
Capítulo 610
Assassino Atemporal
(A Sala de Guerra, ponto de vista de Su Tang)
Após todos aceitarem o fato de que Su Ren poderia estar morto, a conversa seguinte sobre quais territórios proteger e quais abandonar tornou-se a maior briga familiar que a Família Su já presenciou.
"Abandonar setenta por cento do nosso território?" — rosnou um comandante mais velho, batendo os punhos na mesa enquanto faíscas de mana brilhavam de seus nós dos dedos. "Você ouve o que está dizendo, Tang? Meu ramo sustentou Kaelun por dozecentos anos. Cada pedra daquele planeta foi construída pelas mãos de Su, cada rio foi manchado com sangue Su. Eu não irei abandoná-lo."
"Você acha que Kaelun é mais importante que Shuro?" — interrompeu-outro comandante de forma firme, suas túnicas carmesim tremulando enquanto sua aura ficava mais intensa. "Os ossos da minha família descansam naquele planeta. Se o Clã Su tiver que recuar, outros podem ceder terreno primeiro. Shuro fica nas nossas mãos."
A sala explodiu em vozes sobrepostas, cada comandante lutando pelo planeta de seu ramo, todos relutantes em abrir mão do que cultivaram por séculos.
Alguns invocaram os nomes e contribuições de seus ancestrais, outros ressaltaram o valor estratégico, enquanto muitos simplesmente se recusavam por orgulho ferido.
"Eles vão nos exterminar se puxarmos forças demais..."
"Não estão vindo especificamente atrás de mim ou de você, mas do nome Su como um todo!" — interveio Su Tang, elevando a voz, embora quase fosse abafado pela tempestade de protestos.
"Não podemos defender todos os mundos. Contra cinco clãs ao mesmo tempo, permanecer em tudo é convidar a destruição."
Ele alertou, mas o orgulho cegou os seus clanistas.
Como poderiam abandonar facilmente o que sustentaram por tantos séculos?
Pois, mais do que nunca, não consideravam seu status de governantes um privilégio, mas sim um direito de nascimento.
"Meus homens prefeririam morrer de pé no solo de Tenlung do que se esconder na terra de outro," declarou um de seus tios, com olhos flamejantes.
"E quanto aos civis de vocês?" — retrucou Su Bal, sua voz rompendo o tumulto.
"Vocês vão deixá-los serem massacrados junto com seu orgulho? Vão permitir que todo homem, mulher e criança que jurou lealdade a nós se transforme em cinzas porque vocês não querem abrir mão de uma terra?"
Ele falou, sua voz fez a multidão silenciar por um instante, embora a raiva ainda fervesse sob a superfície.
"Sejamos realistas... Temos algumas semanas, talvez um mês, mas não mais que isso.
Os cinco grandes clãs já deveriam estar se preparando para a logística da guerra, e eles vão agir em breve.
Portanto, nos restam poucos dias para retirar nossos bens valiosos de nossas terras, e extrair cada talento que possamos levar para um local seguro.
Este NÃO é o momento de brigar internamente.
Eu sou o primeiro a dizer: estou pronto para abandonar o Planeta Nemo se isso for pelo melhor interesse do Clã.
E sugiro que o restante de vocês faça o mesmo." — disse Su Bal, tentando soar razoável. Mas, infelizmente para ele, a razão não acalmou o orgulho ferido.
Após seu discurso, as discussões reacenderam, com comandantes exigindo saber quais planetas seriam escolhidos, suas vozes elevando-se de indignação ao pensar na possibilidade de seus planetas natais serem os primeiros sacrificados.
Apontaram dedos, trocaram acusações, e logo a sala de guerra se encheu com o som de a linhagem Su se destruindo diante da extinção.
Su Tang sentiu o peso da liderança pressionando-o como uma avalanche.
Ausência de seu pai, traição dos clãs, a sobrevivência de seu povo—tudo repousava sobre seus ombros.
E ele não tinha certeza do que fazer.
*BAM*
"Chega!" — sua voz retumbou na câmara, sua palma descendo com força sobre a mesa enquanto a força de sua aura se propagava, silenciando o local.
Seu rosto estava pálido, mas seus olhos ardiam com a autoridade do Patriarca.
"Não temos força para discordar. Cada momento perdido aqui é mais um instante em que os lobos se preparam para rasgar nossas fronteiras.
Todos vocês querem proteger suas casas, eu entendo, mas se nos apegarmos ao orgulho, vamos perder tudo.
Vamos evacuar o que pudermos, retirar os recursos e vidas dos planetas periféricos e consolidar ao redor de Su Prime, Veyra, Kotal e Mitrava.
Aqueles quatro mundos vamos defender até o último suspiro. Os demais... abandonamos."
Novamente surgiram murmúrios, mas ninguém ousou desafiá-lo abertamente.
Sua decisão era um sentença de morte para dezenas de planetas sob controle de seus ramos, mas era o único caminho que garantiria a sobrevivência do Clã Su como um todo.
As mãos de Su Tang tremeram debaixo da mesa, invisíveis aos outros, mas sua voz permaneceu firme.
"Se vocês não aceitarem minha decisão, saiam desta câmara. Mas, se permanecerem, obedecerão às minhas ordens.
A partir de agora, não somos mais famílias separadas com exércitos independentes.
Somos todos o Clã Su, e o universo é nosso inimigo."
A sala ficou em silêncio novamente, os veteranos trocando olhares desconfortáveis, o orgulho desangrando-se numa aceitação relutante.
Todos sabiam a verdade.
O Clã Su não sobreviveria se tentasse segurar tudo.
Mas abrir mão do que tinham construído com tanto carinho era mais fácil falar do que fazer.
"Se enviaram seus herdeiros para outros planetas para estudar ou treinar, chamem-nos de volta.
Não estão mais seguros se continuarem em território inimigo.
E trabalhem duro para eliminar todos os espiões ou infiltrados que possam passar informações internas do clã para o inimigo.
Não contaremos ao povo que o Deus do Clã Su morreu até o último dia.
Porque o surto de histeria geral só vai atrapalhar nossos passos.
A partir de agora, estamos sozinhos, e não fazemos mais parte da Aliança Justa." — concluiu Su Tang, encerrando a reunião de emergência familiar.