Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Capítulo 8

Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

TL/Editor: Raei

Agenda:

Ilustrações: Nenhuma.

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"Já faz... o quê, 6 anos? Não, 7 anos."

Enquanto Ian contemplava a paisagem tranquila da estrada, perdeu-se em pensamentos.

Parecia que tinha sido ontem que ele subira as Montanhas Douradas para estudar magia.

O garoto de então agora retornava ao mundo como adulto.

E como um mago, nada menos.

"É hora de nos separarmos, eu suponho."

Eredith o acompanhara até o pé das montanhas, mas já não podiam mais viajar juntos.

Dranheim, onde o Conselho de magos do Fogo seria realizado, ficava na direção oposta ao próximo destino de Ian.

"Ian. Você deve participar do Conselho de magos do Espaço-tempo."

"O quê?"

Eredith marcara o próximo destino de Ian como um lugar completamente inesperado.

O Conselho de magos do Espaço-tempo.

"Magos do Espaço-tempo se reúnem em um lugar chamado Chronolic, em algum lugar nos confins mais ao norte. Ouvi dizer que há um portal para Chronolic lá."

As instruções de Eredith eram vagas.

Ir a um lugar desconhecido para encontrar pessoas desconhecidas.

Ian não entendia, mas Eredith explicou calmamente.

"Se você está destinado a aprender Magia do Espaço-tempo, encontrará um mago do Espaço-tempo lá. Se não, tente aprender magia dimensional ou magia de fótons. As regiões polares costumam ter auroras, então deve ser mais fácil aprender."

"Isso não está um pouco desorganizado?"

"É assim que os magos do Espaço-tempo funcionam."

Enquanto Ian se sentia inseguro, Eredith percebia um fluxo de destino muito forte nele.

Ela estava convencida de que Ian embarcaria na Magia do Espaço-tempo.

Embora Eredith não tivesse aprendido Magia do Espaço-tempo, ela tinha a intuição de uma maga que conversara com inúmeros mistérios.

Ian tinha uma afinidade natural com os mistérios.

Ele estava destinado a empunhar o poder do tempo.

"Ian."

"Sim, Mestra."

"Em três anos, no próximo Conselho de magos do Fogo, vamos nos encontrar em Dranheim."

Em três anos, em Dranheim.

Eredith planejava apresentar seu discípulo aos outros magos do Fogo.

Orgulhosamente apresentando Ian, que se tornara um mago de verdade.

"Vou me lembrar."

"Hehe. Então, nos vemos novamente em três anos."

Com um sorriso, Eredith se despediu de Ian.

Ela poderia ter levado Ian direto a Dranheim, mas isso o aproximaria demais da magia do Fogo.

Ele poderia escolher seguir sua mestra e se tornar um mago do Fogo.

'... Um mago do Fogo já é o suficiente.'

Ela esperava que seu discípulo ganhasse mais experiência no mundo mais amplo.

Se ele ainda quisesse ser um mago do Fogo em três anos, ela não o impediria.

'Que você se torne um grande mago.'

Sozinha, Eredith caminhou pelo caminho reto.

Vagar pelo mundo era uma das coisas que ela fazia de melhor.



'Que pena.'

Assim como Eredith pensara, Ian estava considerando a magia do Fogo como sua futura especialidade.

Magia do Fogo!

A magia de queimar coisas com fogo!

Magos do Fogo usam sua magia para queimar inimigos cerca de 99% do tempo.

Alguns magos a usam para propósitos como queimar lixo, mas quase toda a magia do Fogo é usada para eliminar inimigos à sua frente.

Ian, de ascendência coreana, amava a ideia mais do que qualquer outra pessoa.

A ideia de queimar inimigos até a morte com magia?

Só de pensar nisso, seu coração se enchia de grandeza.

É claro que Ian, ainda uma alma inocente, ainda não tinha experimentado tirar uma vida.

Mas enquanto viajasse pelo mundo, inevitavelmente chegaria um momento em que teria que matar alguém.

Seja um assassino, um ladrão ou um mercenário agindo sob as ordens de alguém.

Quando alguém viesse em sua direção com uma faca gritando "Morra, mago!"

Ele não tinha a menor intenção de obedecer com um "Sim, eu, Ian! Terei prazer em morrer por você!"

Por isso ele queria se especializar em magia do Fogo.

Mas Eredith não parecia disposta a deixar Ian seguir seus passos como mago do Fogo.

"O começo foi um pouco difícil."

A sensação de ser queimado vivo em uma fogueira era verdadeiramente horrível.

Foi apenas a magia de Eredith que impediu seu corpo de queimar.

Caso contrário, ele teria sofrido terríveis queimaduras por todo o corpo.

"Vou pensar nisso depois..."

Ele poderia decidir lentamente em que se especializar mais tarde.

Por enquanto, tinha que se concentrar na missão dada por sua mestra: "Encontre um mago do Espaço-tempo."

Já que deveria encontrar um no norte, ir para o norte era o primeiro passo.

Ian sabia que magos do Espaço-tempo eram aqueles que brincavam com o futuro.

Eles provavelmente saberiam de antemão sobre sua jornada ao norte e viriam ao seu encontro.

