Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Capítulo 129

Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

"É uma honra conhecê-la."

Ian fez uma reverência sincera.

Ele sentiu uma leve sensação de incongruência.

A mulher à sua frente, exceto por ser tão bela quanto uma obra de arte, parecia inteiramente comum.

Se ele dissesse que ela parecia uma beleza humana comum, seria blasfêmia?

"Não sinto sua sinceridade, mas aceito sua saudação."

"Desculpe. É apenas que... você parece bem à vontade."

"À vontade?"

Com as palavras de Ian, os lábios de Hrundal se curvaram em um leve sorriso. Foi uma sensação surreal, como se uma obra de arte tivesse ganhado vida.

Era assim que o protagonista de um museu ganhando vida se sentia?

"Sim. Os outros mistérios que encontrei foram... muito mais opressores ao conversar."

Os mistérios, incluindo Drake Longtail, haviam drenado Ian apenas por conversar com eles.

Ele estava mais resistente agora que havia tomado aquele elixir.

Talvez fosse graças a esse elixir que ele conseguia conversar com a deusa?

"Isso é de se esperar", disse Hrundal com satisfação.

"Criei este espaço para invocá-lo. É um espaço preparado para você, então é naturalmente menos oneroso."

Hrundal, também, era um ser divino.

Seres superiores hesitavam em iniciar contato, e Hrundal não era diferente.

"Você carregou o item que eu concedi e alcançou o lugar sagrado."

Hrundal continuou.

"Eu criei o espaço, mas você é quem veio aqui."

Ian assentiu, compreendendo suas palavras.

"Então, se eu possuísse um item imbuído com o poder do Deus do Céu e alcançasse um lugar sagrado do Deus do Céu..."

"Você poderia encontrar o Portador do Sol", respondeu Hrundal com indiferença, como se fosse óbvio.

"Mas não haveria muito a ganhar com essa visita, já que o Portador do Sol não o invocou."

"É verdade."

O motivo de Ian poder visitar o Palácio de Gelo era o convite de Hrundal.

"Você disse que tinha algo para mim..."

Hrundal interrompeu Ian.

"Você está com pressa, como um mortal. Mas faz muito tempo desde que uma pessoa viva visitou este lugar."

Estalo!

Com um estalar de dedos, a cena mudou. Eles estavam em um salão de banquetes. A longa mesa estava cheia de várias comidas.

"Vamos conversar calmamente durante uma refeição."

A maioria dos pratos eram carnes cozidas, com vinho e outras bebidas. Ian sentou-se à mesa, levemente desapontado. Ele esperava comida da Terra em um banquete divino, mas não teve tanta sorte.

"Posso comer isto?"

"Claro. Você acha que eu serviria comida intragável?"

Felizmente, a comida estava deliciosa. Hrundal observava Ian comer com prazer.

"Como está? Não é do seu agrado?"

"Não, é só que..."

Ian engoliu em seco e falou.

"Existe uma história que conheço, onde se uma pessoa viva come a comida do submundo, ela não pode retornar ao mundo dos vivos..."

"Oh?"

Hrundal parecia intrigada com a história de Ian. Era bastante fascinante.

"Parece uma história contada por alguém bem versado no submundo."

"Perdão?"

"Haha. Já que você comeu a comida do submundo, você não pode mais retornar ao mundo humano, Ian."

Pfft!

Ian cuspiu seu vinho, tossindo. Hrundal riu alegremente.

"É uma brincadeira! Seu medroso!"

"..."

Não, quando é um deus dizendo isso, é difícil não acreditar...

Ian continuou comendo.

A deusa parece ter um lado travesso.

"Você está bem diferente da última vez que nos encontramos."

"O que você quer dizer?"

Hrundal parecia intrigada.

Quanto mais Ian a via, menos ele entendia essa deusa. Da última vez, ela exalava uma presença tão esmagadora que ele nem conseguia levantar a cabeça...

Agora, parecia que ele estava visitando a casa de uma irmã mais velha que frequentava uma faculdade de artes!

"Eu achei que você fosse uma pessoa muito... mais fria."

"Fria, você diz? Claro que sou. Como a supervisora da vida após a morte", disse Hrundal.

"Sob meu Palácio de Gelo jaz uma prisão para os condenados. Pegando emprestado o termo do Portador do Sol, é o inferno."

"..."

"Periodicamente, prisioneiros escapam do inferno e vêm à superfície. Meus guerreiros e eu temos a tarefa de subjugar esses demônios fugitivos e enviá-los de volta ao inferno", disse Hrundal, quase cantando.

"É por isso que favoreço guerreiros fortes. Apenas guerreiros fortes o suficiente para enfrentar os demônios do inferno podem manter a ordem no mundo."

Ian entendeu as palavras de Hrundal. O papel da deusa era como o de uma carcereira.

Ela era uma carcereira impedindo os prisioneiros condenados de pisar na terra dos vivos.

"Mas isso é apenas meu dever. Minha essência é mais próxima à de uma artista."

Ian assentiu, olhando para as pinturas que decoravam as paredes do salão de banquetes.

Hrundal era a senhora de uma cidadela que vigiava o inferno. Mas, ao mesmo tempo, ela era uma deusa da arte e da pintura.

"Como guardiã dos mortos, devo ser sempre fria e implacável. Mas como artista, devo capturar a beleza do mundo com cores vibrantes."

Ian sorriu para Hrundal.

"Aquela que está diante de mim agora... é a deusa da pintura."

"Haha, exatamente. Mortal."

Hrundal acrescentou de forma brincalhona: "É melhor você torcer para nunca me encontrar como a carcereira."

"... Eu também espero."

