Assassino Atemporal

Capítulo 928

Assassino Atemporal

(Continuação da Transmissão ao Vivo da Execução, O Covil, POV do Comandante Anderson Silva)

Anderson Silva olhou para o chronômetro embutido na proteção do braço, a luz tênue de suas runas cortando através da fumaça e das cinzas dispersas, e assim que os números se registraram corretamente em sua mente, uma sensação de aperto no peito se formou, sem relação com cansaço.

Estavam quatro minutos atrasados no cronograma.

A percepção se consolidou pesadamente enquanto ele seguia avançando, a lança reluzindo ao abater mais um soldado Righteous sem hesitar, sua mente já projetando o futuro, calculando as consequências mesmo enquanto seu corpo lutava por impulso.

"Já estamos atrasados, e as coisas só vão ficar mais difíceis daqui pra frente."

O peso dessa constatação se instalou ao continuar o movimento, sua lança cortando o ar com precisão, enquanto a determinação marcava seu ritmo, mesmo que o relógio estivesse contra eles.

Se não recuperarem o tempo perdido em breve, todo o plano pode desmoronar…

Anderson pensou, ciente melhor do que ninguém de quão sensível ao tempo e quão exato era o plano de Leo.

Cada movimento do Exército do Cult foi calculado com base em curvas de resistência, tolerância a baixas de tropas, desgaste de stamina e janelas de reação dentro do Chakravyuh. Atrasa agora significava que, mais tarde, quando a pressão realmente aumentasse, não haveria nada para compensar.

"Estamos dando o nosso máximo," pensou Anderson, apertando ainda mais a empunhadura da lança, os músculos ardendo sob a armadura.

"Mas sem o Senhor na linha de frente, esse ritmo nunca vai se sustentar."

Ele percebeu que, sem Leo liderando o avanço como planejado, o Exército do Cult simplesmente não tinha o poder de fogo necessário para romper as linhas inimigas rápido o suficiente.

Embora ele, o Dumpy e os outros Comandantes estivessem se esforçando ao máximo para manter o cronograma, com o passar do tempo só conseguiam ficar mais atrasados, incapazes de acompanhar as altas exigências de Leo.

*Suspiro*

Anderson exalou forte antes de avançar para terreno aberto, sua aura brilhando intensamente enquanto firmava o pé e torcia o tronco, a mana correndo violentamente por toda a extensão da sua arma, e a lança gritou em resposta—

"[Arco que Rasga Céus]."

*SOM BRUSCO*

A técnica se lançou em uma varredura brutal, a força comprimida rugindo pelo ar e pela pedra ao mesmo tempo, enquanto uma vasta meia-lua de destruição rasgava quase três quilômetros de formações inimigas, linhas disciplinadas se rebentando e se quebrando sob a violência repentina, corpos sendo jogados de lado.

"Avancem!" Anderson rugiu, sua voz cortando claramente pelo campo de batalha enquanto soldados do Cult se lançavam em uníssono, infiltrando-se pela abertura com eficiência treinada e retomando territórios que pareciam impossíveis de alcançar há poucos instantes.

Por um breve momento, o ímpeto voltou.

O exército avançou de verdade, metros se acumulando em centenas à medida que a brecha se ampliava, e Anderson liderou pessoalmente o ataque, sua lança nunca desacelerando, atingindo repetidamente, forçando a abertura a segurar sob pressão e presença constantes.

Ele já sabia que aquilo não duraria.

Nem sempre dura.

Em poucos minutos, a resistência se reagruparou com força de múltiplos ângulos, unidades de Grande Mestre se reimplantando com brutal eficiência, forças de flanco se colapsando por dentro, selando lacunas com formações renovadas que se encaixavam como lâminas interligadas.

O estreitamento do corredor intensificou.

O avanço perdeu sua urgência.

A rotina voltou a tomar conta.

Quando a força do impulso finalmente se esgotou, o exército havia ganho menos de um quilômetro.

Anderson rasgou sua lança de um inimigo caído e retornou à linha, observando o campo mais uma vez enquanto o peso do atraso se concentrava sobre seus ombros, pesando com a certeza silenciosa de que o tempo, uma vez perdido, cobraria seu preço.

"Este é apenas o segundo anel," pensou sombriamente. "E já parece assim."

Sua mente projetou adiante.

Um terceiro anel protegido por Transcendentes.

Um quarto guardado por Monarcas.

A dificuldade aumentaria drasticamente a cada camada, enquanto a preocupação se infiltrava na sua determinação.

