Re: Blood and Iron

Capítulo 492

Re: Blood and Iron

Restavam poucas nações capazes de desafiar remotamente o Reich Alemão, especialmente com sua sólida aliança russa-alemã. Mas Bruno sabia que o equilíbrio de poder atual não duraria para sempre.

Nos Estados Unidos, algo começava a ferver. Era quente, invisível e prestes a explodir. Sim, Bruno tinha colocado uma coleira no país, ou melhor, na sua liderança. Mas tentar controlar os EUA era como tentar colocar uma coleira em um grande tubarão branco.

Aqueles que estavam cientes da restrição mordiam a coleira como cães ferozes. Enquanto os que ainda não tinham noção sentiam a corrente apertando ao redor de suas gargantas, sem conseguir identificar a origem da sufocação. Havia algo profundamente errado no coração da América. E seu povo podia sentir isso.

A democracia, qualquer que fosse a sua forma, mesmo vestida como uma república constitucional, era algo frágil. Raramente durava. Por isso, quando veio o chamado de um "velho amigo", Bruno atendeu de imediato. E agora, pela segunda vez na vida, atravessava o Atlântico. Desta vez, com o objetivo de visitar a Casa Branca.

Ele entrou na Sala Oval com um olhar de pura desprezo. Enquanto o presidente Hughes permanecia cordial, chegando até a cumprimentá-lo pessoalmente, preparando até um presente: uma bebida bem gelada, oferecida com um sorriso de estadista.

Bruno olhou para o copo e depois para o presidente. Uma expressão de nojo se formou em seu rosto.

"O que foi?" perguntou Hughes. "Você não gosta de refrigerante?"

Bruno empurrou o copo de volta na mesa, como se fosse radioativo.

"Não é o sabor," respondeu com frieza. "É o veneno com o qual é feito. Você sabe que sou acionista majoritário daquela empresa, não é? O que significa que conheço bem o quão tóxico esse líquido realmente é... Ainda mais com as pequenas quantidades de cocaína ainda misturadas."

Ele se inclinou, a voz ficando mais firme.

"Agora vivo limpo. Um copo de cerveja com a janta é o único vício que me sobra, embora de vez em quando eu tome algo mais forte com amigos. Mas você e eu não somos amigos. E eu preferiria beber ácido sulfúrico do que engolir aquela poção venenosa."

Pausa.

"Então, a menos que esteja tentando me assassinar, Sr. Presidente, sugiro que tire essa mistura nojenta da sua frente e vá direto ao ponto."

Hughes ficou tenso, com os lábios finos. Sem falar uma palavra, ele retirou o copo e pegou algo mais forte: uísque bourbon. Feito nos Estados Unidos. Serviu duas doses de um pouco mais de dois dedos, antes de dar um gole. Bruno não tocou em seu copo, pelo menos não ainda.

"Convidei você aqui," começou Hughes, "porque tenho uma solicitação. Uma que não confiaria a uma ligação telefônica ou a um telegrama diplomático... não depois do que aconteceu da última vez."

"Não é sobre o México," acrescentou rapidamente. "A guerra lá vai acabar em menos de um ano. Uma nova república vai surgir, subordinada a Washington, embora você agora não se importe, desde que seus capangas tenham cumprido suas missões."

Bruno sabia exatamente para onde aquela conversa estava indo e, por isso, seus lábios se curlaram numa expressão zombeteira.

"Mas você quer ajuda," ele disse. "Deixe-me adivinhar... reeleição?"

Hughes respirou fundo, cansado.

"Se você já sabe, preciso mesmo dizer em voz alta?"

Somente quando viu Hughes tomar um gole—sem que isso causasse qualquer efeito indesejado—é que Bruno finalmente levantou seu próprio copo e fez o menor dos goles, deixando o líquido repousar na língua.

Então veio o veneno.

"Sabe o que eu adoro em repúblicas como a sua?" Bruno disse, com os olhos brilhando com falsa admiração. "Elas são corruptas até a medula. E não de forma sutil, mas de modo escancarado, orgulhoso, sistemático."

Ele se recostou, saboreando cada palavra.

"Nunca aconteceria isso no Reich. Especialmente após nossas recentes reformas anticorrupção. Mas aqui? As eleições são um circo. Políticos lutam pelo poder, e pra onde eles vão buscar esse poder? Para o povo."

Ele pronunciou a palavra como se estivesse comendo algo podre.

"E, com a minha francamente desbocada honestidade, o povo é um bando de imbecis."

Hughes reagiu com uma careta, mas não disse nada.

"Eles leem uma única manchete... Só a manchete, e já acreditam como se fosse verdade absoluta, sem investigar mais. Depois, compartilham com os amigos, que inevitavelmente fazem o mesmo. Uma mentira, uma faísca de indignação, e de repente há uma tempestade. Uma onda de histeria coletiva que se precipita rumo às urnas."

Bruno fez um gesto relaxado, deixando o bourbon girar no copo.

"E de onde vem essa tempestade? Da mídia. Que agora eu possuo. Que seu sistema me permitiu comprar, um monarca estrangeiro. E agora você, presidente dos Estados Unidos, vem me pedir pra mentir por você. Para queimar seus inimigos com tinta e fogo."

Bruno deixou a ideia pairar por um breve momento, enquanto lançava um olhar de superioridade para o homem à sua frente, antes de prosseguir.

"Claro que eu faço isso," disse Bruno, com a voz carregada de alegria. "Porque o diabo que você conhece sempre é melhor do que o que você não conhece. E nós dois sabemos que será muito mais difícil para mim prender sua coleira no seu substituto, outro cão que tem a audácia de se achar rei…

Depois de tudo isso, Bruno se levantou, colocou o resto da bebida na mesa do presidente Hughes e o encarou enquanto fazia a próxima pergunta.

"Então, é só isso? Porque eu prefiro não passar mais um minuto nesse pântano de gordura que você chama de país."

Hughes conseguiu o que queria, mas o gosto na boca era amargo. Porque tudo que Bruno falou era verdade.

Ele fez um gesto silencioso em direção à porta.

Bruno saiu do Escritório Oval sem pressa. Mas, antes de partir, parou. Olhou por cima do ombro.

A alegria tinha desaparecido.

Sua expressão agora era fria, severa.

"Da próxima vez que fizer um pedido tão simples, será sábio ligar antes. Não gosto de perder tempo. E você não é importante o bastante para uma nova viagem pelo Atlântico."

Ele não esperou resposta.

Bruno saiu do Escritório Oval e fechou a porta atrás de si, deixando o presidente dos Estados Unidos a mesma inércia de quem cozinha na própria ansiedade.

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