Se eles não aparecessem?

Significava que ele não estava destinado a encontrar um mago do Espaço-tempo, e poderia simplesmente seguir em frente e aprender outro tipo de magia.

"Chegamos!"

"Obrigado."

Ian ofereceu uma modesta gorjeta ao velho que lhe dera carona até a vila em sua carroça.

Era uma moeda de cobre, comumente circulada no Império.

Em outras palavras, uma moeda.

"O que é isso?"

"...É dinheiro."

Mas o velho não reconheceu o que era uma moeda.

Tendo vivido a vida inteira em uma pequena vila, unicamente cultivando a terra, era de se esperar.

"Isto é pela carona. É tudo que tenho..."

O velho examinou a moeda por todos os ângulos, depois estalou a língua em desaprovação.

"Fique com ela. Não sei o que é, mas guarde-a de volta. Como um velho como eu pode tirar algo de um jovem?"

Se o velho tivesse reconhecido o valor da moeda, teria rapidamente guardado-a no bolso.

No entanto, moeda era uma mercadoria manuseada por aqueles envolvidos no comércio, não algo familiar para pessoas como o velho, que lidavam com grãos.

Trocar a moeda por mercadorias exigiria que ele viajasse até uma cidade distante onde o Guilda dos Mercadores estivesse localizada.

Para seu corpo envelhecer, viajar para outra cidade era exigente demais.

Em outras palavras, a moeda era inútil para ele.

Ian, tendo inesperadamente economizado seu dinheiro, sentiu-se chateado.

"Quão longe eu viajei para chegar a uma vila tão atrasada?"

Eredith dera a Ian uma quantia generosa de dinheiro como despesas de viagem, quase tudo que restara dos fundos que ela recebera por suas atividades mágicas.

Eis que, para seu espanto.

Ele já alcançara um interior primitivo onde seu dinheiro se transformava em meros pedaços de metal.

Na realidade, isso era um equívoco de Ian.

O território do Império era tão vasto que havia regiões onde a moeda era comum e outras onde não era.

Assim, a vila diante dele, chamada Colina das Maçãs, era apenas uma das muitas que não usavam dinheiro.

De qualquer forma, Ian caminhou pelas ruas, esperando encontrar apenas vilas rurais à sua frente (o que não era verdade).

"Hã?"

Como se provasse seu equívoco, Ian viu uma multidão de pessoas reunidas como nuvens.

"Venham, venham! Está barato! É uma pechincha!"

"Não é todo dia que tem mercado desse! Escolham, escolham!"

"Facas de cozinha, foices, pregos, martelos! Temos de tudo!"

Um enorme mercado ao ar livre estava acontecendo no centro da vila.

Os aldeões escolhiam itens freneticamente, como se possuídos.

"Uau."

Ian sentiu que sabia como esses mercadores eram chamados.

Era ambulantes, conhecidos como 'faz-tudo'.

Eles estavam trocando produtos industriais como ferragens e artigos domésticos pelos tesouros dos aldeões – verdadeiros valores como mel, ervas medicinais, chifres e peles de animais, mas também porcarias como cenouras arrancadas do campo ou estátuas amadoras feitas em casa.

"Jovem! Está procurando algo?"

"Não, só estou olhando."

"Se precisar de algo, é só falar!"

Aproveitando a multidão, Ian perguntou aos aldeões sobre a direção da próxima vila.

"Norte? O que tem no norte?"

"Ah, Vila do Rio fica para o norte."

"Vila do Rio? Isso é norte?"p>

"O que há com esse cara? Você não sabe onde é o norte?"

Na verdade, nem os aldeões tinham muita certeza.

Nessa era, viajar não era comum.

As estradas estavam sempre repletas de bandidos e monstros.

Só sair de casa já podia ser uma situação de vida ou morte; quem em sã consciência vagaria pelo mundo?

Mesmo assim, saber a localização de uma vila vizinha era alguma coisa.

Não foi uma perda total.

"Ei! Tom! Esse cara aqui está indo para o norte!"

"Norte? Quão ao norte?"

"Bem ao norte, ele diz!"

Um aldeão excessivamente curioso compartilhou uma informação inesperada.

"Rick está indo para o norte. Por que você não vai com ele?"

"Quem é Rick?"

"Rick! Ele está na Taverna da Urina de Cavalo!"

Não. Por que diabos uma taverna teria um nome desses?

Ian sentiu náusea, mas não questionou.

Cabe ao dono nomear seu estabelecimento como quiser.

Seja chamada de "Taverna do Cocô de Cachorro" ou "Taverna do Esterco de Vaca", o que tinha a ver com ele?

Ian seguiu para a taverna, conforme indicado pelos aldeões.

Era a única taverna da vila, então era fácil de encontrar.

A "Taverna da Urina de Cavalo" era um lugar que você inevitavelmente visitaria ao fazer turismo pela vila.

Havia uma boa multidão reunida, conversando e socializando.

"Você é cliente?"

Ian riu do estado da taverna.

Uma cerca mal construída, assim como as plataformas improvisadas onde os convidados comiam carne e bebiam licor, e convidados espalhados pelos cômodos.

