tivemos esta conversa."
"Entendido", Neil respondeu, o alívio evidente em sua voz. "Enviarei os detalhes por mensagem."
Lucas inclinou-se para frente, os olhos fixos em Neil. "Então? Ele concordou?"
Neil assentiu. "Sim, ele concordou. Mas ele pensa que está se encontrando apenas comigo. Não tenho certeza de como ele reagirá quando vir você lá também."
Lucas sorriu, um brilho de determinação em seus olhos. "Não se preocupe com isso. Eu cuido do Bob. Acho que posso convencê-lo a enfrentar o Harvey."
Neil não conseguiu esconder seu ceticismo. "Lucas, sei que você está confiante, mas estamos falando do irmão dele. Os laços familiares são profundos nesta cidade."
O que Neil não sabia, e o que Lucas não podia explicar, era o conhecimento que ele carregava de sua vida anterior. Naquela realidade, Bob estava profundamente preocupado com o bem-estar de Harvey, apreensivo com o vício em sexo de seu irmão e seu estado mental cada vez mais instável.
"Confie em mim, Neil", disse Lucas, sua voz calma mas firme. "Bob não é tão leal a Harvey quanto todos pensam. Ele está preocupado com ele, claro, mas também está cansado de limpar as bagunças dele."
Neil ergueu uma sobrancelha. "E como você sabe disso?"
Lucas fez uma pausa, tentando encontrar uma maneira de explicar sem parecer louco. "Digamos que fiz minha pesquisa. Bob viveu na sombra de Harvey por anos, lidando com as consequências de seu comportamento."
Neil balançou a cabeça, ainda em dúvida. "Espero que você esteja certo, garoto."
Dois dias depois, Lucas e Neil se encontraram sentados em frente a Bob Weinstein em um canto discreto de uma delicatessen tranquila. As sobrancelhas de Bob se ergueram ligeiramente com a presença de Lucas, mas ele não pareceu excessivamente surpreso.
Após breves cumprimentos, Lucas foi direto ao ponto. "Senhor Weinstein, estamos aqui porque achamos que o senhor deveria se opor ao seu irmão."
Bob riu, mas não havia humor na risada. "É muita ousadia sua me dizer isso na cara, garoto. Ele ainda é meu irmão, sabe."
Lucas inclinou-se para frente, sua voz baixa e intensa. "Eu sei. Mas o senhor deve estar cansado de tudo isso, Bob. E mais do que isso, acho que o senhor está preocupado com ele."
Os olhos de Bob se estreitaram. "Preocupado? Como assim?"
"Harvey não está bem", Lucas disse sem rodeios. "Mesmo que ele consiga evitar essas alegações agora, com seu estado mental atual, é apenas uma questão de tempo até que ele as enfrente novamente. E da próxima vez, ele pode não conseguir fugir disso."
Bob permaneceu em silêncio, seu rosto ilegível. Lucas continuou: "Ele precisa de ajuda, Bob. Ajuda de verdade. E permitir que ele continue assim, encobrindo-o... só está piorando as coisas. Ele precisa enfrentar isso agora, obter a ajuda de que precisa antes que seja tarde demais."
Neil observou a troca, o choque evidente em seu rosto ao ver Bob realmente considerando as palavras de Lucas.
Depois do que pareceu uma eternidade, Bob falou, sua voz quase um sussurro. "Eu... vou pensar no que você disse."
Ao saírem, Neil virou-se para Lucas, com espanto nos olhos. "Como você sabia de tudo isso? Sobre o estado mental de Harvey, sobre a preocupação de Bob?"
Lucas apenas sorriu. "Às vezes, você só precisa confiar em seus instintos, Neil."
A situação Lucas versus Harvey havia se tornado o assunto da cidade, dominando as redes sociais e as conversas durante o jantar em todos os Estados Unidos. O envolvimento de uma estrela em ascensão como Lucas Knight enfrentando uma potência de Hollywood como Harvey Weinstein havia capturado a imaginação do público.
Dada a natureza de alto perfil do caso e o frenesi da mídia em torno dele, o tribunal havia acelerado os procedimentos. Este não era apenas mais um processo de celebridade; tinha implicações para toda a indústria do entretenimento e para o movimento #MeToo.
No dia da audiência, o tribunal era um circo. Repórteres de todas as grandes redes disputavam posições, blogueiros twittavam ao vivo cada detalhe, e uma multidão de curiosos se aglomerava, esperando vislumbrar o drama se desenrolando.
Harvey chegou primeiro, flanqueado por sua equipe jurídica e com uma expressão sombria. Seu irmão Bob o seguiu logo depois, o rosto uma máscara de emoções conflitantes.
Quando o carro de Lucas parou, a multidão avançou. Sua equipe de segurança formou uma barreira humana enquanto Lucas, Neil e Vincent se dirigiam para as escadas do tribunal.
"Senhor Knight! Lucas! Pode comentar as alegações?"
"Como você responde às afirmações de Harvey?"
"Você está preocupado com o impacto em sua carreira?"
As perguntas vinham em rápida sucessão de todas as direções. Lucas, parecendo sereno em um terno elegante, levantou a mão para acalmar a multidão.
"Tudo ficará claro no tribunal", ele disse firmemente. "É tudo o que posso dizer por enquanto. Obrigado."
Enquanto Lucas e sua equipe desapareciam no tribunal, os repórteres se voltavam para suas câmeras, ansiosos para especular sobre o que aconteceria a seguir.
Fora do tribunal, a multidão fervilhava com especulações.
"Harvey provavelmente terá que pagar Lucas por difamação", disse uma jovem com uma camiseta #MeToo, confiante.
Sua amiga assentiu. "Sim, mas para um cara como Harvey? Isso é provavelmente troco de bala."
Um homem mais velho interveio: "Mas se Lucas tiver que pagar? Isso poderia realmente prejudicá-lo. Ele é apenas um ator, afinal."
Mal sabiam eles sobre os significativos investimentos de Lucas na Uber e na Vine, vendo-o apenas como o famoso ator que conheciam da tela grande.
Lá dentro, o tribunal estava lotado. Câmeras das grandes redes estavam instaladas, transmitindo os procedimentos ao vivo em todo o país. CNN, Fox News e MSNBC tinham seus principais analistas jurídicos fornecendo comentários.
O caso havia até mesmo atraído atenção internacional. BBC World News e Al Jazeera enviaram correspondentes, reconhecendo as implicações globais deste confronto de Hollywood.
Quando o juiz convocou o tribunal à ordem, um silêncio caiu sobre a sala. Lucas, sentado à mesa do autor, parecia calmo e controlado. Harvey, na mesa da defesa, parecia mal conter sua raiva.
O mundo assistia, fascinado, enquanto o escrivão anunciava: "O caso Knight versus Weinstein está agora em sessão."