Ator Magnata em Hollywood

Capítulo 241

Ator Magnata em Hollywood

Num espaço alugado pitoresco na Pensilvânia, a produção do projeto independente "As Vantagens de Ser Invisível" estava em andamento. Lucas encontrava-se na companhia de Lianne Halfon, Russel Smith e John Malkovich, os estimados fundadores da Mr. Mudd Productions. A sala fervilhava de expectativa enquanto se preparavam para discutir sua próxima colaboração.

Lucas estendeu a mão para o trio, seu aperto firme e confiante. "É um prazer conhecê-los." Seu sorriso irradiava sinceridade, um testemunho de sua genuína empolgação.

Lianne, uma mulher de meia-idade com um sorriso acolhedor, foi a primeira a responder. "O prazer é nosso. Você tem causado bastante burburinho ultimamente, não é?"

Russel, outro homem de meia-idade com uma risada calorosa, juntou-se a ela: "Quem não ouviu falar de Lucas hoje em dia? Seu nome está em toda parte!"

John também apertou a mão de Lucas com um brilho nos olhos. "Um jovem promissor, de fato", disse ele, com a voz cheia de aprovação.

Enquanto se acomodavam em seus assentos, Lucas notou o brilho nos olhos deles, claramente avaliando-o. Ele sabia que estavam o analisando, observando cada palavra e gesto. Indiferente, ele manteve a compostura e se juntou à conversa leve.

Então, de repente, John falou: "Você sabe, Chbosky teve suas reservas em escalá-lo como Charlie. Ele achou que você poderia ser muito alto e parecer maduro demais para o papel, embora seu rosto tenha aquele charme juvenil."

Lianne cutucou John gentilmente, lançando-lhe um olhar que dizia "Informação demais". Ela se virou para Lucas com um sorriso apologético. "Sinto muito que você tenha tido que ouvir isso."

John levantou as mãos defensivamente. "Ei, eu não fui quem pensou isso! Foi o Stephen. Mas eu sei que você consegue, Lucas."

Russel Smith interveio: "Mas talvez você pudesse ter sido um pouco mais tático, John."

Lucas ignorou as preocupações deles com um sorriso. "Sem problemas, pessoal. Eu entendo o ponto dele. Sou um pouco alto para um estudante do ensino médio, mas compensarei com minha atuação."

Antes que alguém pudesse responder, uma nova voz se manifestou. "Confiante, não?"

Todas as cabeças se viraram para ver Stephen Chbosky, o escritor e diretor do projeto, entrando na sala.

Lucas levantou-se e estendeu a mão para Stephen Chbosky, com um sorriso caloroso no rosto. "Prazer em conhecê-lo, Sr. Chbosky." No entanto, para sua surpresa, Stephen ignorou o aperto de mão e, em vez disso, serviu-se de um copo de água do bebedouro próximo. A mão de Lucas ficou suspensa no ar por um momento antes que ele a retirasse.

Stephen tomou um gole de água antes de continuar: "Sabe, se dependesse de mim, eu não teria escalado você como Charlie. Mas esses produtores aqui", disse ele, gesticulando para Lianne, Russel e John, "acham que você é uma espécie de prodígio da atuação." Ele se virou para Lucas, seu olhar inabalável. "Mas eu acho que eles só querem suas músicas na trilha sonora do filme e lucrar com sua popularidade."

John Malkovich interveve: "Não é tão simples assim, Stephen—"

"Ah, qual é, John. Todos nós sabemos por que estamos aqui", Stephen interrompeu. "Seus filmes só dão dinheiro por causa da sua base de fãs, não por suas habilidades de atuação."

Os três produtores se mexeram desconfortavelmente em seus assentos, incapazes de refutar as palavras ríspidas de Stephen. A sala mergulhou em silêncio, a tensão palpável.

Stephen Chbosky estava alheio a quem Lucas era, consumido por suas responsabilidades de escrita e direção. Ele havia relutantemente entregue as decisões de elenco aos produtores, nunca esperando que escolhessem alguém tão conhecido quanto Lucas.

