
Capítulo 235
Ator Magnata em Hollywood
O feed do Twitter de Lucas Knight acendeu como uma árvore de Natal, com notificações inundando a cada segundo. Milhares de retuítes, comentários e curtidas jorraram em meros minutos depois que ele postou sobre seu projeto mais recente. "E aí, galera! A Sony Pictures me ligou e falou, 'E aí, Lucas, a gente precisa que você promova esse filminho indie em que você está'", ele havia escrito, imitando uma conversa casual. "Eu, tipo, 'Hmm, sei lá, tô meio ocupado sendo um batata de sofá aqui.' Mas aí eles disseram, 'Mas você é o personagem principal!' e eu, tipo, 'Ah, se é assim...' Então, confiram 'Meia-Noite em Paris' — eu interpreto o personagem Gil neste filme! Confiem em mim, vai ser bom."
Internautas e fãs não puderam deixar de rir de seu humor descontraído e autodepreciativo. Retuítes e comentários voaram de todos os cantos da plataforma, elogiando sua personalidade com a qual as pessoas se identificavam e antecipando o lançamento do filme.
"Haha! Não achei que o LK fosse tão engraçado!" tuitou um fã, acompanhado de um emoji de risada. "E fazendo a Sony Pictures parecer amiga dele, não aguento."
Outro usuário não conseguiu conter sua empolgação, comentando: "Ok, batata de sofá! Já que você colocou dessa forma, meu interesse no seu filme está aguçado! Estou comprando ingressos agora!"
"É por isso que eu amo o Lucas!" escreveu um usuário.
"Mal posso esperar para ver 'Meia-Noite em Paris' agora!" acrescentou outro.
Um usuário retuitou a postagem de Lucas e acrescentou: "Lucas, ou vulgo, Sr. Batata de Sofá, está tão ocupado no sofá, hein? Interessante..." O usuário continuou: "Ainda estamos esperando suas músicas, amigo." Em seguida, o usuário adicionou um emoji piscando: "Brincadeiras à parte, estou realmente intrigado com este seu filme 'Meia-Noite em Paris'!"
A internet borbulhou de empolgação, impulsionando o filme indie para os holofotes, tudo graças a um único e hilário tuíte.
"Espera, Woody Allen dirigiu e escreveu isso?" O avatar de um usuário franziu a testa. "Não é ele quem…?" Eles se calaram, mas sua desaprovação era clara. "Bem, eu ainda vou assistir — pelo Lucas, mas não apoio Woody Allen."
Por outro lado, outro fã se derramou em elogios: "Deus, finalmente posso ver Lucas Knight em um papel principal de novo! Senti falta dele na tela grande. Um ator tão talentoso, ele merece mais atenção!"
As reações mistas inundaram, mas uma coisa estava clara: a presença de Lucas Knight no filme foi suficiente para despertar o interesse até mesmo dos cinéfilos mais céticos.
Algumas horas depois que Lucas postou no Twitter, seu feed ainda estava em polvorosa com atividade.
Neil entrou no apartamento de Lucas, com um sorriso estampado no rosto.
"Lucas, você se saiu muito bem!" ele exclamou, dando um tapinha nas costas do amigo. "Aquele seu tuíte deixou a internet em polvorosa. Ótimo trabalho promovendo 'Meia-Noite em Paris'!"
Lucas riu, "Eu estava só me divertindo, cara. Não achei que tanta gente ia cair nessa."
O sorriso de Neil se alargou. "Bem, posso dizer com certeza que a Sony Pictures está encantada. Você os tem na palma da sua mão, amigo."
Os dois amigos deram uma boa risada enquanto se acomodavam para discutir o sucesso inesperado do tuíte promocional descontraído de Lucas.
Lucas sorriu marotamente. "Bem, eu queria apoiar o filme também, então comprei ingressos para hoje à noite. Quer ir comigo?"
Neil ergueu uma sobrancelha, mas deu de ombros. "Não estou ocupado, então claro, por que não?"
Eles chamaram Shawn da sala de estar, e logo os três estavam no carro de Lucas, indo para o cinema.
Lucas havia trocado de roupa para um traje casual, colocando um par de óculos de sol, mas dispensando um boné desta vez. "Não há necessidade de me esconder demais", ele pensou. "É Nova York, afinal. Não sou tão famoso quanto Michael Jackson."
