Re: Blood and Iron

Capítulo 659

Re: Blood and Iron

A pesada porta de carvalho Range tirou um rangido ao se fechar atrás dele, e com ela, os ecos do grande salão de Tyrol se dissiparam na ausência de som.

Risadas, música, as conversashcangas e obrigatórias, tudo abafado pelas grossas paredes de pedra de sua casa.

Bruno respirou fundo, saboreando o silêncio.

Ele puxou a gola do uniforme social, as medalhas tilintando suavemente como se zombassem dele, depois tirou o casaco dos ombros e o deixou cair sobre a cadeira mais próxima.

O peso tinha desaparecido, mas a irritação ainda permanecia.

"Bem-vindo de volta," veio uma voz, suave, calorosa, familiar.

Ele se virou.

Heidi estava na abertura do corredor que levava à cozinha, não mais vestida de seda ou veludo, como horas antes, mas com um vestido simples de casa, as mangas arregaçadas até os cotovelos, o cabelo solto pelos ombros.

Sem joias. Sem coroa. Apenas sua esposa.

O rosto rígido de Bruno se quebrou, só um pouco. "Você os mandou para casa mais cedo."

"Claro que sim," Heidi respondeu com um sorriso.

"Seu rosto parecia uma nuvem de tempestade ao final da cerimônia da Ordem. Se eu tivesse deixado eles ficarem mais tempo, você teria ordenado que fossem levados à execução."

Ele bufou, desabotoando o último fecho do casaco. "Estava perto."

Seus olhos brilharam, mas ela não disse mais nada a respeito.

Ao invés disso, deu um passo de lado e fez um gesto em direção à sala de jantar.

"Venha. Sente-se. Você já teve demais de pompa por uma noite. Merece uma comida que não venha com cinco garfos e um discurso."

Bruno seguiu-a pelo corredor, a tensão se aliviando a cada passo.

A longa mesa de Carvalho, normalmente preparada para jantares de Estado ou reuniões familiares, hoje tinha apenas dois pratos.

O aroma o atingiu primeiro: pão frito, salsicha temperada, acidez do vinagre e a doçura maltada rica da cerveja.

Seu estômago, há muito ignorado durante os brindes da noite, deu uma бараtra traidora.

No centro da mesa, uma travessa de schnitzel, dourado e crocante.

Ao lado, salsichas aindafervendo, picles fritos empilhados em fileiras ordenadas e panquecas de batata douradas na perfeição.

No centro, como uma joia da coroa, uma caneca de litro já borbulhante com Doppelbock.

Bruno parou na porta, piscando para a mesa posta. "Você fez isso?"

"Cada pedacinho." Heidi passou por ele, tocando-lhe o braço de passagem.

Um risinho baixinho. "Faz anos que você não cozinha pra mim você mesmo."

"É uma pena… Você elevou nossa família a um nível tão alto que ficou difícil para mim preparar uma refeição sozinha… Mas hoje é um dia especial," ela disse, acomodando-se com aquela sua graça inabalável.

"Sem empregados, sem cortesãos, sem cavaleiros ou damas. Só nós."

Bruno sentou-se em frente a ela, seu corpo largo ocupando a cadeira, as medalhas ainda brilhando suavemente no peito.

Nem se deu ao trabalho de tirá-las, mas aqui, para ela, não fazia diferença. Não importava para ela.

Ele quebrou um pedaço de schnitzel com o garfo, saboreando a primeira mordida.

A crosta estalou, a carne estava macia, os sabores simples, mas perfeitos.

Seus olhos se fecharam brevemente, e ele soltou um sussurro satisfeito.

"Você não perdeu seu talento," murmurou ele.

Heidi arqueou uma sobrancelha. "Havia alguma dúvida?"

"Nunca." Ele pegou sua caneca, levantando-a em saudação antes de dar um gole longo.

A cerveja escura, maltada, escorreu como veludo pela garganta.

Ele colocou a xícara com um suspiro de satisfação. "É assim que os grandes príncipes de Tyrol deveriam comer. Não fígado de ganso espalhado na torrada."

"Cuidado," ela provocou. "Se você criar uma tradição, o próximo banquete da Ordem vai exigir schnitzel na sala de baile."

"Só na minha morte," Bruno respondeu secamente, mas o canto da boca se levantou levemente.

Eles comeram em silêncio amigo por um tempo.

Do lado de fora, os ventos de inverno sopravam das montanhas, batendo suavemente nas persianas, mas dentro, a lareira brilhava quente e constante.

Depois de um tempo, a voz de Heidi quebrou o silêncio. "Seu banho está pronto lá em cima. Pensei que você quisesse após o dia que teve."

Bruno olhou para ela, levantando uma sobrancelha. "Você pensou em tudo, não é?"

"Claro." Ela pegou seu copo de água, deu um gole, e colocou-o calmamente na mesa.

"E após seu banho, você desce aqui, termina seu prato e assiste a um filme comigo. Sem discutir."

"Um filme," Bruno repetiu, quase desconfiado.

"Sim. Um filme." O sorriso de Heidi agora era travesso.

"Até coloquei o projetor na sala de visitas. Algo leve, sem sangue ou batalhas. Você precisa disso."

Bruno recostou-se na cadeira, cruzando os braços. "Você acha que sabe do que eu preciso?"

"Eu sei exatamente do que você precisa," ela disse suavemente, os olhos nunca desviando dos dele.

Por um longo momento, Bruno não respondeu.

Ele era o Reischmarschall do Reich alemão.

Vencedor da Grande Guerra, leão de Tyrol, Flagelo Vermelho, ficou simplesmente olhando para sua esposa.

E ela não via o soberano, nem o estrategista, nem o homem que o mundo temia.

Apenas o homem que ela amava desde jovens, quando nem coroa nem guerra estavam entre eles.

Finalmente, Bruno deu uma pequena confirmação com a cabeça. "Muito bem. Um filme. Mas só se não for um daqueles musicais americanose estúpidos."

Heidi riu, a voz leve e sincera, preenchendo o ambiente de uma forma que nenhuma orquestra conseguiria. "Não, não será um musical. Prometo."

Eles permaneceram um tempo na refeição, falando de coisas triviais, das travessuras das crianças, das aventuras dos netos, das últimas reformas na propriedade, da absurda ideia de seus cães de caça perseguindo cervos até o pomar.

Pela primeira vez, não havia estratégia, relatórios de inteligência, nem sussurros sobre os Aliados ou a tempestade que vinha.

Somente calor, comida e a quieta certeza do amor que perdura além da guerra.

Mais tarde, quando Bruno subiu as escadas rumo ao banho preparado, percebeu Heidi observando-o com aquele sorriso pequeno.

Era o sorriso de uma mulher que conhecia seu marido melhor do que o mundo jamais conheceria.

E quando ele desceu, vestido com um roupão simples, o vapor ainda preso ao cabelo, ela o esperava com as bobinas do filme já rodando, a sala escura e aconchegante, uma manta paciente sobre o sofá.

Bruno hesitou no umbral, por um instante.

Depois, entrou, sentou-se ao lado dela e deixou que o peso do mundo se dissesse em silêncio.

Pois naquela noite, não havia Reich, nem guerra, nem sombra de medo pairando sobre a Europa.

Havia apenas Bruno e Heidi, a refeição ainda quente na barriga, o filme brilhando na parede, e o silêncio confortável de uma vida construída juntos, frágil, preciosa e valendo cada batalha que ele já travou.

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