
Capítulo 101
Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval
Tradutor/Editor: raei
Revisor: Pickhead7
Cronograma: 5/semana
Ilustrações: Nenhuma.
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"Significa 'mistério'."
Ian disse com indiferença.
O clero costumava usar línguas antigas no dia a dia.
Arcana significava simplesmente 'mistério'.
Significava uma carta imbuída de mistério.
Era compreensível, dada a natureza da profissão deles e o fato de que frequentemente estavam imersos em línguas antigas.
Desde que não fosse apenas para se exibir como Takarion, era aceitável.
"Sim, mistério", respondeu Isilla com um sorriso.
"Você precisa de um tempo para pensar? Por que não dá uma volta comigo?"
Ian caminhou pelo mosteiro com Isilla para clarear os pensamentos.
A luz dourada do sol iluminava o mosteiro à tarde, fazendo as plantas vibrantes brilharem como se exibissem sua vitalidade.
"Ian, o que você acha que é magia?"
Isilla perguntou abruptamente.
"De repente?"
Ian ficou levemente surpreso.
Ele não era um mago e não esperava discutir magia com um monge que acabara de conhecer.
"A magia é uma comunicação entre o mistério e a humanidade", Ian respondeu fluentemente, apesar da surpresa, um resultado de um rigoroso treinamento teórico sob Eredith.
"O que, então, é o mistério?"
"É uma existência além da compreensão humana. Tentar entendê-la é fútil porque é incompreensível. Você só precisa sentir e aceitar", explicou Ian.
Mistério refere-se a tudo que se move de maneiras desconhecidas além da cognição humana — desde elementos naturais como fogo, vento, terra e água, até entidades transcendentes como o mundo, o universo e o destino.
E um mago é aquele que se comunica com esses mistérios.
Ian olhou para Isilla e perguntou,
"Mas por que você pergunta? De repente você quis se tornar um mago na sua velhice?"
"Um mago... Você me vê como um?"
Isilla respondeu com uma pergunta desafiadora.
A conversa parecia estar saindo do rumo, mas Ian respondeu,
"Não, você parece ser um monge."
"E se eu manipulasse fogo na sua frente? Eu ainda pareceria um monge?"
A expressão de Ian foi sutil.
Um velho peculiar.
Ian revisou sua visão sobre Isilla. Suas peculiaridades faziam com que ele parecesse um pouco com um mago.
"Eu poderia pensar que você está conjurando um feitiço."
"Sim. O fogo é um elemento destrutivo que engole tudo. Ele carrega o poder tanto da lava da terra quanto do relâmpago do céu. Mas a natureza do fogo é mais próxima do céu do que da terra. Você sabe por quê?"
Isilla continuou.
Ian deu de ombros.
"Porque ele detém o poder da purificação."
Isilla sorriu satisfeito.
"Exatamente. Seu conhecimento é impressionante."
O fogo representa destruição, mas não apenas isso — é uma destruição em prol da renovação e do renascimento.
Se Ian fosse descrevê-lo usando os conceitos de sua vida anterior como estudante de ciências, seria o poder caótico entre o cosmos e o caos.
Fogo é energia. É o fluxo da entropia.
"É por isso que o céu usa relâmpagos para punir os humanos. O relâmpago incorpora o poder da purificação", explicou Isilla.
"Significa limpar completamente até mesmo os pecados dos pecadores."
"Certo. É tanto punição quanto reforma."
Isilla estendeu a mão como se agarrasse o sol, projetando sombras em seu rosto enrugado.
"O inferno usa fogo para punir os humanos pelo mesmo motivo. As chamas do inferno punem e purificam os pecados através de um ritual de queima."
"Bem. É o que dizem."
Isilla continuou com a mão estendida.
De repente, o monge balançou o punho em direção ao chão.
Vup!
"...?"
Então, algo surpreendente aconteceu.
Uma chama brilhante seguiu o punho de Isilla, ardendo brevemente antes de desaparecer!
Ian ficou assustado.
"Frutos ardentes!"
"O quê?"
"Punho de Fogo Isilla! Soco de Fogo! Soco de Fogo!"
"...Essa reação é um pouco exagerada."
Isilla não se abalou, mas Ian estava verdadeiramente pasmo.
Apenas estender a mão em direção ao sol tinha feito chamas irromperem do nada?
Isilla deu um tapinha brincalhão no ombro de Ian e perguntou novamente.
"Então, pergunto novamente. Sou um mago ou um monge?"
Ian respirou fundo.
Refletindo, não era tão surpreendente.
Ian, um mago, podia conjurar escuridão com apenas um gesto.
Era raro, mas inteiramente possível para um monge proficiente nos mistérios dos céus acender chamas.
