Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Capítulo 20

Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Tradutor/Editor: Raei

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Cronograma:

Ilustrações: Nenhuma.

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"Tenho uma pergunta."

"O que é?"

Enquanto seguiam em direção a uma estalagem, Lucy lançou uma pergunta simples.

"Por que o Ian usa linguagem formal com os plebeus? Qual o motivo?"

Aos olhos de Lucy, o comportamento de Ian era estranho.

Um mago do império é como um nobre, então por que usar honoríficos com plebeus humildes?

Lucy tinha visto um mago apenas uma vez na vida, e aquela pessoa usava honoríficos apenas com seus pais nobres, falando de forma arrogante com os servos.

Por isso, Ian era peculiar para ela.

E, de fato, Ian era peculiar.

"Bem, eu sou um plebeu. Ian, filho de um fazendeiro."

"Mas você é um mago."

"E daí?"

"..."

Como um mago de origem plebeia, Ian tornou-se uma existência desvinculada das normas sociais usuais.

Não importava se ele usava honoríficos ou não.

"Não há motivo especial. Apenas imitando minha mestra."

"A mestra do Ian... Eredith?"

"Droga. Chame-a de Mestra Eredith. Não seja rude."

"... Desculpe. A Mestra Eredith é assim?"

A maga Eredith era pé no chão e educada.

Tanto que ela até usava honoríficos com os pais servos de Ian.

Ian admirava esse caráter.

E, por não ter abandonado totalmente suas sensibilidades modernas, ele achava desconfortável ser rude com os plebeus.

Claro, ele se ajustaria naturalmente assim que se acostumasse com os costumes do império.

"E. É um problema se eu usar honoríficos? Eu quero."

"Não. Bem... Não há problema."

Se um nobre usasse honoríficos com um plebeu, seria tratado como se estivesse insano. É contra as regras universalmente aceitas deste mundo.

Assim como a reação de Lucy, um mago usar honoríficos era, de fato, estranho.

Mas, para um mago, tudo bem. Na verdade, era preferível.

Magos são considerados melhores quanto mais estranhos parecem!

Quanto mais normalmente alguém age, maior a probabilidade de as pessoas subestimarem o poder de um mago.

'Tsc tsc. Falta habilidade, então ele está fingindo ser modesto!', diriam.

Mas quanto mais estranho o comportamento, mais eles se perguntam: 'Uau! Quão incrível ele deve ser para agir de forma tão louca!'

Em uma era onde mitos e rumores eram indistinguíveis da verdade, às vezes, até contos falsos precisavam ser aceitos como verdade.

Olhe para a maga Eredith.

Apesar de sua natureza pé no chão e de usar honoríficos com plebeus, ninguém a critica!

Eles apenas admiram: 'Uau! Ela usa honoríficos com plebeus! Verdadeiramente estranha!'

Lucy decidiu parar de se importar com o modo de falar de Ian.

Se o próprio mago quer assim, então...

"Esta deve ser a estalagem."

"Oh. Realmente parece uma estalagem."

A estalagem em Riverville lembrava as estalagens de fantasia medieval com as quais Ian estava familiarizado.

Paredes de tijolos e janelas abertas. Até mesmo a altura de dois andares.

Ao entrar, uma recepção calorosa saudou os visitantes. Era o calor de uma lareira que também servia como forno.

Lareiras eram a razão pela qual os edifícios ocidentais geralmente tinham dois andares. O calor de uma lareira no primeiro andar podia subir para aquecer o segundo andar, tornando o aquecimento viável mesmo em edifícios mais altos.

No entanto, no Oriente, e especificamente nos edifícios Joseon, isso era impossível devido ao sistema de aquecimento ondol [1], que não conseguia aquecer efetivamente edifícios com mais de um andar.

Portanto, as estalagens de Joseon eram largas e baixas, enquanto as estalagens de fantasia ocidental tinham vários andares.

"Bem-vindos!"

O estalajadeiro cumprimentou Ian e seu grupo.

Não era o homem de barba espessa que Ian esperava; ele ficou um pouco desapontado.

O estalajadeiro era uma mulher de meia-idade.

"Vão passar a noite?"

"Sim, por um dia ou dois..."

"As camas ficam no segundo andar. Cuidado com os ladrões."

A estalajadeira profere seu discurso de boas-vindas com proficiência.

Riverville, por ser à beira do rio, via visitas frequentes de estranhos.

Mercadores de fora, como a Companhia Pé de Coelho, vinham sempre. Para a estalajadeira, a presença de viajantes não era nada incomum.

