
Capítulo 514
Re: Blood and Iron
Bruno armou a armadilha perfeitamente. E o Rei da Itália, desesperado por estabilidade em uma época em que seu país começava a sentir-se deixado de lado, foi rápido demais em cair nela.
E agora que Bruno tinha o homem exatamente onde queria, fechou a armadilha e selou o acordo.
— O que proponho é dar à Itália um lugar na mesa. Entendo que sua nação, como muitas outras, ainda está se recuperando dos efeitos da guerra. Felizmente para vocês, o front italiano desmoronou bem rápido, e vocês se renderam em condições favoráveis — falou Bruno, levantando o garfo para mastigar, saboreando o gosto suculento da carne antes de continuar.
— Digamos, hipoteticamente, que eu realmente ignorasse ordens e Pursuisse controlar o norte da Itália com um ataque rápido, exatamente a tempo da conferência de paz começar. Você acha que uma ação assim foi tão ignóbil quanto você tem pregado todos esses anos? — perguntou Bruno.
Emmanuel ia protestar, mas Bruno ergueu o garfo, mastigando a comida na boca, engolindo com mais cerveja antes de seguir.
— Por favor, deixe-me terminar. Prometo que haverá tempo para falar quando eu terminar… — pediu Bruno.
O Rei da Itália segurou-se para não interromper, por mais que quisesse, relaxou a postura enquanto Bruno começava a expor seus pensamentos mais uma vez.
— Se eu não tivesse tomado Milão e as regiões ao redor, você acha que teria se rendido tão rapidamente? Ou teria rejeitado a oferta do Kaiser e continuado a guerra? Como a Itália ficaria agora se o meu exército tivesse humilhado vocês pior do que humilhamos a França? — questionou Bruno.
Emmanuel levou apenas três segundos para entender para onde Bruno estava indo com aquilo, mas permaneceu em silêncio, sabendo que o homem ainda não tinha terminado seu raciocínio.
— Veja bem, se vocês tivessem forçado minha mão, e eu tivesse esmagado o seu exército até chegar a Roma, destruindo suas cidades na força do braço, vocês estariam dominados por Vermelhos e reaccionários. Na verdade, seu país se pareceria muito mais com a França agora — declarou Bruno.
Depois de ouvir cada pensamento de Bruno e ter também passado alguns momentos refletindo sobre isso em silêncio constrangedor, Emmanuel finalmente limpou a garganta e pediu esclarecimentos.
— Você está dizendo que ignorou ordens e marchou para Milão pelo bem da Itália e do seu povo?
Bruno permaneceu em silêncio por um longo tempo, deixando essa ideia fermentando na cabeça do Rei da Itália, até que, por fim, respondeu.
— Hipoteticamente, se eu tivesse desconsiderado as ordens do Kaiser e marchado sobre Milão, teria sido pelo bem dos homens sob meu comando. Eu ficaria insanamente chateado se o sangue deles fosse derramado desnecessariamente em batalhas que não deveriam ter acontecido… — revelou Bruno.
O Rei da Itália estava quase prestes a explodir de raiva, achando que Bruno estava brincando com ele, até que Bruno voltou a falar, com um tom mais calmo e tranquilizador, ao menos inicialmente.
— Dito isso, sim, você pode dizer que fiz isso para acabar com a guerra e poupar sofrimentos desnecessários ao seu povo também — afirmou Bruno, sua voz subindo de tom ao fim da fala, formando uma carranca no rosto.
— E, claro… Para dar uma lição valiosa à Itália… Que vocês não são nossos iguais! O orgulho inútil de vocês fez de vocês inimigos desnecessários do Reich. E, ao fazê-lo, me obrigou a lutar numa terceira frente que eu teria preferido evitar — declarou Bruno com firmeza.
Emmanuel não sabia se deveria ficar revoltado, chocado ou impressionado com a facilidade com que Bruno manipulava suas emoções, levando-o para um ponto que ainda não conseguia compreender completamente. Até que, finalmente, Bruno falou, após aproveitar o jogo por tempo suficiente.
— Essa atitude sua precisava ser completamente esmagada… Antes que pudéssemos ajudá-lo a alcançar seu verdadeiro potencial. Tenho duas filhas ainda por se casar. Sabe onde quero chegar com isso? — questionou Bruno.
O Rei da Itália apenas assentiu silenciosamente, esperando ouvir toda a proposta de Bruno antes de decidir qual seria a melhor atitude a tomar.
— Quero que você case uma das crianças da casa de Saboia com minha filha, Anna. Pode ser da linhagem principal ou de uma ramificação, tanto faz — ordenou Bruno.
De repente, os olhos de Bruno se estreitaram. Sua expressão virou uma mistura de determinação e ameaça.
— Mas ela não pode ser cruel… Sádica, ou desagradável. Minhas filhas significam mais para mim do que você imagina, e se esse rapaz fizer qualquer mal a ela, mesmo depois que elas forem maiores e estiverem casadas, eu pessoalmente responsabilizarei toda a sua casa — ameaçou.
O silêncio que se seguiu à ameaça de Bruno foi ensurdecedor. Emmanuel não era tolo; sabia do que aconteceu em Belgrado e por quê.
Existiam homens no mundo perigosos o bastante para fazerem algo assim depois do que aconteceu em 1914. E o Rei da Itália não era um deles.
Antes, ele foi rápido ao fazer uma pergunta bem mais importante, tentando desviar a conversa do rumo sombrio que ela estava tomando.
— Se eu fizer isso, o que exatamente ganharei com isso?
Bruno bufou, continuando a comer de seu prato enquanto balançava a cabeça, como quem lida com alguém simplório. Mesmo assim, explicou tudo de forma clara e evidente para que seu convidado compreendesse.
— Paz, liberdade, justiça, segurança e prosperidade. Não é isso que todos queremos para nossas famílias e nossos países neste mundo? Você não achou curioso quando o convidei para minha casa e o fiz caminhar pelas ruas que construí?
— Este é o futuro da Europa, meu amigo, aqui e agora na tirol. E a Itália pode se juntar a ele, como um membro contribuinte da nova ordem mundial. Ou pode ser queimada até as cinzas, forçada a escravizar-se e trabalhar para seus mestres assim que eu colocar meu calcanhar no pescoço de Roma.
A sorte do seu país depende totalmente de você. E é uma única escolha, aqui e agora, que você tem que fazer como rei… — declarou Bruno.
Depois disso, Bruno não falou mais nada. Concentrado em aproveitar sua refeição, deixou o Rei da Itália refletir sobre o que lhe foi oferecido.