
Capítulo 377
Re: Blood and Iron
As negociações de paz aconteceram praticamente imediatamente após a rendição da República Francesa, enquanto a conferência para assinar o tratado de encerramento da guerra foi instalada em Versalhes, sob a vigilância cuidadosa do Exército Alemão para garantir que nenhum ato malévolo fosse cometido por quaisquer partes hostis à ideia de fim da Grande Guerra.
Bruno e os demais generais das Potências Centrais apareciam de forma visível em todos os jornais, rindo e aproveitando o tempo na cidade de Paris, como se tivessem vindo como conquistadores. Uma foto notável foi tirada pela imprensa, mostrando uma jovem mulher se jogando em cima de Bruno, enquanto ele, de forma bastante "violenta", a empurrava para fora do caminho e a repreendia como uma "prostituta vulgar".
No entanto, Bruno tinha uma particularidade nesse aspecto, pois os soldados de seu exército, assim como os de outras potências centrais, desfrutavam da companhia das mulheres locais, que, como sempre acontecia quando alguém invadia Paris, se jogavam na direção dos novos conquistadores.
Heinrich, vendo ali uma breve chance de reverter sua postura mais playboy, era frequentemente visto pelos repórteres com uma jovem em cada braço. Uma imagem que chegou a Berlim, fazendo tanto Heidi quanto Alya suspirarem, colocarem a mão na face e balançarem a cabeça diante da cena escandalosa do homem que era tão querido por ambas.
Para a família de Bruno, Heinrich era praticamente um tio. Talvez não tivesse laços de sangue com Bruno, mas estavam unidos pelo mesmo sangue derramado, um vínculo mais forte do que muitos que há entre irmãos biológicos.
E, naturalmente, isso se estendia a Heidi, que via Heinrich como se fosse seu cunhado, embora um cunhado especialmente descarado. Alya não conseguiu segurar um suspiro ao se levantar após enrolar a notícia de jornal e jogá-la no lixo.
Heidi não resistiu e fez um comentário sobre a educação da futura nora, pois o homem na segunda página era seu pai adotivo, que há muito tempo havia abandonado sua postura de playboy por ela.
"Bom, acho que, agora que você é mulher de verdade e vai se casar com meu filho, ele deve ter se adiantado um pouco e achado que seria uma boa oportunidade para reatar seu velho modo de ser, como um solteirão..."
Alya lançou um olhar severo para Heidi, enquanto uma frase arrepiante escapava de seus lábios perfeitamente curvados.
"Ah, não se preocupe, vou garantir que ele corrija esse comportamento errante antes de me acompanhar até o altar..."
Ela então fez uma transição perfeita entre alemão e russo, permitindo que seus verdadeiros pensamentos escapassem, sem perceber que Heidi já dominava o idioma russo há bastante tempo.
"Que homem estúpido e tolo!"
Alya só percebeu que sua patroa e futura sogra haviam entendido perfeitamente o que ela havia dito em um ataque de frustração quando a mulher começou a rir. Isso fez Alya girar bruscamente o pescoço, à medida que seus olhos arregalados olhavam para Heidi em horror, percebendo que sua explosão tinha sido totalmente compreendida.
No entanto, Heidi simplesmente admitiu isso com um comentário displicente, que só aumentou a sensação de vergonha da menina.
"Você fica tão fofa quando está nervosa... Não é de se admirar que tenha conquistado meu filho, mesmo sem uma herança decente. Tenho certeza de que, se você entrasse em acessos russos toda vez que ficaria um pouco irritada, isso seria profundamente encantador para ele..."
Alya parecia bastante nervosa, não por seu casamento iminente, mas porque seus pensamentos imediatamente se voltaram a um futuro incerto, às preocupações que ela acreditava que estavam por vir.
"Fico feliz que a guerra tenha acabado... Em mais dois anos, espera-se que Erwin seja convocado para servir, e eu não quero que ele esteja lá na Grande Guerra! Como você consegue lidar com Bruno... Sabendo do perigo que ele corre toda vez que sai ao seu lado, como consegue viver com isso? E se Erwin for chamado para a guerra nos próximos anos? Como vou conseguir suportar isso?"
Heidi apenas suspirou e balançou a cabeça, levantando-se e abraçando Alya em um gesto reconfortante, que não minimizava suas preocupações como tolas, mas as confirmava.
"Você tem toda razão, especialmente com o casamento se aproximando. Espero que esse dia nunca aconteça, e que Erwin sirva em tempos de paz, antes de deixar o serviço militar e buscar uma vida bem mais segura."
Bruno... infelizmente teve azar... Os irmãos dele conseguiram servir suas carreiras inteiras sem precisar lutar numa guerra... E, no entanto, ele é veterano de quatro delas... Essa última foi especialmente difícil... Para todos nós...
Mas duvido que você precise se preocupar com isso com seu marido, porque o meu já lutou e venceu as guerras por ele. Basta confiar que tudo ficará bem, e que, se um dia esse momento chegar, seu homem sobreviverá e voltará para você. É tudo o que você pode fazer..."
Alya só suspirou e assentiu, confiando que sua futura sogra tinha todas as respostas, afinal, ela já tinha passado por essas preocupações quatro vezes, cada vez maiores que a anterior.
Por isso, ela acabou agradecendo a Heidi antes de se afastar, pois tinha algo importante a resolver, algo que também ajudaria a acalmar sua mente e mudar seu foco para uma raiva mais irrefreável, que só uma mulher prejudicada poderia entender profundamente.
"Obrigada, mãe, mas posso ser dispensada? Preciso escrever uma carta bem enfática ao meu pai... Depois do... ato... que ele realizou em Paris. Ele precisa saber o quão encrencado se meteu antes de pôr os pés aqui em casa! Quero que ele tema voltar para mim..."
Heidi despediu Alya com um sorriso gracioso, mas logo ficou preocupada, como toda mãe quando se apegam aos filhos, enquanto expressava essas palavras em voz alta.
"Ai, ai... Acho que ensinei essa menina a ser um pouco demais, ou talvez seja só a natureza russa dela. Seja como for, Erwin, meu querido menininho... Talvez eu tenha dificultado sua vida de maneiras que nunca planejei, perdoe mamãe, pode ser?"
Embora Heidi dissesse isso em voz alta, ela não tinha intenção de alertar Erwin sobre o temperamento feroz de Alya, pois, na verdade, sentia-se profundamente culpada por ter ajudado a moldar essa característica na garota, e não poderia encarar seu filho se isso um dia o deixasse infeliz.
Por sorte de Erwin, ele herdou a personalidade firme do pai, que lhe permitiria enfrentar qualquer tempestade, por mais dura que fosse, e dominá-la como um verdadeiro mestre. Porém, talvez essa fosse uma lição que o rapaz precisasse aprender com o tempo, pois as batalhas do matrimônio não eram coisa que se ensinava na academia militar. Na verdade, só se conseguia se destacar nessas após adquirir bastante experiência pessoal no assunto.