
Capítulo 191
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
Tradutor/Editor: raei
Status: 5/semana seg-sex
Ilustrações: nenhuma
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Sam de Yurdo encarava o vazio da fogueira, com o estômago roncando.
Como o único ferreiro de Yurdo, Sam herdara o cargo depois que seu predecessor morreu de um furúnculo infeccionado. Ele simplesmente começou a martelar ferro no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido.
A profissão de ferreiro não era mal remunerada. Embora trabalhar com ferro fosse árduo, ferreiros raramente passavam fome. Até algumas semanas atrás, Sam vivia sem conhecer a fome.
Mas quando uma besta com asas negras como o piche atacou o domínio, a vida cotidiana de Sam se despedaçou. Sem que ele soubesse, era um dragão chamado Predius.
O dragão queimou campos e massacrou pessoas. Soldados em armaduras de placas correram para lá, apenas para serem incinerados pelas chamas do dragão negro. A Baronia de Yurdo foi arruinada em um instante.
Quando invasores goblins atacaram o domínio devastado, Sam fugiu sem olhar para trás. Ele correu por sua vida em direção à Baronia de Talian.
O calvário de Sam continuara ininterrupto desde então.
— Pão... Você tem algum resto de pão? — ele perguntava.
— Some daqui, seu mendigo! — era a resposta típica.
Outrora um ferreiro de sucesso, em Talian ele era apenas mais um mendigo. O povo de Talian era extremamente cauteloso com os refugiados. Sam ressentia-se deles, mas também os entendia. Afinal, apenas padres ou monges seriam capazes de dar esmolas para a enxurrada de mendigos.
'Qualquer coisa serviria... Eu só quero encher meu estômago', Sam pensou enquanto quebrava o osso de um rato. Ele já tinha comido todos os animais que vagavam por perto. Depois de dias passando fome, ele sentia vontade de comer até a terra do chão.
— Ei, Sam. — Um refugiado da vila de Yurdo aproximou-se de Sam discretamente. Na verdade, não havia nada de discreto nisso, já que estavam cercados pelos casebres dos mendigos.
— Tenho algo para contar apenas para você.
— O que é?
O refugiado sussurrou como se revelasse um segredo surpreendente. — Ouvi dizer que o Barão Yurdo está prestes a tomar uma grande decisão.
— Uma grande decisão? — Sam riu com desdém, incrédulo. Que tipo de grande decisão um nobre que não conseguiu parar um dragão e perdeu seu domínio poderia tomar?
Mas, diante das próximas palavras do refugiado, Sam não teve escolha a não ser ficar sério.
— Dizem que o próprio Barão vai abrir o celeiro.
Os olhos de Sam se arregalaram. Só havia um 'celeiro' ao qual o refugiado poderia estar se referindo - o armazém do Barão Talian!
— Como isso é possível... — Sam murmurou.
— Não pergunte! O importante é que precisamos da ajuda do povo de Yurdo para abrir o armazém!
Sam não pôde deixar de praguejar.
O Barão Yurdo cobiçando o armazém do Barão Talian, e a situação exigindo ajuda do povo de Yurdo! Os dois indicadores apontavam claramente para uma coisa: Rebelião. O Barão Yurdo pretendia tomar o armazém de alimentos de Talian à força!
— O Barão Yurdo enlouqueceu? Mesmo assim, roubar Talian, que nos acolheu...!
— Cuidado com a língua! Você não é de Yurdo? — o refugiado sibilou.
Sam silenciou.
— De qualquer forma, todos morreremos de fome a este ritmo! — continuou o refugiado. — Se a Baronesa Talian liberar a comida, ela alimentará o povo de Talian ou o povo de Yurdo? É claro que ela cuidará do povo de Talian!
A fome prolongada fizera o povo de Yurdo perder o juízo. Morrer de fome ou morrer depois de ser expulso, morrer era morrer. Agora que chegara a esse ponto, eles decidiram ajudar na rebelião do Barão e, pelo menos, encher seus estômagos vazios!
'Droga, o que devo fazer', Sam agonizou, com o coração vacilante.
A persuasão do refugiado era plausível demais. Honestamente, não havia como a Baronesa Talian cuidar do povo de outro domínio agora. Por outro lado, se o Barão Yurdo tivesse sucesso na rebelião...!
— Vamos! Decida rápido! — o refugiado insistiu com Sam.
Foi nesse exato momento que outra voz chamou. — Ei, vocês! O que estão fazendo aqui agora!
Sam estremeceu e virou a cabeça. Será que seu plano desleal fora descoberto?!
— O que está acontecendo?
