
Capítulo 120
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
TL/Editor: raei
Cronograma: 5/semana
Ilustrações: Nenhuma
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— A conversa acabou? —
Ao ouvir a voz repentina, Ian virou a cabeça.
Pyra e os outros estavam esperando.
— Vocês pareciam estar tendo uma conversa tão séria que não pude interromper... mas parece que tudo correu bem. —
Pyra havia notado que Ian estava em contato com um mistério.
Mas, para garantir que a conversa de Ian fluísse sem problemas, ele se conteve deliberadamente.
Normalmente, as conversas devem ser individuais; se alguém intervém de repente, até uma conversa que ia bem pode desandar.
— Você deve ter ficado surpreso. —
— Um pouco? —
— Desculpe por não ter explicado antes. —
Pyra olhou para Ian com um sorriso curioso.
Os xamãs do Norte evitam o contato direto com mistérios.
Em suas terras acidentadas, havia muitos espíritos agressivos.
Mas aquele jovem mago do Império não temia nem um pouco falar com mistérios.
Se era sua personalidade ou um traço dos magos imperiais, Pyra não sabia.
Mas ele não desgostava de ver Ian conversar com um mistério.
Era algo ousado e de espírito livre, algo que não se veria em um xamã.
— Não. Você não é uma criança. Não posso supervisionar cada ação que você toma. —
Conforme o espírito da fênix desaparecia, os arredores tornaram-se muito mais silenciosos.
Pyra sorriu largamente e reuniu as Lágrimas de Hrundal.
— Com esta quantidade, ambos podemos ter uma parte. —
Ian examinou o elixir que Pyra lhe entregou.
Parecia um líquido leitoso.
Não tinha cheiro perceptível.
Ele provou um pouco, e parecia água pura.
— Isso não é apenas água dura? —
Ian olhou para o elixir com ceticismo.
No Império, era comum encontrar água misturada com cal por causa das camadas de calcário no subsolo.
Ian via frequentemente água de nascente em vales montanhosos que era leitosa.
[Beba! Ian!]
Winnie piou.
[Tenho certeza de que será eficaz!]
Hmm. Se a fênix garantia sua qualidade...
Ian bebeu o elixir sem hesitação.
[Você consumiu as Lágrimas de Hrundal.]
[Sua defesa espiritual aumentou grandemente.]
A janela de status exibiu gentilmente uma mensagem.
Parecia ser um elixir benéfico para sua saúde.
Ian abriu bem os olhos e olhou em volta.
As cores do mundo pareciam um pouco mais vivas.
Sua habilidade aprimorada de aceitar o mistério tornava isso possível.
Agora, Ian poderia aceitar com segurança mistérios mais fortes do que antes.
— Eu não preciso fazer algo como circulação de qi? —
[Huh? Qi... o quê?]
Ah.
Sendo uma criatura de fantasia ocidental, ela não sabe sobre caracteres chineses!
— É como um brunch de qi. —
[Eu não sei o que é isso, mas... você não precisará fazer.]
Em romances de artes marciais, após consumir um elixir, é preciso circular o qi para absorver sua energia corretamente.
Mas neste mundo sem o conceito de circulação de qi, apenas bebê-lo parecia eficaz.
— ...? —
Naquele momento, Ian sentiu uma energia suave e misteriosa emanando em seu estômago.
Lentamente, ela se espalhou por suas veias e por todo o seu corpo.
Especialmente quando subiu pela coluna e pela nuca, Ian sentiu uma sensação de formigamento.
Embora Ian não soubesse, a glândula pineal localizada dentro do cérebro desempenha um papel crucial para que os humanos se tornem conscientes do mistério.
Isso já foi comprovado pelo mestre da ficção de terror, Howard Phillips Lovecraft.
Foi a sensação da função da glândula pineal sendo aprimorada pelo elixir.
— Isso é bom. —
Ian tinha uma resistência menor ao mistério em comparação com sua proeza mágica.
A razão era simples: Ian era um jogador "munchkin" [1] que havia aumentado seus atributos através de trapaças.
Um caso típico de [aumentar o nível sem iluminação]!
Por causa disso, mesmo que Ian pudesse lidar com magia com suas habilidades, seu corpo frequentemente sofria tensão.
Mas o elixir que ele acabara de consumir evitaria tais situações.
Claro, não lhe permitiria enfrentar abertamente mistérios sombrios ou algo do tipo.
— Vamos voltar agora? —
À sugestão de Ian, Pyra assentiu.
Eles garantiram as Lágrimas de Hrundal, então era hora de retornar.
— Ian... tem certeza de que está tudo bem? —
No caminho de volta para o acampamento, Takarion choramingou ao seu lado.
— Mas... mas eu não fiz nada? —
Takarion parecia acreditar firmemente que tinha um papel a desempenhar.
Ian de fato criou algumas ilusões.
Ele insistiu que Takarion era muito importante e deveria ser trazido.
Mas isso era mentira.
