
Capítulo 541
Re: Blood and Iron
Bruno retornou a Berlim naquela noite, logo após o encontro com Henri d'Orléans, e não foi sozinho na viagem.
Sua filha Eva e a família da mulher também estavam a bordo da aeronave de luxo.
Wilhelm, que ainda não tinha voado na mais recente aeronave do seu avô, achou a aeronave impressionante.
Enquanto observava seu interior ultra luxuoso e as grandes asas vistas pelas janelas, parecia uma criança na manhã de Natal.
Ele não conseguiu evitar expressar sua admiração infantil enquanto Bruno e Eva conversavam sobre assuntos mais importantes ao fundo.
"Meu Deus, isso é realmente extraordinário. É facilmente o dobro do tamanho do avião pessoal do meu pai. Meu avô realmente tem um parecido com isso?"
Bruno riu ao ver que, apesar de o príncipe já ter mais de trinta anos e ser pai nesta vida, ele ainda carregava uma sensação de fascínio infantil.
"Exatamente; esse foi o segundo a sair da linha de montagem. Naturalmente, seu avô pegou o primeiro. Logo, o Reich terá esses aviões estacionados por todas as suas fronteiras, territórios e, claro, bases aéreas. Tanto como aviões civis quanto como aeronaves militares."
Após avaliar o tamanho do interior, que incluía um aposento privado com uma cama de tamanho normal e um chuveiro, Eva não pôde deixar de perceber a utilidade de uma aeronave assim.
"Daria pra levar tranquilamente mais de um Panzer II aqui dentro... Quanto às bombas... Temo o simples pensamento. Você realmente se superou desta vez, pai."
Bruno sorriu orgulhoso para a filha, que já pensava nas aplicações militares da aeronave.
Enquanto seu marido, nascido e criado numa era de paz, ainda se encantava com a opulência e a grandiosidade, como um transporte para VIPs.
"De fato. Em cinco anos, espero ter dez mil deles voando nos céus dentro da Luftstreitkräfte. Alguns para transporte estratégico, outros para bombardeio, e alguns para reabastecimento."
Eva quase engasgou com a bebida ao ouvir as últimas palavras do pai, seus olhos se arregalando de choque.
"Reabastecimento? No ar?"
Wilhelm só percebeu que a conversa acontecia ao fundo quando sua esposa começou a tossir. Ele interrompeu com sua própria curiosidade.
"Reabastecimento? Isso é algo incomum?"
Bruno lançou um olhar questionador para a filha, silenciosamente perguntando se ela queria explicar. Como sempre, Eva se resumiu a gesticular, e Bruno respondeu cordialmente ao príncipe.
"Deixe-me explicar de uma forma simples: com um único tanque de combustível, esta aeronave poderia chegar aos Estados Unidos partindo de Berlim e fazer uma viagem de ida e volta, supondo que tivesse tanques de queda compatíveis. Portanto, se uma dessas aeronaves fosse equipada para reabastecimento, nossos aviões poderiam voar para qualquer lugar do mundo sem jamais tocar o chão."
Wilhelm ficou atônito. Poder aéreo que pudesse atingir qualquer lugar do mundo? Isso era revolucionário.
Até onde sabia, a Alemanha era uma das poucas nações que operavam uma rede de voos comerciais em todo o império. A Rússia era outra.
Mas esses aviões tinham limites de alcance e capacidade de combustível, tornando comum fazer múltiplas paradas ao longo do trajeto, especialmente em rotas longas.
Ele havia completamente ignorado o potencial estratégico da aeronave. Mas Eva não. Ela compreendia claramente o que seu pai havia feito e não perdeu tempo em mais um elogio.
"Já te disse antes, e vou repetir, pai. Você realmente se superou desta vez."
No entanto, Bruno foi rápido em desconsiderar a bajulação da filha.
"Nada disso. Apenas dei uma orientação aos meus engenheiros. Eles foram os responsáveis por tornar isso possível. Eu fiz pouco mais do que financiar as pessoas certas e dar uma força quando necessário."
Eva revirou os olhos. A humildade do pai às vezes era admirável, mas aqui e agora, quando ela oferecia um elogio sincero, o mínimo que ele podia fazer era aceitá-lo de coração aberto.
Ela quase ia dizer algo quando Wilhelm novamente interrompeu.
"Então, essa coisa deve ser bem rápida, se foi feita pra cruzar o mundo, né?"
Bruno assentiu enquanto tomava um gole do Scotch que a comissária lhe entregara.
"Isso mesmo. Além de alguns outros aviões usando o mesmo projeto de motor, é o mais rápido da nossa frota atualmente. Na verdade, diria que faltam cerca de vinte minutos para aterrissarmos."
Eva não ficou surpresa nenhuma ao perceber que a velocidade da aeronave era de ponta. Mas Wilhelm ficou pasmo.
Ele olhou para o relógio e percebeu que o avião estava no ar há pouco mais de trinta minutos. E, mesmo assim, restava menos tempo que isso?
Bruno, no entanto, mudou de assunto, deixando de lado a maravilha da engenharia e abordando um tema mais importante com o genro.
"Então, Wilhelm... Seu avô está envelhecendo. Logo, seu pai pode precisar assumir seu trono de direito. E isso fará de você o Príncipe Herdeiro. Você está preparado para essa responsabilidade?"
A pergunta veio com o conhecimento dos eventos que estavam por vir no mundo. Kaiser Wilhelm II morreria em 1941, aos 82 anos, de uma embolia pulmonar. Pouca coisa poderia impedir isso.
Mesmo com os esforços de Bruno para pesquisar anticoagulantes em andamento, havia pouco mais de uma década até que isso acontecesse.
E, enquanto fazia tudo ao seu alcance para garantir que o remédio estivesse disponível e pudesse talvez salvar o Kaiser, também concentrava seus esforços em assegurar o futuro do Reich; com ou sem ele.
Wilhelm ficou em silêncio. Sua pausa foi longa. Mas, por fim, respondeu com a firmeza de um homem criado numa era muito mais brutal, especialmente ao ver sua esposa segurar sua mão por conforto.
"Com todo respeito, senhor, não sou tolo. Ouço o que minha esposa e o senhor conversam às minhas costas. Entendo também que ainda não estou pronto para cumprir todas as tarefas que me exigem."
Um breve silêncio, e uma respiração profunda.
"Mas... estou disposto a aprender. E, felizmente, tenho ao meu lado um ótimo mestre. Então, enquanto rezo pela saúde do meu avô, se a necessidade surgir de repente… sei que serei capaz de cumprir o papel que o destino me reserva."