O trio chegou ao IFC Center, misturando-se à multidão. Apesar de sua fama, apenas alguns cinéfilos observadores reconheceram a estrela em ascensão, mas, para seu crédito, eles permaneceram em silêncio e voltaram aos seus assentos. Eles não queriam causar comoção, preferindo aproveitar o filme em paz. Afinal, um alvoroço poderia levar a dezenas de fãs aglomerando-se, arruinando a experiência para todos.
Shawn discretamente entregou pipoca e refrigerante a Lucas e Neil enquanto eles se acomodavam em seus assentos confortáveis. A plateia ao redor deles fervilhava de antecipação, animada para o filme começar.
Enquanto isso, misturando-se à multidão estava Ava Thompson, uma renomada crítica de cinema do New York Times. Ela havia ouvido falar do burburinho nas redes sociais e queria ver qual era o alvoroço. Com seu bloco de notas e caneta a postos, ela se preparou para anotar suas impressões sobre o tão aguardado filme indie.
As luzes diminuíram, sinalizando o início do espetáculo. A conversa cessou, substituída pelo farfalhar de sacos de pipoca e o tilintar de gelo nas bebidas. Todos os olhos estavam grudados na tela enquanto os créditos de abertura começavam a rolar.
O filme começou com tomadas deslumbrantes de Paris, acompanhadas por uma narração emocionante, mas juvenil. "Isso é inacreditável — olhe para isso", maravilhou-se o homem. "Não existe cidade como esta no mundo. Nunca existiu."
A voz de uma mulher interveio: "Tornou-se tão turístico."
"Bem, essa é apenas a era terrível em que vivemos", o homem rebateu, seu entusiasmo inabalável. "Mas você consegue imaginar como era antes? Mesmo com todas as lanchonetes de fast food e o tráfego, você não pode imaginar como era anos atrás."
"Bem, você gosta de cidades", observou a mulher.
"Eu realmente gosto", o homem se entusiasmou. "Eu amo grandes cidades, com todas as multidões e a ação."
A conversa entre o casal continuou, e logo a câmera se afastou para revelar Lucas como Gil, em um beijo apaixonado com sua noiva na tela. Conforme o filme avançava, a plateia rapidamente compreendeu o personagem de Gil: ele era reservado e antiquado, só se abrindo perto de sua noiva. No entanto, mesmo durante as conversas deles, o desprezo de Gil pelo amigo de Inez era evidente.
À medida que o filme progredia, a aversão da plateia por Inez, a noiva de Gil, crescia. Ela desprezava e desrespeitava Gil a cada passo, provocando sussurros de desaprovação da multidão.
"Não suporto a noiva do Lucas neste filme", sussurrou uma mulher para sua amiga. "Ela é tão megera."
Sua amiga assentiu em concordância. "Eu sei, espero que o Gil se mantenha longe dela."
Enquanto Gil relutantemente deixava Inez (sua noiva) ir com suas amigas, alguns membros da plateia franziram a testa.
"Tenho a sensação de que as amigas da noiva dele serão uma má influência", sussurrou um homem para sua namorada.
Um homem mais velho sentado por perto riu, "Bem, este é um filme de Woody Allen, afinal. Eu não ficaria surpreso se ela o trair e o deixar no final." Ele acrescentou: "É um tema comum em seus filmes. A maioria dos protagonistas enfrenta esse destino. É praticamente a sua assinatura."
O jovem casal trocou olhares, claramente pouco familiarizado com a obra de Woody Allen.
"Bem, parece que o Woody deve ter sido machucado no passado", refletiu o jovem.
"Sim, ele deve ter tido um relacionamento conturbado", sua namorada concordou.
Lucas, que estava sentado por perto, não pôde deixar de ouvir a conversa. Ele riu para si mesmo enquanto Neil o cutucava e sussurrava: "Aquele cara acertou?"
Lucas sorriu, mas permaneceu em silêncio, para a frustração de Neil.
"Qual é, me diz!" Neil insistiu.
Lucas suspirou, não querendo estragar o final. "Não posso fazer isso, cara. Apenas assista ao filme."
Neil e Shawn trocaram olhares significativos, decidindo deixar para lá enquanto se concentravam novamente na tela.
Conforme o filme avançava, ele mergulhou no fantástico, assim como o trailer havia sugerido. Gil (Lucas) se viu perdido nas ruas de Paris, esperando em um local específico quando um carro antigo passou, seus passageiros vestidos com trajes antiquados, mas elegantes. Eles o convidaram para entrar, e logo ele foi levado para uma era diferente — uma onde as pessoas se vestiam com um certo toque neoclássico.
