
Capítulo 836
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, dentro do Mundo Congelado no Tempo, no Local de Ascensão, ponto de vista de Leo)
Conforme prometido, Chaosbringer entregou tanto o local de avanço quanto a poção de nível Monarca em quarenta e oito horas após Leo solicitá-los. Agora, Leo permanecia silencioso no centro da planície limpa, com a pequena vasilha de vidro repousando na mão, o líquido levemente brilhante refletindo nos seus dedos enquanto uma respiração de alívio escapava do peito dele.
*Suspiro*
Ele deixou o ar sair lentamente, uma sensação de gratidão invadindo-o, pois nem sequer podia imaginar o quão problemática sua vida teria se tornado sem que Chaosbringer cuidasse de questões enfadonhas como aquelas.
Correr atrás de ingredientes, negociar com mestres de poções excêntricos, montar um local seguro para o avanço e coordenar inúmeros detalhes menores eram tarefas que Leo nem gostava, nem tinha paciência para fazer — até imaginar-se realizando qualquer uma delas dava-lhe cansaço.
"Obrigado por tudo que faz por mim, velho amigo."
Ele murmurou, enquanto—
*assobio*
Uma brisa fria passou pelas suas orelhas, quebrando o silêncio absoluto das planícies ao redor.
"De Transcendente a Monarca", ele sussurrou suavemente, elevando o olhar para a cadeia de montanhas que circundava a planície, "o passo final na jornada de um mortal rumo à imortalidade."
Ele fez uma pausa e deixou que a verdade se assentasse, pensando em como a condição de Monarca representava o ápice absoluto do que um mortal poderia alcançar como guerreiro, pois além disso, os reinos de semi-deuses e deuses deixavam de ser estágios 'mortais'.
"É o que meus mestres em Rodova esperavam que eu me tornasse algum dia…"
Ele disse, com a voz calma, embora uma ponta de nostalgia percorresse sua expressão, ao recordar a palestra recebida em Rodova que explicava a diferença entre um guerreiro Transcendente e um de Nível Monarca—
Um Transcendente possuía um sistema interno unificado onde sangue, nervos e circuitos de mana se fundiam para criar uma rede de vida única, permitindo que o poder fluísse pelo corpo sem obstáculos.
Porém, mesmo no limite do reino, um Transcendente permanecia preso à mana armazenada dentro de si, incapaz de influenciar a mana ambiente que flutuava livremente ao seu redor, enquanto um Monarca não tinha essas limitações.
Em nível de Monarca, cada célula do corpo começava a sofrer mutações, remodelando-se em estruturas capazes de armazenar quantidades muito maiores de mana, à medida que o reservatório interno se tornava tão denso que naturalmente estendia sua influência para o ar ao redor… foi essa propagação externa que formou uma conexão sutil entre a mana interior do Monarca e a mana do ambiente, permitindo que eles a ajustassem, puxassem ou guiassem a seu favor dentro de um alcance limitado.
"Por isso, Monarcas podem voar", Leo sussurrou enquanto observava uma linha tênue de poeira rolando pelo chão, "pois podem empurrar contra a mana ao seu redor e se elevar tão facilmente quanto respirar."
Ele falou, enquanto uma chama de entusiasmo começava a surgir ao seu redor, ao pensar na possibilidade de voar em breve.
*Estalos*
*Estalos*
Afrouxando suavemente o pescoço, Leo começou a aquecer o corpo, girando os ombros e alongando os braços em movimentos lentos e controlados, preparando-se mental e fisicamente para o que o aguardava.
"Vamos lá… vamos fazer isso", murmurou, baixando o olhar para a vasilha na palma da mão, enquanto o suave brilho violeta desenhava os contornos do seu rosto.
*Brilho*
Por um momento, ele apenas segurou ali, permitindo-se sentir o peso silencioso de tudo que aquilo simbolizava.
"Uma pequena garrafa, mas de valor incalculável", disse suavemente, o polegar deslizando sobre o vidro frio enquanto levantava a tampa em direção aos lábios e a inclinava levemente, assistindo às ondas iridescentes do líquido refletindo a luz.
*Estalos na rolha*
A rolha escorregou com um som suave, liberando um leve aroma metálico que se espalhou pelo ar em uma onda lenta.
"Cobre…", observou Leo silenciosamente ao inspirar novamente, os olhos se estreitando com um leve sorriso de diversão diante do cheiro familiar.
"Hmmm. Isso vai doer…" murmurou, embora um sorriso resignado surgisse nos lábios, pois sabia que qualquer coisa capaz de forçar uma mutação em cada célula do seu corpo certamente não seria gentil.
E, sem dar tempo para reconsiderar, tocou a vasilha nos lábios e engoliu todo o conteúdo de uma só vez.
*Engolindo com força*
*Engolindo com força*
Assim que a poção deslizou pela língua, uma ardência metálica intensa explodiu na boca, seguida por um amargor profundo que lembrava pedra triturada, ervas queimar e ferro cru recém-saído de uma fornalha.
Era como se estivesse bebendo um raio condensado.
"Hah…", exalou, enquanto a amargura persistente escorregava pela garganta, a gota final se acomodando no peito.
"Droga…."
Ele exclamou, pois, embora o gosto fosse ruim, logo esse aspecto passou a ser o menor de seus problemas, já que os efeitos potentes lhe traziam dores maiores do que mau hálito.
*Tremor*
Um tremor intenso percorreu sua espinha, como se algo antigo tivesse despertado em suas veias, batendo uma vez como um segundo coração, antes de irromper violentamente para fora.
*Fwoom*
Mana descontrolada rugiu através dele em ondas selvagens, inundando seu sangue com um calor tão intenso que parecia que fogo tinha sido despejado dentro dos ossos.
Seus músculos se tensionaram.
Seus nervos se acenderam.
Sua respiração ficou presa, enquanto a pressão aumentava por dentro, empurrando contra cada fibra e célula com uma força avassaladora.
"Ah, sim… fica pior a cada avanço…."
Ele disse, enquanto um gemido baixo escapava dos dentes, não de pânico, mas pelo peso da pressão crescendo dentro dele.
O calor não parecia mais apenas fogo, mas metal derretido sendo vertido em todas as articulações, espalhando-se ainda mais até que até os espaços entre as células pareciam se estender e tensionar.
*Feche os dentes*
Sua mandíbula se fechou forte ao inspirar pelo nariz, sentindo a sensação estranha de seu corpo se transformar de maneiras que nunca deveria, sem a intervenção da poção.
*Anel*
Um zumbido suave começou a encher seus ouvidos, ritmo constante, como se o próprio mundo tivesse começado a pulsar ao ritmo do seu coração acelerado.
"Bom… continue…" ele murmurou, enquanto a primeira verdadeira faísca de mutação celular despertava sob a pele, sinalizando que a escalada rumo ao Nível Monarca finalmente havia começado.