
Capítulo 57
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
"Ian, acorde!"
Sob uma lua cheia no alto, Ian abriu lentamente os olhos ao som de seu nome sendo chamado, emergindo de um sono profundo.
Inglan estava andando inquieto ao lado de sua cama.
"O que está acontecendo?"
Inglan, suando profusamente e com a voz trêmula, disse:
"Tem algo lá fora. Não sei o que é, mas definitivamente está nos atacando!"
A sonolência desapareceu instantaneamente.
Ian percebeu que estava em uma situação frequentemente vista em filmes ou cenários de fantasia — uma emboscada.
"Droga... Seriam ladrões de tumbas?"
"Não, não! Não são humanos! Mais parecem seres de mistério!"
"Mistério?"
Ian pensou reflexivamente em monstros inteligentes como dracos ou mantícoras.
Tais feras não hesitariam em emergir da noite e devorar humanos como um lanche à meia-noite.
Se fosse realmente um monstro carnívoro gigante, Ian estaria em sérios apuros.
'Sempre desconfie de monstros!'
Eredith não o havia avisado a ponto de acumular cera nos ouvidos?
Monstros são perigosos, e neste maldito mundo de fantasia medieval, estão por toda parte, dificultando o intercâmbio entre domínios e atrasando a expansão humana.
Em um mundo onde "Homem vs. Natureza" era um evento em tempo real, mesmo as mais fortes forças humanas eram apenas isso — humanas.
"Corvo! Mestre!"
Nesse instante, Oberon voou para dentro.
"Oberon. Você viu alguma coisa?"
[Sim! Algumas criaturas pequenas, parecidas com humanos, chegaram!]
"Pequenos humanos?"
Imediatamente, uma palavra passou pela mente de Ian.
'... Fadas?'
"Vamos lá verificar."
Mas as informações ainda eram escassas.
Ian queria ver os visitantes noturnos com seus próprios olhos.
Inglan, tremendo, disse:
"Temos que ir?"
"É melhor que sim. Não sabemos suas intenções."
"Você tem razão... Sim..."
Enquanto Inglan tremia, Ian o achou um tanto patético.
Era compreensível ter medo, mas o tremor o fazia parecer um covarde.
"Se você está com medo, fique aqui."
"Mas eu preciso ver com meus próprios olhos..."
"Então vamos juntos."
"... Não é perigoso? Talvez devêssemos acordar os cavaleiros..."
Que velho problemático.
Foi o que Ian pensou, mas então ele reconsiderou.
Ou seria esse o segredo da longevidade?
Ser medroso, em outras palavras, significa ser cauteloso.
A história provou que os destemidos muitas vezes morrem primeiro.
O próprio Inglan provou a importância da cautela para a longevidade, então ele provavelmente está certo.
"Então vou trazer Belenka."
Ian acordou Belenka e a levou consigo.
Surpresa com a aparição repentina de Ian, Belenka rapidamente entendeu a situação e cooperou sem problemas.
Belenka foi tão cooperativa que nem mesmo negociou uma taxa.
"Mas se eu conseguir algo notável, deveria haver um bônus..."
"Droga. Isso vai para sua dívida, então por favor, pare de falar sobre dinheiro."
"Isso é uma franqueza revigorante."
Apesar de ter sido acordada, o rosto de Belenka estava cheio de vitalidade, possivelmente satisfeita com a perspectiva de não ter que negociar uma taxa.
Era uma noite mal iluminada, mas Ian avançou sem hesitação.
Sua comunhão com a escuridão se aprofundava dia após dia, fazendo com que a magia de visão sombria agisse quase como uma habilidade passiva.
Encontrar seu caminho na escuridão era tão fácil quanto beber água.
"Ian."
Inglan, que o seguia de perto, de repente falou.
Foi porque uma das especialidades de Inglan, a magia do inseto sentinela, reagiu.
"Há um grupo suspeito à frente."
Ian e Belenka prenderam a respiração.
Não havia razão para conversar com o inimigo tão perto.
Ian, misturando-se à escuridão, murmurou na linguagem da magia:
"[Que a escuridão ilumine nosso caminho.]"
[Manipulação das Sombras – Conjuração de Visão Sombria.]
A escuridão se espalhou de Ian, revelando uma visão em preto e branco, como um filme antigo.
Era uma visão de terceiro olho, criada com base no que a escuridão sentia e percebia.
'Isso é...'
