Re: Blood and Iron

Capítulo 475

Re: Blood and Iron

Não passou muito tempo após Bruno ter encerrado sua reunião com o Kaiser e o Chanceler alemão que os membros do partido de esquerda e moderados do Reichstag se reuniram dentro do prédio.

Apesar de já passarem do horário oficial, estavam ali por um motivo único: mostrar solidariedade e apoio uns aos outros diante da hegemonia de longo prazo do Bloco Conservador e das supostas transgressões do Kaiser contra a constituição. Ou, pelo menos, sua percepção dessas ações.

Esses não eram monarquistas ou tradicionalistas. Não tinham amor nem lealdade ao Kaiser ou à pátria. Eram socialistas disfarçados—flanqueados por liberais clássicos e dissidentes sem nome, unidos apenas pelo seu desprezo comum pelo trono e pela tradição.

Não ligavam para como conquistavam suas riquezas ou quem tinham que esgotar até a morte para obtê-las. Por isso, as novas medidas anticorrupção—que incluíam revogar a lei de 1906, que transformava a política numa carreira remunerada e não numa atuação voluntária ao serviço do estado—tinham enfurecido esses reaccionários até o âmago.

O atual líder do Partido Social-Democrata, que ascendera pelas fileiras após as purgas anteriores feitas pela polícia secreta do Kaiser, era um liberal apenas no nome. Assim como o resto do seu partido.

Depois da Guerra Civil Russa de 1905, e do massacre de Bruno contra os Bolcheviques, a SDP sobreviveu à proibição do marxismo na Alemanha disfarçando-se de liberais e queimando qualquer membro que corresse risco de expor suas verdadeiras intenções.

O líder atual deles não era exceção. Na verdade, a única razão de estar ali era devido ao simples fato de ainda não haver evidências concretas de suas reais inclinações extremistas.

Isso permitiu que fosse eleito por indivíduos de ideias semelhantes, demasiado temerosos para revelar suas verdadeiras intenções. E agora, ele estava inflamando a ira dos outros políticos com seu discurso apaixonado.

"O Kaiser deve nos dar sua resposta até o anoitecer! Ou nós e nossos apoiadores vamos às ruas exigir o fim desta tirania de uma vez por todas!"

Punhos erguidos em sinal de solidariedade, e gritos de concordância ecoaram—até que uma única voz romper o fervor.

"Então, parece que minha menininha estava certa. É traição, então?"

Os membros do Reichstag reunidos se viraram, incrédulos, para ver o Kaiser de pé diante deles. À sua direita estava Bruno, agora com uma roupa mais apresentável, um uniforme de oficial militar oculto sob sua jaqueta de couro de piloto, que gritava que ele não tinha vindo como civil, mas como homem de guerra.

À esquerda de Wilhelm, estava o Chanceler vestido apenas com trajes civis. E ao redor do trio, agentes da polícia secreta do Kaiser, armados com os rifles protótipos StG-18k—estoques retráteis estilo HK-33A4, mobiliário de Bakelite, canos silenciados de 12,1 polegadas, e as novas lunetas fixas ZF-4 de 4x.

Os agentes, vestidos com fardas pretas, capacetes combinando, sobretudos de couro e braçadeiras com a bandeira do Reich, ainda não tinham levantado suas armas. Mas sua presença era suficiente para gelar a sala.

O grito cessou imediatamente, e o silêncio que se seguiu tornou-se sufocante. Somente o som da voz do Kaiser ecoando dentro do Reichstag pôde ser ouvido, enquanto ele levantava uma sobrancelha e perguntava novamente, com calma, mas firmeza.

"Estou enganado? Ou foi isso que ouvi: vocês conspirando para sair às ruas e marchar até a minha casa para forçar-me—o Kaiser—a ceder às suas demandas? Diga-me, Chanceler: sob as leis do país, tentar coagir o soberano é considerado traição?"

A voz de von Bethmann estava mais firme agora do que durante sua conversa anterior com Bruno. Ele tinha tomado sua decisão ali mesmo, e agora sabia que não haveria volta. Nem hesitou enquanto avançava para a conclusão dessa farsa de cerimônia.

"Certamente. Na verdade, não consigo imaginar outra interpretação para tais ameaças."

O líder dos Social-Democratas saltou do cabo onde estava de pé e avançou ameaçadoramente em direção ao Kaiser. Isso fez os agentes da polícia secreta abaixarem as armas e apontarem suas miras. Os safeties foram desativados. Dedo nos gatilhos. Em um instante, poderiam transformar aquele homem em vítima de acertadas balas.

Por sorte, ele parou, levantou as mãos—de forma zombeteira. Ganhando assim um momento de misericórdia."

"Sei que esse cão não agiu sozinho. Meus colegas de partido, suas esposas, seus filhos—massacrados em suas casas por sua ordem. Todos sabemos disso. Acredito que um monarca que ordena execuções extrajudiciais contra seus próprios cidadãos está cometendo a verdadeira traição aqui."

Wilhelm ficou rígido ao ouvir a menção à onda de mortes não autorizadas de Erich. Embora não soubesse na época, Bruno confessou posteriormente a verdade, tornando Wilhelm cúmplice ao encobrir a ação. Antes que o Kaiser pudesse responder, porém, Bruno avançou e colocou-se como escudo.

"O Kaiser não tinha conhecimento das ações de Erich. Foram feitas por minha ordem exclusiva. Eu poderia ter usado minha autoridade de guerra sobre a Feldgendarmerie para investigar seu partido e seus apoiadores por traição, mas isso daria tempo demais para vocês escaparem."

E não, Erich não agiu como um cão raivoso. A matança da sua gente e de suas famílias foi feita sob minha ordem explícita. A Bíblia diz: 'Não permitirás que bruxas vivam.' Para mim, vocês são parentes do diabo e seus parceiros de jogo."

"Vossa Majestade, esses homens confessaram abertamente na sua presença a intenção de incitar uma rebelião, a não ser que vocês se rendam às suas exigências. Isto não é mais negociação. É uma declaração de revolução. Reconhece isso como um ato de guerra contra seu reinado?"

O ambiente ficou frio—como se o inverno tivesse entrado na sala. Bruno deixou claro: esses homens agora eram inimigos do estado, combatentes hostis em tempos de guerra. Se o Kaiser concordasse, os agentes presentes poderiam abrir fogo. Bruno, como Reichsmarschall, sem dúvida, daria a ordem. E todos sabiam disso até os ossos.

Restava apenas uma questão: o Kaiser responderia à traição com justiça—ou com sangue?

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