
Capítulo 19
Transformando Minha Habilidade de Lixo em uma Habilidade Apelona de Rank SSS+
Respirando fundo, Vritra continuou sua história.
"Tive muita sorte de não ter caído até o fundo da armadilha e morrido. Em vez disso, meu corpo inconsciente ficou pendurado sobre uma pedra que segurou minhas roupas… ai, realmente tive muita sorte."
Depois de recobrar a consciência, fiquei assustado e quase caí, mas, felizmente, antes que minhas roupas se desintegrassem, consegui segurar na pedra que estava ali embaixo.
Gritei por ajuda, e justo quando minhas mãos estavam prestes a desistir, por sorte alguém passava por ali e me ouviu — e, graças a Deus, aquela pessoa me ajudou a sair. Depois, ela me deu essas roupas, já que as minhas estavam rasgadas, e me trouxe de volta aqui."
Vritra terminou sua história, com uma expressão de satisfação no rosto, enquanto Diana o ouvia sem demonstrar muita reação, mas Vritra podia perceber um leve interesse em seus olhos cristalinos. Só depois que ele terminou, ela deu uma ligeira inclinação de cabeça.
"Entendo."
Sua expressão permaneceu indecifrável. Vritra não sabia se ela tinha envolvimento com o que aconteceu com ele ou não, mas, só pelo jeito dela, ele já não gostava nada daquela mulher. Só a presença e o olhar dela transmitiam uma sensação de inferioridade aos outros.
'Tanta sorte, hein…' Diana fitou Vritra por um longo tempo, com diversas ideias passando pela cabeça; é claro que ela tinha muitas dúvidas sobre a história que ele acabou de contar, mas ele era tão insignificante que ela não se importava muito com isso.
Sem querer gastar sua energia com ele, ela assentiu e falou:
"Você pode sair. É bom que voltou. Por ora, descanse. Você receberá novas ordens mais tarde."
Vritra assentiu com uma expressão levemente desconcertada, suas mãos ainda estavam cerradas, e leves tremores podiam ser vistos percorrendo seu corpo — detalhes facilmente perceptíveis pela deidade, o que mostrava o quão comum e medíocre ele realmente era.
'Quão raro… alguém que realmente voltou após uma emboscada. Mas, será que ele consegue sobreviver por quanto tempo—'
Ele virou-se e começou a caminhar, mas justo ao descer as escadas, algo quase invisível reluziu ao redor de seu corpo. Era quase impossível de perceber, mas a presença que emitia era, sem dúvida, fria como o gelo.
Os pensamentos de Diana pararam de repente ao notar aquele leve e quase invisível brilho de aura ao redor dele. Seus olhos se arregalaram de choque, os lábios vermelhos se abriram, mas ela não conseguiu dizer nenhuma palavra.
Seu cérebro e seu coração estavam em tumulto naquele momento; ela não podia acreditar no que tinha acabado de ver e sentir — era uma visão tão impossível.
À medida que a figura de Vritra desaparecia de sua visão, seus pensamentos finalmente explodiram.
'E-Será que aquilo…' Ela achou difícil formar uma frase adequada. Depois de respirar fundo, acalmou a mente e perguntou a si mesma:
"Foi um Halo? E, ainda por cima, um mítico? Não, não, não, não pode ser… Um Halo Mítico não apareceria assim, ainda mais vindo de um humano insignificante."
Ela caminhou até uma cadeira e se sentou. Então, relembrou a cena de quando Vritra saiu. Depois de pensar por alguns minutos, não conseguiu segurar e exclamou:
"Não há dúvidas. Aquilo foi, com certeza, um dos Halos Míticos. Como alguém como ele conseguiu colocá-lo nas mãos?
De qualquer forma, pelo tom fraco, aquele Halo Mítico parecia ser o Halos de Névoa Essencial da 20ª posição. Tem muitas habilidades, mas sua mais forte é criar ilusões realistas. Apesar de estar na última posição, continua sendo extremamente poderoso."
A voz de Diana estava cheia de entusiasmo. Ela nem ousaria pensar que aquilo fosse o Halo Mítico de 3ª posição. Esses Halos Míticos são tão preciosos que até o de menor classificação poderiam causar caos e atrair os mais fortes para lutar por eles.
Ao final, eles são um dos maiores tesouros divinos do mundo, até os halos comuns já são bastante valiosos, imagine um Halo Mítico, que ela mesma considerava inalcançável.
'De qualquer forma, tenho que consegui-lo.' pensou Diana. Ela tinha certeza de que uma coisa tão assustadora não poderia estar estável dentro do corpo de Vritra; se não, ela não teria percebido aquele brilho de aura. Fechou os olhos e começou a traçar seus planos.
Diana tinha plena certeza de que precisaria agir o quanto antes, antes que alguém mais percebesse, senão, o simples vazamento de que existia um 'Halo de Névoa Essencial Mítico' provocaria o caos em todo o reino.
Por um bom tempo, a deidade não conseguiu nem se acalmar, mas uma coisa era certa: havia algo especial em Vritra.
