Assassino Atemporal

Capítulo 853

Assassino Atemporal

(Dentro do Mundo Congelado no Tempo, Ilha Flutuante de Moltherak, ponto de vista de Leo)

Leo permanecia no centro da câmara com as palmas das mãos levemente abertas e sua aura se desenrolando ao redor dele, uma tênue névoa carmesma flutuando pelo ar enquanto Moltherak circulava lentamente, guiando gentilmente o dragão na sua primeira tentativa prática de sentir a quarta dimensão.

"Expanda sua aura, garoto, não para esmagar ou intimidar, mas para sentir," instruiu Moltherak suavemente, sua voz vibrando com uma paciência ancestral. "Procure lugares onde sua intenção de matar passa suavemente, depois procure por onde ela desacelera, como se estivesse empurrando contra alguma resistência teimosa, e então procure novamente por onde ela escorregue com quase nenhum resistência. Essas diferenças mínimas são o começo do que você precisa aprender."

Leo respirou fundo, assentindo enquanto impulsionava sua aura para fora até preencher toda a câmara, cada respiração firme enquanto tentava mudar o foco do comportamento da aura para a experiência dela, seguindo as instruções de Moltherak com total concentração.

"Muito bem, agora ouça atentamente sua intenção de matar," continuou Moltherak, tocando o chão com a ponta de sua garra de dragão.

"Você não está tentando detectar as paredes diretamente, está tentando perceber como sua aura reage ao terreno invisível ao seu redor. Deixe a aura ser seus dedos, deixe o ar ser o cortinado, deixe a pressão ou sua ausência guiar sua compreensão."

Leo fechou os olhos, franzindo a testa com força enquanto espalhava novamente sua aura, focando intensamente nas menores mudanças de sensação, esperando detectar qualquer coisa que parecesse uma queda, um vazio ou uma área fina no tecido do mundo.

Passaram segundos.

Depois minutos.

Nada.

Sua aura parecia exatamente igual em todos os lugares.

Apenas pressão.

Apenas peso.

Apenas ele.

Ele tentou novamente, impulsionando a aura em uma onda mais suave, depois recolhendo-a, depois estendendo-a abruptamente para ver se o movimento súbito ajudaria a sentir uma mudança na estrutura invisível ao redor.

Mas, infelizmente, não sentiu nada.

Não houve escorregamento.

Não houve armadilha.

Não houve finura.

Não houve distorção.

Apenas a mesma pesada névoa pressionando para fora, preenchendo a mesma câmara, encontrando o mesmo ar, reagindo da mesma forma, independentemente do ângulo ou da intensidade que Leo usasse.

"Velho Dragão… não sinto nada," murmurou Leo, com frustração lentamente se infiltrando em seu tom.

"Claro que você não vai sentir de imediato," respondeu Moltherak enquanto flutuava para a esquerda de Leo.

"Tente novamente. Mas desta vez, aumente sua focagem de forma mais sutil. Sua aura está muito grosseira. Ameace-a até parecer seda, e não lâmina."

Leo exalou e suavizou sua aura, deixando-a se desenrolar lentamente, como uma névoa suave que se desprende ao expirar.

Ele esperou.

Continuou sem sentir nada.

tentou expandi-la mais rápido, depois mais devagar, em espirais, e em pulsações em camadas semelhantes ao treinamento do escudo de aura.

Nada.

Tudo parecia plano, uniforme, vazio.

Nem mesmo um leve tremor de mudança.

Leo fechou os punhos enquanto a irritação surgia sob a pele. "Tenho certeza de que estou fazendo algo errado?"

"Você está fazendo tudo corretamente," garantiu Moltherak, "mas fazer algo correto não garante progresso quando seus sentidos nunca antes exploraram esse reino." tente novamente."

Ele encorajou, enquanto Leo tentava mais uma vez.

Depois de novo.

Depois de mais uma vez.

Minutos pareceram horas enquanto ele repetia os mesmos movimentos com foco absoluto, cada tentativa encontrando a mesma parede de sensação vazia, cada extensão de aura retornando a mesma resposta monótona.

Ele caminhou de um lado ao outro.

Ficou parado.

Focou profundamente.

Esvaziou a mente.

Mas, infelizmente, nada ajudou, pois, no final, ele ainda não percebia nada.

Finalmente, após o que pareciam ciclos excessivamente longos de tentativas infrutíferas, Leo desabou os braços com um suspiro derrotado.

"Velho dragão… acho que estou só cutucando o ar de idiota."

ele disse, enquanto Moltherak observava por um momento, seus olhos antigos varrendo lentamente a expressão cansada de Leo, antes que o dragão soltasse uma respiração profunda e pesada.

"Pois é," disse Moltherak calmamente, esfregando a testa com uma garra gigante, "isso vai levar um tempo pra você entender, pelo menos uns dois anos."

