Re: Blood and Iron

Capítulo 517

Re: Blood and Iron

Não passou muito tempo após o casamento de Eva que Bruno se viu cara a cara com o presidente dos Estados Unidos. Hughes, que antes se sentia seguro na sua posição, agora enfrentava um sério desafiante principal que ganhava popularidade pelo país.

O presidente, naturalmente, ficou irritado. Afinal, ele só tinha vencido a eleição de 1920 com a ajuda de Bruno. Agora, ao chamar o homem outra vez, as coisas tinham dado errado de uma forma que ele não esperava.

Assim, pela terceira vez, Bruno cruzou o Atlântico. Entrou na Sala Oval, examinando seu acabamento com um olhar atento e clínico.

"Nada muda de verdade aqui, né?" ele disse, quebrando o silêncio. "Você está buscando a reeleição para um terceiro mandato — quebrando a tradição — e seu escritório parece exatamente igual ao da minha última visita."

"Já pensou em colocar uma decoração nova? Talvez uma lembrança da sua visita diplomática mais recente a um país vizinho? Se quiser, até posso trazer uma metralhadora para montar na parede. Só uma ideia..."

Se a expressão do presidente fosse qualquer coisa, ele certamente não tinha ficado nem um pouco divertido com a tentativa de Bruno de puxar papo; e suas palavras refletiam exatamente isso.

"Não é por isso que te convidei para atravessar o Atlântico. Podemos por favor focar na missão?"

Bruno ficou em silêncio por um tempo. Seu rosto permanecia imóvel e frio. Quando finalmente falou, suas palavras romperam o silêncio como um estampido de fogos de artifício.

"Tenho que te avisar, mas os democratas provavelmente vão vencer desta vez, mesmo que você mantenha o cargo."

Hughes bateu as mãos na mesa e apontou um dedo na cara de Bruno. Um gesto especialmente irritante.

"Você prometeu que ia resolver esse problema. Mas só piorou as coisas! Aqueles gangsteres alemães que você armou têm um poder de fogo equivalente ao das forças armadas! O derramamento de sangue saiu do controle! E agora está me dizendo que minha oposição está garantida na vitória? Você não cumpriu sua parte no acordo!"

Bruno não se levantou para encarar Hughes de perto. Em vez disso, lançou um olhar frio e ininteligível para o homem e fez um gesto para a cadeira em que o presidente tinha acabado de se levantar.

"Presidente Hughes... sente-se."

Hughes hesitou; tempo suficiente para perceber que aquilo não era uma sugestão. Bruno não precisava elevar a voz. Seu tom carregava o peso de um pelotão de execução.

Relutantemente, o presidente se sentou.

Bruno pegou uma garrafa de seu casaco, bebeu um gole medido e guardou-a antes de continuar.

"Você me pediu para resolver seu problema com o crime organizado, e eu entreguei. Você nunca especificou que eu deveria fazer isso de uma forma que melhorasse sua aprovação. Você deu a entender, claro — mas isso não estava no contrato. A responsabilidade é sua, não minha."

Hughes cerrava os punhos. Seu rosto vermelhava, pronto para se levantar de novo.

Porém, o olhar de Bruno o parou frio.

Não era o olhar de um político. Era o olhar de um homem que ordenou que outros morressem, e assistiu à obediência.

"Quanto aos democratas vencerem... bem... tenho medo que essa seja a essência da democracia."

Bruno recostou-se na cadeira, fazendo a madeira ranger sob seu peso. Indefinidamente, fez um gesto vago em direção à bandeira americana ao fundo, atrás de Hughes.

"Acredito que deixei bastante clara minha opinião sobre o homem comum. Agora, talvez você comece a entender. A maioria das pessoas tem atenção curta. Elas se importam mais com qualquer escândalo que a mídia invente do que com a verdade ou a estabilidade."

Hughes murmurou: "Você parece que odeia eles."

Bruno não sorriu. "Ao contrário; eu não odeio o homem comum. Na verdade, tenho muito respeito por ele. Só que simplesmente não confio no julgamento dele na hora de governar um estado, ou garantir sua sobrevivência a longo prazo."

Ele se levantou e lentamente se aproximou da janela. A chuva batia suavemente contra o vidro. Não olhou para trás.

"Seu povo descansou sobre o falso orgulho da neutralidade por mais de duas décadas. Vocês prosperaram, com algumas pequenas derrotas, enquanto nós, na Europa, sangramos pelo que conquistamos."

Bruno fez uma pausa por um momento, antes de olhar de volta para Hughes. Quando falou novamente, suas palavras foram tão duras quanto as anteriores.

"Não estou te julgando por manter-se à margem de guerras no exterior. Se estivesse no seu lugar, ou no lugar dos seus antecessores, provavelmente teria feito o mesmo. E, para ser sincero, talvez eu mesmo tenha influenciado um pouco esse resultado."

Hughes não respondeu. Mas seus olhos revelaram tudo. Há tempos ele suspeitava dessa verdade. Ainda assim, sabia que Bruno tinha um ponto maior a fazer — e esperou.

"E o que seu povo fez com essa segurança e prosperidade? Criaram uma crise imaginária — a Lei Seca. Ao lutar contra uma ameaça fantasma, criaram uma ameaça muito real."

"Agora, esse caos precisa ser resolvido. E, mesmo que esteja sendo resolvido, não importa. O público não liga. Os danos já foram feitos, para você e seu partido."

"Os democratas vão vencer — não porque sejam competentes, mas porque não são vocês. Num sistema de duas partidos, a oposição é tudo que importa."

Finalmente, Bruno se virou novamente.

"E em um sistema assim, onde os representantes são escolhidos por sufrágio universal — todos perdem igualmente."

Hughes ficou em silêncio.

O cômodo ficou mais frio. Mais apertado.

E, pela primeira vez em meses, o presidente dos Estados Unidos não tinha nada a dizer.

Bruno não deixou que o silêncio se instalasse. Levantou-se e começou a caminhar em direção à porta. Assim, chamou atenção do anfitrião.

Hughes finalmente encontrou sua voz. "E onde, por favor, acha que vai?"

Ao contrário do que Hughes esperava, Bruno virou-se para olhá-lo poucos instantes antes de sair da Sala Oval — com um olhar quase amistoso no rosto e um tom semelhante, ao dizer as palavras que o homem jamais achou que ouviria novamente.

"Bem, senhor presidente... se me permite, vou cumprir minha promessa — e resolver de vez esse seu problema com os gangsteres."

Ele parou na porta. O tempo suficiente para o cômodo ficar silencioso demais novamente.

"Ah, e... só para lembrar; minha imunidade diplomática ainda está de pé até eu deixar esses mares."

E assim, Bruno se foi, deixando o presidente Hughes rindo, enquanto abria uma garrafa do melhor bourbon de Kentucky e bebia direto da garrafa.

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