Não só ele voltou vivo após ser atacado por guerreiros tão fortes, mas também possuía uma coisa tão aterradora — por isso, Diana ficou ainda mais cautelosa em seus planos.
Se ela descobrisse que era um Halo Mítico de 3ª classificação, a pobre deusa provavelmente desmaiaria na hora.
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Vritra saiu do templo sob todos os olhares atentos. Ele intensamente desejava ir encontrá-la, sua mãe, então, com passos apressados, dirigiu-se ao castelo.
A distância não era muita, e em poucos minutos chegou à entrada. Os guardas inicialmente ficaram surpresos, mas a notícia de seu retorno já tinha se espalhado, então não tentaram impedi-lo.
Ele foi direto até o quarto destinado à sua mãe. A maioria dos companheiros de turma tinha saído, e os quartos estavam quase vazios. Quando Vritra se aproximou da porta do quarto dela, ela rangeu e se abriu, e uma velha criada saiu com uma bandeja de comida. Ela suspirou e balançou a cabeça.
Quando Vritra apareceu de repente na frente da velha criada, ela se assustou, quase deixando a bandeja cair. Depois, ela o avaliou de cima a baixo, e um pouco assustada, virou-se para ele.
"Minha mãe está lá dentro?" perguntou Vritra, com nervosismo e medo evidentes em seus olhos.
"M-Mãe? Então você é o filho dela? Mas eu ouvi dizer que você morreu na masmorra… Você realmente sobreviveu?" ela ainda não tinha recebido a notícia, então ficou bastante surpresa. Depois, sorriu e assentiu.
"Ela está lá dentro, mas…" ela hesitou, e após um suspiro, acrescentou: "Não vou esconder nada. Depois de ouvir que você tinha morrido, Vanessa quase pirou. Ela tentou voltar várias vezes à masmorra mesmo depois de ter sido trazida de volta. Não quer comer nada e—"
A criada pareceu hesitar novamente, mas, por fim, decidiu contar.
"Durante o último mês, sua mãe não conseguiu lidar bem com a notícia da sua morte, e tentou tirar a própria vida várias vezes. Ela perdeu toda a esperança de viver. Se não fosse por as poções caríssimas que a deusa lhe deu, ela já teria morrido há muito tempo." Ela terminou com uma voz carregada de tristeza, sentindo-se muito mal por ela.
Vritra não conseguiu mais ficar parado. Sua mente foi tomada por uma dor tão profunda que nem mesmo a habilidade 'Mente Serenada' conseguiu aliviar. Ele abriu a porta e entrou correndo.
Lá, ele a viu — o rosto familiar de sua mãe. Ela dormia. Seu corpo parecia consideravelmente mais magro do que antes, e as cores rosadas habituais de seu rosto não podiam ser vistas. Ela parecia tão fraca que a visão a deixou com o coração apertado.
Essa cena doía nele ainda mais do que tudo que vivenciou nos últimos cinco meses. Seu amor por ela não podia ser descrito em meras palavras. Ela era a pessoa que ele mais amava e prezava acima de tudo.
Com passos trêmulos, ele foi se aproximando da cama. Lá, ela jazia imóvel, com uma aparência pálida, fraca, e os olhos fechados em sono. Mas, ao chegar mais perto, Vritra percebeu que existiam cicatrizes quase invisíveis nos pulsos dela, que antes não estavam lá. Pareciam sob efeito das poções, e não demoraria para desaparecerem, mas a visão daquelas marcas apertou seu peito de dor.
"M-Mãe…" sussurrou suavemente.
Ele tocou gentilmente seus pulsos, seus dedos passando pelas cicatrizes. Não eram uma ou duas — havia mais de dez cortes. Ele não conseguia imaginar toda a dor física e mental que ela tinha passado neste mês.
Ele tocou seu rosto e não sentiu a calor que deveria estar ali. Sua pele estava fria ao toque. Mesmo na Terra, Vritra e Vanessa não tinham tido muito tempo juntos, mas ambos se importavam profundamente um com o outro. Assim como ela não podia ouvir uma palavra má, Vritra também não via sequer um arranhão em seu corpo.
Mas agora…
Quanto mais olhava para sua mãe, mais suas emoções se intensificavam — raiva, luto, uma dor violenta quase explodindo de dentro dele. A fúria crescia, e uma intenção de matar quase se libertou no ar, mas foi contida a tempo por Yasmine, senão poderia ter ferido Vanessa.
Tudo isso por causa daqueles que tentaram matá-lo. Só de pensar neles, Vritra sentiu uma vontade de matar como nunca antes. De repente, ele se levantou, com suas pupilas brilhando fracamente com uma luz vermelho-sangue — totalmente despercebido por Yasmine e até por ele mesmo. Queria destruir seus companheiros de equipe.
Junto com todos os guardas, o comandante, o rei, e cada pessoa no castelo—
Ao se lembrar da imagem de sua mãe, Vritra sentiu uma raiva desumana.
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Obrigado por ler…