
Capítulo 864
Assassino Atemporal
(7 dias depois, Ilha de Moltherak, ponto de vista de Leo)
Nos sete dias seguintes, Leo avançou rapidamente na sua maestria sobre o túnel espacial. Não apenas aprimorou a precisão dos ângulos de entrada e fortaleceu a densidade da sua adaga de aura, como também aprendeu a calcular e travar o vetor de saída com cada vez mais confiança, permitindo que surgisse a poucos metros de onde pretendia, ao invés de se perder na vastidão do Mundo Parado como uma sombra perdida.
Dia após dia, salto após salto, ele cortava a quarta dimensão com foco nervoso. Os declives que criava ficavam mais limpos, os túneis que abria se estendiam mais longe, e o medo que antes apertava seu peito lentamente se dissolvia numa empolgante disciplina cautelosa, que só surge quando um guerreiro começa a confiar em seus próprios instintos.
Na quinto dia, ele já abria túneis com quase dez mil quilômetros de extensão.
No sexto, conseguia pousar em recifes específicos ao redor do oceano partido do Mundo Parado.
E no sétimo, começou a atingir alvos menores que uma garra de Moltherak… três vezes seguidas.
E foi nesse momento que a confiança começou a tomar conta.
"Muito bem", disse Moltherak na manhã do oitavo dia, com tom orgulhoso, porém cauteloso, ao ver Leo retornar de mais um salto bem-sucedido.
"Sua técnica se estabilizou bem. Acho que agora estamos prontos para saltar entre planetas. E, uma vez que domine isso também em cerca de uma semana, seu treinamento estará finalmente completo."
Ele orientou enquanto Leo concordava com um aceno de cabeça.
Cada túnel bem-sucedido fazia a próxima parecer mais fácil, mais fluida, quase natural, como se a quarta dimensão estivesse começando a aceitar sua presença, ao invés de resistir.
Então, quando Moltherak sugeriu a viagem interestelar, Leo não sentiu medo, mas apenas entusiasmo.
"Para calcular o vetor de saída exato para uma viagem entre planetas, você precisa aprender a ler o mapa universal."
"É um guia de viajantes criado lá nos tempos em que eu era um dos governantes do universo, que permitia ao Exército de Dragões invadir mundos inimigos."
"Ele era autoajustável, portanto deve ser preciso mesmo hoje, apesar dos planetas terem se deslocado de suas posições originais."
Compartilhou Moltherak, entregando a Leo uma cópia do mapa universal, que mostrava claramente todas as inclinações de entrada e vetores de distância necessários para uma viagem interestelar precisa.
"Nossa, isso é bem fácil de ler e seguir…" disse Leo, surpreso, pois, mesmo sendo proficiente na leitura do idioma antigo, não teve dificuldades em entender como usar o mapa universal, traçando rapidamente uma rota para Ixtal.
"Pode confirmar se estou fazendo certo?"
Perguntou, enquanto Moltherak olhava seus cálculos e assentia com a cabeça.
Para viajar do Mundo Parado para Ixtal, ele precisava perfurar a quarta dimensão com um declive de 31,45°, atravessando exatamente 1.788 barreiras para chegar à superfície do planeta.
Se saísse na barreira 1.787, ficaria suspenso na alta atmosfera.
Se fosse na 1.789, acabaria no núcleo do planeta.
Ou seja, a margem de erro era mínima.
"Não perca o controle na contagem mental de quantas barreiras você passou."
"E lembre-se, todas as membranas temporais precisam ser cortadas exatamente no declive de 31,45°."
"Um único erro no túnel espacial pode ser fatal…"
Advertiu Moltherak, enquanto Leo guardava a recomendação com seriedade e assentia.
"Não vou errar… consegui isso!"
Disse com confiança, enquanto moldava seu escudo de aura, antes de formar a adaga de aura por hábito.
"28… 29… 30… 31.. 31,45°"
Mediu, fixando o ângulo na memória muscular, e então atirou repetidamente no mesmo ângulo sem cometer sequer o menor erro.
