Re: Blood and Iron

Capítulo 672

Re: Blood and Iron

Os corredores da École Militaire, antes abundantemente ocupados pelo desfile de segurança dos oficiais, estavam agora tensos e silenciosos.

Os pisos de mármore ecoavam passos curtos e decididos, e as vozes tinham se reduzido a sussurros.

A cada semana parecia chegar uma nova tragédia, e o clima na alta oficialidade da França piorava, carregado de apreensão.

No centro de comando, mapas da fronteira estavam estendidos sobre uma mesa enorme, marcados com pinos e anotações rabiscadas.

No entanto, ninguém falava de manobras ou estratégias. A conversa girava em torno dos mortos.

"General Dupont," murmurou um, ajustando os óculos. "Disseram que foi um infarto. Mas ele mal tinha sessenta anos."

"Sessenta e pouco e bebe como um peixe," respondeu outro, embora sua voz soasse sem convicção. "Acontece."

"E Marchand," insistiu o primeiro oficial. "Morto naquele acidente de carro. Pneus não explodem assim, de uma hora pra outra."

Silêncio seguiu-se. Cada homem presente pensou o mesmo, mas ninguém ousou dizer em voz alta.

Um coronel mais jovem se mexeu desconfortável. "É coincidência. Uma sequência de azar. Nada mais."

O Marechal, sentado à cabeça da mesa, grisalho, com sobrancelhas pesadas e medalhas que bruxuleavam sob a luz fraca, bateu a mão contra a madeira.

"Coincidência? Quantas coincidências vocês acham que são precisas antes de enterrarem vocês e dizerem que foi acaso?"

O recinto ficou em silêncio. Olhares se cruzaram, gargantas se desentupiram, mas ninguém falou nada.

Finalmente, o Marechal recostou-se na cadeira, em tom de rosnado. "Alguém tem nos eliminado. Silenciosa e deliberadamente. Não sei como, nem com que mãos, mas ouçam bem: os alemães estão por trás disso."

Um calafrio de inquietação percorreu a sala.

"Impossível," disse um brigadeiro, embora sua voz estivesse tensa. "Eles não arriscariam um escândalo—"

"Escândalo?" bradou o Marechal, a face avermelhada. "Você acha que Berlim se importa com escândalo? Eles só se preocupam com resultados. E o resultado é que meus melhores oficiais estão caindo como trigo na colheita!"

Um peso de silêncio voltou a se instaurar.

Um por um, os oficiais olharam para o mapa diante deles, cujos pinos na fronteira perderam significado diante da ausência de homens para comandá-los.

Por fim, uma voz surgiu, calma porém amarga.

"Se isso continuar, não vai sobrar oficial pronto para liderar quando a guerra realmente chegar."

Ninguém discordou.

A mão do Marechal se cerrava em uma fistula.

"Então, ore para não ser o próximo. E mantenha os olhos abertos. Essas... infortúnios não podem continuar para sempre."

Mas, no seu coração, ele sabia: as desgraças estavam apenas começando.


A sala de guerra em Paris dissipara-se em sussurros e apreensão.

Por outro lado, em Berlim, não havia dúvidas.

Dentro do escritório particular do Kaiser, as cortinas pesadas estavam fechadas contra a luz da primavera.

Wilhelm II sentava-se atrás da mesa, seu bigode eriçado enquanto manuseava despachos.

A porta se abriu, e Bruno entrou, carregando uma pasta de couro grosso sob o braço.

Sem palavras, colocou seu conteúdo sobre a mesa.

Fotografias. Sessenta, cem. Muitas.

Oficiais em uniforme completo, em casacos civis, à mesa de jantar, em pé orgulhosamente no pátio do regimento.

E, sobre cada rosto, em vermelho intenso, uma cruz marcada com tinta.

Os olhos de Wilhelm se arregalaram ao olhar as filas. Dozens and dozens.

A voz de Bruno cortou o silêncio, calma e decidida.

"Eu te avisei que faria a França pagar por seus crimes cem vezes mais. E isso... isso é só o começo."

O Kaiser olhou para ele de forma aguda, procurando seu rosto. "O que é isso?"

"Progresso," respondeu Bruno friamente. Apoiou um dedo com uma luva em uma foto.

"Quando eles tiverem coragem de declarar guerra aberta, seu corpo de oficiais estará reduzido em cerca de vinte e cinco por cento. SeusEstado-Maior será destruído. As linhas de comando, quebradas antes do primeiro disparo."

Wilhelm recostou-se, fixando o olhar na multidão de rostos destinados à morte. "E você... chama isso de guerra?"

Os olhos pálidos de Bruno o encararam, firmes como pedra.

