
Capítulo 96
Ator Magnata em Hollywood
Saindo do Hospital Bellevue com as emoções à flor da pele, Lucas retornou ao seu apartamento. A visão das crianças corajosas lutando contra a doença havia desencadeado um desejo profundo de ajudar. Ele decidiu contribuir com uma parte significativa de seus ganhos para o hospital.
Seu recente envolvimento no projeto de filme, "A Origem", havia sido um sucesso, gerando uma renda considerável de $570.000. Embora a oferta inicial fosse de $700.000, as deduções para sua agência, representação por Vincent e impostos haviam reduzido a soma final. No entanto, Lucas estava confiante em sua capacidade de reabastecer esses fundos através de projetos futuros para os quais já havia planejado fazer audições.
Movido pela empatia, ele não perdeu tempo em contatar Vincent. Ele instruiu seu agente a destinar $200.000 de seus ganhos recentes para o Hospital Bellevue, especificamente para a ala de oncologia pediátrica. Ele sabia que isso não apagaria a dor, mas poderia oferecer algum conforto e apoio àqueles jovens e corajosos guerreiros.
O suspiro surpreso de Vincent ressoou através do telefone. "Lucas, você está falando sério? Doar $200.000?"
Um instante de silêncio se seguiu, Vincent provavelmente processando o pedido inesperado. Afinal, o dinheiro de Lucas era dele para fazer o que quisesse, mas essa era uma quantia significativa, especialmente direcionada a uma causa tão próxima de seu coração. "Entendido, Lucas", Vincent finalmente respondeu. "Os detalhes da sua conta bancária estão seguros comigo, e garantirei que a doação chegue ao hospital rapidamente."
Lucas apreciou o profissionalismo de Vincent. "Obrigado, Vincent."
Então, Vincent perguntou: "E em nome de quem?"
"Vamos fazer desta nossa primeira empreitada filantrópica oficial", Lucas ponderou. "LK Charity. O que você acha?"
"LK Charity", Vincent repetiu. "Tem certeza de que quer tornar isso público?"
Lucas considerou isso por um momento. Os holofotes não eram algo que ele ansiava, mas talvez houvesse poder na transparência. "Talvez não agora", ele decidiu. "Vamos começar pequeno. Mas sim, eventualmente, quero que seja conhecido. Esta não será a última coisa que faremos, Vincent."
A conversa terminou, e com um senso de propósito estabelecido em seu interior, Lucas partiu para encontrar Samantha no bar onde ela trabalhava.
O bar zumbia com um murmúrio suave enquanto Lucas entrava, procurando Samantha. Ele examinou o ambiente pouco iluminado, o cheiro de bourbon e risadas preenchendo seus sentidos. Então, ele a avistou. Não atrás do balcão como esperado, mas no palco, banhada pelos holofotes, sua voz preenchendo o salão com uma melodia comovente.
Ele se acomodou em um assento, atraído pela cadência familiar de sua música. Haviam se passado meses desde o último encontro, e ele não pôde deixar de notar uma mudança sutil em Samantha. Havia uma nova maturidade em seus olhos, uma confiança tranquila que parecia emanar do palco. No entanto, seu charme juvenil permanecia.
À medida que a última nota se esvaía, aplausos irromperam, e Lucas sorriu, encontrando o olhar dela. Um lampejo de surpresa cruzou seu rosto antes que o reconhecimento surgisse. Um rubor subiu em suas bochechas enquanto ela se desculpava do palco, passando o microfone para um colega.
Ela se moveu em direção a Lucas, seu sorriso genuíno. "Lucas! Que surpresa. Eu não esperava que você voltasse."
Sua risada continha um toque de calor. "E vice-versa. Feliz em te ver, Samantha."
Eles trocaram cumprimentos, uma familiaridade confortável se estabelecendo entre eles. Um beicinho brincalhão tocou seus lábios. "Tínhamos uma promessa, lembra? Gravar suas músicas? Você desapareceu por meses, me deixando na mão."
A risada de Lucas foi apologética. "Agenda apertada, receio. Mas é por isso que estou aqui. Ainda interessada em gravar?"
