Re: Blood and Iron

Capítulo 731

Re: Blood and Iron

Os corredores da Casa Branca nunca haviam parecido tão longos.

O presidente Franklin D. Roosevelt estava sozinho na Sala do Gabinete, o suave tique-taque do relógio de lareira abafado pelo murmúrio da chuva nas janelas.

Uma xícara de prata com café permanecia intacta ao lado de uma pilha de informes e relatos de campo, cada um marcado como Confidencialíssimo e redigido de forma tão pesada que mais parecia confessionários do que documentos.

O general George S. Patton estava morto. Emboscada perto de Argel.

Sem sobreviventes de seu comboio. Nenhum corpo inimigo foi recuperado também.

Somente uma cratera de fumaça, areia negra e um rumor.

Roosevelt ajustou os óculos e releu o memorando vindo do(n) Norte da África.

"Ação considerada uma retaliação local, forças irregulares desconhecidas, possivelmente nacionalistas árabes ou berberes. Investigação em andamento."

Ele já havia lido dez vezes, e a cada leitura, as palavras pareciam mais magras.

Do outro lado da mesa, o diretor Donovan da OSS inclinou-se para frente, sua voz baixa, mas firme.

"Senhor, nossos analistas confirmam que o confronto ocorreu bem dentro do perímetro seguro. Nenhum núcleo de insurgentes conhecido opera ali. Os atacantes estavam organizados, disciplinados e desapareceram antes que reforços chegassem."

"Desapareceram?" repetiu Roosevelt. "O que isso quer dizer, Bill?"

Donovan hesitou. "Nossos homens não encontraram... pegadas, senhor. Nenhum cartucho restante. O operador de rádio jura ter visto figuras se movendo através da fumaça, formas, não homens. Depois, a linha caiu. Seja lá o que foi, não foi uma turba."

Do outro lado da sala, o chefe de gabinete Leahy limpou a garganta.

"Senhor, com todo o respeito, os homens estão abalados. Estão lutando contra fantasmas há meses. Metade da divisão dorme com rifles debaixo das camas. A outra metade se recusa a sair do perímetro após o anoitecer. Os locais os chamam de Les Spectres d'Alger. Os Fantasmas de Argel."

As mãos de Roosevelt apertaram o porta-cigarros. "Superstição."

"Talvez," disse Donovan suavemente.

"Mas a moral está desmoronando. Até Eisenhower relatou sussurros se espalhando pelo corpo de oficiais. Alguns acreditam que os alemães desenvolveram novas unidades de infiltração. Outros pensam que é algo mais."

Os olhos do presidente estreitaram-se. "Algo mais?"

Donovan deslizou um envelope fino até a mesa. Dentro, havia fotografias, filmagens granuladas de uma câmera de perímetro fora de Oran. Formas borradas, humanas em contorno, movendo-se entre rajadas de interferência. Olhos brilhando como espelhos sob óculos estranhos.

O último quadro mostrava uma silhueta agachada sobre um sentinela morto. A arma do sentinela ainda estava pendurada no ombro dele.

Roosevelt exalou lentamente. "Confirmaram que estas imagens são autênticas?"

"Vieram de três instalações diferentes," disse Donovan. "Tudo antes do amanhecer. Mesma noite."

A sala ficou silenciosa, exceto pelo leve estalo de trovões além das janelas.

Mais tarde naquela tarde, o presidente reuniu-se com seu Conselho de Guerra na Sala Oval. O ar estava pesado com fumaça e tensão.

Do outro lado da mesa polida, o general Marshall revisava gráficos de baixas enquanto Henry Stimson folheava as últimas interceptações de inteligência britânica.

Marshall falou primeiro.

"Nosso elo de inteligência em Cairo informa que os alemães ainda não avançaram além do Mediterrâneo. As Potências Centrais estão caladas, quase demais. Ainda assim, nossos comboios continuam sendo atacados, nossos depósitos, incendiados. Quem quer que esteja fazendo isso conhece muito bem nossas rotas de suprimento."

"O que significa," disse Stimson com expressão sombria, "que já estão dentro?"

