Re: Blood and Iron

Capítulo 547

Re: Blood and Iron

Bruno saiu do palácio do Kaisers às pressas. Seus pensamentos estavam pesados, voltados ao passado, ao presente e, como sempre, ao futuro.

Mas ele tinha pouco tempo para se dedicar a eles, pelo menos por enquanto. Não, ele precisava reunir-se com alguém do seu passado. Alguém que ele achava que nunca mais veria.

E Bruno encontrou Sakura em sua velha mansão em Berlim. O endereço lhe tinha sido passado, e ela foi levada até lá por membros da Polícia Nacional Alemã.

A casa já estava abandonada há muito tempo por Erich e sua família, que, nos últimos meses, tinha retornado à residência principal da família em Tirol.

Porém, ela era mantida limpa e organizada pela equipe de Bruno, que cuidava dela diariamente.

Porém, naquela noite, eles tinham ido para casa, deixando o local perfeito para um encontro tranquilo e privado.

Quando Sakura entrou pelas portas, ela o viu de pé diante da lareira.

Ele tinha envelhecido. As linhas do rosto falaram de guerra, de perdas, de fardos sem fim. Mas não eram duras, apenas suavemente marcadas.

Talvez, por algum feitiço estranho, a idade só agora começasse a desgastar a juventude e a vitalidade daquele homem.

Os fios grisalhos lhe davam uma aparência rústica, ao invés de lhe tirarem presença. O jovem príncipe encantador que ela lembrava tinha desaparecido. Antes dela, estava uma figura endurecida pelo tempo.

Bruno olhava as fotos acima da lareira, imagens dele mesmo jovem, como um oficial, com sua esposa e os filhos mais velhos naquele mesmo lar. Erich as guardara, incluindo fotos de sua própria família com Alya. Um legado que continuava.

A princípio, Sakura ficou em silêncio. Como poderia falar? Era surreal demais. Mas, quando Bruno finalmente se virou e a olhou, ela quebrou o silêncio com uma conversa nervosa, desviando o olhar dele.

"Que bela casa você tem aqui… Nunca imaginei que você morasse em um lugar assim."

Bruno sorriu de leve, balançando a cabeça.

"Nasci na camada mais baixa da nobreza. Esta casa faz parte da nossa família há gerações, antes mesmo de termos um título. Seja o que for que eu seja agora — príncipe, estadista — tudo veio pelo meu próprio esforço. Mas este lugar? Aqui nasceram meus primeiros filhos. Aqui eu e minha esposa construímos a vida que temos hoje."

Sakura hesitou. Ela ainda não conseguia olhá-lo nos olhos. Mas sua voz, embora baixa, persistiu:

"Ela é… uma mulher de sorte."

A resposta de Bruno veio mais rápido do que ela esperava; e com mais suavidade.

"Sou um homem de sorte. Não teria sobrevivido tantos anos se não fosse por ela e pelos filhos para os quais posso sempre voltar."

Um momento de silêncio.

"Mas não é por isso que você está aqui, não é? Para falar sobre meu casamento."

"Quando eu te vi pela última vez, há dez anos, achei que seria nossa despedida definitiva. Engraçado, não é? Como o destino ainda não terminou conosco."

Ele sentou-se, fazendo um gesto para ela se sentar também. Ela o seguiu, posando-se do outro lado dele.

Tinha tanta coisa que gostaria de dizer. Mas o tempo era curto, e ela sabia disso. A obrigação vinha em primeiro lugar. Os sentimentos pessoais… eram secundários.

"Venho em nome do falecido Imperador Taisho," ela disse finalmente. "O último desejo dele era que eu buscasse condições favoráveis para o Japão… caso vocês saíssem vencedores."

Bruno suspirou profundamente, a decepção passando por seu rosto.

"Então. Obrigações até o fim. É tudo o que somos?"

Sakura estreitou o olhar; ela sabia o que ele queria dizer. Mas não recuou.

"Quando é outra coisa?"

Bruno assentiu lentamente.

"Nunca. Não para pessoas como nós. Nossa vida nunca foi para ser livre ou caprichosa. Ela é aquilo que deve ser."

Ele se endireitou.

"Muito bem, Princesa Sakura. Se essa for uma visita diplomática, peço desculpas por não agir com pretensão."

Seu coração batia forte, mas ela nada disse. Ela tinha escolhido aquilo. Precisava concluir.

A voz de Bruno ficou mais firme; não cruel, mas fria na honestidade.

"Dê-me uma razão para tratar seu império com justiça. Depois que sua frota atacou a nossa sem provocação. Depois que vocês nos arrastaram para uma guerra que tirou milhares de vidas e drenou milhões de nossos cofres. Por quê? Por que eu deveria ter misericórdia?"

Ela não tinha resposta.

Ainda que soubesse que o Imperador não havia iniciado a guerra; isso não mudava os fatos. Para a Alemanha, era uma guerra de agressão. Desnecessária. Uma violenta ambição.

Sakura olhou para o chão, lágrimas se formando — não por culpa, mas por fracasso. Ela veio cumprir seu dever, e falhou.

As próximas palavras de Bruno suavizaram, ainda que um pouco.

"Minha misericórdia é esta: Depois que a guerra acabar, o Japão ainda terá uma pátria. O continente japonês. Okinawa. Sakhalin. Algumas outras ilhas. Mas o resto; suas colônias, seus territórios roubados, serão devolvidos aos seus donos legítimos. Ou receberão independência."

Sakura assentiu, com a voz quase sussurrando.

"Sim… Entendo. Obrigada. Esperava muito menos."

Bruno levantou-se e a conduziu até a porta.

"Sakura. Volte para seu povo. Você tem minha resposta; às suas perguntas."

Ele fez uma pausa.

"E, se sua família estiver em perigo após o fim da guerra… poderá solicitar asilo ao Tirol. Será bem-vinda."

Depois, suavemente, pegou a mão dela e a beijou — um gesto que não foi romântico nem político, mas humano.

Ele a despediu na carruagem que a levaria de volta ao porto.

Ela voltaria ao Japão, não como diplomata, nem como uma menina em busca de um amor perdido, mas como uma mulher libertada do peso de esperanças impossíveis.

E Bruno?

Ele voltou sozinho para a luz do fogo. Como sempre. Pensou por um longo tempo naquela noite, em silêncio. Sem se preocupar em voltar para os quartéis. As palavras de Wilhelm tinham atingido mais fundo do que imaginava.

Eles deixaram muitas perguntas. Sobre si mesmo, sobre a vida, sobre como ele tinha tratado sua segunda chance e as pessoas ao seu redor nela. E, após passar tanto tempo olhando para a luz, a ponto de quase se tornar ela, Bruno riu e balançou a cabeça.

"Wilhelm… seu velho filho da p%@#… Por que você não deixou esses pensamentos escaparem há trinta anos…"

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