
Capítulo 915
Assassino Atemporal
(Continuação da transmissão ao vivo da execução, A Fossa)
O comandante Mickey James aguardava pacientemente enquanto os engenheiros do Cults terminavam de montar suas formações de guerra, permanecendo na cabeça da vanguarda com sua lança cravada na rocha rachada, imóvel enquanto os suportes de artilharia se desenrolavam atrás dele e os condutores de mana eram conectados um a um ao solo, pois esse momento não deveria ser apressado, e o preço da impaciência aqui certamente seria pago com sangue.
Somente quando os últimos glifos de sincronização brilharem na malha de comando ele retirou a lança do chão e se virou para as inúmeras filas alinhadas atrás dele, bilhões de guerreiros do Cults de pé em silêncio disciplinado enquanto motores cantavam, armas eram estabilizadas e a antecipação fervilhava logo abaixo da superfície.
"GUERREIROS DO CULT," Mickey James gritou, sua voz carregada não apenas por amplificadores, mas por uma autoridade bruta e incontrolável, rolando pelo campo de batalha como trovão sobre planícies abertas.
"ESTE É O DIA PELO QUAL VOCÊS TREINARAM A VIDA INTEIRA."
Com a lança levantada, sua ponta alinhada com o vasto arco curvado da última camada do Chakravyuh, onde soldados de nível MESTRE estavam compactados de ombro a ombro, armaduras brilhando suavemente enquanto sigilos de formação pulsavam sob seus calçados.
"É O DIA QUE SEUS ANCESTRAIS, E OS ANCESTRAIS DELES ANTES DELES, ORARAM PARA PARTICIPAR."
Um rosnado baixo percorreu as fileiras do Cult, contido, limitado, mas faminto.
"HOJE..." Mickey continuou, sua aura se expandindo enquanto a intenção de matar transbordava em cada palavra, "LEVAMOS O COMBATE ATÉ OS CORJOS JUSTOS."
O som que se seguiu não foi uma comemoração.
Foi uma promessa.
"HOJE," ele gritou, levantando a lança alto, "FAREMOS COM QUE PAGUEM."
Ele respirou fundo, como se o campo de batalha estivesse se fechando ao redor dele.
"NA MINHA CONTAGEM, ATACAMOS."
Logo atrás dele, as máquinas de guerra começaram a funcionar, formações de cerco se alinhando para avançar enquanto os engenheiros inseriam os parâmetros finais nas matrizes de mira.
"NA MINHA CONTAGEM, AS MÁQUINAS DE GUERRA DESPEJAM O CAOS SOBRE ELES."
O próprio céu parecia escurecer enquanto os canhões apontavam para frente.
"NA MINHA CONTAGEM..." Sua voz caiu, pesada e absoluta, "…NOS TORNAMOS IMORTAIS."
Um único batimento cardíaco passou.
"UM..."
O exército do Cult deu seu primeiro passo sincronizado para frente.
"DOIS..."
A mana ondulou pelos condutores, as máquinas gritaram em plena potência, as armas ficaram firmes nas mãos que tinham ensaiado esse movimento milhares de vezes.
"VAI. VAI. VAI!"
O campo de batalha entrou em ação.
As máquinas de guerra do Cult liberaram suas cargas em perfeita sincronização, fogo de artilharia cortando o ar enquanto lanças de energia atingiam a camada externa do Chakravyuh, quebrando sigilos de formação e abrindo buracos densos na defesa, enquanto a infantaria avançava sob o bombardeio, bilhões de combatentes avançando não como uma enxurrada desorganizada, mas como uma onda coesa.
*BUM*
*CAOS*
*CHORO*
O impacto inicial foi avassalador.
Defensores de nível MESTRE mal tiveram tempo de erguer seus escudos antes que os Comandantes do Cultos os atingissem como um horizonte em desabado, a tropa do Cult avançando atrás com uma precisão e densidade que faziam regimentos inimigos desaparecerem em segundos, apagados pela força combinada de impulso disciplinado e poder superior.
O comandante Mickey James estava na linha de frente.
Seu lança varreu para fora em um arco flamejante, sua aura se condensando ao longo do cabo enquanto a arma cortava o espaço, a golpes que varriam dezenas de milhares de soldados inimigos em um único movimento, corpos e armaduras se desintegrando sob a força pura e densa por trás dele, enquanto a pedra sob seus pés rachava e formava crateras em expansão.
À sua esquerda, o comandante Anderson Silva avançava com uma calma assustadora, sua espada reluzindo ao cortar as linhas inimigas em seus pontos fracos, rasgando grupos de comando e corredores de reforço com precisão cirúrgica, cada passo abrindo brechas controladas por onde os soldados do Cult passavam sem romper a formação.
