Assassino Atemporal

Capítulo 865

Assassino Atemporal

(Dentro do infinito vazio, P.O.V. de Leo)

“Tenho que encontrar uma saída, ou estou condenado,” pensou Leo enquanto forçava sua respiração a desacelerar, mesmo com o coração pulsando violentamente contra as costelas, pois o pânico aqui não apenas turvaria seu julgamento, mas aceleraria ativamente sua morte.

Ele apertou o escudo de aura ao redor da mente, reforçando-o camada por camada, enquanto estendia sua adaga de aura para fora numa vasta varredura deliberada, buscando desesperadamente até mesmo o mais tênue vestígio de resistência temporal que pudesse confirmar que ainda estava dentro de um túnel estruturado e não flutuando livremente em direção a algo muito pior.

Porém, infelizmente para ele, nada respondeu.

O espaço ao seu redor parecia inquietantemente liso, não vazio como um corredor sem móveis, mas vazio como se o próprio significado tivesse sido arrancado, como se a quarta dimensão tivesse apagado de vez o conceito de paredes e as substituído por uma inclinação suave e implacável que empurrava tudo adiante sem esforço ou som.

“A lágrima de entrada ainda deve existir,” pensou Leo enquanto forçava sua aura para fora novamente, rastreando seu caminho em reverso, tentando lembrar a postura exata do seu pé, a rotação precisa do pulso, a intenção por trás do vetor que havia desenhado na membrana, buscando desesperadamente qualquer perturbação na qual pudesse se apoiar.

Porém, apesar de recordar sua confiança, a facilidade, o corte de sua mão que deveria ter marcado um ângulo de 31,45°, o que ele não conseguiu encontrar foi qualquer perturbação espacial.

“Estou condenado….”

Pensou Leo, enquanto cerrava a mandíbula e dava um segundo passo para trás, depois o terceiro, depois o quarto, movendo-se lentamente o suficiente para poder parar a qualquer momento, pois a primeira regra que Moltherak tinha lhe ensinado era simples—

Você não corre dentro da quarta dimensão a menos que queira morrer.

Porém, mesmo ao recuar, a inclinação sob ele não subia, não o levava em direção à segurança, mas continuava puxando para baixo como se o próprio túnel tivesse se esquecido de que tinha uma saída.

“E agora?”

Questionou-se, enquanto parava por uma meia respiração, forçando-se a testar uma abordagem diferente, onde varria sua aura para fora e para cima como uma rede, tentando captar a menor ondulação do caminho que havia desenhado anteriormente, pois se as paredes do túnel estavam se dissolvendo, talvez houvesse vestígios, talvez cicatrizes deixadas no tecido do espaço.

Porém, infelizmente, tudo que encontrou novamente foi a total superfície lisa…..

Uma suavidade tão perfeita que parecia hostil.

“Posso morrer,”

Pensou Leo enquanto seu pulso acelerava ainda mais, seu estômago afundando sob o peso, e o pânico começava a se infiltrar finalmente.

Ele deu mais um passo para trás, depois outro, enquanto contava na cabeça como Moltherak lhe ensinara, não porque os números ainda importassem, mas porque contar era a única coisa que impedia o pânico de dominá-lo completamente.

Um.

Dois.

Três.

Quatro.

Cinco.

Contudo, quanto mais ele avançava, mais o vazio ao seu redor parecia se rarefazer, enquanto as cores estranhas que antes brilhavam na beirada de sua visão começavam a desaparece em um cinza pálido, e até mesmo esse cinza começava a parecer se alongar, como se a própria realidade estivesse perdendo coesão.

“E se eu não conseguir encontrar?”

Finalmente se perguntou, enquanto sua respiração se acelerava cada vez mais.

A ideia caiu silenciosamente, como uma gota de veneno em uma taça cristalina, pois não gritava nem berrou, simplesmente existia, e no instante em que existiu, começou a se multiplicar.

E se não houvesse retorno?

E se ele tivesse inclinado demais, e o túnel que abriu não fosse um túnel, mas uma rampa para o vazio infinito do qual Moltherak tinha alertado continuamente?

“É aqui que eu morro?”

Pensou Leo enquanto seu peito apertava.

Ele sabia muito bem que o vazio não precisaria matá-lo rapidamente, apenas mantê-lo ali, e por isso deu mais um passo cauteloso para trás, sua adaga de aura pontando repetidamente, tentando encontrar atrito, uma parede, qualquer coisa que provasse que esse espaço ainda obedecia às regras que ele aprendia há meses.