"Senhor… onde você está?"

A dúvida persistia enquanto ele levantava a lança novamente e voltava à batalha, continuando a desempenhar seu papel, pois parar significava colapso, retroceder significava aniquilação, e até Leo retornar, o Exército do Cult só podia contar com seus Comandantes.

"Este é o meu momento de provar meu valor… Não posso recuar agora—"

Pensou, entendendo muito bem que, até o Senhor voltar, ele precisaria fazer o possível e o impossível para preencher o vazio causado por sua ausência na linha de frente.

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(Enquanto isso, Su Pei)

Como descendente do Clã Su, Su Pei nunca pensou que a batalha mais importante que lutaria na vida seria pelo Culto.

No entanto, esse era seu destino, e hoje ele se encontrava no Covil, lutando sob a bandeira do Culto, não apenas porque tinha uma conexão de escravo com Leo Skyshard, mas porque anos ao lado desses soldados tinham remodelado seu sentimento de pertencimento.

Ele os treinou, sangrou com eles, assistiu-os se transformar de sobreviventes dispersos em uma força disciplinada, e em algum momento, a linha entre obrigação e convicção desapareceu silenciosamente.

Ele acreditava que esses homens eram seus.

Ele acreditava que fazia parte do Culto da Ascensão.

E, por isso, sua luta também refletia essa crença.

Diferentemente de Anderson Silva, que liderava pelo exemplo na frente, Su Pei permanecia onde as batalhas eram decididas sem glória, comandando as legiões de escudos que protegiam as laterais e a retaguarda do exército.

Sua responsabilidade era conter, manter o fluxo e garantir a sobrevivência, assegurando que nenhuma força inimiga escapasse pelos flancos, prejudicando o avanço por trás.

Na guerra, cercar significava extinguir, e por isso, ele protegia o Exército do Culto de ser sufocado.

"Primeira unidade, cobre a esquerda!"

"Terceira unidade, troque a segunda!"

As linhas de defesa se ajustavam constantemente sob sua direção, rotacionando escudos, ajustando espaçamentos, redistribuindo tropas exaustas antes que surgissem fissuras.

'Se o flanco cair, o vanguard perde,' pensou Su Pei, de forma fria e rápida.

'Se o vanguard cair, a guerra acaba aqui.'

Ordens saíam de seus lábios em frases curtas, carregadas de autoridade mais do que de volume, cada comando recuando o desastre em pedaços de centímetro.

"Encurte a formação."

"Fila de trás, reposicione."

"Mantém a posição."

Os guerreiros com escudos respondiam sem hesitação, barreiras interligadas que se moviam como um só corpo, absorvendo impacto após impacto enquanto as unidades do Grande Mestre pressionavam de múltiplos ângulos, testando resistência ao invés de força, buscando fadiga ao invés de fraqueza.

Su Pei sentia a pressão aumentando a cada minuto que passava.

Enquanto Anderson lutava contra o tempo com impulso, Su Pei lutava com contenção.

A cada segundo que ele mantinha a linha, mais o vanguard podia avançar pelo Chakravyuh, mas cada atraso aumentava a tensão em outros lugares, e ele também sabia que estavam atrasados no cronograma.

'Estamos atrás,' reconheceu com expressão séria.

'E não posso me dar ao luxo de perder quilômetros.'

Seus braços ardiam sob a armadura enquanto reforçava sua força novamente, canalizando mais mana para as muralhas de escudos, apesar da dor de advertência que se espalhava pelos músculos.

*Gnash*

*Empurre*

Lâminas inimigas batiam contra as barreiras num ritmo constante, o impacto reverberando por seus ossos enquanto ele avançava para ancorar um segmento vacilante, o escudo se encaixando ao lado dos seus enquanto absorvia o impacto da investida.

Ele não pensava na própria sobrevivência.

Ele pensava na coesão.

Pensava nos homens que confiavam nele para mantê-los vivos até que a vitória fosse possível.

'Isso é o que o Senhor me confiou,' pensou Su Pei enquanto mais uma onda se chocava contra sua linha.

'Resistir.'

Não havia espetáculo nisso.

Nem golpe decisivo.

Apenas disciplina repetida minuto após minuto, mantendo a fragileza do Exército do Culto através de controle absoluto e recusa em ceder.

Se o exército resistisse, seria porque sua linha nunca se dobraria.

E Su Pei não tinha intenção de deixá-la se dobrar.

Não hoje.

Enquanto seus homens ainda estivessem atrás dele.

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