Foi uma piada arrepiante. Encontrar Hrundal como a carcereira significava que Ian estava preso no inferno.

"Então, Ian. Você gosta das minhas pinturas?"

"Claro."

Com um estalar dos dedos de Hrundal, cartas de Arcanos começaram a girar ao redor de Ian.

"Na verdade, eu vi algo semelhante na minha vida passada."

"Oh? E o que é isso?"

"Uma coisa chamada cartas de tarô..."

Ian explicou brevemente o que sabia sobre cartas de tarô. Ele não era um especialista, apenas ciente de que eram usadas para adivinhação, como prever a sorte do ano novo ou a sorte amorosa de casais.

Hrundal sorriu levemente com a explicação de Ian.

"Isso é possível. Mistérios não estão limitados pelo tempo e pelo espaço."

"É mesmo?"

"Ian, seu povo na sua vida passada acreditava na existência da alma?"

"... Bem, alguns."

Alguns acreditavam em almas, enquanto outros não.

"É o mesmo aqui. Existem aqueles que não acreditam na existência da alma. Mas almas existem."

Hrundal explicou que os mistérios se revelam aos crentes. E não era estranho que as crenças humanas assumissem formas semelhantes.

"É por isso que você consegue lidar com tantos mistérios."

"...? O que você quer dizer?"

Hrundal riu.

"Você acredita na existência de mistérios mais fortemente do que qualquer outra pessoa, não é?"

"???"

Ian não entendeu bem o ponto de Hrundal.

"Quer acreditemos ou não... Mistérios existem, certo?"

"Errado. Não é porque eles existem que você acredita neles, mas porque você acredita neles que eles existem."

A boca de Ian ficou escancarada. Deve ser por isso que ele se encaixava tão bem com a carta de Arcano 0, [O Tolo].

Era natural que Ian não entendesse as palavras de Hrundal. A maioria dos residentes deste mundo de fantasia medieval não entendia os mistérios. Eles podiam ter ouvido falar deles, mas não podiam entendê-los ou interagir com eles.

Imagine alguém alegando: "Eu acredito em fantasmas! Até comprei um quadro branco para me comunicar com eles!" Você pensaria: "Ah, eles acreditam tão fortemente que fantasmas podem existir", ou você pensaria: "Que pena que aquele programa de TV sobre marcianos foi cancelado".

A maioria das pessoas pensaria o último.

As pessoas neste mundo não são diferentes. Mistérios existem, mas são difíceis de encontrar ou entender, tornando-os virtualmente inexistentes para pessoas comuns. Como eles não podem imaginar ou interagir com eles, a pessoa comum torna-se ainda mais distante dos mistérios.

Mas Ian era diferente.

Vendo a janela de status, Ian estava convencido de que havia reencarnado em outro mundo. Naturalmente, ele acreditava que deveria ter algum tipo de habilidade de trapaça. Essa é a regra, certo?

Ian acreditava firmemente que poderia lidar com poderes misteriosos como se fosse natural.

Como resultado, ele conseguia lidar com todos os tipos de mistérios aleatórios, o suficiente para surpreender até mesmo Eredith.

"Mas eu uso magia através da minha janela de status?"

"Janela de status?"

Ian explicou a Hrundal o que era uma janela de status. Ele se sentiu um pouco envergonhado ao fazer isso. É um conceito de fantasia de jogo... Tipo, você já leu O Lendário Escultor do Luar?

Hrundal respondeu firmemente,

"Não sei o que é essa 'janela de status'."

"..."

"O Portador do Sol também não saberia. O único que sabe sobre esse fenômeno bizarro é você."

...Até o deus da Fé do Céu não sabe sobre isso?

Uma cena se desenrolou na mente de Ian.

[Oh, uma janela de status! Senhor do céu! Que poder é este?]

[... Eu não sei, o que é isso? É assustador...]

Era um esquete de comédia.

"Eu acho que essa 'janela de status' foi criada por você, Ian."

"... Eu criei a janela de status???"

Hrundal concluiu,

"[Um sistema muito sofisticado de autossugestão.]"

Essa era a janela de status de Ian.

Nem Hrundal nem o Deus do Céu sabiam o que era a janela de status.

Logicamente, o único que poderia criar a janela de status era...

Ian, ele mesmo.

"Por que você está tão surpreso?"

Hrundal perguntou, vendo Ian parado em choque.

"Magos humanos chamados [Arquimagos] ou [Lemegeton] usavam seus métodos únicos para realizar magia."

Hrundal continuou, "Você não é diferente."

O Arquimago Maronius criou um sistema mágico com sua linguagem. Se Maronius podia fazer isso, por que outros humanos não podiam?

Ian usando magia através de uma 'janela de status' não era diferente.

"Claro, a bênção do Portador do Sol é inegável, mas o conceito da 'janela de status' foi criado por você, Ian."

"..."

A cabeça de Ian girou. Ele pensou que a janela de status fosse uma vantagem por ter reencarnado em outro mundo. Mas descobriu-se que ele era um caso mental incrível tendo alucinações...?

Não.

Isso era duro demais.

Era melhor dizer que ele tinha um talento mágico inato tão grande que podia transformar sua imaginação em realidade. O próprio Ian não sabia, mas ele nasceu com imenso talento mágico...!

Vendo Ian parado ali, Hrundal sorriu, uma ideia divertida cruzando sua mente.

"Vou lhe emprestar meu poder. Você gostaria de usar essa 'janela de status' com mais precisão?"

"Hã... Sim?"

Ian respondeu distraído.

Hrundal entendeu como uma resposta positiva.

"Vamos imbuir sua magia nas cartas de Arcanos que eu tirei."

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