Re: Blood and Iron

Capítulo 431

Re: Blood and Iron

Bruno e sua família tinham aproveitado a cerimônia de abertura e a reunião diplomática, e agora voltavam para casa à noite. Embora morassem em Tirol, ainda mantinham seu patrimônio em Berlim como um refúgio, um lar longe de casa.

Erwin e Alya eram a exceção a essa regra, vivendo na charmosa mansão no bairro antigo de Berlim, um presente do pai de Bruno na noite de casamento. Era lá que Bruno e Heidi criaram seus primeiros filhos.

Erwin aproximou-se do pai, apertando sua mão antes de ser puxado para um breve abraço. Bruno não ia deixar que seu filho se afastasse só porque ele cresceu e se casou.

Erwin não tentou se desvencilhar. Seu pai tinha se tornado muito mais carinhoso à medida que ambos envelheciam—talvez porque Erwin já não precisava de um disciplinador para guiá-lo, mas de um pai que apoiasse, que reconhecesse que seu filho já tinha idade suficiente para tomar suas próprias decisões.

Após o abraço, Erwin recuou, agradecendo a Bruno pela cerimônia magnífica e garantindo que ele e Alya os encontrariam na manhã seguinte para os jogos.

"Foi uma cena que vou guardar na memória pelo resto da minha vida, Pai. Agora Alya vai para casa nesta noite. Espero que vocês, minha mãe e os demais, voltem em segurança. Nos vemos amanhã."

Com um último adeus, os caminhos deles se separaram—embora Erwin fosse o herdeiro de Bruno, ele não seguiria a mesma trajetória de espada e escudo. Esse não era seu papel. Era melhor que ele morasse distante da família agora que começava seu próprio caminho.

Quanto a Bruno, sua família sempre estava sob observação, os olhos do Estado atentos. Em Berlim, eles estavam sempre em alerta, embora os cidadãos fossem inconscientes disso. Bruno, assim como outras figuras de destaque, como o Kaiser, estava sob vigilância constante por forças invisíveis—as sombras que mantêm os demônios à distância.

Mesmo agora, enquanto Bruno e sua família se dispersavam para a noite, sombrasse agitavam sob as ruas de Berlim. Uma tempestade se formava no céu enquanto Bruno entrava no carro blindado.

"Parece que Deus nos enviou uma tempestade esta noite para esconder o cheiro de sangue que, cedo ou tarde, vai aparecer…"

E quão certo Bruno estava.

Não era por causa de inteligência ou de boatos de elementos desviantes de regiões devastadas pela guerra que escapavam do alcance da Inteligência Alemã ou da notória Polícia Secreta do Kaiser, a Stasi, conhecida por sua crueldade e eficiência.

Não, Bruno falava apenas com base na sua compreensão da natureza humana, e da mais miserável de suas espécies. Nesta noite, após a celebração acabar e os olhos do Estado não mais focarem na arena, o inimigo faria sua jogada.

Por quê? Porque a Alemanha tinha tido seu momento de glória, um ato de arrogância diante de um mundo que assistia, mas amanhã seria o dia de provar que aquilo era real. E se o ataque acontecesse no meio do evento, seria uma humilhação monumental.

Bruno apostaria sua vida na certeza de que havia previsto tudo corretamente. Felizmente para ele, não era preciso arriscar tanto, pois homens melhores caçavam o rastro daqueles idiotas que provocaram um monstro de quem eles nada entendiam.

E os instintos de Bruno estavam certeiros, pois os revolucionários franceses que infiltraram-se na Arena do Triunfo após o encerramento da festa estavam completamente distraídos, sem saber que já estavam sendo observados.

Escondidos na escuridão, atrás das sombras, estavam homens cujos mortes haviam sido confirmadas na Grande Guerra, cujos restos diziam estar enterrados em cemitérios militares. Mas aqui estavam, à espreita silenciosamente—esses eram os fantasmas nas sombras, perseguindo a devastação deixada por aqueles que buscavam espalhar o caos.

Um dos revolucionários amaldiçoou em francês ao perceber omotor do fusível (fuse) queimado.

"Malditos, eu tinha mandado pegar o fusível maior! Que diabos é isso—"

Antes que pudesse terminar, ele virou-se para ver uma figura vestida toda de preto—trench coat de couro preto, um capacete e uma máscara de gás de borracha. O tom âmbar-vermelho sinistro refletido das lentes de vidro da máscara iluminava a sombra, dando-lhe uma aura predatória.

O revolucionário congelou, encarando a figura. O agente não falou. Apenas levantou um dedo para os lábios—silencioso, mortal.

Sem fazer ruído, ele puxou a pino de um cilindro de gás e jogou no chão. Num instante, o gás começou a se espalhar, e os revolucionários jadejaram ao sentir suas musculaturas travarem, suas gargantas se fechando pelo neurotoxina mortal.

À medida que os últimos momentos de suas vidas se passavam, o agente permaneceu imóvel, calculando. Seu relógio marcava os segundos até o inevitável fim. Ele fez um relatório no rádio, sua voz calma e distante.

"A dosagem do gás nervoso experimental é suficiente para incapacitação imediata e morte em até dez segundos. Prossigam com testes adicionais para determinar a dose ideal para usos otimizados em diversas condições. Além disso, enviem uma equipe para limpar a área e neutralizar os explosivos. Não podemos permitir erros. Uma morte civil é a última coisa que precisamos."

Então, virou-se e desapareceu nas sombras, sumindo como se nunca tivesse estado ali.

O que restou foram os corpos dos revolucionários mortos e a bagunça de seus momentos finais. Mas até isso seria rapidamente removido. Nenhuma prova do trabalho do agente permaneceria. Assim como outros que se escondem na escuridão, sua presença seria apagada do mundo—exceto pela sua mensagem.

Este era apenas um dos muitos exemplos naquela noite, quando a Stasi testava uma das armas mais recentes e letais da Alemanha contra os tolos que ousaram causar problemas onde não deveriam.

O resultado desses testes logo levaria à criação do gás sarin—um neurotoxina avançada. Uma arma tão destrutiva que o Reich reservaria seu uso apenas para as circunstâncias mais extremas, quando a sobrevivência da nação estivesse em risco.

No entanto, o mundo permaneceria alheio à sua existência. E, se algum dia descobrissem, já seria tarde demais para fazer algo a respeito.

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