"Senhora, é possível tomar banho?"

"Banho? Não é impossível, mas..."

Quando Ian pediu um banho, a estalajadeira pediu naturalmente uma taxa adicional.

Banho não era um serviço prestado pela estalagem. Não havia banheiros para começar.

Tomar banho significava encher um caldeirão de lavanderia com água, aquecê-lo e então entrar no lugar da roupa.

Era natural cobrar pelo trabalho de buscar água e queimar combustível.

"Banho, hospedagem, refeições. Para dois, por favor."

Ian tinha bastante dinheiro. Os fundos de viagem dados por Eredith ainda eram suficientes, e a gema dada por Longtail ainda não tinha sido vendida.

Quando os fundos de viagem de Eredith chegassem ao fim, ele poderia vender a joia na cidade para reabastecer seus fundos.

"Oh! Certo! Vou preparar!"

O rosto da estalajadeira iluminou-se ao ver o dinheiro que Ian ofereceu.

Era o sorriso dourado do capitalismo.

"Mas e aquela moça?"

Lucy, que estava ouvindo, protestou.

"Eu não vou tomar banho!"

Ian perguntou, meio incrédulo e meio irritado.

"Por quê? Não é como se você estivesse pagando. Você não está suja também?"

"Tem isso, mas!"

Ela não negou, deixando Ian ainda mais perplexo.

Corando, Lucy gritou com uma voz cheia de indignação.

"Eu realmente tenho que soletrar?"

O banho deveria ser tomado no quintal da estalagem.

E era um espaço aberto.

Imagine uma pessoa na água fumegante. E uma garota bonita ainda por cima?

Os espectadores se aglomerariam como nuvens.

A estalajadeira não se importava com as pessoas se reunindo. Na verdade, ela preferia.

"Ah."

Ian entendeu o ponto de Lucy.

Tomar banho nessa época era como uma peça de humilhação pública.

Para Ian, um homem, poderia ser algo para rir, mas para Lucy, era absolutamente impossível.

"Eu farei sozinho."

Ian começou a entender por que as pessoas daquela época não tomavam banho e vagavam por aí como faziam.

Mesmo que quisessem tomar banho, não havia muitos lugares para fazê-lo...

Quase ninguém estava disposto a pagar uma quantia alta pelo privilégio da humilhação pública.

"Por que alguém tomaria banho aqui?"

"Porque é nojento não tomar."

"Realmente peculiar. É porque você é um mago?"

"..."

Para Lucy, as ações de Ian eram excêntricas. Mas como era um mago fazendo, não era tão estranho assim.

Ah! Então os magos gostam de ficar nus ao ar livre para todos verem! (Na verdade não)

"Vamos apenas comer."

"Certo!"

Lucy riu e tirou sua capa.

Seu belo cabelo azul-escuro, que lembrava o céu noturno, caía como uma cascata.

Naquele momento, quase todos os homens hospedados na estalagem fixaram o olhar em Lucy.

'Droga.'

Ian cobriu rapidamente o rosto de Lucy.

"Lucy. Coloque a capa de volta."

"É Cassie, não Lucy. E por que a capa?"

"Apenas coloque e pare de resmungar."

"Eu não quero. É sufocante."

Lucy fez um biquinho e resmungou.

Sua aparência era incrivelmente fofa e adorável... na verdade não, era apenas irritante.

Será que ela percebe que é uma fugitiva?

"Você está tentando causar problemas?"

"Hmph. Quem aqui me reconheceria? E Ian, você está aqui. Não pode lidar com alguns bandidos?"

"Você é genial, porra. Não, eu não posso."

"... Sério?"

Lucy perguntou, incrédula.

Claro, não havia como Ian ter dificuldades contra alguns bandidos.

No entanto, ele só podia lidar com duas ou três pessoas com magia. Se a situação escalasse além disso, Ian não conseguiria controlar.

Ou magia poderosa teria que ser invocada, ou eles teriam que procurar a ajuda de um nobre...

Atrair atenção desnecessária era um resultado indesejado.

É por isso que ele mentiu sobre não conseguir vencer.

"Sem escolha então..."

Lucy fez um biquinho e relutantemente colocou a capa de volta.

"Meu escolta é um fracote."

"..."

Ian considerou seriamente.

Ele deveria simplesmente abandoná-la?

Ele sentia como se estivesse preso cuidando de uma irmãzinha desobediente.

...

Muito ocupado encarando Lucy, Ian não percebeu.

