Assassino Atemporal

Capítulo 850

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, Planeta Ixtal, o Antigo Castelo de Pedra, ponto de vista de Soron)

Soron permanecia sozinho nos aposentos de treino externo do antigo castelo de pedra, ponderando silenciosamente se deveria realmente tentar treinar ou não, a dúvida pesando em sua mente enquanto o ar frio pressionava sua pele decadente.

— Hah—

Um suspiro profundo escapou de sua garganta enquanto ele soltava uma risada suave, observando o estado miserável ao qual seu corpo outrora poderoso tinha sido reduzido, com a respiração tremendo enquanto ele reconhecia aquilo que tentava há tanto tempo ignorar.

Sua pele agora pendia frouxamente dos ossos, afundando-se fracamente a cada movimento, enquanto manchas de uma gosma preta espessa escorriam lentamente das inúmeras feridas abertas há muito tempo pela amaldiçoada Adaga de Origem, pois neste estágio não havia uma única articulação em seu corpo que não pulsasse com uma dor incessante, cada pulsaçãorelembrando-o do quão longe havia caído de ser o guerreiro que costumava ser.

— Eu realmente não quero me mexer mais do que o absolutamente necessário.

Porém… Papai sempre dizia que, para um lutador permanecer na sua melhor forma, ele precisa treinar todos os dias.

Soron murmurou baixinho, abaixando o olhar com dificuldade para pegar uma adaga de madeira que jazia perto de seus pés, seu peso leve como uma pluma encaixando-se surpreendentemente bem em suas mãos fracas, enquanto seus dedos enrolavam-se ao redor do cabo com uma familiaridade que achava ter perdido, seus olhos cansados se aguçando imediatamente ao perceber que uma arma encontrava seu lugar na sua posse.

*Inalar*

Ele respirou lentamente, deixando o ar frio preencher seu peito oco, enquanto levantava a adaga ao lado de suas costelas, exalando ao mesmo tempo em que avançava com um simples golpe de estocada, base para toda técnica de perfuração do tempo que já dominara.

*Thuk*

A ponta da lâmina de madeira cortou para frente com um som abafado, mas Soron sentiu seu cotovelo toda pulsar com uma dor aguda, como se um prego tivesse sido martelado diretamente na articulação, seus joelhos vacilaram levemente enquanto ele cerrava os dentes, a antiga sensação de feedback temporal falhando ao seu redor.

— Muito lento, — pensou em silêncio, abaixando a adaga com a decepção acumulada em seu peito, pois, apesar de tentar o movimento mais básico, sentia o ar sair do ritmo, escapando pelas rachaduras na sua aura enfraquecida ao invés de contorná-la com a obediência que uma vez demonstrara.

— Meu estado básico não tem mais força nenhuma, só quando aciono a essência divina é que a dor e o cansaço desaparecem e consigo manter minha força de nível divino. Mas sem ela… —

Soron murmurou enquanto tentava novamente.

*Thuk*

A segunda estocada caiu um pouco mais limpa, mas assim que o golpe se estendeu completamente, uma enxurrada de gosma preta escorreu das cicatrizes rasgadas de seu ombro enquanto o resíduo amaldiçoado crepitava levemente contra sua pele, e sua visão chegou a oscilar por um momento sob o esforço de manter a postura.

*Tud*

Soron se estabilizou apoiando-se de forma mais firme no chão de pedra rachada, sua respiração agora mais pesada enquanto forçava seus músculos a obedecer, porque cada fibra do seu corpo parecia rígida, sem resposta, como se estivesse tentando comandar um cadáver, não um ser vivo.

— Não… de novo! — pensou, levantando novamente a adaga.

*Thuk*

*Thuk*

*Thuk*

Cada repetição ficava mais fraca, suas mãos tremendo violentamente, mas Soron se recusava a parar, pois sabia que a verdadeira essência do treinamento não residia na velocidade ou na força, mas na perfect harmonização com os pontos de afinamento da membrana temporal, algo que uma vez ele percebeu instintivamente, mas agora lutava para sentir através da névoa da dor que nublava seus sentidos.

