Assassino Atemporal

Capítulo 891

Assassino Atemporal

(Menos de 24 horas para a execução, Planeta Ixtal, POV de Soron)

Soron estava sentado sozinho no silêncio de seu aposento, as costas apoiadas na pedra fria enquanto sua respiração permanecia superficial e controlada, cada inspiração deliberada como se seus pulmões precisassem de persuasão para continuar funcionando por mais um pouco.

Seu corpo parecia frágil.

Não no sentido dramático de uma colisão iminente, mas na maneira cruel em que a força simplesmente desaparecera com o tempo, deixando para trás uma vontade obstinada sobre o cansaço, pois até mesmo permanecer sentado exigia mais esforço do que deveria.

Suas mãos tremiam levemente ao levantá-las do colo, o movimento sutil mas inegável, pois idade, ferimentos e incontáveis batalhas finalmente o haviam alcançado, lembrando-o de que seu tempo não era mais medido em anos ou mesmo meses.

Mas em momentos.

Somente após se acalmar, seu olhar finalmente se fixou na frente, permanecendo na mesa de pedra diante dele, onde dois artefatos repousavam lado a lado.

Artefatos que eram testemunhas silenciosas tanto de seu passado quanto do pouco de seu futuro que restava.

O primeiro era o conjunto de punhal de Vingador de Rancores.

Lâminas gêmeas forjadas do metal de origem, criadas pelo Supremo Mestre Argo e seus aprendizes no auge do desespero do Culto, pois cada martelada que as criou foi alimentada por luto, raiva e a esperança coletiva de um povo que se recusava a deixar seu sofrimento ser esquecido.

Elas não eram meramente armas.

Era a promessa feita em forma física.

Promessas de vingança.

Promessas de lembrança.

Os dedos de Soron pairaram acima delas, sem tocar, enquanto o peso de sua existência pressionava-o mais do que qualquer aço poderia, porque ele sabia que essas lâminas carregavam não apenas o poder de matar Deuses, mas as expectativas de todos que acreditavam que ele conseguiria.

E ainda assim, apesar de seu propósito, apesar de sua necessidade, havia uma parte dele que não desejava levar essas lâminas para a batalha, pois, embora estivesse tranquilo em não usá-las, o que mais temia era perdê-las para as mãos do inimigo no final da luta.

"Essas lâminas precisam sobreviver, mesmo que eu não."

A determinação firmou-se nele ao seu rosto ficar mais duro, porque se o Culto fosse sobreviver além de sua morte, essas lâminas precisavam pertencer a alguém que pudesse levá-las adiante.

Alguém jovem.

Alguém implacável.

Alguém chamado Leo Skyshard.

"O menino ainda não entende o quão valiosas essas lâminas realmente são..."

Na sua ignorância, não fez planos para que eu as entregue a ele."

Soron murmurou baixinho, com a voz cansada e baixa enquanto sua voz ecoava levemente na câmara, carregando nem frustração nem culpa, apenas o entendimento cansado de alguém que também foi ingênuo um dia.

"Mas preciso ter paciência."

Ele expirou lentamente, a respiração arrastando-se como se tivesse lhes custado algo.

"No final, independentemente do que acontecer, elas precisam ser entregues a ele."

Seu olhar então se desviou, afastando-se das lâminas e direcionando-se ao segundo objeto ao lado delas, muito menor em tamanho, mas infinitamente mais pesado em consequência, sua presença pesando mais nele do que qualquer arma jamais poderia.

Uma única vasilha.

Discreta.

Uma ampola que representava sua última chance de falar com seu pai falecido uma última vez, o homem cuja sombra Soron havia vivido por grande parte de sua vida, e cuja ausência o moldou tão profundamente quanto sua presença tinha feito, pois a ampola simbolizava não poder ou salvação, mas o fechamento que lhe foi negado por tanto tempo.

Uma conversa que foi continuamente adiada.

Uma despedida postergada pelo dever, a guerra e a responsabilidade.

'No fim da guerra, terei força suficiente para tomá-la?'

A dúvida surgiu sem aviso, enquanto a apreensão se infiltrava, pesada e indesejada, e ele se perguntava se seu corpo cansado permitiria esse último ato de misericórdia quando o momento verdadeiramente chegasse.

'E mesmo que eu consiga... meus inimigos me deixariam a luxúria de consumir uma ampola desconhecida?'

Ele refletiu sombrio, sabendo já a resposta, plenamente consciente de que misericórdia nunca foi algo que os Justos ofereciam de boa vontade... especialmente aos seus piores inimigos.

Isso significava que esse caminho, como todos os anteriores, era repleto de riscos.

Ele desejava desesperadamente beber a ampola neste exato momento, aproveitar a oportunidade de falar com seu pai finalmente, ouvir sua voz uma última vez e liberar os anos de silêncio entre eles.

Mas não conseguiu se levar a fazer isso hoje, não quando sua história permanecia incompleta, não quando as palavras que diria faltariam ao final aquilo que dava sentido a tudo o que veio antes.

Pois, se ele se apresentasse agora diante dele, a história estaria fragmentada.

Incompleta.

E isso era algo que Soron não podia aceitar.

Não quando o que ele queria dizer ao velho não eram palavras vazias de conforto, mas a verdade, crua e sem filtros.

A verdade de como viveu após a morte do pai.

Dos erros que cometeu.

Dos sacrifícios que suportou.

E de como, até seu último suspiro, tentou ser o homem que seu pai desejava que ele fosse.

'Pai gostaria de saber se vou matar Kaelith com minhas próprias mãos amanhã.'

O pensamento persistiu, afiado e firme, enquanto Soron olhava entre as lâminas e a ampola, entre legado e encerramento, enquanto uma pausa lenta e cansada escapava dele.

Seu corpo dava sinais de que estava falhando.

Isso ele não podia mais negar.

A força que antes o definia havia desaparecido na vontade obstinada, e até essa já começava a se desfiar, por isso, apesar de tudo, ele sentia mais alívio do que medo ao perceber que a guerra estava a menos de um dia.

Pois, independentemente de como as coisas se dessem amanhã.

Independente de ele viver ou morrer.

De uma forma ou de outra, sua longa e sofrida existência estava chegando ao fim.

E, pela primeira vez em séculos, Soron acolheu essa verdade, sentindo-se contente na quieta certeza de que, seja pela vitória ou pela morte, finalmente encontraria paz.

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