
Capítulo 223
Re: Blood and Iron
Além do fluxo de homens feridos que eram encaminhados de trem para hospitais seguros atrás das linhas inimigas, o Reich operava, mais ou menos, de forma similar ao período de paz. Ou pelo menos no que dizia respeito à vida cotidiana dos civis.
A guerra estava indo bem até então para as Potências Imperiais, e por que não estaria? Elas haviam se preparado por muitos anos para esse conflito, de maneiras mais do que adequadas. Se havia uma coisa que Bruno mais se preocupava, era com o fato de que, naquele momento, ele não fazia parte ativamente da vida de seus filhos.
Tudo o que ele podia fazer era enviar cartas do front sempre que tinha tempo e meios para levá-las de volta à pátria. E por causa disso, seus filhos mais velhos, que estavam entrando na adolescência, ficavam, na maior parte do tempo, sem um pai para orientá-los adequadamente nesse período crucial de desenvolvimento.
Eva, em particular, tinha dificuldades, pois recebia constantemente notícias das colegas de escola sobre seus irmãos voltando da guerra feridos ou, pior, em caixões. Pelo menos metade de sua turma tinha pelo menos um membro da família afetado pelo conflito global em curso, e por isso, a jovem adolescente ficava bastante preocupada com a segurança do pai.
Além disso, como a filha mais velha, Eva muitas vezes ajudava a mãe, cumprindo o papel do pai ao auxiliar na criação dos irmãos mais novos. Se fosse apenas Heidi, ela, Erwin e Bruno, as coisas seriam mais fáceis.
Porém, ao longo dos últimos quatro anos, desde que Heidi e Bruno decidiram ter mais filhos, eles tiveram tantos quanto as revoluções solares que aconteceram. Isso significava que Heidi e Bruno tinham atualmente sete filhos, sendo Eva a mais velha, Erwin o segundo e Elsa a terceira.
No entanto, naquele momento, Eva estava em casa, folgando, pois sua mãe tinha compromissos de trabalho. Será que Heidi tinha deixado a criação dos filhos por conta da equipe da casa? Com certeza. Ela deixaria seus filhos à mercê de pessoas diferentes? De jeito nenhum!
Por isso, Eva estava cuidando de seus irmãos mais novos. Do segundo grupo de quatro, três eram meninos e um era uma garota, que era a mais nova de todos os filhos de Bruno e Heidi.
Atualmente, Eva estava repreendendo Josef, o mais velho dos três irmãos mais novos, enquanto o castigava por correr com lama por toda parte. Seus atos, é claro, incentivaram os dois irmãos mais novos a fazerem o mesmo, formando uma grande bagunça.
"Josef, Heinrich e Wilhelm! Juro por Deus no céu que se vocês não tirarem esses sapatos sujos agora, vai piorar quando a mamãe chegar em casa!"
Com o rosto sendo imediatamente castigado com uma conda de madeira pela irmã mais velha, Josef começou a fazer bico e chorar, fazendo sua maior "disputa de birra" enquanto bate os pés com os sapatos lamacentos no tapete.
Falar que Eva já tinha cansado das histórias de seus irmãos era pouco — ela quase perdeu a paciência, ficando séria enquanto se preparava para soltar as palavras mais duras e ofensivas de todas, de modo nada delicado.
Por sorte, Erwin entrou na sala e viu a bagunça toda, tendo acabado de chegar da escola e testemunhado o que seus irmãos tinham feito, amaldiçoando-os como se fosse um soldado no front de batalha, manifestando toda sua raiva.
"Ei! Seus fedidos! Vocês fizeram essa confusão toda?! Responde aqui agora, ou juro pelo que preferir que eu conto tudo pro velho quando ele voltar da Balkans! E sabe como o carinha lá costuma lidar com essas coisas?"
Eva interpretou errado qual dos pais seus irmãos temeriam, achando que era a mãe — que, ao contrário de Bruno, era extremamente rígida e tirânica com as meninas, mas com os garotos ela era toda mimos. E ela acreditava que Bruno era o oposto.
Por isso, ela não ameaçou os meninos menores com a raiva do pai, que raramente mostrava um lado tão feroz com ela ou suas irmãs. Surpreendentemente, a reação deles foi rápida: removeram os sapatos e as meias, se postaram de pé e fizeram uma reverência com uma desculpa formal.
"Por favor, nos perdoe!"
Claro que Erwin sabia exatamente qual punição seu pai tinha preparado para ele se fizesse algo tão absurdo, e, por isso, logo deu uma lista de tarefas aos três garotos, sendo que apenas Josef tinha idade suficiente para fazer tarefas mínimas sem ajuda da equipe da casa.
"Vocês, pequenos imbecis, vão arrumar essa bagunça que fizeram, e não me interessa quanto tempo levar. Se eu ouvir falar que vocês estão de um lado para o outro, deixando as empregadas fazerem todo o trabalho, eu faço vocês pintarem as paredes da mansão até o último fio de tinta!"
Alya apareceu na sala justamente enquanto observava Erwin repreendendo os irmãos, como se tivesse absorvido a energia do pai ausente, o que a fez rir ao ver o garoto adolescente se esforçando para agir como um adulto responsável.
Ela se aproximou por trás de Erwin e passou a mão nos cabelos dourados dele, zombando dele na frente dos irmãos, algo que Eva achou completamente desagradável vindo da sua irmã mais velha — sua madrinha.
"Calma, calma, pequeno, não seja muito duro com esses gêmeos. São só crianças, afinal; provavelmente nem sabem o que estão fazendo. Que tal eu e você ajudarmos eles para não transformar essa situação em algo maior do que realmente é?"
As bochechas de Erwin ficaram levemente coradas, e ele virou o rosto, envergonhado demais para falar alguma coisa. Enquanto isso, Eva instantaneamente cerrava os punhos e fazia bico, interrompendo o irmão antes que ele aceitasse a sugestão da madrinha, agarrando seu braço e puxando-o dali.
"Desculpa, Alya, mas o Erwin prometeu que ia me ajudar hoje! Se você quiser ajudar os garotos a arrumar essa bagunça, pode fazer isso você mesma! Vamos, Erwin!"
Erwin ficou sem palavras. Não se lembrava de ter feito tal promessa para a irmã mais velha e até duvidou de sua própria memória enquanto era puxado pela madrinha.
"Espera, Eva! Espera aí!"
Alya apenas tocou a bochecha com a palma da mão, comentando de forma meio carinhosa toda a cena, o que fez Eva franzir a testa, mostrar a língua e fazer careta para a mulher mais nova enquanto ela e Erwin cruzavam a esquina.
"Nossa, que coisa mais fofa... Ela está morrendo de ciúmes!"