Stephen acreditava que Lucas conseguiu o papel devido à sua fama, não às suas habilidades de atuação. Sua dedicação ao projeto tinha sido tão focada que ele nem se preocupara em pesquisar os atores que os produtores estavam considerando. Como resultado, ele nutria dúvidas sobre a destreza de atuação de Lucas, convencido de que era apenas sua popularidade que lhe garantiu o papel principal no filme.

A mente de Lucas disparou enquanto ele digeria as palavras de Stephen. "Então, eles me escalaram sem nem conhecer meu trabalho?", pensou, incrédulo. Se tivessem se dado ao trabalho de pesquisar, saberiam que atuar era seu primeiro amor, e a música era apenas um feliz acidente.

"Bem, parece que não sou bem-vindo aqui", disse Lucas, resignado. Ele começou a sair quando John Malkovich o deteve.

"Espere, Lucas! É apenas um mal-entendido." John se virou para Stephen, a irritação evidente em sua voz. "Você nem viu o trabalho dele, cara. Dê uma chance ao garoto!"

Stephen bufou, ainda não convencido. "Tudo bem, mas estou fazendo isso só por causa de vocês três", disse ele, olhando relutantemente para os outros produtores. "Mas se ele estragar tudo, a culpa é de vocês."

Lucas se virou, seu olhar encontrando o de Stephen de frente. "Tudo bem, vou te dar uma atuação." Ele estava mais do que um pouco irritado com a atitude do diretor, mas estava determinado a provar que ele estava errado.

"O que está esperando? Vamos ver o que você tem", Stephen instigou, cruzando os braços sobre o peito.

Russel Smith falou: "Não deveríamos pelo menos fazer com que ele se preparasse—"

"Ele tem o roteiro há semanas, Russel. Tenho certeza de que ele está preparado", Stephen interrompeu, um sorriso irônico brincando em seus lábios.

John Malkovich abriu a boca para defender Lucas, mas ele o venceu.

"Certo, lá vai nada", Lucas murmurou baixinho. Ele já havia passado por essa situação antes, tendo que provar seu valor a diretores céticos em projetos maiores, mas um filme independente? Ele nunca pensou que teria que fazer isso novamente.

Sob os olhares atentos dos produtores e de Stephen, Lucas se transformou. Foi como se ele tivesse acionado um interruptor, sua própria postura mudando diante de seus olhos. Sumiu o ator confiante e equilibrado, substituído por um adolescente tímido e desajeitado.

Stephen apertou os olhos, tentando identificar a diferença. Então ele percebeu: estava na maneira como Lucas se portava, na maneira como ele olhava ao redor da sala.

Lucas, agora totalmente imerso no papel de Charlie, começou a encenar uma cena do roteiro. Sua voz, geralmente grave e confiante, assumiu um tom mais suave e hesitante. Ele se movia pela sala como se estivesse navegando em um campo minado, tomando cuidado para não chamar muita atenção para si mesmo. Sua postura curvou-se ligeiramente, os ombros encurvados para a frente como se quisesse se fazer menor.

Os produtores e Stephen observavam, hipnotizados. Lucas capturou a vulnerabilidade e o anseio por conexão do adolescente sem recorrer a gestos exagerados ou maneirismos afetados. Em vez disso, foi na sutileza de sua atuação que ele brilhou: a maneira como ele desviava os olhos pela sala, o tamborilar nervoso do pé e o resmungar suave, quase inaudível, consigo mesmo.

À medida que a audição improvisada progredia, até mesmo o cético Stephen se viu envolvido na performance, esquecendo que este era o mesmo ator que ele havia dispensado momentos antes. No final, não havia dúvida na mente de ninguém de que Lucas nasceu para interpretar o papel de Charlie.

A sala estava em silêncio enquanto Lucas voltava à sua própria pele, com um brilho brincalhão nos olhos ao perguntar: "O que acharam da minha audição?"

Os quatro saíram de seu estado de transe, trocando olhares.