"Você é um monge."
"Oh? Por que você diz isso?"
"Porque o fogo de agora há pouco foi resultado de comungar com o céu. Seria difícil produzir o mesmo efeito novamente."
"Ah, você acertou de novo. A sabedoria é o privilégio dos velhos, mas aqui está você, tão astuto, que quase me desanima."
O feito que Isilla mostrara era, de fato, magia divina.
Ter uma compreensão profunda das escrituras e fazer um apelo sincero ao divino pode resultar em resultados milagrosos — é isso que é a magia divina.
Isilla usava magia sem a necessidade de Maronius.
Sua fé era tão profunda e firme que ele podia transmitir seus desejos ao divino sem palavras faladas, um testemunho de sua devoção.
"Você tem razão. Eu não poderia replicar isso sozinho. Mas você, como mago, poderia produzir o mesmo resultado novamente."
Se milagres acontecem sempre, eles não são milagres, mas técnicas.
A magia de um mago sistematiza o processo de comunicação com o divino, garantindo resultados consistentes.
Essa é a diferença entre milagres e magia.
"A magia dos bárbaros do norte está em algum lugar entre milagres e técnicas", disse Isilla enquanto entregava a Ian uma carta rasgada.
"Eu não acredito no Deus do Gelo, então é inútil para mim. Mas Ian, como mago, você poderia aprender a manejar o divino através da conversa com os mistérios."
Um novo tipo de magia...
Ian ponderou por um momento antes de aceitar a carta.
Explorar novas magias era o ponto forte de Ian.
Quem sou eu?
Um jogador trapaceiro de outro mundo.
Minha tela de status é invencível, e eu sou um deus.
...Me chamar de deus parece um pouco exagerado, então vamos ficar com mago.
Ian é um mago.
Ele não podia perder uma oportunidade de encontrar o divino.
"E se você trouxer aquele sujeito, Takarion, você fará Zoltin ficar em dívida com você."
"Zoltin?"
"Ele veio originalmente para encontrar Takarion. Takarion não escreveu o Evangelho de Marcus? Zoltin é um discípulo de São Marcus."
Aha. Ian entendeu a situação.
Zoltin tinha vindo ao Mosteiro da Chave Azul para encontrar Takarion, mas Takarion tinha partido para curar a doença do Lorde Devosi.
Foi uma confusão devido à lenta rede de comunicação do mundo medieval.
Mesmo que a Igreja da Fé Celestial tivesse sua própria rede de comunicação, coordenar como se tivesse linhas telefônicas era impossível.
"Como Zoltin orou pelo retorno seguro de Takarion, se você trazê-lo de volta em segurança, Zoltin lhe deve um favor."
Isso não era uma má notícia para Ian.
Como mago, Ian ocasionalmente entrava em conflito com o setor religioso.
Ter um clérigo de alto escalão em dívida com ele seria benéfico.
Criar uma dívida com Zoltin poderia ser útil algum dia.
"Tudo bem. Vamos fazer uma viagem para o norte, por que não."
Ian guardou a carta Arcana em seu peito enquanto falava.
A noite no Mosteiro da Chave Azul estava intensamente iluminada, o que era bastante surpreendente, já que ter luz em uma noite medieval sem uma única lâmpada elétrica era notável por si só.
A principal fonte de luz na Idade Média eram, naturalmente, as velas.
Embora as velas possam parecer românticas e alegres, as velas que Ian experimentou eram verdadeiramente terríveis.
Sua luz mal iluminava algo além do que estava bem na sua frente.
Atividades ao ar livre eram absolutamente impossíveis com elas, e dentro de casa, elas forneciam luz apenas o suficiente para mal ler um livro.
Não é de admirar que a lâmpada, inventada pelo chamado inventor e ladrão de patentes Edison, fosse considerada uma inovação revolucionária para a humanidade.
Ian quase arruinou seus olhos mais de uma vez sob a luz fraca das velas.
Onde está o smartphone? Onde está o modo de lanterna brilhante?
Ele perceberia mais uma vez o quanto as pessoas modernas tomavam a bênção da luz como garantida.
Em vez disso, Ian frequentemente recorria ao uso de magia sombria no lugar das velas.
No entanto, o mosteiro agora estava claro como o dia.
Bem, isso é um exagero, mas era brilhante o suficiente para ser chocante, já que a luz de uma vela é minúscula.
Mas acenda muitas, e a história muda.
"O que é tudo isso?"
Ian perdeu as palavras ao olhar para as centenas de velas que enchiam o altar.
Sendo um homem medieval, Ian sabia exatamente quão cara era uma única vela.
Queimar centenas em uma noite?