— Não é hora para fazer isso! Rápido! Venham por aqui!
Confuso, Sam seguiu o outro refugiado. Seu queixo caiu ao ver a cena diante dele.
— O que... é aquilo?
Em um campo amplo, a Baronesa Talian estava vestida com um vestido e um chapéu pontudo, com seus subordinados alinhados atrás dela. Aos pés da Baronesa, um lobisomem estava ajoelhado.
— Um lobisomem?! — Sam ofegou.
— Meu Deus... Céus! — alguém exclamou.
Um monstro feroz como um lobisomem... ajoelhado aos pés de uma nobre? Era uma visão inacreditável.
O que se seguiu foi ainda mais chocante. O jovem mago parado ao lado da Baronesa gritou, com sua capa esvoaçante. — Senhora de Talian!
O mago Ian apontou seu cajado para o lobisomem. — Este lobisomem, movido pela vontade do Céu, veio oferecer tributo a você!
— Um lobisomem oferecendo tributo! — a multidão murmurou em reverência.
Com a voz estrondosa de Ian, não apenas os refugiados, mas até o povo de Talian teve dificuldade para recuperar o juízo. Ian agora era bem versado em discursos. O povo, hipnotizado pela voz persuasiva do mago, encarava Lucy e Lewis sem expressão.
— Oh! Grande Senhora de Talian! — Quando Lewis abriu a boca em seguida, os moradores ficaram chocados mais uma vez. Sua voz era inesperadamente melodiosa para um lobisomem.
— Ontem à noite, em um sonho, o Deus do Céu sussurrou para mim. Ele me disse que eu devo emprestar minha força para o povo sofredor de Talian.
Os moradores foram cativados pela voz doce como mel de Lewis e não conseguiram se recuperar. Via de regra, as mesmas palavras soam mais convincentes quando ditas por alguém com uma boa voz. Aos olhos do povo, parecia realmente que Lewis tinha recebido revelação divina e viera para Talian.
Claro, essa situação era toda uma armação coordenada com Ian, mas ainda assim.
— Ian. Qual era minha próxima fala? — Lucy sussurrou.
— Ah, droga... Apenas diga que a sinceridade deles é admirável — Ian murmurou de volta.
Lucy, que já tinha esquecido suas falas, gritou com um sorriso brilhante. — Sua sinceridade é admirável! Lobisomem!
— A Baronesa Talian elogiou o lobisomem! — a multidão aplaudiu.
Lucy falou com uma voz altamente animada. — Isso também deve ser vontade do Céu! Aceito com gratidão seu tributo, reconhecendo seus esforços!
— Agradeço pela sua sábia decisão, Senhora de Talian. O Céu certamente se alegrará com sua decisão também — Lewis respondeu suavemente.
Lewis estalou os dedos. Então, uma coisa inacreditável aconteceu.
— Uau...! — O que é tudo isso!
Dezenas de lobos apareceram, conduzindo animais tão habilmente quanto cães pastores. Eram rebanhos de javalis e porcos, gado e ovelhas, e cervos. Era óbvio que abatê-los renderia uma enorme quantidade de comida.
— Este é o tributo que ofereço a você, minha senhora! — gritou Lewis.
— Waaaaaaah! — Aplausos explodiram, sacudindo o chão. O ferreiro Sam era uma das pessoas gritando.
Mas logo Sam recuperou a compostura. Aquele era um tributo oferecido pessoalmente à Baronesa Talian, não a parte do povo. Quanto caberia aos refugiados?
Quando Sam estava prestes a ter tais pensamentos, Lucy levantou a mão e declarou:
— Povo, ouçam! Nestes tempos em que o sopro do dragão maligno polui o mundo! Muitos sofreram demais! Mas o Céu não nos abandonou! Suas orações desesperadas chegaram ao Céu! O Céu estendeu uma mão de encorajamento através deste lobisomem! Portanto, em nome do grande Céu! Distribuirei este tributo justamente entre todos vocês! Pois essa é a vontade de Lucy Talian!
Um silêncio caiu por um momento. Então, aplausos ainda mais ferozes explodiram de todos os lugares. Desta vez, o ferreiro Sam também elevou a voz. Uau! Ela vai dividir a comida justamente conosco também! Ela acabou de invocar o nome do Céu! Certamente ela não mentiria?
A maioria dos refugiados pensou assim. Mas quando a voz de alguém foi ouvida, Sam ficou atento.
— Baronesa Talian! Cuidado com o Barão Yurdo!!!