— Takarion, sério. Você realmente acha que foi convidado por Hrundal? —
— ...Eu não fui? —
Talvez Ian tenha exagerado no tempero.
A informação falsa que ele espalhou para enganar a tribo do Urso Vermelho deve ter convencido Takarion também.
Ian falou tanto sobre a importância de Takarion que ele começou a pensar: "Talvez... eu seja realmente tão importante?"
Nerd típico: imagina despertar poderes ocultos.
— Na verdade, eu sou o herói escolhido pelo Deus do Norte... —
— Sério? —
Takarion era como um totem.
Um tipo de totem de "leve-o e você terá sorte~".
Na realidade, Ian encontrou as Lágrimas de Hrundal em segurança, e quando voltasse e dissesse "Encontrei graças a Takarion~", ele poderia então levar Takarion de volta ao Império.
— E se eu encontrar o Deus do Norte e despertar meus poderes... —
— Takarion. —
Apesar de ser um monge, ele falava casualmente sobre deuses pagãos.
Bem, nerds geralmente não se importam com tais distinções.
Ian deu um tapinha no ombro de Takarion.
— Por que você não usa essa imaginação rica para escrever o próximo evangelho? —
— ... —
— Estou realmente ansioso por isso. —
Não era apenas uma figura de linguagem.
Em um mundo com poucas opções de entretenimento, o evangelho de Takarion era uma leitura sutilmente divertida.
Ian pretendia seriamente ler o próximo trabalho de Takarion.
— Ugh...! —
Takarion ficou genuinamente chateado.
Ian não podia acreditar.
Apenas alguns dias atrás, Takarion estava preocupado em perder seu coração. Ele já tinha esquecido aquelas memórias?
De qualquer forma, ele era um amigo com uma imaginação muito rica.
Quando Ian retornou com o elixir, os nortistas se reuniram para inspecioná-lo.
Foi movimentado e barulhento, mas Ian deixou passar.
Pense nisso como alguém encontrando ginseng em uma montanha.
Como alguém poderia resistir a ver o ginseng?
— Ooh! É isso! —
— Milagroso! Verdadeiramente milagroso! —
Pyra enxotou os guerreiros como pássaros e falou imediatamente com Ragnar.
— Veja. Ian encontrou o elixir. —
— Hmm... —
— Para registro, eu sabia que Ian teria sucesso. —
Pyra disse orgulhosamente.
Ragnar achava Pyra irritante, mas não podia dizer nada.
Afinal, eles tiveram resultados!
Até agora, ele podia criticar Pyra por falhas, mas depois de um sucesso tão digno, ele não podia dizer muito.
— O sacerdote imperial Takarion também fez sua parte, então espero que você o deixe ir. —
— Falarei com o chefe. —
De um jeito ou de outro.
Da perspectiva de Ragnar, ele ganhou um elixir melhorado apenas sentando-se lá, então não havia nada do que reclamar.
O chefe não era ganancioso o suficiente para recusar o bom elixir e ainda prejudicar o convidado de Hrundal.
— Vamos voltar para a aldeia. —
Os guerreiros se prepararam para partir.
Pyra perguntou a Ian.
— Ian, você tem mais algum negócio na montanha sagrada? —
— Bem... eu gostaria de ficar por mais uns dois dias. —
Era para manter sua promessa à fênix.
Enquanto aproveitava levemente a paisagem, Ian planejou verificar se havia algo que pudesse preocupar o espírito da fênix.
— Quero investigar os mistérios da montanha sagrada. —
Ian explicou vagamente.
Não era totalmente mentira. Se tivesse sorte, poderia encontrar algo que o ajudasse em suas buscas mágicas.
— Então eu vou ajudá-lo. —
Ragnar e os guerreiros decidiram descer a montanha primeiro. Eles não podiam perder tempo com um elixir tão precioso.
Como os guerreiros deixaram a maioria dos suprimentos para trás, não houve inconveniência em ficar.
— Uau. Acampar nas montanhas nevadas... —
Ian murmurou enquanto olhava para a neve acumulada.
A vista era incrível.
Mas o vento cortante e gelado que uivava pelos vales causou um leve arrepio em Ian.
No dia seguinte.
Ao amanhecer, Ian saiu para explorar as montanhas nevadas.
Claro, ele chamou de investigação, mas era mais como uma caminhada leve.
— Hmm! O tempo está ótimo! —
Belenka e Kira acompanharam Ian com passos leves.
Belenka, que estava acostumada a ver neve, estava calma, mas Kira estava especialmente fascinada por ela.
— Winnie, há algo que você queira que eu faça? —
[Não. Estou apenas feliz por estar com você, Ian.]
A investigação das montanhas nevadas era o que o espírito da fênix queria, não Winnie.
Então Ian estabeleceu o objetivo da investigação como aproveitar a paisagem nevada de tirar o fôlego com Winnie.
— É certamente silencioso. —
Pyra murmurou enquanto subiam a montanha.
— O Rei da Montanha tem algo urgente? É estranho não ver nenhum Grendel. —
Eles haviam explorado um bom pedaço do território do Rei da Montanha.
