
Capítulo 944
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, no anel mais interno do Chakravyuh, ponto de vista de Raymond)
Raymond não conseguiu evitar amaldiçoar o Exército do Culto e sete gerações de seus ancestrais, pois, assim que o Exército do Culto atravessou o Terceiro Anel, a pressão que lhe sobrevia aumentou violentamente, multiplicando-se em um instante enquanto a formação se reajustava sem misericórdia.
Por um breve momento, sua visão desapareceu completamente.
O mundo escorregou como se tivesse sido arrancado de seus olhos, deixando no lugar apenas uma escuridão cegante que fez seu estômago dar cambalhotas e sua alma gritar sob um peso muito além do que sua carne ou sua vontade já haviam suportado antes deste instante.
"Caralho..." murmurou Raymond, as palavras escapando instintivamente enquanto sua consciência lutava para se estabilizar.
Quando sua visão retornou, foi de forma irregular, os arredores se reconstruindo em fragmentos desconexos enquanto seus joelhos vacilavam perigosamente sob ele, seus pés tremiam como se não lhe pertencessem mais, e seus braços tremiam ao seu lado, apesar de todo esforço para mantê-los imóveis.
*TRRUMMM*
O núcleo do Chakravyuh se tensionou violentamente, e mesmo sem som, Raymond sentiu claramente: um gemido espiritual profundo percorreu a formação enquanto sua geometria divina se deformava sob a perda repentina de um anel inteiro, fazendo sua carga ser redistribuída para dentro com força esmagadora.
*ARFANA*
Raymond inspirou rapidamente, seu peito ardendo violentamente enquanto forçava seu foco para fora, tentando avaliar se todos estavam sofrendo igual a ele ou se era apenas ele quem levava o pior.
‘Como estão os outros?’
Pensou, ao notar que Clarence foi o primeiro a chamar sua atenção.
*Tremor*
*Inchaço*
Os dentes do Semi-Deus estavam cerrados tão firmemente que sangue escorria pelos cantos da boca, seu maxilar tremia enquanto todo seu corpo estremecia sob o esforço, as mãos cerradas em punhos tão rígidos que as veias saltavam pelos antebraços, seu corpo lutando desesperadamente para permanecer em pé.
Os olhos de Clarence estavam arregalados de cansaço extremo, os últimos vestígios de confiança desaparecidos de seu rosto enquanto cada respiração parecia curta e forçada, os ombros se movimentando levemente como se até inspirar exigisse esforço consciente.
*Engolir*
Raymond engoliu em seco e virou o olhar para Terrence ao lado, que, surpreendentemente, não parecia melhor do que eles dois.
Com os olhos cerrados e a testa profundamente franzida, Terrence permanecia de pé com uma expressão de dor no rosto, suor escorrendo pelas bochechas, a cor saindo das munhecas.
Surpreendentemente, parecia que sua postura permanecia ereta por pura força de vontade, mas, com o passar dos segundos, até essa determinação começou a se debilit ar, seus ombros caindo fração por fração a cada instante, caminhando cada vez mais perto de um colapso total.
"Eu—não consigo aguentar isso por muito mais tempo."
Ele declarou, e ficou claro para Raymond que a carga que estavam suportando já tinha excedido o que a maioria dos Semi-Deuses deveria aguentar, não sendo surpresa que todos estivessem à beira do fracasso.
No entanto, enquanto os Semi-Deuses lutavam desesperadamente, os Deuses ao lado deles não se saíam muito melhor, pois a tensão começou a se revelar de formas sutis, mas inquestionáveis.
Sobrancelhas franzidas, transparecendo preocupação, enquanto o suor se acumulava sob as linhas do rosto e escorria lentamente pelas têmporas, que há séculos não tinham sido submetidas a esforço. As auras deles se comprimiam para dentro, tensas, esticadas por uma fronteira invisível que parecia prestes a se romper.
*Respiração pesada*
*Exalação forte*
A respiração deles tornou-se mais pesada, os suspiros audíveis, muitos até rangendo os dentes para conseguir permanecer de pé.
O colapso do Terceiro Anel mudou tudo.
A pressão, que antes se dispersava por camadas de mortais e Transcendentes, agora golpeava diretamente o núcleo, comprimindo-se incessantemente enquanto o Chakravyuh exigia compensação pelo que foi perdido.
Raymond sentiu isso na alma dele.
O peso extremo de tentar sustentar uma formação que cortava a quarta dimensão da terceira.
Porém, quanto mais tentava segurá-la, mais ela parecia rebelar-se, como se algo invisível pressionasse sua própria existência, ameaçando desintegrá-lo se ele vacilasse por um instante sequer.
"Também não posso segurar isso por muito mais tempo", disse Raymond finalmente, sua voz tensa apesar do esforço para mantê-la firme, as pernas tremendo ainda mais enquanto ajustava discretamente sua postura para evitar um colapso total.
"Peço permissão para redirecionar parte da pressão para fora, em direção ao Quarto Anel."
E silêncio absoluto seguiu-se.
Os Grandes Deuses do Clã trocaram olhares desconfortáveis, a tensão aumentando enquanto pensamentos e relutância se enfrentavam atrás de seus olhos, cada um entendendo exatamente o que aquele pedido implicava.
Desviar a pressão daria algum alívio aos que estavam na origem, mas também colocaria um peso catastrófico sobre os Monarcas que seguravam o Quarto Anel.
*HUFF—*
Clarence exalou um suspiro rouco ao lado de Raymond, os ombros se arqueando enquanto lutava para permanecer consciente, enquanto a respiração de Terrence se tornava mais pesada, chegando cada vez mais perto de seus limites.
O tempo estava acabando.
E ao perceber isso, foi Mu Shen quem finalmente falou.
"Faça isso", disse calmamente, com a voz firme enquanto seus olhos permaneciam fixos na direção à frente, as mãos imóveis apesar do suor nas palmas. No instante em que pronunciou aquelas palavras, Raymond não hesitou mais.
*Empurrar*
Fechando brevemente os olhos, preparou-se e começou a redirecionar a pressão esmagadora para fora, plenamente consciente de que o que quer que aguardasse o Quarto Anel adiante estaria além do que qualquer força mortal deveria suportar.
"Desculpe pelo transtorno, rapazes. Mas já tá na hora de vocês começarem a fazer a sua parte aqui…"
Pensou, enquanto uma parte do peso esmagador finalmente se levantava de sua alma, permitindo-lhe respirar fundo novamente, a pressão insuportável recuando o suficiente para lhe lembrar como era a sensação de alívio, por mais fugaz e frágil que fosse.