
Capítulo 287
Ator Magnata em Hollywood
O sol havaiano castigava o set de "Jogos Vorazes: Em Chamas", seus raios cintilando nas águas azuis. Risadas ecoavam pela praia enquanto os membros do elenco chapinhavam na água entre as tomadas, seus rostos uma mistura de excitação e exaustão após longos dias de filmagem.
Lucas entrou nas águas rasas, puxando Jennifer pela mão. Ela sorriu, mas fez uma careta quando a água salgada bateu em seus ouvidos. "Talvez eu devesse ficar de fora desta", disse ela, pressionando a palma da mão na lateral da cabeça.
Enquanto isso, no resort Turtle Bay, Sam Claflin pressionava um pano frio na testa, gemendo suavemente. No quarto ao lado, a voz geralmente retumbante de Alan Ritchson foi reduzida a um sussurro enquanto ele ligava para o serviço de quarto pedindo mais água. Stephanie encolheu-se debaixo de um cobertor, tremendo apesar do calor tropical.
O assistente de produção suspirou, riscando mais um nome da lista de chamada do dia. O paraíso de sol, areia e mar havia cobrado seu preço, deixando um rastro de queimaduras solares, desidratação e fadiga em seu caminho.
A praia ensolarada fervilhava de atividade enquanto Lucas, Bruno Gunn e Meta Golding relaxavam em suas toalhas. Bruno jogou um frisbee, seu arco neon cortando o ar salgado.
"Ei, você não é o Lucas?" Uma jovem se aproximou, os olhos arregalados de reconhecimento. Ela segurava o telefone, os nós dos dedos brancos de excitação.
Lucas assentiu, um sorriso caloroso se espalhando pelo rosto. "Sou eu. Gostaria de uma foto?"
A mulher sorriu, posicionando-se ao lado dele enquanto sua amiga tirava uma foto rápida. "Mahalo", disse ela, curvando-se ligeiramente antes de se afastar.
Lucas notou uma pequena multidão se formando, sua excitação palpável, mas contida.
Um por um, eles se aproximaram, oferecendo leis [1], apertos de mão suaves e camisas aloha para autógrafos. Os ombros de Lucas relaxaram, a tensão que ele não percebera que carregava se desfazendo sob a atmosfera descontraída.
À medida que o sol descia, Kekoa se aproximou do grupo. "E aí, irmãos? Querem um pouco de pakalolo? Tradição da ilha, né?"
Lucas hesitou, balançando a cabeça educadamente. "Obrigado, mas vou passar."
Os olhos de Bruno se iluminaram. "Bem, quando em Roma..." ele sorriu, seguindo Kekoa.
Vários membros da equipe seguiram atrás, o cheiro de fumaça doce logo flutuando no ar da noite.
Lucas os observou partir, contente em mexer os dedos dos pés na areia que esfriava e se deleitar com o suave murmúrio das ondas e a música distante do ukulele.
O ar na tenda de produção estava denso com uma fumaça doce e pungente. Membros da equipe relaxavam em cadeiras dobráveis, olhos vidrados e sorrisos preguiçosos. No centro, Kekoa, com seus cabelos grisalhos presos em um coque apertado, gesticulava animadamente.
"Esta planta é sagrada para Kane", explicou ele, segurando um raminho frondoso. "Ela nos conecta à 'aina [3], uns aos outros."
Uma assistente de produção riu, quase caindo da cadeira.
Enquanto isso, Lucas bateu suavemente na porta do quarto de hotel de Jennifer. "Jen? Está aí?"
"Só um segundo!" A voz dela soou abafada, seguida por um farfalhar de papéis.
Quando a porta se abriu, o cheiro familiar atingiu as narinas de Lucas. Seus olhos se estreitaram, examinando o quarto até pararem no cigarro de maconha semi-enrolado na mesa de cabeceira.
As bochechas de Jennifer coraram. "Ah, isso é... Eu só estava..."
Lucas entrou, fechando a porta atrás de si. "Jen, o que está acontecendo?"
Ela mexeu na barra da camisa. "Faz parte da cultura daqui. Kekoa disse que ajudaria com meu ouvido..."