Os três produtores não puderam deixar de admitir a si mesmos que também haviam nutrido algumas dúvidas quando viram Lucas pela primeira vez. Sua aparência jovem pessoalmente contrastava com as performances maduras que haviam visto na tela. Mas agora, não havia como negar seu talento.

"Aquilo foi...", Lianne Halfon começou, sem palavras. "Agora entendo por que você é tão popular." Ela aplaudiu suavemente, os olhos brilhando de admiração.

John Malkovich assentiu em concordância. "Eu já vi muitos atores, mas ultimamente a indústria tem falhado. Criatividade e talento ficaram em segundo plano em relação às aparências e à comercialização. Mas você, Lucas, você acabou de renovar minha fé na próxima geração de atores."

Russel Smith riu: "Com certeza."

Lucas não pôde deixar de sorrir com os elogios efusivos dos produtores, sentindo-se como se estivesse em um show de talentos diante de juízes. Ele se virou para Stephen Chbosky, que permanecia em silêncio, sua expressão ilegível.

Stephen finalmente falou, seu tom relutantemente impressionado. "Você não é ruim..." Ele observou Lucas de perto, uma nova faísca em seus olhos. "Na verdade, retiro o que disse. Você é mais do que apenas 'não é ruim'. São... seus olhos." O olhar de Stephen fixou-se no de Lucas, avaliando-o, como se tentasse ver sua própria alma. "Quando você estava no personagem como Charlie, eu vi. A sutileza da tristeza, a solidão silenciosa... É exatamente como imaginei Charlie quando o estava escrevendo."

Os produtores trocaram olhares discretos, surpresos com o nível inesperado de elogios vindo da boca de Stephen. Eles sabiam que, embora ele tivesse sido duro com Lucas inicialmente, esse tipo de elogio específico e sincero era algo que ele raramente distribuía.

"Obrigado, Sr. Chbosky", disse Lucas, com um toque de alívio na voz. "Fico feliz em poder fazer justiça ao personagem em seus olhos."

Stephen resmungou, um pouco envergonhado com a atenção, e se levantou, estendendo a mão para um aperto de mão desta vez. "Peço desculpas pelo meu comportamento anterior. Eu não deveria ter duvidado de você."

Lucas sorriu e aceitou o aperto de mão. "Águas passadas", disse ele magnanimamente.

Stephen riu sem graça: "Para ser honesto, a culpa é minha por ter duvidado de você. Acho que deveria ter assistido ao seu trabalho antes. Sua performance agora foi... inesperadamente boa."

Lucas apenas sorriu, sabendo que era um grande elogio vindo do escritor-diretor. Os três produtores trocaram olhares aliviados, felizes por Stephen finalmente estar de acordo com a decisão de elenco deles.

John, percebendo a mudança na atmosfera, decidiu capitalizar sobre ela. "Agora que quebramos o gelo, por que não discutimos o filme?", disse ele, olhando para Stephen. "Lucas, você claramente estudou bem o personagem de Charlie. Gostaria de compartilhar seus pensamentos sobre o roteiro?"

Stephen considerou a sugestão, ponderando-a, e então assentiu. "Justo o suficiente, sente-se, Lucas."

Lucas sentou-se ao lado de Stephen. A atmosfera gélida havia descongelado, e eles agora podiam se concentrar no filme em questão.

Lucas ficou feliz em ser incluído na direção criativa do projeto. Ele havia lido o roteiro várias vezes e tinha algumas ideias em mente.

Enquanto discutiam o roteiro, Lucas ofereceu suas sugestões: "Acho que deveríamos destacar mais o isolamento de Charlie e sua jornada para encontrar um senso de pertencimento. Talvez aumentar as cenas de bullying, mas torná-las mais psicológicas do que físicas, para não alienar nosso público-alvo. Mostrar como ele está se afogando em seus próprios pensamentos e como conhecer Sam e Patrick se torna sua tábua de salvação."

Para sua surpresa, Stephen e os produtores ouviram atentamente.

Lianne Halfon, visivelmente intrigada, perguntou: "Você pode discorrer mais sobre isso?"

Comentários