Assassino Atemporal

Capítulo 951

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, dentro do coração do Chakravyuh, visão de Soron)

Ao longo de sua longa vida, Soron se lembrava claramente de ter participado de algumas das batalhas mais sangrentas e brutais que a história já presenciou.

Porém, tudo que ele tinha passado até então parecia insignificante diante da dificuldade que enfrentava naquele momento, pois de todas as batalhas que travara — como mortal ou como Deus — nenhuma tinha sido tão difícil quanto aquela de hoje.

*Ofegante*

*Ofegante*

*Bloqueio*

Ao bloquear mais um golpe de Helmuth, Soron recuou seu corpo, enquanto antigas feridas e tornozelos mancos o atingiam. Seu corpo ameaçava perder completamente o equilíbrio, mas sua vontade fazia com que continuasse de pé, resistindo.

'Ainda não... não agora….'

Pensou, atento ao progresso de Leo ali perto, além do anel interno do Chakravyuh, e percebeu que o garoto faltava menos de uma hora para atingir o núcleo.

'Tenho que aguentar até ele chegar….'

Soron decidiu, enquanto mantinha sob controle a pressão crescente por três frentes distintas.

Do ponto de vista técnico, era um verdadeiro milagre ele estar resistindo até ali na luta sem adquirir ferimentos graves novos, pois seus adversários eram alguns dos deuses mais poderosos do universo. No entanto, o motivo pelo qual ele conseguia ainda assim segurar-se não era tanto por seu mérito, mas porque os deuses inimigos eram terríveis em trabalhar em equipe.

Helmuth lutava como uma tempestade encarnada, seus golpes de machado largos e devastadores, cada ataque com força suficiente para despedaçar construções divinas. Ainda assim, seus movimentos eram bruscos e previsíveis, movidos pela fúria, não pela coordenação, e ele frequentemente se estendia demais, deixando brechas que Soron aproveitava para escapar.

Já Mauriss lutava com uma crueldade oportunista, seu pedaço de metal de origem vindo sempre que detectava fraqueza, embora seu timing fosse irregular, pois priorizava perturbar mais do que acertar na mosca, muitas vezes forçando Helmuth ou Kaelith a ajustarem seus movimentos na metade de um ataque, só para evitar serem atingidos pelo próprio aliado.

Enquanto isso, Kaelith, sendo o combatente mais racional, tendia a cercar o espaço pessoal de Soron, e embora não interrompesse os outros, sua postura muitas vezes deixava pouco espaço para Helmuth ou Mauriss atacarem os pontos vitais de Soron, acabando por se tornar um escudo involuntário para ele.

Os três pilares do Governo Universal, embora individualmente extremamente perigosos, não conseguiam transformar essa força em verdadeira coordenação, e foi justamente a falta de coesão deles que permitiu a Soron resistir por um tempo muito maior do que deveria.

*Bloqueio*

*Passo*

Essa falha se manifestou claramente no campo de batalha, onde seus ataques se atrapalhavam em momentos críticos: o machado de Helmuth repetidamente impedia Mauriss de terminar golpes fatais, enquanto o pedaço de metal de Mauriss interrompia as linhas de ataque de Kaelith, e a postura de Kaelith, por sua vez, obrigava Helmuth a conter seus golpes para não atingir um aliado involuntariamente.

*estrondo*

Soron desviou o machado de Helmuth no último instante, deixando a lâmina arranhar seu ombro de propósito, enquanto a dor se intensificava e o sangue começava a escorrer, mas a ferida logo começou a se fechar, sua regeneração entrando em ação de forma extremamente eficiente.

Era um preço que ele estava disposto a pagar.

O machado de Helmuth doía, mas a dor não permanecia.

Já as facas de Kaelith machucavam de verdade.

*SOM*

*Passo*

Soron se virou de lado, afastando-se de uma lâmina que descia, sentindo o ar deslocado do golpe de Mauriss passar rasante pelas suas costelas, enquanto a arma atingia o chão atrás dele, obrigando Mauriss a fazer força para arrancá-la do solo com um grunhido de irritação.

"Fica parado aí, seu idiota," — ralhou Mauriss, com uma voz afiada pela frustração crescente.

Soron não respondeu, pois falar exigia respirar, e respirar era um recurso que ele não podia desperdiçar enquanto três deuses tentavam destruí-lo ao mesmo tempo.

"ARGHHHHH—"

Helmuth rugiu e avançou novamente, seus passos batendo forte contra as pedras, enquanto se aproximava. Soron ajustou sua postura apenas o suficiente para que o machado passasse perto, obrigando Kaelith a pausar seu próprio ataque por uma fração de segundo para evitar ser atingido.

"Controle-se," — afirmou Kaelith friamente, irritação evidente em seu tom, apesar de sua compostura manter-se.

"Não me diga como lutar," — retrucou Helmuth, avançando sem medo, os ombros colidindo enquanto sua força se encontrava com a de Soron.

*Tchun*

Esse instante foi suficiente.

Soron se esgueirou entre eles, mantendo as lâminas baixa e firme, enquanto reposicionava seu corpo com o mínimo de movimento, preservando força e forçando os três a se reorientarem novamente, sua falta de coesão lhes garantindo mais um segundo de sobrevivência.

*Ofegante*

Sua respiração ficou mais pesada, o peito ardendo enquanto a fadiga se aprofundava nos seus membros, e feridas de séculos protestavam contra o esforço de se manter em movimento constante. Ainda assim, Soron continuou, porque parar significava morte, e morte representava o fim de tudo pelo que seus seguidores do Cult lutavam fora daquele círculo.

Kaelith foi o primeiro a ajustar sua postura.