Porém, infelizmente, apesar de suas orações desesperadas, nada mais encontrou.

Foi nesse momento que sua mente finalmente começou a traí-lo com algo pior que o medo, ao pintar uma imagem cruel de Amanda.

Não a Ferreira Amanda, não a inventora genial Amanda, mas a Amanda que sorria quando achava que ninguém estava olhando, a Amanda que segurava seus filhos com braços cansados e orgulho teimoso.

“Se eu não estiver aqui… o que acontece com meus filhos… e com a Amanda?”

Leo se perguntou enquanto a imagem se aguçava na sua mente, provocando uma crise de pânico total.

Viu Amanda correndo.

Viu Amanda se escondendo.

Viu ela criando dois filhos sozinha na penumbra, assim como Elena criara ele e Luke um dia.

Porém, desta vez, não havia Terra, nem paz, nem planeta tranquilo para chamar de lar, nem chance de respirar.

“Eles seriam caçados implacavelmente,”

Pensou Leo enquanto sua garganta queimava.

Sabia muito bem que a Facção Justa nunca permitiria que alguém com sangue de Assassino do Tempo confirmado vivesse uma vida longa, e, por isso, tinha certeza de que eles caçariam Amanda e as crianças, não importa quanto tempo levasse.

Imaginou seus filhos crescendo, olhando para o céu com medo, aprendendo a se esconder antes de aprender a rir, a mentir antes de aprender a ler, enquanto sua visão embaçava por uma fração de segundo e a solidão começava a se aproximar.

“O que acontece com meus amigos, minha família e o Culto?” pensou Leo enquanto tentava manter sua respiração sob controle, só para fracassar miseravelmente novamente.

Imaginou Veyr em correntes, a execução se aproximando, enquanto se via não chegando a tempo, não salvando Veyr, nem morrendo em batalha como um guerreiro, mas desaparecendo no nada de um lugar onde ninguém poderia alcançá-lo.

“Eles nem sequer encontrariam meu corpo,”

Pensou Leo enquanto a solidão apertava ainda mais forte, a quarta dimensão lhes roubando conforto, certeza e a sensação de que alguém mais existia, enquanto atacava-o de uma forma que nada antes tinha feito.

Ela envolveu seus pensamentos, sussurrando que não havia nada fora daquele lugar, que todos que ele amava eram uma invenção, uma história criada para suportar a dor.

“Não… mantenha-se firme,”

Pensou Leo enquanto reforçava seu escudo de aura várias vezes, pois Moltherak tinha avisado o que acontecia quando o vazio tocava a mente diretamente.

Mesmo protegido, ele podia senti-lo.

Uma pressão.

Um sussurro.

Uma sugestão.

*Dê um passo*

Ele deu mais um passo para trás.

Depois outro.

Porém, a inclinação ficou mais íngreme, e o pânico mais intenso, pois a parte racional da sua mente chegou a uma conclusão que relutava em admitir até então.

“Talvez eu já tenha passado do ponto de não retorno,” pensou Leo enquanto seu coração pulsava forte, a inevitabilidade da situação se estabelecendo nele, enquanto sua visão começava a se dissolver numa névoa pálida e oscilante.

Ele tentou girar seu vetor, criar um novo ponto fraco, mas sem paredes, sem membranas, sem ritmo, não tinha nada para atingir.

Sentia-se como se estivesse nadando no ar ou cavando na neblina.

“É mesmo o fim? O fim da minha aventura?”

Pensou Leo enquanto sua mente se voltou à Amanda, aos filhos, a si mesmo enquanto dominava o universo…

Antes que esses pensamentos começassem a se dissolver na escuridão interminável da desesperança, enquanto ele começava a perder toda esperança.

“Que vergonha… eu realmente achava que ia ser mais”

Pensou Leo, e exatamente quando estava perdendo toda esperança, o espaço cinza liso diante dele estremeceu—

*SWOOSH*

Uma linha apareceu.

Fina.

Violenta.

De um jeito errado que parecia certo, enquanto a realidade se abria com uma brutal autoridade, uma lágrima espacial rasgando o vazio enquanto uma pressão atingia seu escudo de aura com força suficiente para fazê-lo vibrar.

“Quem?”

Murmurou surpreso, ao ver algo gigantesco avançando daquela rachadura.

Antigo.

Dominante.

Ao passo que Moltherak emergia com uma expressão de desagrado gravada na face.

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