
Capítulo 443
Re: Blood and Iron
Bruno estava sentado na sua cadeira de escritório, encarando algo sobre a mesa que, se fosse qualquer outro homem no mundo, o deixaria radiante—vários malotes empilhados com notas de dinheiro. Mas Bruno parecia angustiado, como se a simples visão daquele dinheiro estivesse amaldiçoada.
Ele permaneceu em silêncio. O homem que entregara os malotes apenas fez um aceno silencioso antes de ser dispensado.
Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, aquilo não era uma fortuna obtida através de extorsão ou atividades criminosas—pelo menos não no sentido tradicional. Era a parte de Bruno nos lucros do Grupo Werwolf e suas operações ao redor do mundo.
Guerra, descobriu-se, era um negócio lucrativo. Talvez o mais lucrativo.
Droga podia valer mais por quilo, sim—mas armas? Armas não precisavam ser cortadas, embaladas ou introduzidas de contrabando em balões. Você vendia uma caixa, e um bairro inteiro podia cair. Esse era o valor delas—não em ouro, mas em medo.
Mas Bruno não vendia apenas armas. Ele vendia homens—assassinos treinados, com habilidades testadas em combate. Sua margem de lucro era premium. Uma que nações, insurgentes e impérios em colapso estavam dispostos a pagar.
Porque o que ele oferecia era simples: vitória garantida. E esse era um preço mais valioso do que a alma de um homem, se sua ambição fosse maior que sua prudência...
Mesmo assim—legal ou não—Bruno tinha nojo do dinheiro à sua frente. O Grupo Werwolf sempre foi um mal necessário aos seus olhos, uma ferramenta para assegurar o futuro da Alemanha. Nunca uma forma de enriquecimento pessoal.
Ele queria que o dinheiro desaparecesse. Todos eles. E, como se o próprio destino tivesse chamado, uma voz bateu à porta e lhe trouxe uma resposta.
"Bruno, querido… há algo que gostaria de conversar com você. Você tem um momento?"
Nem Heidi entrava no santuário secreto de Bruno sem permissão. Era seu refúgio pessoal, e embora fosse a única pessoa com quem ele confiava a chave, ela nunca a usara. Por isso, ele respondeu sem hesitar:
"Está aberto, amor—e você sabe que sempre tenho tempo para você."
O semblante sério desapareceu no instante em que Heidi entrou na sala. Mas, ao ver os malotes, ela soltou um suspiro. Sabia que o marido era rico—exageradamente—mas nunca tinha visto tanto dinheiro assim exposto na frente.
Grande parte da fortuna de Bruno tinha sido usada para garantir o seu banco privado, que—após a guerra—tornou-se o maior do Reich. Sua riqueza permanecia em cofres que ninguém via, longe dos olhos do público.
Até Bruno não tinha ideia exata de como sua fortuna se parecia ali, empilhada em uma única sala. Ele não ousava pensar nisso. Ouro tinha uma maneira de corromper homens mais do que até mesmo o poder.
Um fenômeno estranho, mas que é extremamente comum na história—homens que enlouquecem em busca de ouro com tanta frequência que se torna quase uma obsessão biológica.
Por isso, ele nunca olhava para sua riqueza na sua totalidade, mas isto? Isto era diferente. Era papel, e bastante papel. O que o impressionou em Heidi foi a soma que aquilo representava, mesmo que a apresentação fosse modesta comparada ao que ela sabia que tinham escondido.
"Bruno… o que é tudo isso? Por que não está no tesouro da família?"
Bruno fechou um dos malotes e entregou para ela como se estivesse possuído. Sua voz carregava um tom pesado de desprezo.
"Dinheiro sujo. Infelizmente, é o preço para garantir um futuro para nossos filhos—um futuro que valha a pena viver. Eu não quero nada com isso. Leve para sua caridade. Assim, talvez as mortes que ele pagou tenham algum significado. Porque, do contrário, posso simplesmente queimar e pedir a um padre que exorcise o espírito dele."
Heidi piscou. A expressão de repulsa no rosto de Bruno era quase palpável. Mas não demorou a entender o motivo.
Bruno tinha feito uma fortuna projetando armas, sim—mas essas eram para a defesa do País. O Grupo Werwolf? Era algo completamente diferente. Ele ajudou a expandir a guerra além da Europa, vendendo morte em larga escala para regiões instáveis.
Foi necessário—mas o lucro nunca foi seu objetivo. Bruno se recusava a se beneficiar daquele sangue derramado. Essa linha, por menor que fosse, importava para ele. Era tudo que diferenciava um homem mortal de um diabo. E ele ainda não tinha cruzado essa fronteira, pelo menos, segundo suas próprias virtudes, por mais tentado que estivesse a fazê-lo ao longo dos anos.
E Heidi entendeu. Não argumentou. Em vez disso, chamou um grupo de servos para retirar o dinheiro e destiná-lo às suas instituições de caridade.
Depois que ficaram sós novamente, ela se encolheu no colo dele, envolveu seus braços ao redor do corpo dele e sussurrou algo que só uma mulher como ela poderia dizer com convicção:
"Você tinha razão em entregá-lo para mim, querido… Vou garantir que ajude quem realmente precisa. Sei o que você está pensando—mas, se as pessoas vão lucrar com esse negócio, pelo menos podemos fazer a nossa parte para que sua parte gere algo de bom no mundo.
Confie em mim para isso. Enquanto você carrega o peso das nações… eu vou carregar isso por você. Estarei sempre aqui para você—é só pedir."
Bruno beijou a mão dela, depois abriu os dedos e passou a mão pelos cabelos dela, silenciosamente grato.
Ela se levantou para sair, retornando às suas tarefas.
E, quando Bruno ficou sozinho novamente, olhou para a mesa vazia, suspirou e falou ao silêncio:
"Que suas palavras sejam suficientes para lamentar os que partiram. A civilização não se preserva apenas com compaixão e empatia, mas com o sacrifício dos homens que vivem dentro de seus limites e com o preço que estão dispostos a pagar com suas próprias almas..."
Depois de dizer isso, Bruno se levantou, deixou seu escritório, apagou a luz e fechou a porta, como se tentasse escapar de um espírito assombrador que veio junto com o dinheiro e não se dissipou completamente com sua partida.