"Foque totalmente. Sua mão está relaxada demais. Se você for tão casual ao fazer túnel espacial, vai acabar errando em algum momento!" lembrou Moltherak atrás dele, enquanto—
"Não se preocupe, velho dragão, estou totalmente focado", respondeu Leo, enquanto apertava ainda mais a força —
*CRRRAACK*
Ele avançou, abrindo o túnel espacial como treinado, entrando nele com confiança, despedindo-se do velho dragão com um aceno.
Por um tempo, tudo parecia normal, enquanto ele começava a cortar as membranas temporais uma após a outra, com precisão absoluta.
Porém, ao passar pela que deveria ser a 73ª membrana, sua adaga de aura surpreendentemente deslizou adiante e não encontrou resistência alguma, pois a tremorizinha suave prevista simplesmente não apareceu — como se o tecido do túnel tivesse se afinado ao toque dele.
'Estranho… talvez uma brecha irregular?'
Pensou, ao dar mais um passo, esperando que a próxima barreira o cumprimentasse com seu ondular suave habitual. Contudo, sua adaga só encontrou ar dimensional aberto, e o declive abaixo dele se nivelou de forma anormal, como se tivesse sido limpo com um espanador.
Ele franziu levemente a testa e continuou andando, contando na cabeça com o mesmo ritmo firme que praticara mil vezes na semana.
Setenta e quatro.
Setenta e cinco.
Setenta e seis.
Ainda nada.
Uma sensação de desconforto apertou seu peito, mas ele respirou fundo, se tranquilizando — afinal, anomalias podem acontecer, pois Moltherak tinha mencionado brechas estranhas, raras e inofensivas.
Então, deu mais um passo.
Setenta e sete.
Setenta e oito.
Setenta e nove.
Porém, infelizmente, ainda não havia membrana, tremor ou resistência, nem mesmo o mais leve ruído de que a quarta dimensão estivesse resistindo à sua aproximação.
Apenas passagem vazia e lisa.
Foi aí que a dolorosa verdade começou a invadir seu âmago como uma lâmina atravessando tecido.
'Não… não, essa passagem está errada. As brechas nunca duram tanto assim. Elas não podem ser tão longas.'
Ele estendeu sua aura, varrendo o túnel em um arco amplo, procurando e quase implorando por qualquer vestígio de fricção temporal, mas tudo que sentiu foi–
Nada.
Um vazio perfeito.
Perfeito demais.
Demasiado limpo.
Seu pulso acelerou enquanto os avisos de Moltherak ressurgiam com clareza esmagadora.
'Se você não sente paredes temporais, não está mais em um túnel.'
'Está sendo puxado para o infinito vazio, um lugar sem saídas, sem rachaduras, sem volta.'
O velho dragão tinha alertado, enquanto Leo congelava, e a inclinação sob seus pés começava a mudar sutilmente, quase imperceptível, inclinando-se para dentro de uma curvatura mais profunda, que qualquer um que tivesse estudado a quarta dimensão por semanas reconheceria irrefutavelmente.
Era essa força de atração que lhe dissera para temer.
Era essa corrente que engolia quem se aventurava sem cuidado.
'Droga… devo ter inclinado o ângulo demais… muito afiado… algo está errado… não é o vetor que calculei…'
pensou, ao sentir a respiração acelerar enquanto girava bruscamente, tentando captar até mesmo um eco fraco de seu ponto seguro final. Mas o túnel atrás dele já começava a perder sua estrutura, as paredes se dissolvendo em uma névoa pálida e oscillante.
'Que droga!'
Pensou, recuando um passo, só para ver o chão sob seus pés ceder mais um pouco.
'Droga… droga… droga!'
Pensou, enquanto uma sucção silenciosa e implacável começava a puxá-lo em direção a uma região onde até o tempo se recusava a existir.
"Não… não, isso é a cascata do vazio… é o vazio…"
Leo sussurrou enquanto o coração martelava dentro de sua cabeça, a realização atravessando-o com brutalidade: ele tinha cometido um erro clínico em algum lugar, e naquele momento, estava indo direto para o infinito vazio.