Re: Blood and Iron

Capítulo 521

Re: Blood and Iron

O assessor enviado pela campanha de Hoover ao Império Britânico quase engasgou com o chá ao ouvir a resposta do Rei George V. Ele esperava uma postura mais dura, e a necessidade de mais negociações.

Embora o americano tivesse apresentado um forte argumento sobre a necessidade de cooperação entre as duas potências, a realidade era que os Estados Unidos estavam muito atrás em tecnologia de tanques e aviões em comparação com seus colegas europeus.

Durante a Grande Guerra, eles não tiveram muitas oportunidade de testemunhar a efetividade dos tanques no campo de batalha moderno, nem tinham acesso a princípios sólidos sobre o que funcionava ou não.

Como resultado, o progresso tecnológico militar dos Estados Unidos foi praticamente inalterado pela interferência de Bruno na linha do tempo. Em 1928, os EUA ainda utilizavam tanques M1918 Ford de 3 toneladas e caças Curtis P-1 Hawk.

Mesmo na vida passada de Bruno, esses eram armamentos pouco ideais para o campo de batalha na era atual. Imagine então, frente a um potencial adversário, frente ao que a Alemanha já tinha em uso e em desenvolvimento.

Havia pouco conhecimento e expertise na União Soviética acerca do desenvolvimento dessas plataformas de armas, e muitos dos melhores engenheiros tinham sido recrutados pela Alemanha e Rússia há tempos.

O que os EUA ofereciam era menos pesquisa e desenvolvimento, e mais capacidade de fabricação. Mesmo assim, ou o rei George não sabia disso, ou já estava desesperado por alguma novidade que rompesse o impasse.

Assim, quando o monarca britânico falou novamente, sua voz carregava gravidade.

"Estou disposto a assinar um contrato que permita pesquisa e desenvolvimento conjunto de tecnologia em áreas estratégicas com os Estados Unidos pelos próximos quatro anos, podendo ser prorrogado a cada quatro anos, posteriormente."

"Diga ao seu empregador que, quando estiver na Casa Branca, poderá me procurar a qualquer momento com um esboço dos termos, e eu os revisarei. Se considerá-los adequados, não terei problemas em assinar o acordo. Espero ouvir de você e do Sr. Hoover em breve."

Mais nenhuma palavra foi dita enquanto o assessor apertava a mão do rei George e fugia de volta aos Estados Unidos para entregar pessoalmente a boa notícia.


Em alguma parte distante da Rússia, muito além da vista e do alcance de espiões e observadores, encontra-se um campo de aviação deserto. Apesar de atualmente haver apenas um avião na pista, a própria base aérea era fortemente fortificada.

Armas antiaéreas a perder de vista, e fortificações de concreto reforçado com soldados para operá-las estavam por toda parte. Por que isso? Porque o espaço aéreo restrito acima servia para garantir privacidade e sigilo às aeronaves que seriam testadas nas condições mais adversas possíveis.

Era o verão de 1928... E após mais de uma década de pesquisa, desenvolvimento, prototipagem e testes, o primeiro motor turbo-propulsor já tinha sido aprovado para fabricação em massa, e começava a ser produzido nas fábricas de aviação do Reich Alemão e do Império Russo.

Mesmo com motores turbo-propulsores para aviões de caça já em produção desde 1924, isso não significava que os caças estivessem perfeitos. Mas hoje, o sonho finalmente se tornava realidade para quem tanto buscou sua criação.

O Focke-Wulf PTL, da vida passada de Bruno, servia de grande inspiração para o avião de combate. Modificado de várias formas, esse avião era, honestamente, brilhante em sua concepção original.

Além disso, seu motor turbo-propulsor se baseava em projetos como o Jumo 004, HeS 011 e nos princípios atuais de rotor de gás.

Ele também aproveitava melhorias que aumentavam a eficiência de motores de pistão com hélice, como o Packard V-1650, aplicando-as onde fosse possível.

O resultado era um motor turbo-propulsor de 3.000 shp que acionava seis hélices contra-rotativas. Isso gerava uma velocidade máxima de 740 km/h (460 mph) e um teto de mais de 9.144 metros (30 mil pés). Sua autonomia, em teoria, era de até 4.000 km (2.500 milhas) com uma carga completa de armamento.

Atualmente, um piloto alemão, trajando uniforme completo e sua distinta jaqueta de couro dos Luftstreitkräfte, entrava na cabine semi pressurizada, ajustando seu assento e realizando verificação básica na aeronave.

A comunicação na rádio era rápida ao informar que tudo estava pronto. O piloto pegou o fone e respondeu:

"Todos os sistemas operacionais. Preparando-me para decolagem."

Ele acionou o motor, que começou a roncar vigorosamente, fazendo todos que testemunharam sua demonstração prenderem a respiração em silêncio. Após receber autorização, o piloto dirigiu a aeronave pela pista até a posição de preparação para iniciar o teste de uma nova geração de aviões de guerra.

Então… a aeronave começou a acelerar, ganhando velocidade e, por fim, decolando. Subiu ao céu, seguida por aeronaves de resgate que estavam de prontidão em caso de emergência.

Porém, o voo foi suave… a primeira missão tinha duração breve, um giro ao redor do campo de aviação e retorno. O objetivo era testar funcionalidade, vibração e segurança. E, ao aterrissar, a base aérea explodiu em aplausos.

Pois haviam passado para a fase de funcionalidade plena, sem desastres. Quanto aos próximos testes? Ainda levaria pelo menos mais dois anos para que Reich Alemão e Império Russo aprovassem oficialmente o avião para uso generalizado.

Mas, até 1930, o Focke-Wulf PTL começaria a ser utilizado em combate, e, por sua vez, haveria um estoque de motores em armazenamento para facilitar sua fabricação.

Quanto a Bruno, que observava ao lado do Kaiser e do Tsar com um sorriso no rosto, virou-se e fez uma declaração ousada para ambos:

"A partir de hoje, controlamos tanto os mares quanto os céus."

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