Alguns homens estavam olhando para Lucy, com seus olhares brilhando.



Em um beco escuro, o encrenqueiro de Riverville, Willy, de cabelos desgrenhados, conversava animadamente com seus amigos.

"Você está mentindo de novo?"

"Juro que é verdade! Aquela gata! Ela é linda pra caralho!"

"O quão bonita ela pode ser..."

Willy, o de cabelos desgrenhados, era um encrenqueiro.

Significando que ser um encrenqueiro era seu trabalho.

Willy passava a maior parte do tempo vadiando, entregando-se à ociosidade.

Ele não trabalhava nem ajudava ninguém.

Ele era um tanto bom em lutar, no entanto, ganhando dinheiro batendo nas pessoas para os outros.

Ele era um encrenqueiro profissional que raramente era levado pelos guardas da cidade por brigas.

Ele ostentava uma taxa de satisfação do cliente muito alta.

Graças a isso, ele conseguia sobreviver com o suficiente para comer.

Todos ao seu redor imploravam para que ele crescesse e arranjasse um emprego, mas Willy, inerentemente preguiçoso, preferiria fugir da aldeia armado do que se rebaixar a fazer trabalho agrícola.

"Aquela gata, ela só tem um companheiro. E é um idiota de um cara."

Willy relembrou os viajantes que ele tinha visto na estalagem.

A mulher com cabelos tão escuros quanto o céu noturno era mais bonita do que qualquer outra mulher que Willy já tinha visto.

Era como ver uma dama nobre pessoalmente, tão deslumbrante que ela era.

Por outro lado, seu companheiro masculino parecia um perdedor total.

Sua cabeça era tão preta quanto a dela, sugerindo que eram parentes.

Mas o rosto do cara era pálido como farinha, parecendo que nunca tinha visto o sol, um fracote total.

Quão fraco deve ser seu corpo para seu rosto ser tão pálido sem fazer nenhum trabalho agrícola!

Definitivamente um perdedor do caralho.

"Mas não parecia que eles ficariam por muito tempo."

Viajantes sem bagagem ou companhia não ficariam em uma aldeia por muito tempo.

Dentro de um dia ou dois, a mulher partiria.

A ideia da mulher desaparecendo logo amanhã fazia Willy não conseguir conter sua empolgação.

"Então, aqui está a coisa..."

Enquanto os olhos de Willy brilhavam, seus amigos entenderam sua intenção.

Um entendimento sem palavras. Era telepatia.

"Vamos fodê-la?"

"Exatamente isso!"

Tapa!

Um "high-five" que soou como uma explosão.

Como se Kang Baek-ho[2] e Seo Tae-woong não fossem nada comparados a eles.

No entanto, sua paixão era por estupro em vez de basquete, tornando-os nada além de escória da porra.

A beleza de cabelos azul-escuros, Lucy Talian, era um alvo atraente para Willy.

Primeiro de tudo, ela era uma estranha.

Mexer com ela significava que não havia apoio local para se preocupar.

Claro, um protetor poderia aparecer mais tarde, mas até lá, eles poderiam simplesmente fugir.

Para Willy, um desempregado da era medieval, correr não era nada.

Mesmo como um encrenqueiro, mexer com uma garota da mesma aldeia traria a ira de seu pai, irmão, irmão mais novo, tio, cunhado, o cara ao lado, e assim por diante, levantando-se como um enxame para defender a justiça em Riverville.

Mas Lucy era uma estranha.

Arrastá-la para algum lugar escuro para foder, quem os impediria?

E mesmo que ela chorasse injustiça, quem a ouviria, especialmente contra Willy, conhecido por seus caminhos de crápula?

Além disso, não é como se a mulher saísse por aí dizendo: 'Eu fui estuprada!'

Mesmo na civilizada Terra do século 21, é senso comum dissuadir uma mulher de se aventurar sozinha na natureza selvagem.

Não é sem motivo que as mulheres são aconselhadas a ter cuidado ao viajar para países com pouca segurança pública (como a Índia) com outras mulheres.

"Porra, se ela é tão bonita, devemos tentar?"

Enquanto seus amigos eram persuadidos, Willy sorriu.

"Exatamente por isso que vocês são meus amigos!"


[1 raei: Ondol na arquitetura tradicional coreana é o aquecimento de piso que usa transferência direta de calor da fumaça de madeira para aquecer a parte inferior de um piso de alvenaria espesso. (wikipedia)]

[2 raei: dois personagens em um mangá de basquete chamado Slam Dunk.]

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