Este lugar era inconfundivelmente...

'Uma taverna, direto da era Joseon.'[1]

Na verdade, era exatamente isso.

As elegantes taverns de dois andares vistas em romances de fantasia eram estabelecimentos de alto padrão encontrados apenas em cidades.

"Você tem gukbap?"

"Como é?"

"Digo, sopa."

"Sim, temos. Por favor, sente-se."

Lá estava Ian, pedindo gukbap em uma taverna.

Ele se sentou em um lugar aleatório.

Parecia que o lugar não era originalmente montado para negócios ao ar livre, mas havia expandido apressadamente seus assentos devido ao influxo repentino de clientes.

O dono da taverna, ou melhor, a dona de casa, colocou uma tigela de um mingau vermelho diante de Ian.

Ian cutucou o mingau com a colher.

O que colocaram nele para deixar o mingau vermelho?

Era seguro comer?

Ian olhou para a cozinha, mas não conseguiu identificar os ingredientes da sopa.

O que ele recebeu foi a "Sopa Eterna", uma receita bastante famosa por seus próprios méritos.

A Sopa Eterna, como o nome sugere, é uma sopa que é perpetuamente cozida.

Primeiro, uma panela era colocada no fogo, e quaisquer ingredientes disponíveis eram jogados para fazer a sopa.

À medida que a quantidade diminuía, mais ingredientes aleatórios eram adicionados.

Essa era a natureza da Sopa Eterna.

Surpreendentemente, o sabor era decente, embora carecesse de temperos.

Batatas, aveia, cenouras, algum tipo de carne – tudo cozido e salgado.

Ian experimentou uma colherada da Sopa Eterna e ficou impressionado.

Ah.

Era um sabor de saúde e insipidez.

Tinha um sabor mais rico comparado às sopas ocasionais que sua mãe fazia em casa.

A variedade de ingredientes contribuía para isso.

Mas mesmo a empolgante comida em estilo medieval, feita sem um único grão de tempero, sempre deixava um sabor profundamente saudável na boca.

Apenas o sabor do sal.

A salinidade do sal era tudo.

'A mestra devia ser uma excelente cozinheira...'

Eredith, um personagem bizarro que se entregava descaradamente às atividades de viajantes e excêntricos medievais, tinha excelentes habilidades culinárias graças às suas experiências com diversas cozinhas pelo império.

A mestra usava "temperos" como cebolas e pimentas em sua culinária.

Ao contrário dessas pessoas, que simplesmente adicionavam sal ao sal, ela nunca se contentava com tais monstruosidades, indicando suas habilidades culinárias superiores.

"Aqui está um pouco de pão."

"Obrigado."

A dona de casa gentilmente deixou um pouco de pão com manteiga antes de desaparecer.

Essa manteiga, de certa forma, era o kimchi das pessoas medievais.

Um tempero gorduroso feito de gordura.

Não é brincadeira, essas pessoas de fantasia medieval realmente apreciavam suas refeições com o sabor de manteiga.

Manteiga era sempre um ingrediente trapaça.

Batatas simples?

Secas e sem graça.

Batatas fritas na manteiga?

Oh, deliciosas!

Mas então, a manteiga em si é essencialmente uma mistura de óleo e sal.

Então, no final das contas, não há como escapar das garras do sal.

Mordendo o pão besuntado com manteiga e mergulhado na sopa, parecia que palavras em latim iriam espontaneamente brotar de sua boca.

Excessivamente cremoso.

Cadê o kimchi?

Para onde foi o senso de equilíbrio na mesa de jantar?

Para um coreano acostumado a envhar alho assado em kimchi e folhas de perila, uma dieta encharcada de gordura animal era quase como uma tortura.

Não é à toa que as pessoas medievais eram loucas por pimenta.

Gente tão incivilizada.

"Primeira vez te vendo aqui. De onde você é?"

Erguendo os olhos, Ian percebeu que a dona de casa se juntara a ele em sua mesa de forma natural.

Ian ficou impressionado.

O senso ocidental de espaço pessoal é diferente!

Que maneira natural de se juntar a uma mesa!

"Sou um viajante. Vim procurar alguém chamado Rick."

"Ah! Você está indo para o norte!"

Ele ainda não tinha dito nada.

Como ela sabia?

"Rick! Você tem um visitante!"

"...?"

De repente, a dona de casa chamou por alguém chamado Rick.

Ian, sendo um introvertido, ficou surpreso com o comportamento improvisado da dona de casa.

Ele achava novos encontros um pouco cansativos.

"Oh, um viajante, é?"

Mas antes que tivesse tempo de se sentir desconfortável, um novo rosto se juntou a Ian em sua mesa.

O desconforto quase o fez passar mal.

"Prazer em conhecê-lo. Sou Rick, da Companhia Pé de Coelho."

"Companhia...?"

"Hã? Você não viu os nossos caras trocando mercadorias na vila?"

Lembram-se dos comerciantes que vira antes, Ian assentiu.

Então, essa pessoa era o chefe deles.

[1] - Joseon: Dinastia coreana (1392–1897), referindo-se a uma época histórica da Coreia.

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