O personagem de Lucas, Gil, até mesmo iniciou uma conversa com um colega escritor, suas profissões espelhando uma à outra. A plateia estava encantada com a qualidade surreal e onírica do filme, transportada para Paris junto com o protagonista.
O coração de Gil disparou de excitação enquanto ele se sentava em frente ao renomado escritor, Ernest Hemingway. A conversa fluiu sem esforço, e Gil mal podia acreditar em sua sorte quando Hemingway se ofereceu para apresentá-lo a Gertrude Stein, uma figura proeminente no mundo literário. Ansiosamente, Gil concordou e correu de volta ao seu próprio tempo para recuperar o manuscrito de seu romance. Ele retornou ao carro antigo na hora marcada, acompanhado por Hemingway, e juntos seguiram para encontrar Gertrude.
Ao conhecer a ilustre senhora, as mãos de Gil tremeram ligeiramente enquanto ele lhe entregava sua preciosa obra. Naquele exato momento, os olhos de Gil encontraram os de Adriana, e foi como se o tempo parasse. A beleza dela o deixou sem palavras, e até os observadores mais desatentos puderam ver que ele estava apaixonado.
À medida que a noite avançava, Gil se via cada vez mais distante de sua noiva, consumido por sua aparentemente nova paixão por Adriana. Suas ações secretas, como comprar um par de brincos requintados para ela, apenas ampliaram a fenda entre eles. A plateia assistia atentamente, cativada pelo drama que se desenrolava, enquanto o filme começava a aprofundar-se nas complexidades dos relacionamentos de Gil e nas escolhas que ele seria forçado a fazer.
As emoções da plateia eram um mar turbulento enquanto testemunhavam a infidelidade da noiva de Gil. Inicialmente, viam culpa em ambos os lados, dado o crescente apego de Gil por Adriana. No entanto, um momento crucial ocorreu quando, através da atuação matizada de Lucas, foi revelado que Gil estava em negação sobre a infidelidade de sua noiva muito antes de conhecer Adriana. Em uma conversa tocante com uma guia de museu, a verdade emergiu: ele sabia o tempo todo.
À medida que a compreensão surgia na plateia, eles perceberam que sua atração por Adriana era uma mera distração, uma forma de escapar da dura realidade de seu noivado em ruínas. Era claro que o relacionamento deles estava com os dias contados, e os sentimentos incipientes de Gil por Adriana apenas serviram como justificativa para a inevitável separação.
A representação emocionante de Lucas do turbilhão interno de Gil deixou muitos na plateia em lágrimas, comovidos pela honestidade crua de sua atuação.
O filme continuou, e a atenção da plateia foi atraída para uma cena crucial onde Gil, agora solteiro, se reencontrou com Adriana nas charmosas ruas da Paris dos anos 1920. A chuva caía suavemente ao redor deles enquanto compartilhavam um beijo apaixonado. Para a surpresa de todos, Gil começou a cantar uma melodia cativante, sua voz ecoando pelas vielas de paralelepípedos. Os sentimentos agridoces que cercavam seu recente término com Inez começaram a se dissipar, substituídos pela esperança de um futuro mais brilhante com Adriana.
À medida que a história progredia, parecia que Gil realmente encontraria o amor com Adriana, e ele até contemplou trazê-la de volta aos dias atuais. No entanto, ele logo percebeu que ela também estava apaixonada pelo passado, assim como ele. Em um momento comovente de autoconsciência, Gil reconheceu sua própria tolice em se apegar a épocas passadas e tentou convencê-la a se juntar a ele no presente.
No entanto, o coração de Adriana permaneceu firmemente enraizado no passado, e ela recusou a oferta dele.
À medida que os créditos rolavam, a plateia ficou com um sabor agridoce, pois o relacionamento de Gil com Adriana desmoronou diante de seus próprios olhos. O filme terminou com Gil encontrando consolo nos braços da guia do museu, uma personagem que esteve presente em toda a sua jornada, mas nunca realmente em primeiro plano na história. A plateia não pôde deixar de sentir uma pontada de saudade do romance que poderia ter sido entre Gil e Adriana.
A música final do filme, lindamente cantada pelo próprio Lucas, tocou ao fundo, sua melodia um lembrete pungente do que poderia ter sido.