Re: Blood and Iron

Capítulo 189

Re: Blood and Iron

Caridade? Com certeza esse não era o tipo de solicitação que Bruno imaginava que Heidi faria. Ele tinha consciência, mesmo que em parte, dos demônios internos que sua esposa enfrentava a cada dia. A experiência humana era repleta de sofrimento, e suportar esse sofrimento era uma tarefa que todos nós devíamos cumprir.

Ao longo dos anos, Bruno fez tudo ao seu alcance para ajudar sua esposa a superar os desafios que enfrentou na infância e na juventude. E, em grande medida, ela evoluiu bastante. Só manifestava suas tendências psicóticas e possessivas quando uma ameaça surgia diante dela ou de sua família.

Por isso, ele imaginava que ela pediria que ele matasse o Príncipe Regente da Baviera. Bruno era do tipo de homem que estaria disposto a dar sua vida, se necessário, para proteger a esposa e os filhos. Ora, ele não hesitaria em tirar a vida de milhões de homens se estes ameaçassem seus entes queridos.

Porém, matar o Príncipe Regente da Baviera era uma atitude que não servia a nenhum propósito além de atrair desgraça para sua família. E, ciente dessa dura realidade, Bruno estava prestes a rejeitar sua esposa, não só para proteger o futuro de seus filhos, mas também a alma de sua esposa.

Porém, a mulher o surpreendeu completamente com seu pedido. Em vez de buscar vingança, o que seria um caminho que condenaria todos eles, ela buscava redenção, um recomeço, uma oportunidade de fazer o bem de verdade no mundo e ajudar os menos favorecidos.

Foi, sem dúvida, um pedido incomum, mas também muito bem-vindo. Bruno imediatamente abraçou Heidi com força, acariciando seu cabelo sedoso de ouro como se fosse uma de suas filhas. E, em um sussurro suave, garantiu que ela teria todo o dinheiro e apoio necessários para conduzir essa empreitada.

"Você quase me deu um susto. Achei que, com a forma estranha como vinha agindo, você iria me pedir algo que eu não pudesse atender! Quer começar uma instituição de caridade?

Acho essa uma ideia maravilhosa. Qualquer coisa que precisar, seja dinheiro, mão de obra ou recursos, é só pedir que eu darei. Afinal, tudo que possuo nesta vida pertence à nossa família."

Heidi não pôde deixar de apertar Bruno com força. Essa atitude ajudou a aliviar qualquer raiva, ódio ou tristeza que ainda grudavam no fundo do seu coração.

Depois de abraçar seu marido por mais tempo do que gostaria de contar, ela recolheu as crianças, dando a elas a mesma quantidade de carinho, e garantiu que estava bem, apesar do jeito estranho com que vinha se comportando desde que aquele velho decadente pediu para falar com ela.

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O grau de influência que Bruno tinha sobre a sociedade era verdadeiramente assustador. Com uma palavra sua, milhares de homens e mulheres começaram a se mover ao ritmo do seu comando. O dinheiro começou a fluir, e com ele surgiu a criação de uma nova instituição beneficente.

Uma que foi criada para ajudar os menos favorecidos na sociedade alemã. Comida, remédios, moradia, reabilitação. Quem precisasse de ajuda para obter qualquer um desses itens para si ou para a família, só precisava procurar a instituição de caridade que Bruno e Heidi ajudavam a organizar juntos.

Claro que era preciso provar que não estavam simplesmente se aproveitando da boa vontade alheia, mas que realmente buscavam melhorar suas vidas.

Enquanto Bruno disponibilizava os recursos para a organização, Heidi era a mente por trás do funcionamento diário, usando seu tempo livre entre cuidar do marido e das crianças para organizar as ações da instituição.

Bruno já tinha uma reputação bastante sólida entre as massas. Tratava bem seus funcionários e oferecia produtos de qualidade por uma fração do preço, em comparação com os concorrentes.

Ele era um empresário, mas isso não significava que Bruno fosse um homem ganancioso. Não havia motivo para cobrar preços exorbitantes de seus produtos. Algo que muitas corporações não entendiam de sua vida anterior. Era preciso equilibrar margens de lucro com volumes de vendas. E Bruno jamais sacrificaria o volume pelo lucro.

De forma surpreendente, um homem familiarizado com organizações de ajuda humanitária rapidamente se ofereceu para ajudar de qualquer maneira possível. Embora fosse um oficial em serviço ativo do Exército Alemão, tendo agora o posto de Coronel, Heinrich Koch atuava como membro do conselho diretivo da nova instituição beneficente de Heidi.

Ele trouxe uma expertise adquirida durante seus dias na Rússia, especialmente no que dizia respeito à distribuição, garantindo que os produtos chegassem constantemente às mãos de quem precisava. Como um relógio suíço bem feito, funcionava sem falhas.

Por causa disso, a reputação da família de Bruno aumentou consideravelmente, não só a de Bruno, Heidi e seus filhos. Até mesmo parentes afastados começaram a ser vistos como uma família beneficente, apesar de sua riqueza ser fruto diretamente da indústria bélica.

Tanto que, quando chegou a hora de novamente reunir a família von Zehntner, Bruno era tratado como se fosse o herdeiro aparente. Até seus irmãos mais velhos, Franz e Christoph, que durante a juventude negligenciaram o seu irmão mais novo, tratavam-no como o mais importante de todos os irmãos.

Apenas Maximilian ainda tinha alguns resquícios de desprezo por Bruno. Nem se dava ao trabalho de chegar perto do caçula, pois a fama de Bruno na família atingira novos patamares. Bruno e Heidi eram cercados pelos irmãos de Bruno e suas esposas, que lançavam elogios ao casal, como se toda a atenção fosse deles.

Isso até o momento em que o pai de Bruno finalmente pediu um tempo a sós com o filho.

"Chega, já deu. Franz, Christoph, quero que vocês acompanhem seu irmão mais novo e fiquem de olho nele. Não sei por quê, mas tenho a sensação de que Max vai fazer alguma coisa muito idiota se deixar ele por conta própria…"

Ao ouvirem a voz do pai, os dois mais velhos, integrantes dos nove irmãos von Zehntner, trataram a ordem como se fosse a lei. Concordaram com a cabeça para o pai e fizeram uma reverência ao senhor da família, antes de correrem para fazer o que foi ordenado.

Quanto aos outros irmãos, eles também se despediçaram com as esposas, deixando Bruno sozinho com o pai e a esposa. Naturalmente, o velho demonstrou respeito por Heidi, única das nove noras com quem tinha uma relação mais próxima, tratava-a como uma filha de sangue que nunca chegou a ter.

"Heidi, minha querida, posso falar com seu marido sozinho?"

Bruno levantou uma sobrancelha ao pai e olhou para ele, que parecia questionar se era o genro ou a filha. Ao mesmo tempo, Heidi riu e fez uma reverência adequada, garantindo ao sogro que ele tinha sua permissão.

"Claro, tenho certeza de que meu amado marido adoraria conversar com meu pai…"

Depois de falar isso, Heidi se curvou mais uma vez, saiu de perto com um sorriso no rosto que lançou para Bruno, fazendo ambos rirem. Até que o pai de Bruno suspirou e fez um comentário sobre a mulher.

"Ela herdou o senso de humor da sua mãe… Bem, Bruno, gostaria de conversar contigo em particular. Seu escritório serve?"

Bruno nem quis falar sobre o quanto sua esposa e sua mãe eram parecidas, e imediatamente seguiu para seu escritório, demonstrando respeito e boas maneiras ao fazer isso.

"Depois de você, pai…"

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