Lucas afundou na cama ao lado dela, passando a mão pelo cabelo. "E sua infecção no ouvido? Como está se sentindo?"
Os ombros de Jennifer relaxaram um pouco. "Melhor, na verdade. Acho que estarei bem para a filmagem de amanhã."
Lucas assentiu, seu olhar voltando para o cigarro de maconha inacabado. O silêncio se estendeu entre eles, pesado com preocupações não ditas.
O olhar de Lucas demorou-se no cigarro de maconha inacabado, sua testa franzida. Ele pegou o frasco de comprimidos laranja na mesa de cabeceira, chacoalhando-o suavemente. "Isso foi o que o médico receitou, certo? Para o seu ouvido?"
As bochechas de Jennifer coraram em um tom mais profundo de rosa. Ela assentiu, incapaz de encará-lo.
"E isso?" Lucas gesticulou para o cigarro de maconha com o queixo. "Tenho certeza de que isso não estava na receita."
Os dedos de Jennifer se retorceram em seu colo. "Eu só... eu queria saber como era", ela murmurou.
Uma risada suave escapou dos lábios de Lucas. "Curiosidade, hein?" Seus olhos se enrugaram nos cantos, uma mistura de diversão e preocupação.
Ele se recostou, as palmas das mãos apoiadas na cama. "Olha, não estou aqui para bancar o pai. Você é sua própria pessoa."
A cabeça de Jennifer se ergueu, a surpresa piscando em seu rosto.
"Mas", Lucas continuou, seu tom suavizando, "essa coisa? Não é uma erva inofensiva."
Jennifer abriu a boca para protestar, mas Lucas levantou a mão.
"Claro, tem alguns usos medicinais. Mas não é uma cura para tudo. Demais, e vai mexer com a sua cabeça. Turvar seu julgamento." Ele tocou a têmpora para enfatizar.
Os ombros de Jennifer caíram. Ela pegou o cigarro de maconha, enrolando-o entre os dedos. Depois de um longo momento, ela suspirou, sua voz mal acima de um sussurro. "Você está certo."
O cigarro de maconha caiu na lata de lixo com um baque suave.
Enquanto o amanhecer surgia sobre a costa havaiana, a produção de "Jogos Vorazes" voltou à vida. Membros do elenco, ainda bocejando e segurando xícaras de café, dirigiram-se à praia. A filmagem de hoje prometia ser intensa – uma série de cenas de luta nas águas cristalinas.
A praia ecoava com gritos e salpicos enquanto as câmeras rodavam. Jennifer mergulhou na água turquesa, sua trança chicoteando atrás dela. Um jato de água de repente irrompeu ao lado dela, a força batendo contra sua cabeça. Ela engasgou, desorientada, enquanto o mundo abafava ao seu redor.
"Corta!" A voz do diretor mal penetrou o zumbido em seus ouvidos.
Jennifer emergiu, balançando a cabeça para clarear. Um assistente de produção preocupado correu. "Você está bem?"
Ela assentiu, forçando um sorriso apesar da dor latejante. "Estou bem. Vamos de novo."
Mais tarde, o set mudou para uma selva densa. Cipós pendiam como cortinas, a névoa agarrando-se a cada folha. Sam tropeçou, seu pé enganchando em uma raiz escondida. Ele engoliu um xingamento ao cair com força de lado.
Alan, ao se abaixar para ajudá-lo a se levantar, de repente recuou. "Ai!" Ele olhou para a mão, vergões vermelhos irritados já se formando onde havia roçado em uma planta.
Jennifer abriu caminho pela folhagem, seus movimentos mais lentos do que o normal. Ela piscou com força, tentando se concentrar nas instruções do diretor através do zumbido persistente em seus ouvidos.
Ao lado, Lucas esperava, roteiro em mãos. Seus olhos voavam entre seus colegas de elenco, a preocupação gravando linhas em sua testa. Enquanto Jennifer se preparava para outra tomada, ele notou seu leve estremecimento, a maneira como ela inclinava a cabeça como se estivesse se esforçando para ouvir.
O diretor assistente gritou: "A postos, todos! Katniss, é a sua vez. Peeta, chegaremos a você na próxima cena."
Lucas recuou, se misturando nas sombras da selva artificial, enquanto as câmeras se concentravam no rosto determinado de Jennifer.