'Barão Yurdo!' Sam percebeu tardiamente o quão desastrosa essa situação era para o Barão Yurdo. O Barão Yurdo estava à beira da rebelião. Tendo reunido seguidores e até espalhado boatos, ele já tinha atravessado um rio sem volta. Mas um lobisomem que apareceu de repente arruinara todos os planos de Yurdo!
— Hã? — Lucy soltou um som confuso com o nome inesperado.
Ao mesmo tempo, um homem armado apareceu da multidão. — Mentiras! A Baronesa Talian é uma mentirosa!
— Barão Yurdo! — alguém ofegou.
O Barão Yurdo já estava vestido para uma batalha de vida ou morte, vestindo armadura e até carregando uma espada. Ele claramente não estava vestido apenas para encontrar Lucy.
— A Baronesa Talian iludiu um lobisomem com magia maligna, reunindo bestas de uma maneira sacrílega! — ele acusou.
Com o discurso majestoso do Barão Yurdo, Ian suou frio. Aquele bastardo tinha uma intuição surpreendentemente boa. O palpite do Barão era um tanto verdadeiro. Um lobisomem sonhando com o Deus do Céu e trazendo tributo? Era tudo inventado. Mas eles não podiam simplesmente admitir!
— Cale a boca! Como um mero barão se atreve a abrir a boca aqui! — Ian gritou de volta.
— M-mero barão? — O Barão Yurdo gaguejou em choque. Ele nunca tinha ouvido tal insulto em sua vida!
— Chamar de sacrilégio um tributo oferecido em nome do Céu! Você deve ter perdido a cabeça! — Ian continuou.
— Não! Eu sei qual é a verdade! Ontem à noite, Deus apareceu em meu sonho e sussurrou para mim! — O Barão Yurdo gritou, apontando para Ian e Lucy. — Isso é resultado da Baronesa Talian e sua magia maligna!
— Sonho? Você acabou de dizer sonho? — Ian ficou secretamente aliviado quando o Barão Yurdo começou a balbuciar sobre sonhos. O tolo não fazia ideia do que Ian tinha armado. Ele estava apenas tratando Ian como um mago negro e falando qualquer coisa para se justificar.
A maioria das coisas na Idade Média eram assim. Apenas faça algo primeiro, depois anexe algumas palavras plausíveis e tudo se resolveria. Ian não sabia o quão psicologicamente acuado o Barão Yurdo estava. Mas ele sabia que o homem estava prestes a atacar!
— No lugar da vontade do Céu! Trarei punição divina sobre você... — Quando o Barão Yurdo começou a preparar o terreno, Ian usou magia imediatamente.
— Escuridão! — ele conjurou.
A magia das trevas de Ian atingiu o nível 5. Agora ele podia invocar um pouco de escuridão mesmo em plena luz do dia. Ian invocou um véu de escuridão, escondendo a si mesmo e a Lucy.
Isso deixou o Barão Yurdo muito perturbado. — Tão magia maligna novamente! — ele gritou. Quão covarde se esconder na escuridão! Isso tornava difícil matar a Baronesa Talian!
— Arqueiros! Atirem na Baronesa Talian! — O Barão Yurdo chamou pelos arqueiros que ele tinha escondido com antecedência. Ele planejava matar a Baronesa Talian primeiro, depois de alguma forma encobrir tudo, alegando que a Baronesa tinha tramado planos malignos. Enquanto também governava Talian no processo!
Arqueiros armados com bestas miraram na direção geral de Lucy. Eles não podiam ver devido à escuridão, mas imaginaram que acertariam algo se continuassem atirando.
No entanto, os arqueiros não sabiam quem era o velho que guardava o lado de Lucy.
— Seu bastardo!!! — O velho robusto, o Mestre de Espadas Salvador, rugiu como um leão. Era uma postura perfeita para uma repreensão, como esperado de um velho que ama romances de artes marciais.
— A-atirem! — o Barão Yurdo ordenou nervosamente.
Os arqueiros dispararam suas bestas conforme ordenado. Então uma coisa incrível aconteceu.
— Que criaturas absolutamente covardes e vis! — gritou Salvador. Com uma série de tilintares metálicos, ele defletiu todas as flechas recebidas com sua espada!
— Ian. Você está bem? — Belenka perguntou.
— Sim. Obrigado, Belenka — Ian respondeu. Na verdade, Belenka tinha realizado uma façanha semelhante, mas não era claramente visível, pois seu corpo estava meio enterrado na escuridão.
— Capturem aquele louco! — Lucy ordenou.
— Ugh! Me soltem! Seus canalhas! Eu sou o legítimo senhor de Yurdo!!! — o Barão Yurdo gritou enquanto os subordinados de Damon o agarravam, sua tentativa de assassinato tendo falhado espetacularmente.