Re: Blood and Iron

Capítulo 825

Re: Blood and Iron

Após o summit diplomático na Coreia, o Alasca declarou oficialmente sua independência como um Estado soberano. Não mais vinculado aos Estados Unidos como território, realizou um referendo com várias opções na cédula.

Para espanto do mundo, fora de Berlim e São Petersburgo, o Alasca optou por se juntar "voluntariamente" ao Império Russo. Encerrando oficialmente a anexação da região e a presença permanente do Império Russo e suas forças armadas.

A maioria das nações proclamadas na mainland dos Estados Unidos não deu atenção a isso. Poucos se importaram com os acontecimentos no extremo norte, numa região que a maioria nunca quis conhecer.

Porém, em Delaware, sob a superfície, na bunker de Roosevelt, ele estava apavorado com os relatórios que vinham do Caribe e do outro lado da fronteira canadense.

"Então... os alemães estão permanentemente instalados no nosso quintal. Enquanto os russos tomaram o Alasca e coagiram aquele covarde do Ernest a participar do esquema deles... Quando o povo americano perceber que os lobos estão à porta e os ursos na porta dos fundos, eles vão realmente se dar conta? Ou vão continuar com uma revolução suicida?"

O general MacArthur não disse nada. Pelo menos, inicialmente... Ficou lá, sério, com as linhas do rosto mais pesadas e numerosas do que há um ano atrás.

Ele meteu a mão no bolso do casaco e encontrou um maço de cigarros, com um único cigarro sobrando para aliviar sua ansiedade.

O modo como tremia entre seus dedos, apesar de suas mãos estarem firmes, assustava Roosevelt e seus membros do gabinete.

Ao puxar uma fumaça grande do pulmão, um suspiro pesado veio a seguir.

"As linhas estão firmes, e já começamos a repor as perdas durante a guerra e a expedição idiota ao Rust Belt... O resto do país, no entanto, parece decidido a se destruir. Ouvi dizer que um homem se declarou o governante de fato do Grande Vale, lá no oeste."

Roosevelt ergueu uma sobrancelha, surpreso e com desprezo.

"Governante de fato do Grande Vale... O que está acontecendo a oeste das Montanhas Rochosas?"

MacArthur deu mais uma longa tragada no cigarro antes de continuar.

"Acontece que baixa densidade de tropas e um terreno vasto e aberto dão vantagens únicas às milícias civis. Os governos locais na região e o que sobrava das reservas da Guarda Nacional foram destruídos por caminhões equipados com metralhadoras, morteiros e auto-canhões carregados na caçamba."

Roosevelt olhou fixamente para o general MacArthur, de repente dominado por um sentimento de fadiga e mal-estar ao ouvir aquela notícia. Era preciso toda a sua força apenas para manter-se na cadeira, enquanto se forçava a continuar a conversa.

"Você está me dizendo que, com alguns caminhões e metralhadoras pesadas, esses... saqueadores tomaram grandes áreas do deserto do Grande Vale e se declararam independentes?"

MacArthur assentiu, seu tom de voz denunciando seu próprio cansaço.

"Parece que sim..."

Uma resposta tão seca e brutal fez o ajudante pessoal de Roosevelt intervir, encerrando a reunião.

"Por agora é isso. O presidente agradece pelas informações e tudo que vocês fizeram para conter a maré que ameaça engolir os Estados Unidos. Precisa de alguns minutos para si... Espero que entendam."

MacArthur levantou-se, observando Roosevelt, que parecia lutar até para respirar na cadeira, fez uma rápida saudação e saiu. Assim que se foi, os médicos rapidamente atenderam o presidente.

"Senhor... Sua condição está piorando. Recomendo fortemente que comece a delegar todas as responsabilidades ao vice-presidente; se continuar se usando dessa forma de estresse, não chegará ao verão…"

Roosevelt parecia ter retomado o controle de sua condição após a fonte de sua ansiedade ter saído. Respirou fundo, aliviado, e dispensou o médico com um gesto.

"Estou bem, Reinaldo! Foi só um susto... A estupidez de tudo isso! O que nos tornamos? Realmente chegamos a um colapso a ponto de senhores da guerra bárbaros nas estepes proclamarem-se reis? Agora, não somos os Bizantinos; somos os Soissons, e sobreviveremos enquanto eles, se não menos."

A analogia era sombria o suficiente para fazer tanto o assistente quanto o médico pessoal ficarem em silêncio, sombrios.

Seus inimigos nem precisaram invadir os Estados Unidos; bastou que eles apenas observassem enquanto se destruíam sozinhos.

Roosevelt, fraco, esticou o braço e pegou seu copo de café, bebendo seu gosto amargo antes de colocar o copo na mesa. Tossiu a última gota que não desceu direito, limpando a boca com um guardanapo.

"Aquele maldito... Planejou tudo isso... As invasões de Cuba e do Alasca... Não são um ponto de apoio para uma invasão ao continente. São uma presença intimidadora. Uma constante lembrança ao povo americano das falhas do governo deles. Ele pretende nos ver queimar a paisagem até o chão, quebrar o país em microestados e senhores da guerra. E não há nada que possamos fazer para impedir."

O assistente avançou, ajudando Roosevelt a limpar o último resquício de café que não tinha conseguido tirar sozinho, antes de recuar a uma distância segura.

"Senhor... prometo a você... não deixaremos a República cair! Mesmo que... o pior aconteça. Continuaremos sua visão e faremos com que os Estados Unidos renasçam das cinzas como uma fênix, mais fortes, virtuosos e nobres do que nunca!"

Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Roosevelt ao ouvir essas palavras vazias, porém reconfortantes. Ele levantou a mão e deu um tapinha no ombro do homem.

"Obrigado... Tenho certeza de que, mesmo após minha partida, o espírito da América vai permanecer. Mesmo que os dias vindouros sejam difíceis, nós, o povo americano, não vamos ceder à tirania de reis e generais!"

Embora dissesse essas palavras com toda a convicção que ainda tinha, ele sabia, lá no fundo, mesmo de forma inconsciente, que estava mentindo.

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