Mais à frente, o comandante Dupravel Nuna não avançava com a tropa.
Ele desapareceu.
E onde reaparecia, a destruição vinha atrás.
Seções inteiras do anel externo entraram em colapso enquanto sua presença se propagava em rajadas violentas, assassinatos se fundindo em uma aniquilação em larga escala ao atravessar filas traseiras sozinho, desestabilizando o alinhamento do Chakravyuh onde passava e forçando os defensores a fraturar sua atenção em tentativas inúteis de responder a algo que não podiam rastrear nem conter.
Por um breve e intoxicante instante, parecia que o exército do Cultus simplesmente abriria caminho sem obstáculos.
Mas, infelizmente para eles, o Chakravyuh nunca foi feito para cair rapidamente.
À medida que as pontas de lança do Cult avançavam mais profundamente, a verdadeira natureza da formação se revelava: os anéis concêntricos apertiavam seu aperto invisível, a pressão se deslocando para os lados, em vez de para dentro, seções inteiras girando e se fechando com uma precisão sombria até que os soldados justos começassem a atacar de múltiplas direções, cercando o inimigo por três lados e exercendo uma sufocação ao invés de uma parede frontal.
O que começou como uma incisão limpa e decidida desacelerou à medida que a resistência se espessava, o impulso esvaindo-se sob ataques laterais coordenados, até que o avanço deixou de parecer uma quebra fácil para se tornar uma luta de trituração contra uma formação que se recusava a ceder facilmente, cobrando preço por cada metro conquistado.
O Cult poderia avançar, mas apenas ampliando a brecha para fora tanto quanto para dentro, pois cada metro em direção ao centro deixava suas flancos expostos a novas ondas de defensores que chegavam de arcos adjacentes, soldados de nível MESTRE correndo lateralmente na brecha com determinação sombria.
O ataque diagonal que parecia tão devastador pouco tempo atrás agora se transformava em uma vulnerabilidade.
As unidades do Cult se viam lutando para frente e para os lados ao mesmo tempo, formações se esticando sob a pressão, enquanto os Comandantes precisavam reequilibrar constantemente a força, redirecionar tropas e rotacionar unidades para evitar o cerco.
Essa era a crueldade do Chakravyuh.
Ele não buscava deter uma invasão de forma definitiva.
Queriam desacelerá-la.
Gastar seus recursos.
Obrigar o inimigo a pagar por cada passo com tempo, esforço e vidas.
E assim a batalha se transformou.
A avalanche inicial deu lugar a uma guerra de desgaste, cada segmento concêntrico se recusando a colapsar de maneira limpa, obrigando o exército do Cult a destruir completamente arcos inteiros antes de avançar mais fundo, pois deixar qualquer fragmento intacto arriscava ser isolado por trás.
Apesar da desaceleração, o Cult não parou.
As máquinas de guerra continuaram a se montar atrás das linhas avançadas, plataformas de cerco firmando-se na pedra enquanto artilharia ajustava seus padrões de fogo, apoiando operações de desgaste ao invés de avanços rápidos, e os pilotos acima ajustando suas missões de bombardeio para impedir reforços laterais, ao invés de apenas enfraquecer o caminho à frente.
O exército do Cult se adaptava em tempo real.
Monarcas trocavam de ponto de pressão, Transcendentes reforçavam as frentes falhas, Grandes Mestres lideravam contra-ataques para desfechar o cerco, e Mestres preenchiam as lacunas com disciplina e precisão, cada unidade sabendo exatamente seu papel, cada movimento fluindo para o próximo como se fosse ensaiado para esse cenário.
Porque tinha sido mesmo.
Eles tinham treinado para isso.
Prepararam-se para uma formação destinada a transformar exércitos em poeira.
E ainda assim, avançaram.
Cada golpe de uma arma de nível MESTRE destruía dezenas de milhares de inimigos.
Cada avanço coordenado quebrava mais um segmento do anel.
Lentamente.
De modo metódico.
Implacavelmente.
O Chakravyuh exigia resistência.
E o Cult respondeu com ela.
À medida que a batalha se estabilizava em seu ritmo brutal, uma verdade se tornou inconfundível para toda alma assistindo à transmissão, para cada soldado sangrando na pedra, e para cada Deus observando de dentro do coração da prisão.
Que o exército do Cult não veio procurar uma vitória rápida.
Veio preparado para uma guerra que só pioraria a cada passo mais profundo.
E decidiram, de forma coletiva e sem hesitação, que não importava quantos anéis estavam entre eles e seu Dragão, eles atravessariam cada um deles.
Camada por camada.
Não importando o custo.
Até salvá-lo, enfim.