Re: Blood and Iron

Capítulo 388

Re: Blood and Iron

O casamento de Erwin marcou o início de uma nova era para a Europa e para o mundo. Assim como na vida passada de Bruno, também nesta o fim da Grande Guerra trouxe consequências de grande impacto—tanto para os vencidos quanto, de formas imprevisíveis, para alguns vencedores.

Com a guerra vencida e a demobilização em andamento, os soldados das Potências Centrais começaram sua longa jornada de volta para casa. Muitos retornaram às suas antigas cidades e vilarejos, buscando algum vestígio de estabilidade após anos vivendo no inferno do conflito.

No entanto, por mais que tentassem reintegrar-se à vida civil, não conseguiam escapar dos espectros das trincheiras—as batalhas vencidas, os irmãos perdidos, os horrores suportados. As cicatrizes da guerra não estavam apenas marcadas na pele, mas gravadas em suas mentes. E, para muitos, não houve um verdadeiro retorno à casa.

Bruno previu essa dura realidade muito antes do disparo inicial da guerra. Sabia que nem todas as feridas sangrariam abertamente e que as memórias da guerra seriam uma tortura para aqueles que a viveram. Mas uma ferida, em particular, ameaçava devorar gerações inteiras: o vício.

Para impulsionar o esforço de guerra, foi distribuída entre os soldados na linha de frente metanfetamina de grau farmacêutico. Era um estimulante eficaz, aguçando reflexos, anestesiando o cansaço e instilando uma coragem artificial nos enviados à carnificina. Contudo, como todo milagre da guerra, tinha um preço terrível: o vício.

Homens que antes avançavam ao fogo inimigo sem hesitar agora se via vulneráveis diante de um novo inimigo: a dependência química.

O alcoolismo, o abuso de narcóticos e o sofrimento constante causado pelo trauma estavam inevitavelmente ligados. Isso, se não fosse por uma visão antecipada de alguém.

Bruno garantiu, desde o começo, que o uso de metanfetamina no Exército alemão fosse rigidamente controlado. As doses eram monitoradas. A distribuição restringida apenas às linhas de frente, e qualquer soldado que demonstrasse sinais de dependência era imediatamente substituído e enviado a um dos centros de tratamento criados antes mesmo de a guerra começar.

Além disso, foram feitos investimentos significativos em pesquisas médicas, especialmente nas áreas de tratamento de dependências, trauma neurológico e transtornos psiquiátricos relacionados às experiências no campo de batalha. Os efeitos do Pervitin, da cocaína e de outras substâncias altamente viciantes foram estudados com rigor científico, e medidas preventivas integradas aos próprios programas de reintegração dos veteranos do Reich.

Ao lado disso, a esposa de Bruno, Heidi, por meio de suas vastas fundações beneficentes, desempenhou papel fundamental em aliviar as dificuldades enfrentadas pelos soldados que retornavam.

Foi a influência dela, e não de Bruno, que possibilitou sistemas de aposentadoria abrangentes, iniciativas de moradia estável e programas de emprego especializados para veteranos de guerra. Onde o estado não conseguia cobrir as despesas, a sua rede de famílias nobres entrava em ação, reforçando ainda mais a ideia de que aqueles de grande riqueza e poder devem servir ao povo.

Com seus esforços combinados, a Alemanha previu uma crise antes que ela pudesse se consolidar.

Por outro lado, enquanto os soldados de Bruno retornavam a uma nação que se preparara para recebê-los, o mesmo não podia ser dito da Áustria-Hungria.

Ao contrário do Reich, o Império Habsburgo distribuía Pervitin, heroína e cocaína aos seus soldados sem pensar nas consequências. Sem controles, sem centros de tratamento—apenas doses elevadas e palavras vazias de garantia de que a guerra logo acabaria.

Não ajudou o fato de, nos últimos anos do conflito, o império ter absorvido a Sérvia, uma decisão que agravou a violência étnica na Bósnia. A anexação, ao invés de unir, virou uma brasa que permanecia acesa—que, combinada à dependência em massa, à corrupção desenfreada e ao mercado negro em expansão, ameaçava consumir o próprio império pelas chamas.

Se o Alemanha fosse anexar a Áustria e seus territórios estratégicos sem romper laços com os Habsburgos, o colapso inevitável do império precisaria ser administrado cuidadosamente. E isso significava uma coisa: Bruno precisava de um líder para sua força de mercenários.

A força já tinha sido treinada, armada e financiada—uma unidade de operações secretas, desvinculada de qualquer instituição oficial, criada para trabalhos silenciosos que jamais poderiam ser reconhecidos pelo Reich. Mas ela ainda não tinha comandante.

Bruno adiou, adiou, recusando-se a escolher um sucessor por uma razão simples: ninguém era bom o suficiente. Ninguém tinha a brutalidade de Erich. Ninguém era tão leal até o fim. Ninguém era tão livre de moralismos.

O homem que ele precisava deveria ser o cão de guerra do Reich—capaz de travar guerras por procuração, reprimir rebeliões e realizar as execuções silenciosas que mantinham os impérios fortes. Essa não era uma função para qualquer soldado.

Bruno revisou arquivo após arquivo, nome após nome, mas nenhum se igualava à brutalidade de Erich—o monstro que Bruno foi forçado a eliminar. Achava que ninguém poderia ser digno.

Até que, numa noite, sentado sozinho em seu escritório, com uma garrafa de vodka na mão, seus olhos repousaram sobre um nome que uma vez ecoou na história. Um nome que não deveria existir nesta linha do tempo. Um homem que, em outra vida, esmagou revolucionários marxistas durante o caos que se seguiu à Grande Guerra.

Um homem que teve papel fundamental na ascensão do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Um homem que liderou a Bata de Tempestade e remodelou o cenário paramilitar político.

Ele não deveria estar ali. Ainda assim, lá estava, encarando Bruno de um papel amassado em suas mãos trêmulas.

"Ernst Röhm... Agora, esse é um nome que não ouço há muito tempo."

Bruno continuou devorando sua vodka por algum tempo, olhando fixamente para o rótulo com uma expressão vazia nos olhos. Por vários momentos, ficou em silêncio, entre o frasco e o documento à sua frente.

No fim, respirou fundo, colocando a garrafa na mesa e fechando a tampa, selando o líquido meia garrafa de vez. Feito isso, levantou-se rapidamente, levando o recipiente na direção da única porta que funcionava como entrada e saída do escritório.

Depois de apagar a luz e abrir seu caminho de fuga, Bruno suspirou profundamente, balançando a cabeça, e jogou a garrafa no lixo próximo à porta. Sua voz ecoou tanto na escuridão do escritório quanto no corredor fracamente iluminado além, embora as palavras fossem dirigidas a ninguém em particular.

"Que diabo... Não custa nada conversar com o cara... "

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