Suas facas brilharam, cortando a brecha que Soron tinha acabado de deixar, obrigando-o a torcer forte para o lado, com músculos gritando enquanto seu pé escorregava na pedra quebrada.

Helmuth logo em seguida, com o machado vindo em um arco vertical brutal, e Soron levantou suas duas lâminas para se defender, o impacto vibrando através dos seus braços e sacudindo seus ossos.

*Estalo*

Soron cambaleou, a dor se espalhando pelos antebraços, enquanto sua resistência ameaçava se romper pela primeira vez desde o começo da batalha.

'Cuidado….'

Adiantou-se, enquanto Mauriss avançava ao mesmo tempo, com seu pedaço de metal balançando baixo com a intenção clara de quebrar suas pernas e acabar com sua mobilidade de uma vez por todas.

*Pulo*

Soron deu um salto para trás, a faixa do pedaço de metal roçando sua panturrilha em meio à dor, enquanto seus dentes rangiam e ele absorvia a agressão, já ciente de que até ferimentos parciais começavam a se acumular mais rápido do que seu corpo conseguia lidar confortavelmente.

"Ainda de pé?" — Mauriss riu, embora nenhum humor pudesse ser percebido em seus olhos.

"Sua cabeça é minha!" — rosnou Helmuth.

Kaelith não disse nada, mas seu olhar se tornou mais afiado, e Soron pôde sentir a mudança de pressão quando Kaelith decidiu escalar o confronto.

O próximo ataque veio mais rápido.

A primeira faca de Kaelith escorregou pela guarda de Soron, cortando fundo em seu antebraço, o metal de origem travando na carne de uma forma que resistia imediatamente à cura, a dor explodindo pelo braço de Soron enquanto ele silvava com os dentes cerrados.

Antes que pudesse reagir completamente, a segunda faca veio, rasgando seu estômago com uma ferida diagonal brutal, rasgando músculo e pele, enquanto sangue jorrava livremente, e a ferida teimava em não fechar, por mais que Soron se concentrasse.

*Gemido*

O corpo de Soron recuou por instinto, seu equilíbrio vacilando ao perceber a ferida permanente, como um martelo desferido contra ele.

"Cuidado…."

Adiantou-se, enquanto Mauriss avançava de novo, com sua lâmina baixa com a intenção clara de quebrar suas pernas e acabar com sua mobilidade de vez.

*Salto*

Soron pulou para trás, a ponta do pedaço de metal arranhando sua panturrilha, enquanto a dor se intensificava. Ele rangeu os dentes, aguentando a dor, sabendo que mesmo ferimentos parciais se acumulavam mais rápido do que seu corpo podia suportar.

"Ainda de pé?" — Mauriss zombou, sem esperança nos olhos.

"Sua cabeça é minha!" — grunhiu Helmuth.

Kaelith, sem dizer uma palavra, preparou-se para o próximo ataque, os olhos arregalados enquanto Soron sentia o peso da pressão escalar novamente. Era questão de tempo até que eles uncongenhessem tudo outra vez.

O próximo ataque veio mais veloz.

A primeira de Kaelith escapou pela guarda de Soron, cortando fundo seu antebraço, com o metal de origem entrando na carne de um jeito que resistia à cura, uma dor intensa subindo pelo braço do guerreiro enquanto ele se contorcia de dor.

Antes que pudesse reagir, a segunda lança atravessou seu abdômen em um corte diagonal brutal, rasgando músculo e pele, e deixando seu sangue correr livremente, sem que a ferida se fechasse, mesmo com toda sua concentração.

*Mergulho de ar*

Seu corpo recuou instintivamente, perdendo o equilíbrio ao perceber o dano permanente, como um martelo batendo forte contra sua mente.

Kaelith avançou, preparado para acabar com ele.

E, naquele instante, Soron entendeu que recuar significava morte, que hesitar significava ruína, e que o único caminho era passar pela dor.

Então, ele decidiu ir em frente.

Nego a dor que gritava de suas feridas, Soron torceu o tronco e empurrou sua lâmina para cima numa arcada violenta, não em direção à garganta de Kaelith, mas para o rosto dele, pois aquela era a única parte do corpo que seu pai proibira de se atingir durante treinos amistosos, e por isso era a parte que eles nunca aprenderam a defender.

*SHRRRK*

A lâmina rasgou o rosto de Kaelith da testa ao queixo, passando pelos olhos e lábios, jorrando sangue enquanto o deidade recuava, sua compostura se desintegrando pela primeira vez, e uma mistura de rosnar e ofegar escapou dele.

"Gargulhos?"

A ferida não desapareceu.

Ela não cicatrizou.

Permaneceu.

Kaelith recuou, seus pés se movendo para o lado enquanto tentava fugir, seus dedos pairando perto do rosto sem tocá-lo, os olhos arregalados de incredulidade enquanto a dor e a permanência se instalaram.

"Meus olhos…"

pensou Kaelith, ao sentir uma dor líquida e ardente se espalhar pelo rosto, enquanto a marca da lâmina de origem queimava com uma permanência que ele imediatamente reconheceu.

O corte havia arranhado seu olho, não o suficiente para cegá-lo, mas suficiente para que cada piscar lhe enviasse ondas de tormento, sua visão oscilando nas bordas enquanto ele percebia, com horror, que aquela dor nunca desapareceria, nunca ficaria menor, e nunca cure.

"Vou ter que suportar essa dor pra sempre agora?" — questionou-se, ao perceber que a marca na face nunca desapareceria, independentemente do tempo ou do poder que possuísse.

Essa guerra, pela qual entrou com total certeza e controle, havia finalmente lhe deixado algo permanente. As consequências do combate com Soron haviam se estabelecido nele de vez — não como medo, mas como a certeza de que aquele dano o acompanharia pelo resto da vida.

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