Roosevelt recostou-se, sua voz quase um sussurro. "Senhores, já enfrentamos sabotadores antes. Mas isso, isso parece armado. Deliberado. Quase... psicológico."

Marshall franziu a testa. "Com todo o respeito, senhor, eu não acredito em fantasmas. Mas os homens acreditam. E o medo se espalha mais rápido que balas."

Ele colocou um telegrama intitulado Comando de Argel – Urgente. A mensagem dizia:

'Todo o 14º Regimento se recusa a patrulhas noturnas. Alegam ataques inimigos sem barulho ou aviso prévio. Relatos de comboios inteiros destruídos, até o último homem. Sussurros na escuridão de seus camaradas mortos implorando por salvação. Os locais dizem para queimar os corpos.'

A mandíbula do presidente tensou. "Queimar?"

Donovan assentiu. "Superstição local. Nada mais, mas só prova que nossos homens não são os únicos a pensar que os desertos são assombrados por algo que não é humano."

Roosevelt o olhou fixamente e, lentamente, voltou o olhar para a lareira.

"Senhores," disse por fim, "não me importo se essas coisas são homens ou monstros. Os Estados Unidos não podem se permitir uma histeria. a Europa está de olho. O mundo todo observa. A morte de Patton não virará uma lenda para assustar nossos próprios soldados."

Ele se virou para Marshall. "Emita uma declaração: o general Patton morreu heroicamente em serviço durante uma insurreição local. Honras de guerra, sepultamento imediato."

"Sim, senhor."

"Então classifique todos os relatos que mencionarem esses chamados fantasmas. A partir de agora, eles não existem."

Donovan hesitou. "Senhor, isso talvez não seja possível. Os meios de comunicação já interceptaram fragmentos de nossas transmissões do Norte da África. E... há transmissões."

"Transmissões?"

"Frequências não autorizadas, senhor. Alguém está transmitindo de dentro do Magrebe. Todas as noites. Tocam static, sussurros, música, e depois nomes de oficiais americanos mortos. Às vezes, antes mesmo de serem confirmados como mortos."

Pela primeira vez naquele dia, a expressão de Roosevelt se quebrou. "Antes da confirmação?"

"Sim, senhor."

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Ao anoitecer, a tempestade deslocou-se para o leste, deixando a cidade coberta de névoa.

O presidente permaneceu sozinho em seu escritório, com uma única lâmpada acesa sobre suas papéis. Do lado de fora, o Monumento de Washington surgia pálido contra a neblina.

Ele olhava novamente para os informes, os nomes, as coordenadas, os testemunhos de homens levados à loucura pelo que pensavam ter visto.

Os "Fantasmas de Argel". Propaganda, talvez. Ou algo muito mais antigo.

Ele massageou as têmporas. "Se isso for obra de Berlim, é genial. Sem balas, sem batalhas. Só medo."

Mas uma voz sussurrou: e se não for?

O telefone em sua mesa tocou. Ele atendeu rápido. "Roosevelt falando."

Era novamente Marshall, com a voz tensa. "Senhor, acabou de chegar um relato do 5º Infantaria. Um comboio de suprimentos desapareceu na noite passada perto deConstantine. Encontraram os caminhões esta manhã. Motores ainda ligados. Sem tripulação. Sem corpos. Só..."

Ele fez uma pausa. "Só pegadas na areia. Indo para o leste."

"Quantas?" perguntou Roosevelt, em voz baixa.

"Centenas, senhor. Descalços. Como se o próprio deserto tivesse se ido embora."

Roosevelt fechou os olhos. A linha caiu de repente.

Por um longo momento, ficou em silêncio.

A lâmpada piscou. Por um instante, o cômodo pareceu mais frio. Em algum lugar lá fora, o apito de um vigia noturno ecoou na névoa.

Roosevelt olhou na direção da janela, para as ruas silenciosas de Washington, e pensou em Patton, o leão da América, enterrado na areia estrangeira.

Talvez os alemães não o tivessem morto. Talvez os mortos tenham vindo simplesmente buscar um deles de volta.

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