
Capítulo 537
Re: Blood and Iron
O Exército Russo avançou além dos limites de Pyongyang. Após libertar a cidade, deixaram unidades de reserva para ocupá-la e estabilizá-la.
O abastecimento fluía como sangue vital; alimentos, remédios e água eram distribuídos aos civis como se estivessem em uma liquidação relâmpago.
As tropas na linha de frente que tomaram a cidade eram substituídas, recebendo uma breve pausa após uma campanha brutal.
Enquanto isso, a Força Aérea Russa avançava com força, confrontando-se nos céus acima da cidade portuária de Ongjin.
Caças Bf-109 rasgavam ondas de bombardeiros japoneses Ki-21 e caças Ki-27. Tropas aerotransportadas seguiam, saltando de paraquedas entre as nuvens destruídas pela guerra.
Soldados japoneses no chão lutavam com determinação e ferocidade, mas a ofensiva russa, como uma maré de aço sob um céu de fogo, mostrou-se implacável.
O Exército Imperial Japonês e seu Serviço Aéreo simplesmente não conseguiam fazer frente à combinação de equipamento superior e doutrina empregada pela máquina de guerra russa.
De volta a Tóquio, tornou-se cada vez mais evidente: os japoneses superestimaram gravemente a força de seu arsenal moderno. E não foram os únicos a cometerem esse erro.
Ao redor do mundo, observadores assistiam com crescente apreensão enquanto Alemanha e Rússia executavam teatros de guerra perfeitamente sincronizados.
A Alemanha destruía forças japonesas na Bismarck Sea, enquanto a Rússia abria caminho pela Península Coreana. Não era apenas uma vitória. Era uma aula magistral de guerra conjunta.
De repente, o equilíbrio do poder global inclinou-se. Em Londres, em Washington, e no que restou da França independente, a mensagem foi compreendida: adapte-se ou morra.
Assim, uma cúpula de emergência foi convocada em Washington D.C., reunindo o presidente dos Estados Unidos, o primeiro-ministro britânico e um homem que, pela Quarta República de Pétain, era visto como um mero espectro.
A França nunca se recuperara completamente do colapso após a Grande Guerra. Mutilada por uma guerra civil e sem uma geração, avançava mancando sob Marshal Pétain; uma figura apoiada por Berlim, envolta em soberania, mas governada na verdade pelo Kaiserreich.
No papel, a Quarta República era uma nação democrática. Na prática, era uma ditadura militar sob supervisão alemã.
Porém, durante esses longos anos de opressão silenciosa, um homem construiu um movimento: Charles de Gaulle. Seu Réveil de France estava pronto para se erguer—se lhe dessem as ferramentas para atacar.
Tudo que precisavam era de um momento. E esse momento tinha chegado.
Sentado na Casa Branca, de Gaulle acendeu um cigarro. Expirou lentamente, deixando o silêncio pairar, then falou.
"Meu exército está pronto. Temos um momento e um local onde Pétain e seus cúmplices estarão reunidos. Podemos eliminá-los ou forçar uma rendição. De qualquer forma, a França não servirá mais ao Kaiser. O que exijo agora é sua garantia—que, ao agirmos, a Alemanha não irá retaliar. Tenho isso?"
O presidente e o primeiro-ministro britânico trocaram olhares, depois assentiram solenemente.
"Se vocês conseguirem, terão total apoio de nossa parte," respondeu o presidente. "Se falharem, fingiremos que nunca ouvimos seu nome. Espero que entendam."
De Gaulle não respondeu. Sua silence foi um consentimento. Os homens apertaram as mãos em compreensão sombria; sem saber que toda a conversa deles tinha sido interceptada pela inteligência militar alemã.
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Milhares de quilômetros de distância, no coração de Berlim, Bruno leu o memorando na sua mesa e sorriu de lado.
"Então, finalmente fazem seu movimento. Estava começando a achar que tinham perdido a coragem."
Ele deixou o papel de lado, pegou o telefone e deu uma ordem.
"Inicie imediatamente a Operação Coroa de Prata. E, se aquele velho pomposo tentar protestar, lembre-o de que ainda está me em dívida. Isso vai calá-lo."
Desligou, levantando-se de sua mesa para contemplar o horizonte de Berlim. Uma ideia despertou em sua mente; um sussurro, mas afiado como uma lâmina:
"Assim se revela o caminho para a guerra. Acredito que chegou a hora de buscar favores com a Casa de Bourbon—or o que sobrou dela."
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Alguns dias depois, uma carta chegou à residência privada de Henri d'Orléans, Conde de París. Em 1930, era amplamente considerado o mais legítimo pretendente ao trono francês, então há muito extinto.
Durante a guerra civil, ele tinha fugido para o Brasil para evitar o destino de seu ancestral distante; cuja cabeça caiu sob a lâmina em outra era de revoluções.
Ele encontrou refúgio na Casa de Orléans-Braganza, antiga linhagem imperial do Brasil, onde consolidou laços duradouros com seus parentes do outro lado do Atlântico.
Depois de tudo se acalmar, Henri voltou para França; cauteloso, mas atento.
No momento, desfrutava de um bom café feito por uma das poucas empregadas que ainda podia pagar. Ela, que era tanto cuidadora quanto companheira, entregou-lhe uma carta.
Seu rosto tinha uma expressão de preocupação ao reconhecer o símbolo orgulhoso no selo de cera: um leão rampante coroado, deitado sobre um crânio com ossos cruzados.
Era um novo escudo de armas, que desafiava sutileza os princípios heraldicos tradicionais, mas poucos em posições de poder não entendiam seu significado, ou a quem pertencia.
A palavra ficou presa na garganta dela inicialmente, causando um breve engasgo ao informar o mestre do que havia chegado.
S...Senhor.. Você recebeu uma carta. Ela... Parece importante."
Henri não deu muita atenção inicialmente, embora soubesse que sua criada agia de modo estranho. Não parecia compreender totalmente a gravidade da situação.
Até que ele a arrancou das mãos e virou o envelope para revelar seu selo. Seu remetente? Um nome que lhe cortou a respiração: Bruno von Zehntner.
Suas mãos tremeram enquanto abria o selo, puxando a carta com cautela, com nervosismo nos olhos. Era simples—mas incendiária.
"Ao futuro Rei da França,"
Henri congelou, olhando por cima do ombro. Uma, duas, três vezes. Então continuou lendo.
No texto, um convite para Tirol; para encontrar o homem de quem diplomatas cochilavam nos corredores e salas escondidas, conhecido na Europa apenas como o Criador de Reis.