Ian observou o que Inglan havia descrito como 'seres de mistério'.
E... ele ficou um pouco decepcionado.
'O que diabos é aquilo?'
Os visitantes da meia-noite acabaram sendo anões, com mal trinta centímetros de altura.
'Monstros?'
Ian não conseguia entender nada.
Afinal, criaturas fantásticas tão fundamentais deste verdadeiro mundo de fantasia também eram desconhecidas para ele.
Ele podia reconhecer qualquer criatura da Terra rapidamente, mas criaturas de fantasia como essas eram desconhecidas para ele.
'Não parece um ataque...?'
Ian inclinou a cabeça enquanto observava o grupo de anões.
Os anões estavam agrupados, sem se mover.
Se fossem atacantes, estariam tramando algo suspeito, mas para Ian, um mago, eles não pareciam estar planejando nada.
'O que eles estão fazendo?'
A pergunta de Ian foi inesperadamente respondida quando Oberon começou a bater freneticamente em seu ombro.
"Fique parado. Você está perdendo penas, Oberon."
[D-Desculpe! Mestre! Mas, lá...!]
"Lá?"
Oberon tremia, olhando para a escuridão.
[Lá...! Tem um monstro escondido!]
"Monstro?"
Ian se concentrou, estendendo sua visão sombria em direção à árvore que Oberon havia mencionado, e então percebeu.
"Oh. Uma coruja-águia?"
[Grito!]
No alto da árvore, uma grande coruja-águia observava calmamente os anões com seus olhos serenos.
Para Ian, um humano, não era nada especial.
Mas para Oberon, mal um corvo, era aterrorizante o suficiente para fazê-lo tremer e perder penas.
[Ah! Aquelas asas! Aquele bico...!]
"Droga, você está perdendo penas."
[E-Estou com medo! Vou desmaiar, Mestre!]
"Tudo bem. Apenas desmaie. Quer que eu coloque você no meu bolso?"
Com uma envergadura de 180 centímetros, a coruja-águia é reconhecida como um dos predadores supremos da noite.
Era como enfrentar um tigre.
Assim como um humano comum tremeria e se molharia ao se deparar com um tigre, Oberon, sendo apenas um corvo comum, foi acometido de terror ao avistar a coruja-águia.
"Belenka. Você tem alguma sobra de carne de ontem? Traga aqui."
"Farei isso."
Ian caminhou em direção à árvore onde a coruja-águia estava empoleirada.
"É um humano! Um humano!"
"O que fazemos! Um humano apareceu!"
Ian observou de perto o grupo que havia chegado ao seu acampamento, fossem atacantes ou outra coisa.
'Uau.'
De perto, era claro.
Trinta centímetros de altura, com asas misteriosas estendendo-se de suas costas, cada uma fofa e adorável...
Eram fadas.
Reconhecidas por todos como uma espécie do mundo de fantasia, ao contrário dos elfos, eram uma raça infeliz que estava em declínio.
Tipicamente, quando se menciona elfos, pensa-se na raça de orelhas longas, longevas, belas e superiores criadas por Tolkien.
Mas esses eram apenas um mito.
Os verdadeiros elfos fundamentais eram esses seres fantásticos de baixa estatura.
Embora sejam mais comumente referidos como fadas para distingui-los dos elfos de orelhas altas.
Ao contrário dos elfos, as fadas não são tão comumente encontradas nas lendas ocidentais.
Isso porque elas têm menos fãs.
Enquanto a aparência esguia e bela dos elfos gerou inúmeros entusiastas de elfos, as fadas falharam em cultivar uma base de fãs.
Sua aparência, que poderia ser facilmente confundida com a de um "lolicon", é a culpada.
Entusiastas de elfos podem parecer ter uma preferência, mas entusiastas de fadas... (o resto é omitido)
Enfim.
Fadas, agora relegadas a serem chefes de torre de tutorial do primeiro andar, explodindo as cabeças dos desafiantes como seu trabalho principal, apareceram diante de Ian.
Por quê? Para explodir a cabeça de Ian?
'...'
Seria assustador se elas realmente tivessem essa habilidade.
Mas, pelo que Ian podia ver, essas fadas, ao contrário das dos tutoriais, pareciam incapazes de decapitar humanos.
Se pudessem, ele teria ouvido falar de tais contos horríveis várias vezes.
Além disso, não havia razão para elas se aglomerarem na frente de uma coruja-águia daquele jeito.
