
Capítulo 507
Re: Blood and Iron
Bruno estava sentado em seu escritório, observando relatórios de inteligência da França e de todos os domínios dos seus generais. Havia um ditado na vida... Conhecimento é poder... E se isso fosse verdade, certamente não havia nenhum homem mais poderoso neste mundo do que Bruno.
Ele gostava de saber de tudo... Onde seus inimigos estavam, o que tramavam, onde dormiam, o que comiam no café da manhã, almoço e jantar. O que faziam numa terça-feira à tarde exatamente às 14h19.
Não havia um mundo no qual Bruno pudesse prever com precisão como seus inimigos tentariam contra-atacá-lo sem antes conhecer tudo o que havia para entender sobre eles. E ele tinha certeza absoluta, ao longo de vinte anos, de que as redes de inteligência da Alemanha eram mais que capazes de fornecer essas informações.
Para que ficasse claro... Se ele quisesse um relatório de rotina sobre os movimentos intestinais de um alvo específico, em uma semana teria um estudo detalhado na sua mesa. Era assim que Bruno valorizava o conhecimento.
Por causa disso, ele não ficou nem um pouco surpreso com a reação de seus inimigos na França assim que o novo equipamento fornecido pelos estoques de reserva do Reich Alemão caiu nas mãos do exército de Pétain.
Resumindo... Os últimos generais que ainda não tinham se rendido estavam aterrorizados a ponto de competirem entre si pela chance de se entregar. Eram armas que haviam derrotado os Aliados sozinhas, e esses homens?
Correndo com metralhadoras de água, carabinas improvisadas de durabilidade duvidosa e armas restantes de várias nações, achando que poderiam vencer?
De jeito nenhum, essa era uma possibilidade. Portanto, após longos e sangrentos quatro anos, finalmente chegou o momento de a França negociar o fim da guerra civil em que se encontrava, e o conflito havia acabado.
Pétain e seus representantes planejaram se reunir com os demais generais na França em território neutro. Não, desta vez não foi Zurique, mas sim Genebra, já que se disse que ele e Bruno se encontraram lá, mas na verdade não aconteceu.
O mundo observava curioso se esse encontro realmente poderia resolver a guerra na França de forma pacífica. Quanto a Bruno, ele se encontrou com o Kaiser, com o Tsar e com o jovem arquiduque da Áustria em Berlim. Onde tiveram sua própria conferência, que coincidiu com a de Genebra.
Bruno estava sentado na extremidade da mesa, de frente para Wilhelm. Embora suas costas estivessem voltadas para a porta — o que era incomum para ele —, seu olhar se dirigia às janelas atrás do imperador. Uma posição até então inusitada para Wilhelm, que não tardou a questionar antes que os outros convidados chegassem.
“Precisa mesmo se sentar tão longe de mim? Tem algo que eu não estou entendendo na sua escolha de assento?”
Bruno percebeu imediatamente que sua posição poderia ter causado perguntas ao homem a quem jurou lealdade, considerando que seu lugar de direito era ao lado de Wilhelm. Mas, mesmo assim, explicou rapidamente o motivo de ter escolhido aquele assento específico.
“Sua majestade... Seu lugar é na cabeceira da mesa, de frente para quaisquer ameaças que tentem entrar pela porta atrás de mim. E, se for o caso, meu lugar não é ao seu lado, mas ao oposto, para garantir que nenhum inimigo tente tirar a sua vida pelas janelas.
Não se trata de segurança operacional. Assim como confio que o senhor tomará cuidado com o espaço atrás de mim, farei o mesmo pelo senhor. É só isso...”.
Sinceramente, Wilhelm conhecia bem o caráter de Bruno — o suficiente para entender se o homem pensava de fato em termos de segurança pragmática ou se simplesmente tentava evitar contato próximo com outras pessoas.
Bruno, de forma estranha, sempre tinha evitado fazer amizade com quem não carregava o mesmo peso que ele. Não era segredo que o Kaiser Wilhelm II e o Tsar Nicolau II tinham considerado Bruno como um amigo próximo, mas Bruno os mantinha à distância por algum motivo.
Por isso, Wilhelm só conseguiu suspirar e aceitar o raciocínio dele, enquanto o Tsar e o arquiduque, por acaso, entraram na sala no momento exato para evitar que ele reclamasse.
E assim, após todos se acomodarem e serem servidos com chá e doces — Bruno, exceção feita ao café e às batatas hash brown — Wilhelm começou a expor sua opinião.
“Sabemos todos o motivo pelo qual solicitei esta reunião. A França parece estar à beira do precipício. Se tudo correr bem, eles se unirão sob o comando de Pétain. Se isso acontecer, teremos um vizinho estável, mas hostil ao nosso lado oeste.
Se não… Então a guerra continuará, e medidas mais drásticas precisarão ser tomadas… Queria ouvir de vocês todos o que pensam sobre essa questão. Considerando que todos nós temos muito a perder se uma nova Grande Guerra estourar por causa desta confusão...”
Nicolau e Karl ficaram completamente em silêncio, como se estivessem refletindo sobre as palavras de Wilhelm. E foi então que Bruno falou, interrompendo-os, ao esclarecer sua posição sobre a convenção francesa em Genebra.
“Majestade, vocês deveriam ter conversado comigo antes de convocar Nicolau e Karl até aqui, a Berlim. A situação na França está sob controle. Há 90% de chance de que essas negociações pelo menos resultem em um cessar-fogo. Quanto à unificação completa, nem se fala.
E, se isso acontecer, os refugiados que acolhemos nos últimos quatro anos, e que são eternamente gratos à sua benevolência, serão excelentes espiões para enviar de volta à França e monitorar os desdobramentos do Novo Regime.
E, se o governo de Pétain se mostrar hostil, eles também serão uma ferramenta útil para fomentar rebeliões e substituições. De qualquer forma, a verdadeira preocupação não é Pétain e sua farsa em Genebra.
Na verdade, é de Gaulle e suas tentativas de derrubar a ordem atual, substituindo-a por uma Nova República baseada no revanchismo e no irridentismo. Se isso acontecer, uma segunda Grande Guerra será inevitável dentro de três décadas.
O ambiente ficou completamente silencioso após Bruno concluir sua fala. Como se tivesse acabado de soltar uma bomba enorme, bagunçando todas as noções que os líderes mundiais ali presentes tinham até aquele momento.