Ele falou, enquanto Leo se preparava mentalmente para um período de treinamento exaustivo por cerca de dois anos.


(Ponto de vista do Chaosbringer)

Chaosbringer estava sentado atrás de sua mesa de madeira polida, os dedos tocando suavemente o braço do móvel enquanto revisava os relatórios pendentes do dia, sua expressão serena de modo que parecia que nada no universo poderia abalar sua compostura, quando as portas de seu escritório de repente se abriram com força.

*Bam*

"Sétimo Ancião! Sétimo Ancião!"

Uma jovem assistente entrou às pressas, ofegante, com o rosto pálido de pânico e segurando uma prancheta de dados contra o peito, enquanto o som de seus passos ecoava com urgência pelo ambiente.

Chaosbringer levantou lentamente o olhar, encontrando seus olhos frenéticos com uma calma tão profunda que parecia quase ensaiada, como se já tivesse se preparado para qualquer desastre que ela achasse estar trazendo.

"Tenho notícias terríveis…"

Ela começou, a voz trepidando um pouco enquanto tentava controlar a respiração.

Chaosbringer apenas levantou uma sobrancelha, sua mente já adiantada, pois sabia exatamente qual era o assunto que ela veio comunicar, já que havia ensaiado essa cena há muito antes dela entrar na sala.

"O Quarto Ancião… ele, ele faleceu ontem à noite, enquanto dormia," ela gaguejou, enquanto as mãos se apertavam ainda mais na prancheta de dados, "e os médicos declararam oficialmente sua morte nesta manhã."

Ela informou, enquanto Chaosbringer soltava uma longa expiração controlada, recuando da mesa, com uma expressão de compaixão suave moldada com precisão, uma expressão que treinara muitas vezes ao longo dos anos sempre que a situação exigia que parecesse humano.

"Alguma suspeita de assassinato?"

Ele perguntou suavemente, com as mãos cruzadas sobre a mesa, o tom perfeitamente equilibrado, carregando a preocupação e autoridade necessárias, enquanto a assistente balançava rapidamente a cabeça.

"Nenhuma suspeita. Os primeiros relatos dizem que foi insuficiência cardíaca. Os investigadores internos também não encontraram nada suspeito."

Ela respondeu, e Chaosbringer assentiu lentamente, sua expressão ficando séria.

"Entendo… realmente lamentável então," murmurou, fechando brevemente os olhos como se estivesse honrando a memória do falecido Ancião, "ele era um bom homem, amado por muitos, uma coluna do conselho de nossos anciãos."

"Tenho certeza de que sua ausência será sentida profundamente."

Ele disse, enquanto a assistente fazia uma reverência, baixando a voz.

"Planejam realizar um funeral público amanhã. Estima-se que milhares compareçam, talvez até dezenas de milhares, considerando o respeito que ele inspirava."

Ela compartilhou, enquanto Chaosbringer abria os olhos novamente, oferecendo um sorriso suave e melancólico.

"Então, claro, também irei comparecer," disse com suavidade, levantando-se e ajustando as mangas de sua túnica com graça deliberada.

"Informe a equipe de segurança sobre minhas intenções. Eu prestarei minhas últimas homenagens como um irmão leal do Culto deveria."

Ele afirmou, enquanto a assistente assinalava em assentimento.

"Sim, Sétimo Ancião. Avisarei imediatamente."

Ela respondeu, enquanto se curvava rapidamente em reverência e se dirigia à porta, sem perceber a verdade que permanecia por trás da máscara cuidadosamente construída por Chaosbringer.

*Clique*

As portas se fecharam suavemente, o silêncio voltando ao ambiente, até que finalmente a expressão de Chaosbringer se transformou.

Sua sobrancelha se achatou numa linha fina, fria, desprovida de pesar, de culpa, até mesmo de qualquer tremor de remorso, enquanto tocava levemente as unhas polidas contra a mesa.

*Clique*

"O Quarto Ancião," sussurrou baixinho, "deveria ter escolhido suas alianças de forma mais sábia."

Um leve brilho de satisfação passou por seus olhos, do tipo que só alguém que arquitetou a própria morte lamentada poderia possuir.

Enquanto a assistente corria pelos corredores preparando os arrangements do funeral, ela permanecia completamente alheia ao fato de que era a própria ordem de Chaosbringer, assinada silenciosamente e executada por sombras que lhe deviam a vida, que tinha garantido que o Quarto Ancião não acordaria mais.

E amanhã, sob a multidão de luto, entre lágrimas, orações e ritos cerimoniais, Chaosbringer planejava estar entre todos eles com aquela mesma expressão serena, homenageando uma morte que ele mesmo tinha escrito na existência.

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