Assassino Atemporal

Capítulo 929

Assassino Atemporal

(Continuação da transmissão da execução ao vivo, O Poço, ponto de vista de Dupravel Nuna)

Assim como Su Pei, Dupravel também era um dos Comandantes do Cult que Leo havia escravizado à força. E, assim como Su Pei, ao longo do tempo ele encontrou seu propósito dentro da organização, pois embora tivesse se unido contra sua vontade, com os anos ela substituiu o espaço no seu coração que antes era ocupado pelas Serpentes Negras.

*Tilintar*

*Explosão*

Uma granada envenenada explodiu profundamente na formação traseira do inimigo, emitindo uma fumaça esmeralda que se espalhou violentamente enquanto Dupravel se movia pela confusão como uma sombra com intenção, já avançando antes que os gritos começassem, com suas adagas baixas e soltas nas mãos enquanto corpos começavam a cair asfixiados.

*Tossir* *Tossir* *Ofegar*

Ele havia infiltrado-se profundamente nas linhas inimigas sozinho, sem escolta, sem cobertura e sem um caminho claro de fuga.

Porém, ele não se preocupava, pois sabia que essa solidão era exatamente como ele lutava melhor.

Ao contrário dos guerreiros tradicionais que podiam lutar sozinhos ou em equipe, Dupravel era mais um lutador especializado, que preferia deslocar-se pelo campo de batalha por corredores estreitos de oportunidade, onde sua presença só era percebida após o evento, na súbita desestruturação de uma unidade que não deveria ter desmoronado, ou na ruptura de uma linha de retirada que deveria estar segura.

Ele atacava de ângulos cegos.

Uma adaga cruzando uma garganta.

Outra deslizando entre placas de armadura.

As mortes eram precisas e econômicas, cada movimento calculado, cada retirada rápida, pois Dupravel se recusava a demorar mais do que o necessário, sua percepção de nível Monarch mapeando respostas inimigas em tempo real, acompanhando hesitação, medo e sobrecorreções com a mesma atenção de um fio de lâmina.

Ele não massacrava por números.

Ele massacrava para causar caos, pois, ao contrário dos outros Comandantes do Cult, ele não tinha um exército sob seu comando e, portanto, nada o prendia.

*Explosão* *Explosão* *Explosão*

Outra série de granadas envenenadas saiu de sua mão, quicando uma, duas vezes antes de desaparecer por trás de uma parede de escudos, enquanto a fumaça que as acompanhava engolia toda a unidade inimiga, gritos se levantando enquanto soldados tropeçavam cegamente uns nos outros, formações desintegrando-se enquanto capitães gritavam ordens conflitantes, sem saber se a ameaça era individual ou geral.

"É isso aí, bebê, recuadão diante de mim…."

Ele murmurou, enquanto o medo causado pelas jogadas furtivas dele era exatamente o que sustentava seu estilo de combate.

Ele não lutava por sangue, mas por tumulto em massa, de modo que, ao invés de focar na linha de frente, o inimigo reflexivamente checava suas laterais e costas, enquanto a paranoia os impedia de descansar por um segundo sequer.

"A busca militar do Cult é seu inimigo agora, primeiro você tem que lidar comigo…."

Ele sussurrou enquanto cortava um capitão Grande-Mestre que tentava reagrupar as tropas envenenadas, adagas cruzando em um X apertado antes de se separarem, uma cortando a garganta, a outra destruindo a coluna vertebral, o corpo caindo sem som enquanto Dupravel rolava pelo cadáver caído e desaparecia atrás de um barricada desabada.

Momentos depois, uma técnica de área de nível Monarch detonou.

Dupravel firmou os pés e canalizou mana através de ambas as adagas ao mesmo tempo, esculpindo arcos gêmeos de força condensada que se expandiram em luas crescentes, rasgando os inimigos agrupados numa varredura violenta que esmagou armaduras e pulverizou ossos por centenas de metros, a pressão pura achatando os sobreviventes do impacto inicial.

*Estouro*

Ele não ficou para ver o que vinha após.

Ele nunca ficava.

Quando as formações inimigas reagiam, ele já tinha desaparecido, sua aura reduzida a um sussurro enquanto atravessava terreno destruído e linhas de comando quebradas, reaparecendo minutos depois em um setor completamente diferente, repetindo o processo com crueldade cirúrgica.

Veneno.

Precisão.

Terror.

Ele fazia tudo isso repetidas vezes, até que as linhas de retaguarda do segundo anel começassem a se virar umas contra as outras, atacando tudo que se movesse, inclusive seus próprios aliados.

'Se eles têm medo da escuridão atrás deles', pensou Dupravel calmamente enquanto limpava sangue da lâmina, agachado sobre um monte de cadáveres, 'eles nunca se entregam totalmente à luz diante deles.'

Pensou enquanto se deslocava para destruir mais um setor inimigo.

Com o histórico de Lorde do Gremio Serpentes Negras, ele sempre fora alguém que compreendia os riscos de uma guerra tão grande.

Porém, só após perder tudo para a Facção Justa é que percebeu o quão preciosa uma organização como o Cult era e quão importantes eram momentos como aquele para o futuro da organização.

'A Facção Justa é corrupta e miserável.

O universo será um lugar melhor com o Cult no comando.

E, por isso, mesmo sabendo que nossas chances de vencer essa guerra são bem pequenas, quero fazer minha parte para alcançar esse sonho impossível.'

Dupravel pensou, enquanto continuava lutando com toda força que seus membros podiam oferecer.

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