*Fôlego*

*Fôlego*

Sua respiração ficou ofegante enquanto pausava entre as estocadas, o suor misturando-se com a gosma preta que escorria pelo seu torso, enquanto o cansaço puxava seus membros pesadamente, arrastando-o em direção ao chão como correntes invisíveis.

— Patético — murmurou Soron baixinho, balançando a cabeça com descrença pelo quão longe tinha caído, já que houve um tempo em que exércitos inteiros congelavam ao testemunhar seus treinamentos de perfuração do tempo, um tempo em que cortava Demi Deuses inimigos como se fossem de porcelana frágil, um tempo em que até seu próprio pai caminhava com cuidado ao lado dele durante os treinos.

Mas agora mal conseguia levantar uma adaga de madeira sem que seu corpo tremesse.

— Será que minha última resistência foi há muito tempo? — pensou, respirando fundo desta vez, deixando o ar repousar no peito enquanto repetia o movimento com renovada concentração, decidido a não deixar a decadência de sua carne ditar o estado de sua vontade.

*Swoosh*

Finalmente apareceu uma leve ondulação, pouco mais que uma distorção no canto de sua visão, mas suficiente para apertar seu coração com uma esperança tênue, pois parecia que a membrana temporal o havia reconhecido, ainda que por um momento.

Porém, o preço até mesmo daquele pequeno sucesso foi imediato.

Seus joelhos fraquejaram ao sentir dores agudas por toda ferida onde a maldição da Adaga de Origem tinha penetrado profundamente, as veias negras pulsando violentamente sob a pele como se tentassem se rasgar, forçando Soron a cair de joelhos, enquanto a adaga caiu fracamente no chão ao seu lado.

Sua respiração ficou ofegante enquanto seus dedos se cravavam na pedra em busca de apoio, suas ideias tentando se manter claras apesar da dor vertiginosa que inundava sua mente.

— Este corpo… realmente está chegando ao limite — admitiu silenciosamente, levantando sua mão trêmula na direção da adaga caída, decidido a continuar apesar da dor que o pesava como ferro derretido.

Conseguiu pegar novamente, embora sua pega estivesse quase firme, a empunhadura de madeira escorregando levemente entre seus dedos enfraquecidos, mas mesmo assim seus olhos se aguçaram mais uma vez com a teimosia que o levou através das guerras mais sangrentas do universo.

Porque, apesar de tudo que perdeu, de toda podridão que o consumia por dentro, do fato de saber que se tornara uma sombra tênue do guerreiro que fora, ele se recusava a deixar seus últimos dias passarem em decadência impotente.

— De novo… — murmurou, levantando novamente a adaga.

*Swoosh*

Seu golpe vacilou violentamente, rasgando mais uma linha de fluido preto de suas costelas, mas Soron não hesitou, pois não treinava para derrotar Kaelith, nem para vencer uma batalha futura.

Ele treinava para que, quando chegasse a hora de confrontar a verdade do que o aguardava, pudesse enfrentá-la de pé, ao invés de rastejar; lutando ao invés de se render; inteiro ao invés de ser esquecido.

— Se eu não puder voltar ao meu auge — disse Soron em um sussurro, levantando a lâmina novamente — pelo menos… não encontrarei meu fim como um covarde.

Ele decidiu, mesmo que seu próximo golpe fosse mais fraco, mesmo que sua próxima respiração fosse mais difícil, pois por trás de cada movimento permanecia uma vontade forte o suficiente para sacudir o universo, uma vontade que se recusava a morrer, mesmo que o corpo que a carregava já começasse a desaparecer.

Enquanto treinava sob essa vontade, Soron sentiu algo quieto se estabelecer em seu coração, algo quase pacífico.

Por conseguinte, pela primeira vez em muitos milênios, sentiu-se novamente como ele mesmo.

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