Re: Blood and Iron

Capítulo 490

Re: Blood and Iron

Josef vestia um terno bem ajustado. Apesar de de excelente qualidade, não era de uma marca extravagante. Os materiais eram finamente tecidos e o acabamento era perfeito, mas Bruno nunca foi do tipo que gastava dinheiro com nomes apenas para aparecer.

Entre os oito filhos de Bruno, Josef era um dos dois que herdaram os cabelos ruivos, raros mas sempre presentes na linhagem da família. Estavam bem arrumados e penteados. Seus olhos cor turquesa reluziam no espelho enquanto sua mãe certificava-se de que ele estivesse perfeito para a reunião que se aproximava.

Heidi, sempre carinhosa, deu uma leve palmada em seus ombros, removendo invisíveis fiapos do tecido do terno bege de três peças. A gravata de seda rubi e o lenço no bolso tinham sido colocados com perfeição, embora ela continuasse mexendo neles por reflexo.

Josef mal se reconhecia no espelho. Raramente usava roupas tão formais, exceto em feriados importantes ou eventos familiares. Ainda assim, ali estava, todo ajeitado, igualzinho a um pequeno cavalheiro; porque aquilo não era apenas mais um jantar.

Enquanto Heidi ajeitava a gravata dele pela quinta vez, sussurrou no ouvido, com voz delicada mas séria:

"Agora, Josef… A jovem que você vai conhecer pode ser um pouco mais velha, mas ela é a duquesa de Hohenberg e sua noiva. É bom que lembre que ela perdeu ambos os pais em uma tragédia terrível. Portanto, aja com tato, como o pequeno cavalheiro que sei que você é."

Bruno, na porta, vestindo um casaco civil simples mas bem ajustado, levantou uma sobrancelha com tom de brincadeira impaciente.

"Heidi… O menino está bem limpo. A noiva dele espera há cinco minutos. Finalmente, ele está à altura do que você esperava?"

Heidi virou-se rapidamente, olhando para o relógio antigo ao lado. Sua expressão se embaraçou ao perceber que o tempo realmente tinha passado rápido. Ela deu uma última palmada em Josef e recuou.

"Desculpe, não percebi. Vá em frente, querido. Comporte-se."

Josef passou ao lado do pai com um aceno silencioso. Enquanto isso, Bruno se abaixou um pouco e, com um sorriso amarelo, falou:

"Agora, não conta pra sua mãe, mas acho que menti agora pouco. Sua namorada ainda não está esperando por você no local. Mas se eu tivesse que ficar mais um minuto vendo sua mãe passar a roupa do seu casaco, teria me forçado a dizer algo que não é adequado. E isso não seria justo, não é? Como você está se sentindo, meu filho?"

Josef hesitou, então respondeu honestamente, com aparência exausta:

"Isso vai ficar sempre tão cansativo assim?"

Bruno riu e colocou um braço sobre os ombros do filho.

"Filho… Você ainda não viu nem metade do que vem por aí. Seja grato por estar vivendo um namoro, e não pelo que acontece depois que as velhas tradições desaparecem. A 'alternativa' é um inferno que eu não desejaria nem ao meu pior inimigo..."

Josef não podia imaginar que seu pai se lembrava das loucuras do namoro no século 21, da sua vida anterior. Dos aplicativos. Das mentiras. Da solidão. Havia uma razão para Bruno nunca ter se casado naquele mundo. Nem desejava que aquilo voltasse.

Porém, Josef não precisaria passar por esse destino. Ele tinha algo que quase ninguém mais tinha: tempo. Ele não precisava seduzir ou impressionar em um jogo de alta aposta. Bastava amadurecer, ser uma pessoa decente e construir um relacionamento baseado na confiança mútua.

E com essa ideia, Bruno levou o garoto até o local reservado. Era um restaurante tranquilo e sofisticado em Innsbruck, alugado especialmente para o dia. Fiel à sua palavra, foram os primeiros a chegar. Os aperitivos já estavam dispostos. Os funcionários permaneciam de pé, atentos. A equipe de segurança de Bruno ficava por perto, garantindo que ninguém, nem funcionário nem outra pessoa, pudesse ameaçar o jovem casal.

Não passaram mais do que cinco minutos até a porta abrir. Sophie entrou, vestida com tanta elegância quanto Josef, se não mais. Sua família, afinal, não poupou despesas para que ela estivesse adequada para o encontro. Era um luxo que eles podiam pagar, e Karl estava disposto a investir para fazer esse noivado dar certo.

Ela estava deslumbrante, no jeito que uma garota mais velha parece para um rapaz que está começando a aprender o que é beleza. E, por isso, Josef ficou lá, quase com a boca aberta, enquanto sua ansiedade subia à tona. Sophie, por sua vez, parecia igualmente desconfortável.

Ela não tinha costume de conversar formalmente com crianças pela metade da idade dela. Mas, ao sentar-se diante dele, deu uma saudação graciosa, ensaiada.

"Acho que algumas apresentações são necessárias… Sophie von Hohenberg. É um prazer conhecê-lo. Acho que… daqui para frente, estarei sob seus cuidados…"

Seu rosto ficou corado no instante em que as palavras saíram de seus lábios. Sentiu-se estranha ao falar com tanta formalidade, sabendo o significado por trás disso tudo, para alguém muito mais jovem. Desviou o olhar e ajeitou um fio solto de cabelo na bochecha, um gesto simples que, de alguma forma, fez o coração de Josef acelerar ainda mais.

Josef tentou responder com a mesma formalidade, mas a boca falou antes do cérebro.

"Josef von Zehntner! Quer dizer, meu nome é Josef. E… o prazer é todo meu…"

Sophie riu suavemente, incapaz de conter sua diversão. O rosto de Josef ficou imediatamente vermelho.

De longe, Bruno e Heidi observavam com carinho e diversão. Bruno colocou o chapéu, um sorriso de canto surgindo no canto da boca.

"Ah… se pudesse voltar a ser jovem. E estar apaixonado."

Heidi revira os olhos.

"Você ainda não tem quarenta, querido. Não comece a fingir que é um avô já acabado."

Mesmo assim, ela não podia negar a dor silenciosa em seu coração, ao ver mais um dos filhos começar a crescer. No fim, o dia iria ser bom para Josef e Sophie. Nenhum gesto grandioso foi necessário, nem mesmo para impressionar.

Eles simplesmente se conheceram melhor, sozinhos, durante uma boa refeição em um restaurante agradável. Quando se despediram, fizeram uma promessa de se verem novamente na hora certa. Nada mais, nada menos. E, no mundo do namoro, isso já era considerado um sucesso.

E, embora Sophie tenha entrado esperando silêncio constrangedor, saiu com um leve sorriso, imaginando que tipo de homem o menino poderia se tornar um dia.

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