"Diferente de alguns... Eu não brinco de guerra, Majestade. Eu faço guerra total, até na sombra da paz. Eles matam nossos soldados nas fronteiras e chamam de exercício de treinamento. Mas eu vou na jugular. Quando perceberem, o corpo da França já estará frio."

O Kaiser voltou a olhar as fotografias, fechou a pasta lentamente, como se o peso carregasse séculos de consequências sobre ela.

Bruno permaneceu de pé, com as mãos cruzadas atrás das costas, expressão indecifrável. Apenas suas palavras ecoaram na sala vazia:

"Esta é a guerra silenciosa. E ela terminará como todas as guerras: com a França de joelhos."

O Kaiser ainda olhava para a pasta quando a mão de Bruno deslizou um outro dossiê sobre a mesa de carvalho polido.

Esse era mais grosso, pesado, com a lombada reforçada com cantos de bronze.

Uma única palavra estava estampada na capa, em letras góticas ousadas:

ESCALADA.

O bigode de Wilhelm se contorceu. Seus dedos pairaram sobre ela, relutantes. "Você pretende ampliar isso."

Bruno inclinou a cabeça.

"A França é a faísca, sim. Mas a arrogância deles sozinha não consegue acender a Europa. Eles dependem de aliados. O Parlamento da Grã-Bretanha ameaça com sua espada. O Canadá, como você sabe, já atacou nossos navios no Atlântico Norte. Até os americanos, do outro lado do oceano, enviam ajuda diariamente."

Ele abriu a pasta, espalhando suas páginas com a precisão de um cirurgião.

As fotografias aqui eram diferentes, não apenas oficiais, mas também ministros, parlamentares, financistas e editores.

Pessoas que assinavam ordens, aprovavam orçamentos e encheram jornais com pedidos de sangue alemão. Todas marcadas com a mesma cruz vermelha.

"Proponho uma escalada," disse Bruno de forma equilibrada. "Vamos além dos generais franceses. Atacamos os ossos e os tendões de suas alianças. Líderes políticos que incitam a guerra. Jornalistas que inflamam a multidão. Industrialistas que, ao invés de estarem na folha de pagamento de nós, financiam o exército inimigo. Eles vão morrer como os generais, acidentes, doenças, tragédias. Nada comprovável. Sem deixar pegadas."

Wilhelm se mexeu desconfortável. "Isso... é enorme."

"E necessário," corrigiu Bruno. Sua voz não carregava calor, paixão, apenas uma certeza de ferro.

"Matam soldados na fronteira, esperando nos puxar para uma guerra nas condições deles. Muito bem. Respondemos não com bravata, mas com silêncio. Quando seus diplomatas se reunirem, seus generais estarão mortos. Quando seu imprensa se mobilizar, seus editores já estarão enterrados. Quando votarem na guerra, metade dos que votarem já terão desaparecido."

Os olhos do Kaiserspicaram. "E você acredita que isso é possível? Que nossa mão ficará invisível?"

O olhar de Bruno foi firme, sem piscar.

"Majestade… Estudei os métodos ingleses na Irlanda, os americanos em Cuba, os russos na polícia secreta. Usei trinta anos do poder que o senhor me deu para aguçar nossa inteligência e rede policial exatamente para isso."

Sua voz ficou fria ao garantir ainda mais ao Kaiser.

"Não apenas nossos agentes podem fazer isso, como nossa rede de contra-inteligência interceptará qualquer retaliação planejada e eliminará as ameaças antes que elas apareçam em solo alemão. Ninguém, de dentro ou fora da Alemanha, jamais nos alcançará… enquanto eu ainda estiver vivo."

Apontou para a pasta, com mão firme.

"Assine a ordem. A escalada começa agora. Lutaremos essa guerra antes mesmo que ela comece, e quando o primeiro tiro for disparado, o inimigo já estará sem cabeça."

Wilhelm hesitou, os olhos oscilando entre Bruno e os rostos marcados em vermelho na pasta.

Ele conhecia bem a reputação do Reichsmarschall, sabia da lógica implacável daquele homem à sua frente. E também sabia, com um peso que não podia ignorar, que o Reich nunca perdia uma guerra sob a mão de Bruno.

Por fim, Wilhelm exalou pelo nariz e assentiu uma vez.

"Muito bem. Escale."

Os olhos claros de Bruno cintilaram à luz da lâmpada, e seus lábios se apertaram em um traço de satisfação discreto.

Recolheu as pastas, fechou-as com um estalo, e as colocou sob o braço.

"Então, Majestade, que a história registre esta noite como o momento em que os Aliados começaram a morrer… não no campo de batalha, mas em suas próprias camas."

Curveou a cabeça levemente, virou nos calcanhares e deixou o Kaiser sozinho com o silêncio, a chuva batendo nas janelas e os fantasmas dos homens que já estavam marcados para morrer.

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