
Capítulo 323
Re: Blood and Iron
Os Rothschilds tinham perdido duas ramificações de sua família em questão de meses. O ataque à sua filial austríaca foi um crime reprovável, mas após uma investigação aprofundada, acreditavam que se tratava na verdade de um ato de violência aleatória, já que o perpetrador não havia deixado nada que pudesse ligá-lo a uma conspiração maior.
Na verdade, Erich havia escondido tão bem seu envolvimento na onda de assassinatos que conseguiu montar uma armadilha, colocando alguém para pagar o pato por ele. Mas, após a chacina na filial dos Rothschild em Nápoles, ficou claro que eles estavam sendo alvos de um plano maior.
E não havia piedade sendo concedida a eles. Não apenas os homens eram baleados nas ruas, tinham a garganta cortada enquanto dormiam, ou, por azar, eram atropelados por trens. Mas as mulheres e crianças também não escapavam da violência.
Já era difícil determinar exatamente o motivo, mas os Rothschilds estimavam que uma conspiração grandiosa se esgueirava nas sombras — homens que já haviam tomado conhecimento de seus planos para desestabilizar o mundo e estabelecer uma hegemonia após isso.
Esses conspiradores alvo eram as pessoas à frente. Mas não eram apenas os Rothschilds que estavam morrendo de forma misteriosa; outros banqueiros, empresários, industriais, e assim por diante, também estavam sendo mortos de formas que só poderiam ser atribuídas a essa cúpula sombria.
No começo, os Rothschilds e seus conspiradores pensaram que talvez os homens envolvidos em tentar tirar a Inglaterra da guerra tivessem alguma ligação com quem os caçava como cães vadios, mas, com seu assassino sendo morto no meio da tentativa de eliminar altos oficiais britânicos, ficou evidente que quem os perseguia operava numa guerra clandestina de um nível muito superior ao deles.
Se a família, conhecida por financiar a ascensão dos Habsburgo, percebesse que um único homem estava matando dezenas, talvez centenas delas, poderia realmente ter um ataque do coração de tanta surpresa e raiva dessa realidade.
Talvez fosse porque Erich atuava sozinho que era quase impossível descobrir quem realmente estavam por trás desses ataques. Afinal, o homem tinha treinamento extenso em áreas militares, de polícia e de espionagem.
Um atirador de elite, com ampla experiência em explosivos, as habilidades de Erich eram quase feitas sob medida para a tarefa que Bruno lhe confiou. Ele nunca perguntava por quê tinha que matar tantos — muitas mulheres e crianças — nem recebia dinheiro por isso de forma oficial.
Não, Erich era uma fera acorrentada, e onde seu mestre apontava, ele atacava. Não havia mais nada nisso... Lealdade? Fortuna? Nada disso motivava sua mão ágil, que apunhalava os inimigos do Reich pelas costas.
Seu único motivo era a violência que lhe era permitida exercer. Portanto, o homem era perfeito para essa missão. Do tipo que preferiria morrer no fogo cruzado do que se render e revelar informações cruciais, se fosse necessário.
Por isso, Bruno tinha mantido Erich vivo, apesar de suas tendências rebeldes. Afinal, um cachorro louco tende a tentar se libertar das correntes se uma coisinha qualquer cruzar seu caminho.
Desde que ganhou o apelido de "Terror de Belgrado", Erich tinha mostrado a Bruno que era uma ferramenta valiosa, uma que podia ser treinada para matar seus inimigos nas sombras, quando chegasse a hora.
E essa hora era agora. Especialmente enquanto Erich se posicionava diante de um carro em chamas, que ele mesmo tinha colocado fogo. Evidentemente, o incêndio durava algum tempo, pois os corpos dentro já estavam completamente carbonizados, com carne e órgãos consumidos pelo calor extremo que levou suas vidas.
O que exatamente matou os ocupantes do carro? Essa era uma excelente questão — e Erich parecia ser a única pessoa que tinha a resposta. De qualquer forma, parecia seguro consumir algum vestígio, pois o homem puxou um charuto, acendeu-o na carcaça queimada, que, sem dúvida, já havia acionado uma resposta do corpo de bombeiros local.
Depois de fumar o charuto e olhar para sua obra com um sorriso sádico de satisfação, Erich virou-se e colocou seu boné, usando-o para esconder sua presença enquanto se infiltrava na escuridão, fugindo da cena do seu mais recente crime, numa sequência de assassinatos que atravessou a Europa.
Embora fosse extremamente difícil identificar os corpos, eventualmente a resposta viria à tona: Karl Artelt e Lothar Popp, os infames líderes do Motim de Kiel — que ajudaram na abdicação do Kaiserd e no colapso da Marinha Alemã, no fim da Grande Guerra — estavam entre os mortos no carro em chamas.
Poucos pensariam muito sobre suas mortes. Mas, quando Bruno leu os nomes no jornal, pôde riscar alguns da lista e assentir satisfeito, sabendo que seu louco estava cumprindo a missão com eficiência — especialmente por já ter atingido esse ponto na lista de alvos.
Para falar a verdade, a morte desses dois homens era insignificante para a linha do tempo, pois as condições para o início do Motim de Kiel já haviam sido evitadas.
Mesmo assim, Bruno não descansaria até que todos aqueles de sua vida passada — responsáveis pela derrota do Império Alemão na Grande Guerra e tudo que houve depois — fossem responsabilizados por seus crimes nesta nova realidade.
No fim, nunca se deve deixar um traidor viver, caso haja chance de eliminá-lo definitivamente. Fazer isso seria abrir espaço para uma nova traição, algo que Bruno era sagaz o bastante para impedir antes mesmo de acontecer.