As fadas, ao fazerem contato visual com Ian, recuaram coletivamente.
Elas pareciam incrivelmente fofas.
Um especialista japonês em sobrevivência em masmorras disse uma vez que a aparência de todas as criaturas é necessária para sua sobrevivência[1].
Isso significava que criaturas fofas são fofas por uma razão.
Bem, a versão de Bear Grylls[2] das masmorras poderia dizer isso e então prosseguir para comer o monstro.
Ian estava genuinamente curioso.
Qual poderia ser a razão para as fadas parecerem tão adoráveis?
"Aqui. Eu trouxe."
"Obrigado."
Ian se aproximou da coruja-águia com a carne na mão.
Usando sua experiência em comunicação com animais na natureza, ele falou com uma voz cheia de firme intenção.
"Desça."
[???]
"Não vou te machucar. Está tudo bem, desça."
A coruja-águia olhou para Ian por um tempo...
Com um "whoosh", a coruja-águia bateu suas grandes asas e desceu diante de Ian.
Ian rapidamente estendeu seu cajado para criar um poleiro para ela.
'É mais leve do que eu pensei?'
Dado o seu tamanho enorme, Ian esperava que a coruja-águia fosse bem pesada, mas surpreendentemente, era leve.
Não admira que os bruxos britânicos[3] os usem como carteiros.
Ian coçou suavemente as costas da coruja-águia, alimentando-a com restos de carne.
A coruja-águia, parecendo um tanto atordoada, engoliu avidamente a comida que Ian ofereceu.
Apesar de se perguntar por que Ian estava de repente sendo tão legal, encher o estômago era a prioridade.
"Ah."
Observando Ian lidar habilmente com a coruja-águia, os olhos de Inglan brilharam.
Aquele cara.
Sua habilidade de se comunicar com a natureza não é brincadeira, certo?
Inglan tinha certeza de que Ian se tornaria um grande invocador, já tendo testemunhado os comportamentos estranhos de Ian várias vezes.
Belenka também achou fascinante como Ian domou a coruja tão rapidamente.
Magos realmente têm muitos truques na manga.
Ian, depois de encher o estômago da coruja-águia, aproximou-se das fadas.
"Esse cara estava incomodando vocês, certo?"
"Eek!"
As fadas entraram em frenesi quando Ian se aproximou com a coruja-águia, aterrorizadas.
Que tipo de monstro é uma coruja-águia!
Uma besta monstruosa que sequestra fadas com seu corpo enorme e as come vivas!
Mas subjugar, não, domar tal monstro com apenas algumas palavras...!
As fadas sentiram um terror de que Ian pudesse simplesmente ordenar:
"Vá! Coma essas insolentes!", libertando a coruja-águia sobre elas.
Então a coruja-águia "Swoosh! Swoosh!" desceria sobre as fadas...
Só o pensamento era horrível!
"Sentimos muito, muito mesmo!"
As fadas aterrorizadas baixaram coletivamente a cabeça, realizando um perfeito dogeza.
Então, a coruja-águia bateu as asas como se fosse decolar, agitada pelos gritos das fadas, seus instintos de caça entrando em ação.
"Mantenha a calma."
Mas Ian pressionou gentilmente o ombro da coruja-águia, acalmando-a.
As fadas observando esta cena sentiram um sentimento de admiração por Ian.
'Incrível...!'
Embora tipicamente evitassem um mero humano violento com desgosto, encontrando um humano que pudesse habilmente domar uma fera temível, elas não podiam deixar de respeitá-lo e reverenciá-lo.
Adoração é uma maneira de esquecer o medo.
Sem tentar truques, as fadas confessaram tudo a Ian.
"Viemos pedir a você, humano, que por favor devolva a espada!"
"Espada?"
A espada de que as fadas falavam só poderia ser uma.
A espada mágica, Anor-lsil.
Quando Ian puxou a espada, as fadas cantaram em uníssono.
"Sim! Essa espada!"
"Sem ela, não podemos mais tecer os céus!"
Ian embainhou a espada e perguntou:
"Céus? Que céus?"
Ao que as fadas responderam:
"Os céus que são tão preciosos quanto nossas vidas!"
[1] – Isso pode ser uma referência a Shiva de Dark Souls? Não confirmado.
[2] – Homem britânico mais conhecido por sua série de TV, "Man vs. Wild". Houve uma referência direta a este programa anteriormente.
[3] – Haha, isso está falando sobre Harry Potter.