Para Ian, parecia que uma imensa quantia de dinheiro estava queimando ali mesmo, tornando a visão ainda mais avassaladora.
"Já que você está aqui, por que não rezar antes de partir?"
"Rezar?"
Monges estavam ajoelhados e rezando fervorosamente.
Era de fato um mosteiro em todos os sentidos.
"É uma oração pelo retorno seguro do Irmão Takarion", explicou o Abade Renis, que estava mergulhado em pensamentos.
O que o mosteiro poderia fazer por Takarion, que o tornara tão rico?
O resultado desse pensamento foi a oração — um resultado razoavelmente racional, já que mercenários não eram confiáveis e mobilizar cavaleiros cruzados levava muito tempo.
Agora, o dinheiro que Takarion tinha ganhado arduamente com seus escritos estava sendo queimado em centenas de velas.
"Apenas uma oração."
Ian moveu-se em direção à estátua da deusa.
Belenka, que já estava rezando, olhou para Ian.
"Você veio rezar?"
"Uh, sim."
Belenka abriu espaço para Ian.
"Pelo que você veio rezar?"
"Eu realmente não tinha pensado nisso. Talvez por viagens seguras?"
O abade esperava que Ian rezasse pelo bem-estar de Takarion.
Mas o que Ian se importava com Takarion?
"Então, vamos primeiro rezar pelo homem desconhecido que você enviou para o céu", sugeriu Belenka.
"Ah, certo."
Ian tinha matado alguém em defesa durante o ataque do assassino, e Belenka tinha sugerido uma vez rezar por perdão quando a oportunidade surgisse.
"Como devo rezar?"
"Eu sou a especialista aqui. Primeiro, peça perdão à família e aos amigos do homem cuja vida você tirou."
"..."
Belenka era uma cavaleira, especialista tanto em matar quanto em pedir desculpas.
"Aquele bastardo tentou me matar primeiro. Devo ainda ser eu o único a pedir desculpas?"
"Hmm. Será que a mãe do assassino morto pensaria o mesmo?"
"Droga, sério."
Desafiado pela lógica astuta de Belenka, Ian resmungou e fechou a boca.
O peso da vida é justo para todos.
Até mesmo a criatura mais insignificante tem uma mãe e um pai, e até mesmo o humano mais miserável e insignificante tem pais que os amam.
Nem precisava dizer. Tirar uma vida é um pecado.
"Seu rosto parece preocupado."
"Não há motivo para estar feliz."
Enquanto a expressão de Ian escurecia levemente, Belenka falou como se para confortá-lo.
"Como alguém veterana em cometer pecados, deixe-me lhe dar um conselho... não pense muito nisso. O ato já foi feito."
"... Você não acabou de me dizer para pedir perdão à família da vítima?"
"Você deve buscar perdão, é claro. Mas não espere ser perdoado. Perdoar um inimigo é quase divino."
É difícil perdoar um pecador, especialmente se esse pecador prejudicou a própria família de alguém.
Se fosse fácil, então os santos não seriam chamados de santos.
É também por isso que 'Ame o seu inimigo' é um mandamento.
"É difícil obter perdão por pecados já cometidos, mas..."
Belenka deu um leve tapinha no ombro de Ian e continuou.
"Eu posso rezar pelos seus pecados."
"..."
"Esse é o caminho do cavaleiro. Carregue seus pecados, mas pratique mais boas ações para que você possa receber mais orações do que os pecados que acumulou."
Belenka estreitou levemente os olhos e sorriu.
"Você não está sozinho, Ian. Se demônios do inferno vierem buscar seus pecados,"
"Eu lutarei pela sua inocência, apostando minha honra."
Seus olhos azuis brilhantes cintilavam diante da luz das velas.
É preciso arcar com os pecados que se cometeu; isso é karma.
No entanto, ainda se pode rezar por um pecador.
Se uma oração sincera chegar ao céu, então o peso desse pecado pode ser aliviado um pouco.
Ian olhou para Belenka por um tempo, depois virou a cabeça com uma risada.
"Então eu rezarei por você, Belenka."
"... Por mim?"
"Pela sua espada, que existe para a justiça. Se alguém denunciar o sangue em sua lâmina como imundo, eu defenderei você até o fim, apostando meu conhecimento e magia."
Belenka fechou os olhos e juntou as mãos, seu sorriso não desaparecendo.
"Isso é realmente... Eu tenho um mestre tão confiável."
Diante das brilhantes centenas de velas, a cavaleira e o mago rezaram pela alma um do outro.
Suas orações eram tão fervorosas que pareciam chegar aos céus.
...As estrelas cintilavam no céu noturno.
Era o tipo de noite em que Takarion poderia gritar de longe: "Seus bastardos! Rezem por mim!!!"