O sorriso dela se alargou. "Ah, com certeza! Na verdade, eu estava prestes a te perguntar a mesma coisa." Então ela acrescentou: "Por falar nisso, '127 Horas' me fez chorar..."
Um sorriso genuíno tocou os lábios de Lucas. Eles passaram os próximos minutos aprofundando-se no filme, Samantha o bombardeando com perguntas sobre o processo de bastidores. Finalmente, ele conduziu a conversa de volta ao propósito original de sua visita.
"Então, sobre aquelas gravações..."
Enquanto a conversa fluía, os ouvidos de Lucas se animaram com o nome que Samantha mencionou — "Electric Lady Studios". Ele o conhecia bem: um lendário espaço de gravação mergulhado em história, tendo recebido nomes como John Lennon e Jimi Hendrix.
Lucas havia inicialmente presumido que as conexões de Samantha eram mais locais, do cenário do bar, mas isso indicava algo mais amplo. Então Samantha explicou: "Na verdade, não é minha conexão. Minha tia, Elena Rhodes, também gerente do bar, tem conexões com o gerente do estúdio Electric Lady Studios."
O nome "Elena Rhodes" acendeu uma memória em Lucas. Ele se lembrava vagamente de uma mulher em seus trinta e poucos anos, a gerente do bar, que o abordara após uma breve apresentação no bar vários meses antes. Ele quase havia esquecido o breve encontro, e o cartão de contato deveria estar ainda nos bolsos da calça que ele usou naquele dia.
Seguindo o exemplo de Samantha, eles se aproximaram de Elena, que estava perto do bar, supervisionando o fluxo da noite. O reconhecimento surgiu em seu rosto quando Lucas se aproximou. Este era o jovem com a voz cativante, aquele cuja canção havia permanecido em sua mente desde então.
"Rapaz!" Depois de um momento, ela exclamou, um sorriso caloroso se espalhando por suas feições. "É tão bom te ver de novo. Ainda me lembro daquela linda canção que você cantou."
Lucas riu, um pouco lisonjeado. "Obrigado, eu agradeço. Na verdade, Samantha estava me falando sobre a possibilidade de gravar no Electric Lady..."
Enquanto Lucas, Samantha e Elena se aprofundavam nos detalhes da gravação, um pequeno contratempo surgiu. "Certo", Elena anunciou, "farei o meu melhor para contatar o Gerente de Estúdio Lee e agendá-lo."
O rosto de Lucas caiu ligeiramente. "Então, sem chance de gravar amanhã?"
Samantha ecoou sua decepção.
Elena riu, compreendendo o entusiasmo deles. "O Electric Lady é um lugar agitado, com artistas agendados com dias de antecedência. Mesmo com conexões, o melhor que posso fazer é agendá-los."
Lucas entendeu. "Claro", ele assentiu. "É completamente razoável. O problema é que, além de amanhã, minha agenda fica lotada. Posso ter um próximo projeto de filme que pode me manter ocupado por semanas, talvez até meses em filmagens, dependendo dos resultados da audição, caso eu seja escolhido para filmar no projeto, e mesmo que eu não seja escolhido, há outros projetos que estou buscando ativamente."
"Suas audições? projetos?" Elena estava um pouco confusa.
Vendo o espanto de sua tia, Samantha interveio. "Lucas é ator, tia Elena."
Os olhos de Elena se arregalaram em reconhecimento. "Um ator, é? Interessante..." Ela fez uma pausa, contemplando. "De qualquer forma, ainda darei uma boa palavra ao gerente do estúdio. Apenas me mantenha atualizada sobre sua disponibilidade entrando em contato comigo, meus detalhes de contato ainda são os mesmos do cartão de contato que lhe dei, e então encontraremos um período que funcione para todos."
Lucas hesitou, sentindo-se envergonhado. "Ah, na verdade, eu... perdi o cartão de contato que você me deu meses atrás."
Uma risada compartilhada preencheu o ar. Elena revirou os olhos brincando e lhe entregou outro cartão. "Aqui está outro. Desta vez, tente não perdê-lo."
Lucas aceitou o cartão com um sorriso ligeiramente envergonhado.