Quando procuravam pelo elixir, Pyra pensou que eles apenas tinham perdido os seguidores do Rei da Montanha.
Mas agora, depois de acampar e caminhar, era estranho que nenhum dos seguidores do Rei da Montanha tivesse aparecido.
Eles estavam apenas os ignorando porque era incômodo?
Mas conhecendo a personalidade do Rei da Montanha, Pyra achou que ele teria enviado pelo menos um seguidor para verificar como eles estavam.
— Hmm... —
— O que há de errado, Pyra? —
— Nada. Vamos continuar. —
Ian continuou subindo a montanha.
Ao passarem pela meia-montanha, seus pés afundaram na neve espessa.
A neve na montanha, que congelava e descongelava repetidamente, feria sua pele com o frio.
— Huff. Huff... —
— Você está bem, Takarion? —
— Eu... ainda consigo aguentar... —
Isso é bom.
A determinação humana é frequentemente superficial e raramente dura mais do que alguns dias. Inúmeras listas de resoluções de Ano Novo descartadas provam isso.
Mas a determinação de Takarion parecia durar mais do que o esperado.
Se Takarion continuasse, facilitaria as coisas para Ian.
— Caw! Mestre! —
Oberon voou e pousou no ombro de Ian.
— O que é, Oberon? —
[Avistei humanos à distância! Eles estavam quase congelados!]
— ...Humanos? —
Ian inclinou a cabeça.
Humanos no meio da montanha sagrada?
Este era o território do Rei da Montanha. Humanos não podiam simplesmente invadir aqui.
— Eles são xamãs? —
Se não fossem suicidas, provavelmente eram xamãs.
Como Pyra, eles podiam subir e descer a montanha sagrada com a permissão do Rei da Montanha.
Ian sussurrou com Oberon e depois falou com Pyra.
— Pyra, precisamos mudar de direção um pouco. —
Pyra olhou para Ian com uma expressão curiosa.
Para alguém que lidava com mistérios como Pyra, a habilidade de Ian de conversar com um corvo era realmente fascinante.
Claro, era devido às diferenças entre a língua Maronius e as cartas de Arcano.
Pyra tinha uma habilidade semelhante a falar com animais.
Ele espalhava cartas na frente do corvo e comunicava-se indiretamente pedindo que ele escolhesse uma carta.
Um método muito mais primitivo e abstrato em comparação com a língua Maronius.
Era um método muito mais seguro, já que não havia risco de cometer um erro verbal que pudesse irritar a outra parte.
— Você encontrou algo? —
— Sim. Vamos por ali. —
Ian levou o grupo ao local que Oberon havia apontado.
— Isso é... —
— Aquelas não são as pessoas de uma aldeia do norte? —
Lá, encontraram humanos congelados até a morte.
Para ser preciso, eles congelaram até a morte após serem mordidos.
Pareciam menos cadáveres e mais pedaços de carne deixados em um freezer.
Ian sentiu náuseas pela primeira vez em muito tempo.
— ...Parece obra de Grendels. —
A voz de Pyra mudou.
— É certo. Estes são os xamãs da coalizão tribal Sgonu. —
Pyra cutucou os montes de neve com seu cajado.
Naquele momento, um braço disparou repentinamente da neve.
— Ai meu Deus! —
Kira exclamou surpresa.
Belenka sacou rapidamente sua espada e deu um passo à frente.
Mas Pyra a parou.
— Espere! Eles não são inimigos! —
O cadáver congelado contorceu suas articulações e levantou-se da neve.
Crack... crack...
Forçando seu corpo congelado a se mover, pedaços de carne gelada voaram como estilhaços.
Mesmo com apenas alguns movimentos, o cadáver ficou esfarrapado.
Ian observou calmamente o cadáver congelado.
— Eles adiaram sua morte. —
— Certo. Parece que pediram ajuda ao mistério do gelo. —
Ian notou a presença de mistério dentro do cadáver.
Pouco antes de morrer, o xamã deve ter pedido ao mistério do gelo para segurar sua alma.
Foi o trabalho de um xamã habilidoso.
[V-Você... Você é de Okaha...]
— Sim. Xamã de Sgonu. —
Pyra entendeu o segredo do cadáver congelado.
Pouco antes de encontrar a morte, o xamã pediu ajuda ao mistério da montanha, tornando-se um morto-vivo.
[P-Por favor... entregue minha mensagem para minha terra natal...]
— Eu juro por Hrundal, entregarei sua mensagem para seu povo. —
O xamã havia adiado sua morte para deixar uma mensagem final.
[Subimos a montanha sagrada para buscar sabedoria do Rei da Montanha...]
— Sabedoria? —
[Queríamos saber o motivo da falha da Grande Caçada...]
[1] - Munchkin: termo utilizado em jogos de RPG para descrever um jogador que foca apenas em maximizar o poder do personagem, frequentemente utilizando mecânicas de jogo de forma exploratória ou "trapaceira", em detrimento da história ou da interpretação.