
Capítulo 528
Re: Blood and Iron
A sala de mapas estava cheia de fumaça, euforia e aplausos. Oficiais se agrupavam ao redor da mesa de traçados iluminada, onde as perdas do Japão piscavam em vermelho.
Setas animadas das divisões blindadas russas avançavam através da Coreia como as mandíbulas de um urso de ferro. A equipe naval assistia às confirmações de destruição de submarinos passarem no feed de notícias como uma loteria surreal e abençoada.
Porém, no centro de tudo, Bruno von Zehntner permanecia silencioso—mãos cruzadas, olhos semicerrados—quase não reconhecendo a sala.
O Kaiser, ruborizado de excitação, apontava para o estreito de Buka com uma expressão de espanto infantil.
"Deus do céu, von Zehntner! Você destruiu toda a Frota do Pacífico deles. E com apenas quatro navios e uma linha de minas. Como é que chamamos essa manobra?"
Bruno não sorriu. Nem mesmo olhou para cima. Apenas expirou pelo nariz, como alguém que precisa explicar matemática para crianças.
"Emboscada. Doutrina da zona de morte. Controle de fogo coordenado. O que temos ensaiado desde 1920."
O silêncio foi breve, rompido apenas pelo farfalhar dos homens de farda tentando parecer inteligentes.
"Ainda assim… está funcionando," disse o Kaiser, tentando fixar o olhar em Bruno. "Está funcionando melhor do que imaginávamos."
Bruno finalmente se virou lentamente.
"Não, você nunca achou que pudesse. Eu sabia. Essa é a diferença entre um planejador… e um profeta."
Ele se levantou, caminhando até a mesinha ao lado, onde uma panela de café emitia vapor ao lado de cristais intocados. Sua voz era plana, impassível, mas definitiva:
"O Japão achava que nós lutaríamos como eles. Nós não. Eles achavam que o Reich ainda buscava glória. Nós não. Lutamos para acabar com as coisas, não para prolongá-las."
Um general mais jovem, de rosto vermelho e sorriso radiante, interrompeu: "Herr von Zehntner—se isso continuar, vamos empurrar eles de volta para Hokkaido até o próximo ano!"
Bruno lançou um olhar por cima do ombro.
"Eu não quero Hokkaido," respondeu. "Quero vantagem. Deixe-os sentir o gostinho da derrota—mas deixe um orgulho suficiente para que venham à mesa sem humilhação. Isso não é conquista. É dissuasão."
A sala silenciou. Até o Kaiser deixou de falar.
Bruno mexeu uma vez no seu café. Sem açúcar. Sem leite. Apenas amargo, preto—a única coisa que combinava com sua filosofia de guerra.
Ele voltou a olhar para o mapa.
"E diga aos russos... que eles podem ter Pyongyang. Mas não devem tomar Tóquio."
Os generais trocaram olhares desconfortáveis.
"Por quê?"
Os olhos de Bruno se estreitaram.
"Tóquio não é um prêmio. É um símbolo. E símbolos, quando profanados, criam mártires em vez de lições. O mundo não deve ver um Japão humilhado—eles devem ver um Japão disciplinado. Subjugado, não destruído."
Os oficiais assentiram, compreenderam, e logo voltaram a rir, levantando copos, gesticulando animadamente sobre mapas e relatórios. O aroma de vitória enchia a sala de guerra como um perfume caro—artificial, passageiro, excessivamente aplicado.
"Você viu a estimativa de baixas de Pyongyang?" exclamou o General Löwenstein. "Setecentos russos mortos… mais de cinco mil japoneses. Nunca vimos uma taxa de mortes assim desde Ypres!"
"Pah!" reagiu outro. "Ypres foi um matadouro! Isso aqui é elegante! Limpo. Como a lâmina de um cirurgião. Graças aos computadores de controle de fogo de Zuse. E às novas cargas de 80mm autoadaptáveis. Estamos vinte anos à frente do resto do mundo!"
Todos voltaram o olhar para Bruno, esperando um momento raro de orgulho. Mas o arquiteto de tudo isso não disse nada.
Ele apenas permanecia no canto oposto da sala, observando o feed de notícias. Pulso firme. Olhos frios. Sem alegria. Nem mesmo satisfação. Apenas medição. Avaliação. Contingência.
Os generais brindaram, alheios ao futuro que seu riso jamais veria. Acreditavam no presente. Bruno vivia cinco anos à frente dele.
Eles não entendem, pensou.
Eles nunca entendem.
Essa tecnologia—essas redes de controle de fogo, artilharia auxiliada por jatos subsônicos, cruzadores de ataque rápidos—já estavam obsoletas.
Em privado, a produção já se direcionava para o próximo paradigma: aviões turboélice, doutrina naval baseada em porta-aviões, submarinos stealth e balísticos, plataformas de mísseis guiados por fio, e muito mais.
Havia até protótipos iniciais de coletes blindados estilo Fort Defender 2, e placas compostas de nível IV sendo testadas em Königsberg.
Sem falar nos materiais compostos avançados para novos veículos blindados da linha E, e índices iniciais de armaduras reativas explosivas.
O que estava em campo atualmente?
Simplesmente os restos já envelhecidos da revolução da última década. Ferramentas de um exército reserva. Armas feitas para programas de arrendamento, supressão neocolonial ou redistribuição de estados próxi. O verdadeiro arsenal do Reich permanecia selado—subterrâneo, silencioso.
Porque Bruno sabia de algo que eles não sabiam.
Vencer hoje não valia nada se o amanhã virasse contra eles.
Ele se lembrou de 1919. Lembrou de 1945. Lembrou de 2015. Lembrou do mundo que puniu a Alemanha por ousar existir.
Ele não permitiria que aquilo acontecesse novamente.
Nem agora. Nem nunca.
Existem bunkers sob os Alpes. Outros no Sudetenland. Cofres sealed enterrados sob Tirol. Dentro deles, canisters e dispositivos que nenhuma bandeira ostenta. Alguns químicos. Outros termobáricos. E alguns… teóricos.
Uma ogiva, marcada como Projekt Morgenrot, permanecia em desenvolvimento e sob observação constante por uma equipe científica leal somente a ele.
Seu poder, estimado em vinte quilotons, nunca foi testado—nunca precisou. Mas existia. Assim como cinco outras. Deterência atômica, apenas por implicação.
Ele deu uma goleada no café, ainda silencioso, observando os oficiais brindarem por uma guerra já vencida.
Deixem-neles celebrar, pensou.
Deixem-nos brindar mapas e máquinas.
Eles não precisam saber o que é necessário para manter os demônios afastados.
Mas eu sei.
Assim como São Miguel diante dos Portões do Céu, estou de guarda.
O dragão ainda dorme—but serei eu quem o mate, se o momento chegar.
As armas enterradas sob os Alpes, o Sudetenland e Tirol não foram feitas para conquistar.
Foram feitas para retaliação.
Seguro contra o impensável.
Porque, se a pátria alemã algum dia caísse—se sua terra fosse ocupada, seu povo destruído, sua soberania apagada—então o mundo também incendiaria.
Sem Versalhes.
Sem Weimar.
Sem rendição.
Apenas fogo.
Apenas cinzas.
A última contingência de Bruno.
Nunca mais a Alemanha morrerá sozinha.
Chame do que quiser—loucura, obsessão, heresia. Mas para Bruno, era matemática. Se x é colapso, então y deve ser extinção. A ameaça por si só deveria bastar, mas, com cada ameaça, se não se tiver força para apoiá-la, ela vira pura inutilidade.