Re: Blood and Iron

Capítulo 678

Re: Blood and Iron

Enquanto a guerra avançava pelas fronteiras da Bélgica.

No Amsterdam, o clima não era diferente.

A sala de imprensa estava lotada até o limite, abafada pelo cheiro de suor e tinta.

Dutch, alemães, belgas, até alguns repórteres americanos comprimidos lado a lado, seus casacos amarrotados e os olhos arregalados.

O som de cadeiras arrastando, o sussurrar de especulações, o clique dos instrumentos de digitar na fileira de trás — tudo silenciou-se quando as portas se abriram.

O Primeiro-Ministro Hendrikus Colijn avançou até o púlpito.

Seu terno estava impecável, o queixo recém-barbado, mas o cansaço pesava na expressão de sua mandíbula.

Ao falar, não soava como um político, mas como um homem que carregou o peso do silêncio por demais tempo.

"Há anos, o Rei Albert da Bélgica se encontrou com meu antecessor aqui em Amsterdã. Lá, eles prometeram uma defesa mútua. Se algum de nossos países fosse atacado, o outro viria em seu auxílio. Essa era nossa união, jurada na confiança e na fé."

Ele fez uma pausa. A sala se inclinou para frente, o único som sendo o estalo das câmeras disparando.

"Agora, hoje, a França marchou pela Bélgica sem declaração, sem provocação, exatamente como fizeram em 1914. É um ato de arrogância criminosa. É uma repetição do pecado que incendiou a Europa antes."

As palavras caíram como pedras na água, espalhando ondas ao redor.

Alguns repórteres assinaram, os canetas voando; outros ficaram imóveis, compreendendo que a história estava sendo escrita naquele momento.

Colijn elevou a voz. Bateu o punho no púlpito, e o salão tremeu com o impacto.

"Para a chamada República da França e seus aliados liberais, não há espaço na sua visão para Deus, para o Rei ou para a Pátria. Apenas impérios por meio do engano e da agressão. Mas digo uma coisa agora: vocês forçaram nossa mão. Os Países Baixos não se curvarão. Ficaremos ao lado das Potências Centrais. Mobilizaremos cada regimento, cada fábrica, cada porto para essa causa!"

O salão explodiu em uma tempestade de flashes, mas a voz de Colijn só se elevava, navegando na onda.

"Que o mundo veja claramente: Charles de Gaulle condenou sua própria nação. Ele pisou na terra belga com botas francesas, e ao fazer isso, arrancou a máscara da liberdade! A França não é guardiã da paz, é uma predadora sob o manto da liberdade. E aqui, na Holanda, nós caçamos predadores!"

A última palavra estalou como um chicote.

Por um momento, ninguém se movesu.

Então, um rugido de perguntas se soltou, repórteres gritando uns por cima dos outros, mãos agitadas, câmeras disparando até que o salão virou uma muralha de luz branca.

Mas Colijn não respondeu.

Ele se virou, com o rosto pálido, mas resoluto, e saiu do palco. Seu silêncio foi a palavra final.

Ao anoitecer, o discurso já tinha sido reproduzido em Berlim e Bruxelas.

Rádio transmissões levavam sua declaração pelo Atlântico.

Em Genebra, diplomatas comentavam uma “segunda Violação da Bélgica”.

E, em Mônaco, editoriais inflamavam que a própria neutralidade estava morrendo diante de seus olhos.

A imprensa de Amsterdã se esvaziou às ruas, mas seu eco não desapareceu.

Ele se propagou mais rápido do que qualquer exército poderia marchar, um novo front aberto não nos campos de batalha, mas nos corações e manchetes do mundo.

A Chancelaria do Reich fervilhava de telefones.

Linhas vibravam, papéis farfalhavam, assessores corriam com expedientes, e máquinas de escrever tinham como metralhadoras.

Bruno permanecia na longa mesa de mapas, com os olhos pálidos varrendo os comunicados mais recentes.

Um de seus ajudantes entrou apressado, acenou com a cabeça e colocou uma folha nova à frente.

"O Primeiro-Ministro holandês falou. Uma declaração formal de guerra. Os Países Baixos se Pledge aos Poderes Centrais."

Bruno pegou o papel, lendo a transcrição das palavras de Colijn.

Seu maxilar apertou. Então, lentamente, ele deixou o papel de lado e puxou seu copo de vinho.

"Eu já tinha avisado," murmurou, quase para si mesmo,

"De Gaulle nos deu mais com sua arrogância do que qualquer diplomata poderia negociar."

Ele virou-se para o Kaiser, que permanecia sério ao seu lado.

"Majestade, a balança pesa mais a cada dia. Primeiro a Bélgica, agora os Países Baixos. Cada movimento da França faz com que outra nação neutra se volte contra ela. O mundo enxerga a verdade."

Os lábios do Kaiser se estreitaram em um sorriso duro. "Lembra 1870. Toda ofensa que eles lançam só une mais seus inimigos."

Os dedos de Bruno bateram na borda do mapa.

"Exatamente. A França já foi longe demais. Com os portos holandeses à nossa disposição, ganhamos uma nova rota de abastecimento, mais uma ponta de pressão. Os navios deles não terão porto seguro. O comércio, passagem segura. E quando os britânicos chegarem à França, já será tarde demais."

Um general tossiu cautelosamente. "Reichsmarschall… você realmente acha que os britânicos chegarão a tempo de fazer diferença?"

O olhar de Bruno atravessou a sala, silenciando a pergunta.

"Claro que sim. Apesar de já estarmos em aliança com a França. A Marinha britânica está tímida depois das derrotas que lhes demos na última guerra. Quando seus políticos encontrarem coragem, os franceses já estarão de joelhos. E se Londres reunir sua força de imediato…"

Deixou a ideia no ar e arremessou outro marcador pelo Mar do Norte.

"…então vão descobrir que também estamos preparados para isso."

O Kaiser o olhou, medindo a firmeza na sua voz.

Bruno manteve o olhar sem atravessá-lo.

"Majestade, a cada dia que passa, o mundo acredita que somos os pacientes, os contidos. Quando a conta chegar, não apenas derrotaremos a França. Destruiremos sua legitimidade, apagaremos a credibilidade de seus aliados, e ficaremos como a única potência capaz de afirmar que agiu com justiça."

Por um momento, a sala ficou absolutamente silenciosa.

Até os telefones pareciam imóveis.

Então, o Kaiser colocou a mão no ombro de Bruno, pesada e deliberada.

"Muito bem. Redija as ordens. Deixe a França sangrar, e deixe o mundo saber que foi ela quem empunhou a lâmina primeiro."

Bruno inclinou a cabeça um pouco, mas ao retornar ao mapa, seus lábios se curvaram naquele sorriso leve e impiedoso.

Já sua mão se dirigia aos próximos dossiês, marcados não pela França, mas pelo Reino Unido e pelos EUA.

A guerra ainda era jovem, mas seu olhar já ia além do horizonte.

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