O set improvisado da selva fervilhava de atividade. Jennifer cerrou os dentes, lançando-se de uma plataforma escondida na folhagem. Ela aterrissou com força, rolando para absorver o impacto.
"Corta!" gritou o diretor. "Ótimo trabalho, Jen. Você está bem?"
Ela assentiu, tirando as folhas do cabelo. "Estou bem."
Perto dali, Lucas se preparava para sua cena. Ele fechou os olhos, respirou fundo e então correu pela pista de obstáculos de cipós e galhos. Seus movimentos eram fluidos, quase como uma dança, enquanto ele desviava e serpenteava.
"E... corta! Perfeito, Lucas. Um prodígio de primeira tomada!"
A equipe trocou olhares impressionados. Sam, cuidando de um tornozelo torcido, balançou a cabeça em descrença. "Como ele faz parecer tão fácil?"
Semanas se misturaram em uma névoa de madrugadas, dias longos e músculos doloridos. Finalmente, enquanto o sol baixava em uma sexta-feira à tarde, Francis gritou: "É um wrap!" [4]
Uma salva de palmas irrompeu do elenco e da equipe. Abraços foram trocados, cumprimentos de "high-five" dados livremente.
Mais tarde naquela noite, o pátio à beira-mar do Turtle Bay Resort se transformou. Tochas tiki cintilavam, lançando um brilho quente sobre mesas repletas de iguarias locais. O som de ukuleles se misturava com risadas e o tilintar de copos.
O saguão do resort fervilhava com risadas e conversas, uma névoa de fumaça doce pairando no ar. Lucas franziu o nariz, guiando gentilmente Jennifer em direção ao elevador.
"Vamos pegar um pouco de ar fresco", ele murmurou.
Momentos depois, eles estavam na varanda, a brisa fresca da noite um alívio bem-vindo. As estrelas cintilavam acima, espelhadas pelas luzes distantes dos barcos no horizonte.
Lucas encostou-se na grade, seus olhos encontrando os de Jennifer. "Parece surreal, não parece? Estar realmente terminado."
Jennifer suspirou, dando um longo gole em seu copo. "Deus, estou exausta. Sabe o que parece incrível agora? Umas férias de verdade. Você, eu, sem câmeras, sem acrobacias."
Uma risada suave escapou dos lábios de Lucas. "O quê, você quer dizer que isso não foi uma escapada tropical?"
Ela deu um tapa brincalhão no braço dele. "Ah sim, nada diz 'relaxamento' como quase morrer afogada cinco vezes por dia."
"Ponto justo", Lucas concedeu, seu sorriso caloroso. "Embora eu ainda tenha aquela música para gravar para a trilha sonora."
Jennifer abriu a boca para responder, mas foi interrompida por uma voz retumbante.
"Aí está você, seu diabo astuto!" Francis apareceu, sorrindo amplamente. "Achou que poderia escapar da sua promessa, hein?"
Lucas fingiu confusão. "Promessa?"
"Não se faça de desentendido", Francis balançou um dedo. "Aquela música digna de Oscar que você tem mantido em segredo. Dizem que você tem feito serenatas para uma certa pessoa em particular." Ele piscou para Jennifer, que corou.
Um brilho travesso apareceu nos olhos de Lucas. "Bem, se você insiste... por que não fazer um show? Ouvi dizer que há uma máquina de karaokê lá embaixo."
O rosto de Francis iluminou-se como o de uma criança na manhã de Natal. "Brilhante! Vou reunir a equipe. Isso vai acontecer, meu amigo!"
Lucas estendeu a mão para Jennifer com uma reverência brincalhona. "Vamos, minha senhora?"
Ela revirou os olhos, mas pegou a mão dele, sorrindo. "Que cavalheiro."
[1] - Leis: colares de flores ou folhas, símbolos de boas-vindas e afeto na cultura havaiana.
[2] - Pakalolo: termo havaiano para maconha.
[3] - 'aina: palavra havaiana que significa terra ou solo, frequentemente com um sentido de conexão espiritual e cultural.
[4] - Wrap: termo usado na indústria cinematográfica para indicar o fim das filmagens.